Cuidem bem da natureza...

Lembro que pela efeméride açoriana religiosa, o mesmo que dizer, os 150 anos da freguesia da Serreta (em 2012) fui autora de algumas quadras a pedido da comissão da festa. Uma delas com destino aos carros alegóricos do Bodo de Leite, da terça-feira, rezava assim:

A Relíquia do Queimado
E a Mata soberana
São nosso pulmão sagrado
Da paisagem Açoriana.

Atualmente, maio de 2013, passando na mesma paisagem que é a Mata soberana, um pouco antes de chegar ao coração daquela Mata, encontra-se uma verdadeira devastação feita por máquinas cuja condução é a mão humana e a orientação privada ou pública (nem sei bem). Quase que não reconheço, à passagem, aquela zona nua de arvoredo e cheia de restos mortais arbóreos. Tal como eu, muitas pessoas se interrogam sobre este efeito visual. Certamente que não o fizeram por mal mas fica muito mal a quem vê e sente tristeza por ver a devastação daquele pulmão sagrado, dito por mim mesma.

A minha esperança é que volte à terra o que da terra foi arrancado, i. é., volte a replantar-se a imensidão de verdes que coroam aquela zona da ilha - a noroeste. Levará algum tempo a ver-se o novo efeito. Dói muito olhar o atual efeito… Restos de paus por todo o lado num emaranhado que até assusta o transeunte mais sensível.

Quando uma árvore chora
No colo da humanidade
Aos céus nossa alma implora:
Quando virá a novidade?!

A novidade da terra
Floresce em cada canto,
Mas se lhe fazemos guerra
Perde todo o seu encanto.

Minha terra sem arvoredo,
É um manto sem valores,
Digo isto por ter medo
De o perderem nos Açores.

Junto à Mata da Serreta
O pulmão da nossa ilha
Surgiu nova valeta
Uma chaga na estampilha.

Cuidem bem do verde ilhéu,
Cuidem bem da natureza:
É ela que se ergue ao céu
E lhe sorri com beleza.

Angra do Heroísmo, 23 de maio de 2013.

Rosa Silva (“Azoriana”)

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