2012/11/30 Homenagem ao cantador terceirense: António Mota

Para memória futura e da cultura popular terceirense:

40 ANOS DE CANTIGAS

Homenagem a António Nunes Mota

Salão da Sociedade Filarmónica Recreio dos Lavradores da Ribeirinha, ilha Terceira, Açores.


Com repertório variado, sendo declamado um poema do cantador Mota, por Luís Nunes; discursos do presidente da Sociedade Filarmónica, o presidente da Junta de Freguesia, a presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e o comendador Luís Bretão, que fez a retrospetiva de uma vida, após vermos um vídeo demonstrativo do seu percurso artístico, terminando com as palavras emocionadas e comovidas do homenageado, António Mota.




António Nunes Mota nasceu a 6 de maio de 1954, no Largo de Fátima, freguesia da Ribeirinha. Filho de Francisco Pereira da Mota e de Maria de Jesus Nunes Mota. Funcionário público. (...) Para cantar, foi três vezes ao Canadá e duas à América do Norte.




Começou, com a idade de dezoito anos, a improvisar cantigas em matanças e festas particulares. Tomou parte em cantorias com a Turlu, Abel Costa, Ferreirinha das Bicas, Ferreira da Costa, José Caniço, Barbeiro, Luís Carlos Ferreira e muitos outros. Escreveu enredos para danças: «Críticas Sociais», «Uma Mercearia Ambulante» e «Ricos e Pobres».

O António Mota é um improvisador de espírito sereno e comunicativo. As suas cantigas são caracterizadas por motivações singelas e ritmos nostálgicos que causam profundo impato nas pessoas que o escutam.




(Fonte: “Improvisadores da Ilha Terceira”, MARTINS, J. H. Borges. 1989, página 395).




Seguiu-se a declamação de uma dedicatória pelo poeta Hernâni Candeias e a oferta de duas quadras e uma sextilha por cada um dos 22 cantadores e 6 tocadores, perfazendo 44 quadras, 22 sextilhas e mais uma de agradecimento pelo Mota, que fechou esta parte.

Eis o que recordo ter cantado:

Nesta noite estou feliz
Acho que toda a gente nota
Foi o que sempre quis
Homenagear o amigo Mota.

Trago flores no coração
Pra florir na quadra minha
Pró homem de S. Sebastião,
Fortaleza da Ribeirinha.

Adeus senhoras e senhores
Neste ato tão correto
Adeus nossos cantadores
E cordas com tanto afeto
Viva o cantador dos Açores
Sua família e seu neto.

Depois tivemos a excelência das vozes das filhas de António Mota, junto com outra fadista, que compõe o grupo Fadalistas. Foi uma atuação lindíssima com vozes que honram o pai, a freguesia e a ilha, bem como os Açores. Fados com ritmo e espetaculares vozes, dignas de registo e aplausos acentuados. Parabéns ao cantador e a todos os que elevam a cultura popular e o improviso, o dom que nasce e não se cria, partilha-se.

Após a distribuição de prendas aos cantadores e tocadores intervenientes teve vez um beberete agradável num convívio salutar.

Parabéns a todos e bem-haja o nosso cantador amigo António Mota que mostrou que o coração mostra a sua emoção através do olhar e do abraço forte!

2012/11/30

Rosa Silva (“Azoriana”)




Censo populacional português de 2011

Portugal


O Continente e as Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, segundo o resultado definitivo dos Censos 2011, produzidos pelo INE, obtiveram um total geral de 10.562.178 indivíduos, sendo 5.046.600 do sexo masculino e 5.515.578 do sexo feminino. Nota-se logo que o sexo feminino supera o número do sexo oposto.

A população residente menor de 1 ano de idade totaliza 96.761 indivíduos, sendo 49.046 masculinos e 47.715 femininos. Aqui nota-se que os meninos superam o número das meninas. Com idade superior a 18 anos totaliza 8.657.240 indivíduos, sendo 4.072.122 do sexo masculino e 4.585.118 do feminino. Na idade jovem / adulta o sexo feminino marca evidência.

Na idade infantil, agregando dos 0 aos 14 anos (ou <15 anos), sem atividade económica, totalizam 1.572.329 indivíduos, sendo 803.999 do sexo masculino e 768.330 do feminino. O primeiro supera o segundo, como é evidente.

Na idade juvenil, agregando dos 15 aos 19 anos, totalizam 565.250 indivíduos, sendo 288.525 masculinos e 276.725 femininos. Novamente, o primeiro supera o segundo.

Na idade adulta (dos 20 aos 64 anos / HM = 6.414.535) e idosa (65 e + anos / HM = 2.010.064), agregando dos 20 e + anos, totalizam 8.424.599 indivíduos, sendo 3.954.076 masculinos e 4.470.523 femininos. Aqui nota-se que o sexo feminino supera o oposto. Se destacarmos apenas a população idosa, dos 65 e + anos, obtemos um total de 2.010.064 indivíduos, sendo 842.324 idosos e 1.167.740 idosas, prevalecendo a idade feminina.

Podem tirar-se, assim, algumas conclusões: Do total geral da população portuguesa, 10.562.178 indivíduos, em primeiro lugar está a população adulta ou idosa com 79,76 %, a infantil em segundo com 14,89% e em terceiro lugar a juvenil com 5,35%.

A população residente de atividade económica ativa, a partir dos 15 anos, totaliza 5.023.367 indivíduos, que corresponde exatamente ao número de indivíduos num grupo socioeconómico, cujo estado civil se divide por solteiro, casado, divorciado ou viúvo.

A população residente inativa ou sem atividade económica totaliza 5.538.811, que corresponde exatamente ao número de indivíduos inativos, sem grupo socioeconómico.

Por último, um destaque para a população com mais de 100 anos que totaliza 1.526 indivíduos, sendo 273 masculinos e 1.253 femininos. Neste caso, 82,11 % é a parte feminina. É interessante verificar que <1 ano tem uma percentagem de 50,69% masculina e 49,31 feminina.


Região Autónoma dos Açores


O resultado definitivo dos Censos 2011, produzidos pelo INE, para a R. A. Açores, totalizou 246.772 indivíduos, sendo 121.534 do sexo masculino e 125.238 do sexo feminino. Novamente, o sexo feminino supera o número do sexo oposto.

A população residente menor de 1 ano de idade totaliza 2.720 indivíduos, sendo 1.406 masculinos e 1.314 femininos. Aqui também notamos que os meninos superam o número das meninas. Com idade superior a 18 anos totaliza 192.357 indivíduos, sendo 93.687 do sexo masculino e 98.670 do feminino. Na idade jovem / adulta o sexo feminino continua a marcar evidência.

Na idade infantil, agregando dos 0 aos 14 anos (ou <15 anos), sem atividade económica, totalizam 44.497 indivíduos, sendo 22.604 do sexo masculino e 21.593 do feminino. O primeiro supera o segundo, evidentemente.

Na idade juvenil, agregando dos 15 aos 19 anos, totalizam 17.011 indivíduos, sendo 8.707 masculinos e 8.304 femininos. O sexo masculino continua a superar o feminino.

Na idade adulta (dos 20 aos 64 anos / HM = 153.186) e idosa (65 e + anos / HM = 32.378), agregando dos 20 e + anos, totalizam 185.564 indivíduos, sendo 90.223 masculinos e 95.341 femininos. Aqui nota-se que o sexo feminino supera o oposto. Se destacarmos apenas a população idosa, dos 65 e + anos, obtemos um total de 32.378 indivíduos, sendo 13.119 idosos e 19.259 idosas, prevalecendo a idade feminina.

Podem tirar-se, assim, algumas conclusões: Do total geral da população da R. A. Açores, 246.772 indivíduos, em primeiro lugar está a população adulta ou idosa com 75,20 %, a infantil em segundo com 17,91% e em terceiro lugar a juvenil com 6,89%.

A população residente de atividade económica ativa, a partir dos 15 anos, totaliza 114.920 indivíduos, que corresponde exatamente ao número de indivíduos num grupo socioeconómico, cujo estado civil se divide por solteiro, casado, divorciado ou viúvo.

A população residente inativa ou sem atividade económica totaliza 131.852, que corresponde exatamente ao número de indivíduos inativos, sem grupo socioeconómico.

Por último, um destaque para a população com mais de 90 anos que totaliza 990 indivíduos, sendo 263 masculinos e 727 femininos. Neste caso, 73,43 % é a parte feminina. É interessante verificar que <1 ano tem uma percentagem de 51,69% masculina e 48,31 feminina.


Conclusão


Os números não enganam. A população está envelhecida e o sexo feminino tende a prevalecer em relação ao masculino. Na infância dá-se precisamente o oposto, em que o sexo masculino é mais elevado que o feminino.

Este cenário apreciativo resulta da visão do total de Portugal e de uma parcela que é a Região Autónoma dos Açores.


Resumo geral




Censos 2011



HM



H



M



Portugal



       10.562.178



        5.046.600



         5.515.578



     Continente



       10.047.621



        4.798.798



         5.248.823



Norte



         3.689.682



        1.766.260



         1.923.422



Centro



         2.327.755



        1.111.263



         1.216.492



Lisboa



         2.821.876



        1.334.605



         1.487.271



Alentejo



            757.302



           366.739



            390.563



Algarve



            451.006



           219.931



            231.075



    R. A. Açores



            246.772



           121.534



            125.238



    R. A. Madeira



            267.785



           126.268



            141.517




 


Fonte: www.ine.pt | Censos 2011. Resultados definitivos: Portugal. População

Foi-se embora o meu Natal...

Nota: Antes de escrever este artigo estava em estado normal. Não me apetecia rir nem chorar. À medida que o fui escrevendo apoderou-se de mim uma tristeza avassaladora ao ponto de o terminar abraçada às lágrimas que teimavam em fazer-se notar.


 


Fui à baixa citadina

Hora de almoço. Raramente a usufruo na plenitude. Hoje foi diferente. Tinha que ir por força da obrigação. Há “mandaletes” que não se podem mandar por ninguém. Temos que ir nós mesmos, mesmo que a vontade não seja cúmplice. Fui à baixa citadina, à nossa mui nobre e leal cidade de Angra do Heroísmo. Como é bonito pronunciar esta expressão dourada pelos anos que já se conta. Fui e voltei muito nas calmas, saboreando a rua, ora por um lado, ora por outro. Fui por uma e voltei pela outra e deu tudo no mesmo: a meta, o destino.

Apreciei os transeuntes, apreciei as montras e até entrei numa loja que sempre gostei de dar a volta e sair, mesmo que não chegue a adquirir seja o que for. Ouço apenas a música ambiente que é um alívio para a alma. Desta feita já é música natalícia… Trauteei em surdina, não fossem ficar pasmados a olhar para o meu rumor musical. Saí da dita loja e fui até à montra de outra. Pasme-se! Tinha precisamente um vistoso e lindo presépio com todas as peças: São José, Nossa Senhora, o Menino Jesus numa manjedoura e… que mais?! Será que ainda posso escrever?! Claro que ainda lá está, disponível para quem quiser adquirir, um BURRO e uma VACA. Gracejei com a cena junto de uma pessoa anónima e ouvi resposta adequada que nem me atrevo a repetir. Só sei que essa resposta ficou-me na mente e jamais a esquecerei… Não sabia o que fazer: se ria ou chorava. Ri todo o caminho de volta e nem me importei com quem olhasse para mim, mas por dentro chorava convulsivamente… Tive pena de neste dia precisamente ter perdido o meu oásis infantil, o meu Natal. Que lindo que era o meu Natal de menina inocente. Um recanto da sala todo preenchido com verdes e musgos, pedras e “bonecos da igreja”, parafraseando uma pessoa que conheço muito bem. Talvez agora lhe dê razão… Tenho muita pena que ela esteja certa… Que tenha nascido num tempo mais avançado que o meu… Que pena o meu presépio de criança ter que afastar um BURRO e uma VACA, agora.



Que importância tem isso? Podem perguntar à vontade e até podem responder-me com todas as frases galantes e certificadas com as leis do Divino… Mas não podem fazer ressuscitar o meu presépio da infância, tão linda e tão mágica que jamais terei ou algum ser meu familiar voltará a ter…




Vejo um futuro incerto
Um passado em manjedoura
Um presente boquiaberto
E uma saudade vindoura.
 


 


Vejo a tela descambar
Sem o burro e sem a vaca
Vejo o demo a cirandar
Com animais na estaca.
 



Vejo cruzes mais de mil
Vejo fome em surdina
E vejo no meu perfil
Uma sombra da doutrina.


 


Vejo tédio, vejo dores,
Vejo crianças gemendo,
E a beleza dos Açores
Vejo que a estou perdendo.



 



P.S. Há coisas que preferia não saber e muito menos vindas da mente do clero supremo. Ámen!


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

"não havia animais"

Vem agora a público (ou melhor soube) que “não havia animais” no presépio onde Jesus, Maria e José foram os residentes por um tempo natalício. Enfim, chego a pensar que prefiro agora saber que os animais são nossos amigos do que os humanos. Se não vejamos: antes, ou melhor, no tempo infantil que aprendi que o burro e a vaca tinham bafo quente para aquecer o Menino, eu própria não era simpatizante de animais de pelo. Com o passar da minha idade, sobretudo na fase que se chama adulta (por entrar nos #entas), comecei a aproximar-me doutros animais de pelo, que é o mesmo que dizer: gato e cão. Os burros e as vacas não lhes passo muito a mão no pelo. E olhem que cada vez mais há “burros” e “vacas”, que andam por esse mundo, com duas patas. Não vou explicar este meu raciocínio porque cada um que leve para onde quiser. Se não percebeu temos pena. Mas que os há, lá isso não tenho dúvida alguma.

Passando novamente ao presépio… Como querem que se mantenha intata a fé dos Homens?! Começo a ter muitas dúvidas em tudo o que me contam e des (contam). Estou quase a dar razão às bocas da descendência que contraria uma série de dogmas impregnados através da doutrina. Agora tiram o burro e a vaca, depois tiram as ovelhas e os carneiros, depois as cabras e os bodes, e sabe-se lá mais que animal embirrento virá por aí para ser retirado da convivência pacífica com o ser humano.

Ainda vou ter dúvidas se o meu gato não é a reencarnação de algum humano que partiu com vontade de ficar por cá. Ainda vou ter dúvidas se voltarei em gato ou cão e se dou uma boa dentada nalgum humano que me inquietou durante a estadia terrena… Podem crer que se voltar em cão ou gato (não quero ser burro nem vaca, livra!) vou morder em tudo o que me apoquenta neste momento.

Neste dia (e não me digam que estou deprimida ou com outra maleita qualquer) apetece-me mesmo é dizer que estamos a ficar velhos e caquéticos, para não dizer mais alguma palavra que roce a ofensa. Basta olhar para a cobertura capilar que apresenta uma série de brancos cabelos e o rosto apresenta olhos que já não enxergam “meia missa”. Haverá uma insanidade intelectual?! E todos já sofrem dela?! Não tenham dúvidas… O que ontem era uma verdade incontestada, hoje é mera brincadeira de fazer dormir os burros e as vacas de quatro pernas…

Tenham santa paciência e antes de abrirem a boca pensem no que irão causar de malefícios mundanos (incluindo os pobres dos animais que são bem melhores que muitos humanos que conheço).

Estou furiosa e revoltada, se é que se pode adivinhar na escrita supra.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Aguarelas portuguesas

erupção feminina da Serreta


 


Dai-me Senhor cores belas
Para pintar o meu desejo
De construir aguarelas
Da forma como te vejo.


 


Este verso aplica-se a quase tudo o que se faz no dia-a-dia, seja pessoal, profissional ou na sociedade. Um dia, naquele que toca a todos sem exceção, quando me for levarei apenas o sorriso das letras que acolho na mente e deixo voar por esse mundo virtual e/ou real.


Se me encontrares sem alma
Perdida entre paredes
Deixa apenas uma palma
Com versos das minhas redes.

Foram redes de prazer
Amor e dedicação
Algumas eu quis perder
Outras guardo no coração.

Foram versos foram cardos
Foram rimas de ventura
Algumas tiveram fardos
De valor e de cultura.

Todo o valor que se dá
Ao que faz o ser humano
Certamente o bem trará
Ao povo açoriano.

Os Açores brilham tanto
Com o seu povo cortês
Que até em cada canto
Há um nome português.

Logo assim faço valer
O meu firme pensamento
Portugal sempre há de ter
Aguarelas de talento.

2012/11/23
Rosa Silva ("Azoriana")

Antes que as letras se calem...

Imagem da União

… E A União desapareça …
Antes que as árvores resvalem
E a gente entristeça…

Deixo um dos meus escritos (o último) na noss’A União. Um jornal que publicou tantas opiniões e onde a minha teve também o seu assento, principalmente em verso, para fazer menção à minha freguesia natal. Estou em crer que não se acabarão tais opiniões mas deixarão um rasto de saudade. Só se dá valor a algo quando esse algo desaparece dos sentidos. Creio, também, que sempre nos ficará eternizado o papel d’A União e tudo o que dela foi marcante na cultura de um povo que também se traduz pela presença das folhas, com letras à cunha, nas colunas personalizadas de um jornal…

E agora? João, Humberta, Sónia, Renato, Lídia… outros e outras que conheço de vista, o que será das vossas crónicas, notícias e trabalhos que gostávamos de ler e saber? Ficarão na memória dos arquivos que guardam tantas horas de dedicação e amor à camisola, muitas das vezes.

Antes que as letras se calem, não se cale o Amor por vocês, jornalistas e amigos das letras e notícias, que vão dando pontos para que, em união, transmitamos o que nos vai na alma…


 



A minha alma se inflama
Quando toca a despedida
Sobretudo para quem ama
O que faz de bom na vida.

Que não tarde a perícia
Nem tão pouco a opinião
Não se perca a notícia
Do jornal A União.

A crise deita por terra
Quem quer subir o degrau
Até as letras enterra
E julgo que isso é mau.
  Andam as pessoas loucas
Sem saber mais que fazer
Para calarem as bocas
Que nada tem para comer.

Mas não calo eu a minha
Nesta hora do “Adeus”
Talvez não esteja sozinha
Na quadra que faço a Deus.

Vinde Jesus e Maria
Vem Divino Espírito Santo
Vem tirar tanta agonia
Às letras que gosto tanto.


 

Aos vinte e três dias do mês de novembro do ano de dois mil e doze eis o meu ponto final. Desejo a todos paciência para o presente e esperança em melhores dias sobretudo para festejarem quem nos ama mais que tudo: o Deus Menino. Talvez agora se dê mais valor ao ser do que ao ter.

Muito obrigada por tudo e um abraço a todos da
Rosa Silva (“Azoriana”)

Comentário recebido por email, de José Fonseca de Sousa

Na continuação da consulta assídua ao seu blogue:  DESTACO E COMENTO

Poema "Folhas Brancas" - (Que Maravilha.....ponto final.)

Poema "Amor doce, doce Amor" - Só pode dar graças ao Divino quem tem o dom de poder transmitir e bem o amor que tem aos filhos em versos. (Que "inveja" eu tenho de si .....).

O poema que começa "Sempre que um raio de sol" - o título que eu lhe dava era: "Uma certa maneira de orar".

* Faça o favor de guardar estas preciosidades junto das que integram o embrião do livro "Recheio de Rimas", porque quem vai, futuramente, beneficiar é a Cultura Popular Açoriana.

Um grande e amigo abraço
José Fonseca de Sousa
Lisboa 19-11-12

Folhas brancas

Nas folhas brancas do peito
Trago todo o meu amor
Se as escrever de bom jeito
Terão logo outro valor.

Nas margens do meu viver
Vejo um presente feliz
Só não sei como vai ser
Se não lembrar do que fiz.

Já fiz tanto por amor
Porque amar é bem-querer
Cultivei a minha flor
No meu jardim de escrever.

E quem poderá regá-la
Na hora da despedida?!
Ai quem pudesse levá-la
Ou sabê-la aqui com vida.

2012/11/17
Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para a Rádio Portugal USA.

Amor doce, doce Amor!

Na paisagem do teu olhar
Está a minha por inteiro
Desde que te vi chegar
Ao meu mundo verdadeiro.

És rebento do meu ser
Bem como os teus dois manos
Tens como eles, podes crer,
A gema de açorianos.

A minha alma se inflama
Por vos ter sempre ao meu lado
Sinal que a mãe vos ama

O destino seja fiel
Vos dê coração dourado
De amor doce como o mel.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dança que dança

Dança que dança Bem que podia escrever o assunto destinado a uma dança de Carnaval para o próximo festival terceirense. Até é bem verdade que já tenho em “arquivo” algumas sextilhas que uma saudação merece. No momento não estou propriamente inclinada para escrever enredos para danças carnavalescas. Falta-me uns pozinhos de humor para rechear uma plateia de sorrisos. Atualmente convém rir a bom rir para desanuviar o estado taciturno que se vê em quase todos os rostos da crise que inflama cada vez mais.

Diga-se que até já evito beber água para não ter de rodar muita vez o botão do autoclismo. Mesmo que ponha uma pedra de peso dentro dele não vai evitar que a roda ande e desabe com uns litros do precioso líquido. O melhor que terei de fazer é angariar fundos para construir um depósito que apare as águas livres que caem graciosas do céu. Temos tido um quinhão razoável nesse aspeto pois a chuva é a única dádiva celeste que dá para lavar corpos e materiais. Só ainda não lavou mentes que teimam em fazer-se melhores e vai-se a ver, daqui a nada, vão tropeçar no labirinto das cadeiras com raízes que remontam a outros séculos.

Quem conseguir mudar o mundo que levante o dedo. Quem conseguir fazer milagres universais que os faça mas pense um pouco no rasto de destruição que vai deixando para trás.

Já percebi, e julgo que muitos também já o perceberam, que para se fazer qualquer alteração há sempre uma revolução. Uns saem vivos com sequelas, outros ficam abananados, e, outros ainda, ficam na lembrança de muitos.

Se não perceberem nada do que os quatro parágrafos anteriores querem dizer, não se preocupem e nem se chateiem porque, em suma, quem percebe está-se nas tintas para esta meia dúzia de desabafos que nem sequer são dignos de patrocínio algum.

Por falar em patrocínio, lembrei-me de uma coisa que me anda a intrigar. Porque não se dá um LOUVOR, ou uma espécie de VOTO DE SAUDAÇÃO ou AGRADECIMENTO PÚBLICO a Sua Excelência o Presidente do Governo Regional dos Açores cessante?

Carlos Manuel Martins do Vale César foi um dos melhores políticos que conheci. Merece tributo. Merece não ser esquecido. Temos, e ainda bem, no portal do Governo Regional uma secção com resumo histórico da sua presidência desde 1996 até outubro de 2012.

Pronto. Por hoje é tudo. Bom fim-de-semana!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Pena que voa

 


Onde estão as palavras sedosas, doces e coloridas de expressões que nos levam ao sonho?! Onde estão os meus escritos frequentes com elos de ligação ao universo tecnológico da abundância de partilhas?! Onde está a inspiração vespertina do verso acompanhado do gosto poético?!

Não sei nem saberão muitos (ou alguns) dos que seguem o tilintar de informação posta em marcha blogosférica.

Hoje, dei comigo a pensar numa frase que ainda estou a remoer o sentido e nem sei se é inédita: A morte é uma pena que voa para levar os bons para Deus! (acrescentaria que com flores em molduras construídas com sabedoria e emoção).





 


Todos os dias morrem (e nascem) punhados de gente. Há casos que impressionam pelo estado de calma e acompanhamento do Divino. Hoje foi um dia de encontrar a paz nos que partem.

Tenham uma boa noite e usufruam da companhia dos amigos e, sobretudo, dos familiares. É que só se vive uma vez nesta onda de encantos. Sejam Felizes!

Uma certa maneira de orar

Faz-se dura a tempestade
Que assola a natureza
Pior que isso é a maldade
Da crise e da pobreza.

 

Há dias fiz esta quadra enquanto a chuva tilintava nas vidraças açorianas. Hoje não chega a tilintar mas mansamente surge para molhar os caminhos por onde tentamos chegar aos patamares laborais.

 

Ultimamente, sinto-me algo desinspirada e amorfa. Estamos quase a rondar o último mês do ano. Parece que foi ontem o começo de 2012 e já se avista outro. É tudo tão rápido, tão efémero que chego a assustar-me com a proximidade das intempéries normais da velha idade. Tenho muito receio de abraçar essa dita. É pena perdermos os contornos juvenis. Mais triste é quando se começa a depender de outrém para qualquer manobra de vida. Não quero continuar na lamechiche, como dirão alguns, mas todos temos horas lamechas, quer queiramos quer não.

 



 

Sempre que um raio de sol
Amanhece em minha vida
Faz-me sair do lençol
Mais alegre e destemida.

 

Sempre que a nuvem cinzenta
Encobre o céu anilado
Faz-me pobre e sedenta
De um verso mais animado.

 


Dai-me Senhor cores belas
Para pintar o meu desejo
De construir aguarelas
Da forma como te vejo.


 


Vejo na mente as raízes
Das rimas que já cantei
Foram horas mais felizes
Que tarde ou jamais verei.


 



 


Rosa Silva ("Azoriana")