Outros momentos: a dor

A dor é a manta do tormento no corpo do entardecer. A dor é um cálice sangrento do punhal a escorrer. A dor nos trespassa sem clemência e nos tira a paciência.


 


Quando se tira um dente
[No meu caso foram dois]
Fica a boca dormente
O pior virá depois.


 


Dores de fazer gritar
Porque o dente estava mal
Tinha raiz a dobrar
E a saída foi fatal.


 


Levou tanta anestesia
Porque a dor era tão fina
Logo pensei que morria
Chorei como uma menina.


 


Dou louvores à dentista
Pela sua boa ação
Tanta broca ali à vista
E fez força de leão.


 


Fica assim feito o registo
Sou utente há vinte anos
Se me vejo fora disto
Desdentada mas sem danos.


 


E cantar ao desafio
Tem a pausa (in)felizmente
O canto vinha vazio
Com a falta de tanto dente.

Rosa Silva ("Azoriana")

Fevereiro, 1/2012 Tribuna Portuguesa, de José Ávila

Sem levantar o pé do chão nem entrar num avião para brindar o nosso povo emigrado por terras americanas com o lirismo que nos voa do fundo do coração bordado pelos genes dos nossos antepassados, venho hoje (e com alguns dias de antecedência) brindar, com alegria, o bonito gesto do amigo José Ávila, do quinzenal da Califórnia cuja página principal trás o título de «TRIBUNA PORTUGUESA». Retribuo, assim, a amabilidade que ele teve ao divulgar na página 27 a minha dedicatória, que reconheci logo por trazer a imagem do cabeçalho do meu blog e que, se não fosse a crise, serviria para a capa de um próximo rascunho do que me vai na alma, de terceirense açoriana com gosto.

Serve este artigo (bem como outros anteriormente) para divulgar que, a partir deste mês, irei guardar zelosamente tudo o que for encontrando por aí de gestos nobres como o de José Ávila, que também fará parte integrante do meu arquivo pessoal de momentos felizes.


 


A felicidade é de momentos e jamais se desprezem os melhores momentos.






 


 


Viemos nús ao nascer e nús havemos de morrer...

A gente bem que não olha
Mas acabamos por ver


Venha o diabo e escolha
O que mais resta fazer.


 


Anda tudo desaurido


Nem pra trás nem para a frente


Portugal está perdido
E perdida está a gente.


 


‘Tou irritada com a nação
E com os seus condutores
Uns comem até mais não
E outros sofrem as dores.


 


Não gosto de falar mal
Nem quero apontar o dedo
Parece-me que Portugal
‘Inda vai nos meter medo.


 


Viemos nús ao nascer
Alguns inté se vestem bem
E nús havemos morrer
Pois por cá nem fica alguém.


 


O primeiro sinal de mudança
É na curva da idade
Deixa-se de ser criança
Quando se conhece a maldade.


 


Mal andamos todos nós
Com manias de perfeição
Bem fizeram nossos avós
Pra nos deixarem um quinhão.


 


Agora perde-se tudo
Não há poupança de nada
Está tudo preso ao canudo
Com a mesa depenada.


 


Rosa Silva

Quinta do Galo – um ninho de inspiração e emoções

[Retalhos de uma visita guiada pelo proprietário, José Nogueira, e pelo dono de um projeto ambicioso e louvável, Luís Silva, um jovem que pretende reunir e entrevistar cada blogger da ilha Terceira, num ambiente natural e paradisíaco, onde as emoções voltam ao passado de tradições que, ali, estão expostas para quem, como eu, tem a sensibilidade à flor da pele.]
2012/01/21. Fonte Faneca, Terra-Chã, ilha Terceira - Açores


 


I
Num sábado dourado de luz
Numa tarde abençoada
Visitei uma ermida com Jesus
E a sua Mãe tão amada.
II
Luís Silva e José Nogueira
São fontes de inspiração
Numa Quinta da Terceira
Cujo Galo é anfitrião.
II
No trilho por eles guiada
Voltei ao tempo de criança
Ali estive rodeada
Pela cor da esperança.
IV
Animais de capoeira,
Jumentos, cavalos e veado
Fazem da Quinta inteira,
Um paraíso encantado.
V
Lugar para festas e cantigas
E a cozinha tradicional
Entre palavras amigas
O Galo é mascote real.
VI
O amor pelo que é seu
Vê-se em cada pedacinho
E até a mim comoveu
A melodia de um cantinho.
VII
Comunga-se a natureza
Em cada passo que damos
Com os pontos de beleza
Que ao sair nós levamos.
VIII
Trouxe comigo a emoção
Que naquele ninho eu vi
O carinho da minha mão
Na mansidão que, ali, senti.
IX
Vi o casal de jumentos
Com a cria que é mansa
Formam um quadro em momentos
Que ao passado me balança.
X
É sagrada a família
Que preserva a tradição
Nos artigos e na mobília
Transparece sua devoção.
XI
Seja feliz, José Nogueira,
Pela tua sã riqueza,
O “Junquilho” da Terceira
Que é Galo da natureza.
XII
Doze, o ano cujo Janeiro
Fica na minha memória
E sinto que o ano inteiro
Na Quinta fará história.



2012/01/22. Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Leia, por favor, a entrevista publicada por Luís Silva no facebook na página da Quinta do Galo Açores.


 



 

Clique na imagem e siga, por favor, o link para o album de fotos.

 


 

"Asneirinhas"

Eu tenho muito dó daquelas pessoas que têm de andar todos os dias, impreterivelmente, com uma gravata ao pescoço, a barba bem raspada, perfume q.b. de boa qualidade, um fato sem nódoa alguma, sapatos sempre a reluzir, meias sem qualquer tipo de transpiração, cabelos aparados a nível (a brilhantina é opcional nos tempos que correm), pédicure e manicure em dia, hálito saudável e perfumado, nariz sem mácula nas narinas, orelhas afinadas sem resíduos de cera, sobrancelhas alinhadas e desodorizante propício às ocasiões, colarinhos brancos e asseados. Insisto, tenho muito dó destas pessoas e passo a explicar o motivo:


 


Porque não têm liberdade, estão obrigados a parecer bem e sempre mesmo que lhes apeteça a dizer uma asneirinha… o pior é mesmo quando a asneira sai boca fora e depois meio mundo ou o mundo inteiro fazem dessa asneira um vendaval medonho.


 


Juro que não me queria ver nesses assados nem com essa responsabilidade de parecer bem mesmo que não me apetecesse. Ponto final.

Um sábado diferente com um sol radiante

Hoje, vinte e um de janeiro do ano de dois mil e doze, foi um sábado muito diferente do habitual. A seguir às tarefas domésticas imprescindíveis, fui a um lugar que brevemente irão saber onde e como tudo se desenrolou. Podem crer que, hoje, foi um dia feliz para mim, meus mais próximos e não só. Irão perceber porque é muito bom ser blogger (isto é, bloguista) e estar numa ilha cuja natureza é um apelo à dedicação. Não me vou alongar mais porque fiz uma promessa: só quando for oportuno irei divulgar para os leitores do meu blog (e não só) o que me maravilhou... Até lá, bom fim-de-semana com um sol radiante a fazer-nos lembrar um verão em pleno inverno.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Que se acorde ortograficamente....

Eu acho muito bem que se acorde ortograficamente e se olhe às asneiras que se vão escrevendo por aí, por aqui e sei lá mais onde. Só tenho uma chamada de atenção a fazer: O que fazer com a escrita existente há alguns anos a esta parte e que agora ou se pesquisa «à moderna» e não se encontra ou se faz uma mudança radical pondo por terra tudo o que tem “c” a mais, “p” a mais e, quem sabe, lógica a menos. Por mim, a mudar o estado das coisas portuguesas, mudava tudo tim-tim por tim-tim ao ponto de excluir tudo o que fosse carga a mais na escrita diária.


 


Não esqueçamos que em termos tecnológicos (e não fui eu que inventei nada disso mas gosto de usar o que me dão) tudo o que tiver uma vírgula ou um ponto a mais conta e pesa na dimensão do ficheiro.


 


Meus caros senhores e senhoras,


 


Ao poupar, que poupemos também nos caracteres e no que digitamos no dia-a-dia. Deixem-se de riscos e risquinhos, traços e tracinhos, bonecos e bonequinhos e outros artefactos que só incomodam o armazenamento de registos.


 


Poupemos também nas letras e letrinhas, nos parágrafos, nos textos e nos documentos. Poupemos nas leis, decretos, avisos, acordos, despachos, deliberações, portarias e outras legislações que se dividem por jornais, por séries e que até isso temos de saber localizar e ler.


 


Ainda gostava de saber quantas pessoas se dedicam a ver documento por documento, publicação por publicação, série por série, suplemento por suplemento, folha por folha, artigo por artigo, ponto por ponto, alínea por alínea, termo por termo, para extrair o sumo, ao ponto de se verificar que meio mundo anda a passar bico, passo a expressão, e ninguém ainda se preocupou em uniformizar critérios de escrita de forma a ser um modelo padrão sem esquisitices de maior, a saber:


Decreto-Lei devia ver-se como Dec-Lei


Decreto Regulamentar Regional devia ver-se como DRL


Decreto Legislativo Regional devia ver-se como DLR


Etc.


 


Evitemos termos a mais tais como nº, nr., n. ou Número, ou, ainda, numero. Um número é: 1, 2, 3 etc. Basta olhar, está de caras.


 


Depois as datas. Ora vem aaaa/mm/dd, ou dd/mm/aaaa, ou por extenso com todos os “de” e mais “de”. Para quê?! Uma data podia ficar tão simplesmente formatada como manda a moda atual: 2012/01/20, ou se o ano já está identificado antes, use-se dd/mm, isto é: 20/01. Já se sabe que 4 dígitos são para o ano, uma barra a separar 2 dígitos para o mês (a meio, claro) e uma barra a separar os 2 dígitos para o dia. Sim! Porque os dias têm o máximo de 2 dígitos, então, os que só tiverem 1 dígito coloca-se zero, para tornar a visão predefinida. Custa assim tanto?


 


E para quê usar tantos “.” (pontos), “_” e “-“ em nome de ficheiros? As “/” já nem são aceites por definição mestra, mas para quê encher o mundo das tecnologias de pequenos pesadelos?!


 


O melhor acordo ortográfico que se fazia era mudar tudo e acertar o passo definitivamente sem dar azo a se digitar conforme a mania do freguês. Que haja formação bastante para quem não se sentir afoito a novas situações. Ponto final


 


Rosa Silva ("Azoriana")

À Tribuna Portuguesa, de Modesto, CA

Lanço mão à tecla moderna
Num cumprimento com alegria
Novo Ano está à perna
Só mesmo a crise é a agonia.


 


Que o quinzenal de Modesto
Do nosso querido José
Seja sempre o manifesto
De que não se arreda pé.


 


Que todos os nossos olhares
Se voltem para a escrita
Que vem de belos lugares
De gente fina e bonita.


 


Que as rádios e televisões
Jornais, revistas e afins
Celebrem boas ocasiões
Adornem nossos jardins.


 


Que este ano seja doce
Produtivo e amoroso
Como se na terra fosse
Um lugar harmonioso.


 


Mas se esta utopia
Não encaixa no real
Que venha sempre o dia
De se ler o Quinzenal.


 


A Tribuna Portuguesa
Fixa o tempo e a tradição
É imagem da realeza
Que tem a comunicação.


 


E a todos os leitores
Espalhados em qualquer parte
Mando da ilha dos Açores
Um abraço em popular arte.


 


Rosa Maria Silva
"Azoriana"

Serreta da ilha (Serreta na intimidade)

Trago a Serreta ao peito
Coroada de mansidão
Quando acordo e me deito
Rezo apenas uma oração

Obrigada Virgem Mãe
Por me dares mais um dia
E também todo o bem
De não ter vida vazia.

Pelos três filhos criados
No lar da minha afeição
Sejam sempre abençoados
E livres de aflição.

Que todos os meus parentes
E os amigos de verdade
Estejam sempre presentes
Plenos de felicidade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Na Serreta fui (e sou) feliz

"Terceira que Deus te guarde!"
É o grito mais feliz;
Mesmo sem fazer alarde
Mata e Velho Chafariz...


Voltei ali espontânea
Numa pesquisa que fiz
A imagem conterrânea
Deixa-me sempre feliz.

E por gostarem da Serreta
Fá-la ser de todos nós
Não lhe tirem a tabuleta
Vem do tempo dos avós.

Ó Serreta tão querida
Como tu não há igual
És centro da nossa vida
Serreta de Portugal.

Rosa Silva ("Azoriana")


P.S. Comentário em "O Arrumário" - Mata da Serreta

Grafite (arte) - Um ideal

Sempre gostei de grafite (arte) pelas paredes, muros ou sítios de interesse paisagístico. O meu sonho é conseguir encontrar um artista (ou mais) que, por graciosidade e amor à arte, consiga embelezar as paredes da minha garagem para que possa parecer que estou num "outro mundo" portas para dentro.


 


O que posso fazer, após tal efeméride, é divulgar o(s) artista(s), mostrar a(s) sua(s) ARTE(s) perante os olhares com recurso às tecnologias e o(s) seu(s) nome(s) ficar(em) registado(s) pelas paredes da zona embelezada.


 


Se não aparecer feed-back a este apelo vou optar pela permanência na triste escuridão. Adoro grafite e sei que muitos dos nossos muros citadinos ficariam lindos com tal arte digna de elogio. Claro que nem todos gostam do mesmo por isso muita dessa arte vai perecendo...


 


Rosa Silva ("Azoriana")


 



Este o desenho que gostava de ter na parede
A imagem veio direta de "O Arrumário" de José Maria.


Ai quem será capaz de o grafitar???




De janela em janela vou navegando na tela...

Naveguei DISPERSAMENTE e aportei em Leiria. Li prosa e poesia e, também, imagens do dia-a-dia. Levantei ferros e fui dar comigo na AZ - Biblioteca, que é o encanto de António e Zaida Nunes. Não me contive e escrevi uma carta ao autor do projeto que enviei aqui mesmo da janela ao lado [ver]. De coleção em coleção, encontrei a minha edição. Que bem que ali fica a Serreta na intimidade, entre tantas outras edições que fazem parte das estantes tecnológicas de António Nunes, o leiriense que conhece a ilha Terceira e dela sente uma saudade infinita. Talvez um dia, quem sabe, ele volte à ilha da cultura popular enraizada e colorida por sorrisos e cantares que o improviso deixa flutuar sempre que o sonho nos acomete.


 


Há horas que pular de janela em janela traz-nos também alegrias.


 


Bem-haja, caríssimo António Nunes e Zaida Nunes.

Da Terceira para Leiria (carta para um amigo de lá)

Olá caríssimo amigo leiriense!

 

Escrevo estas mal notadas linhas para lhe desejar boa saúde e alegria. Até pareço a minha falecida avó que quando escrevia uma carta à sua irmã emigrada na América, se sentava junto a um estrado de madeira que ficava à janela da cozinha, em frente àquele mar inteiro e belo que parecia subir até à vizinha ilha Graciosa, e se munia da respetiva folha de papel específica para aquela feliz tarefa. Então, sempre que possível (e não era nada fácil ter gente à volta dela durante esse ato de saudade) espreitava a cortesia e as letras refinadas e bem desenhadas cuja escrita levava os retalhos de cá para a vivência tão diferente e saudosa de lá.

 

Isto tudo para lhe dizer que hoje mesmo, ao cirandar pelo seu blog dispersamente, foi ter a um link para a sua biblioteca de A-Z. Adorei. E mais porque encontrei o registo: 1700 Serreta na intimidade Rosa Silva ("Azoriana") Nova Gráfica, Lda (Angra-Terceira) ed. 2011. Claro que consegui avistar, na imagem que encima o artigo, a lombada do meu livro.

 

Coincidência ou não, também tenho andado a colecionar os livros da minha pequena biblioteca de casa. Se quiser posso mandar-lhe a base de dados que preparei com a aplicação Access. De qualquer forma, acho louvável a sua partilha através do blog com descritores e fácil de encontrar seja qual for o tema. Parabéns!

 

Resta-me terminar esta cartinha tecnológica com um abraço agradecido e simpático para o leiriense que ama a ilha Terceira tal como aqueles que a amam.

Rosa Maria

Escuridão da alma...

Escondo-me no porão dos dias submersos e ouço vozes com “The Power of Love” que não me deixam só, aliás, nunca estou só. Comigo trago as manhãs frescas açorianas, trajadas da delícia do mar e do verde dos altos montes que embelezam a ilha da cultura genuína e popular. O poder do amor abre as portas para uma vida de notícias de empalidecer, vindas doutros horizontes e culturas. Volto a esconder-me e trago a mim o voo da Gaivota hoje… Queria ser Amália!… Queria ser a voz dos Il Divo para, hoje, cantar a “escuridão da alma”…


 


Escuridão da alma


 


Algures a alma ecoa
na penumbra dum vazio
elevando cada pessoa
aonde nunca se viu.


 


Algures uma fornalha
ardente de ilusão
onde todo o amor encalha
no labirinto do coração.


 


Algures a alma canta
alegrias e tristezas
e o meu voo levanta
entre vozes e belezas…


 


Nasce então
no porão da alma
a imensa escuridão
e a penumbra que me acalma…
E Deus onde estará?!
Onde está que não O vejo?!
Está aqui e está lá…
Está onde, hoje, O desejo…

Somewhere, somewhere………………..


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

Desastres marítimos (passado e presente)

Penso que ainda não estão refeitos do susto tremendo do encalhar de um tesouro material. Salvas as pessoas que conseguiram alinhar na evacuação, nem vale a pena contar o prejuízo dos pratos, talheres, terrinas e demais componentes de uma (ou mais) cozinha flutuante. Nem vale a pena contar o desperdício de lençóis, cobertores, edredons e colchas do mais fino fio. Mesas, cadeirões, equipamentos topo de gama, lustres, cristais, tapetes, carpetes, e sei lá que mais…Talvez vale a pena pensar na recuperação de alguns baús de bens de tanta gente que perdeu a melhor fatiota domingueira a favor de um pranto inesquecível. Se fosse comigo estaria a chorar desalmadamente por ter gasto uma quantia (talvez exagerada) para ver tudo ir por água abaixo. Não queria estar na pele de quem teve culpas no ato que nunca devia acontecer num cruzeiro daquele porte. Quantos dias precisaria de trabalhar para ter meios de remendar aquele buraco enorme?! Nem me apetece fazer contas porque não há calculadora com lugar para tanto dígito. Salvaram-se as pessoas pese embora as que tiveram o seu marco final, num dia considerado, por muitos, como azarado – sexta-feira, treze de um janeiro (em crise?!). Esta noite sonhei com embarques e desembarques, malas para dentro, malas para fora e não saía do mesmo lugar até acordar mais cansada do que quando me deitei. Antes de recolher aos meus parcos lençóis, vi imagens disponíveis para quem quiser ver. O flagelo aconteceu longe mas as réplicas ficam na nossa mente, sobretudo para quem lê ou ouve as notícias que vão surgindo de catadupa por todos os meios de comunicação ao alcance dos olhares e que mergulham no interior como uma bomba e dilaceram o coração do mais sensível dos seres humanos. E não estava lá… Agora imaginem se estivesse… Talvez morria só de susto… E que susto!


 


Tudo isto me fez pesquisar por outra tragédia muito semelhante que vai completar um centenário no próximo 14 de abril de 2012 [1]. O Titanic. Este embateu num domingo (14) e o Costa Concordia embate numa sexta-feira… mas repare-se (13) um número antes do outro e dois dias antes do outro… Com noventa e nove anos de distância acontece nova tragédia para nos fazer recordar da anterior. O comandante do maior navio do mundo da altura, Titanic, o capitão Edward J. Smith, teve a sua última viagem, o comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, teve airoso destino e, a meu ver, a consciência será a metralhadora inseparável. Na minha fraca opinião, o primeiro foi “salvo” de sofrer em vida a continuação de tremendo desgosto.


 


O Titanic e o Costa Concordia têm ambos um historial considerável a reter.


 


Toneladas de trabalho e história encontram-se por aí, navegando


 


Rosa Silva (“Azoriana”)






[1] Na noite do dia 14 de abril, o comandante Smith já tinha ido dormir e pedira ao 1º oficial, William Murdoch, que assumisse o seu posto e o avisasse de qualquer imprevisto que ocorresse. Por volta de 23h40, o sino do cesto dos vigias tocou três vezes, indicando que algo estava no caminho do Titanic. Murdoch conseguiu ver que surgia à frente do navio uma massa escura de gelo. A ordem foi que se virasse ao máximo a estibordo e se fizesse marcha à ré a toda potência. Entretanto, a medida não foi suficiente para evitar o encontro entre o barco e o iceberg. Parte da massa de gelo arranhou o casco da embarcação sob a linha de água, abrindo um rasgo com mais de 90 metros em seis compartimentos estaques da proa, que foram invadidos pela água.


Fonte: http://www.titanicsite.kit.net/historia.html



Dar à "Costa" sem "Concordia"

 



As notícias das últimas horas, desde a última sexta-feira, treze de janeiro, são sobre o encalhamento do cruzeiro que deliciava os olhares e todos os sentidos humanos perante tal “cidade flutuante”.


 


Estou plenamente convicta que não há palavras para descrever o sentimento de uns tantos que se viram nesse desastre e no sentimento que fica connosco, que vamos sabendo, aos poucos, dos contornos da situação devastadora de dar-à-costa pelo Costa Concordia. Mas que nome inesquecível em todos os seus contornos.


 


Que desastre. Que tragédia. Que prejuízo. Que fim. Triste fim, dizemos, para aquele cruzeiro e para quem, todos os dias, se vai lembrar de que treze de janeiro foi um dia (sexta-feira) de muito azar, que ficará para a história, tal como ficou a do Titanic.


 


Por enquanto estou, em terra, navegando nas ondas do pensamento que ainda não “ressuscitou” do fim-de-semana caseiro, combinado apenas com uma saída pouco longa. Ainda estou a navegar na lembrança dos nossos barcos que nos levavam inter-ilhas (Terceira-São Jorge-Pico-Graciosa e vice-versa), construídos por sábios construtores navais - «Santo Amaro», «Terra-Alta», «Espírito Santo» e o «Ponta Delgada». Estes foram os barcos que me e transportaram no tempo que falar em naufrágio era só quando a tempestade fustigava as madeiras talhadas por grandes artistas da freguesia de Santo Amaro da imponente ilha do Pico. Hoje, os naufrágios e encalhamentos fustigam cruzeiros e paquetes de luxo que acabam mal, muito mal. Ponto final.


 


Rosa Silva ("Azoriana")
 


Ler os outros: Sonetos de João de Castro Nunes (Prof. Dr.)

Com este artigo dou início a uma nova partitura do meu blog, neste novo ano de 2012 - «LER OS OUTROS» e, claro está, comentar sempre que seja um atrativo. E foi, na sua grandeza e beleza, um atrativo ler alguns dos muitos sonetos do Prof. Dr. João de Castro Nunes. Não conheço este distinto senhor mas a minha amiga de Góis, D. Clarisse Barata Sanches, autora do blog "Cânticos da Beira - prosa e poesia", como bem sabeis, apresenta-nos uma distinta GLOSA tecida à primeira quadra do soneto "Saudade", daquele autor.


 


Portanto, li e gostei dos blogs de outros, a saber:


 


Cânticos da Beira - Prosa e Poesia - artigo de 6 de janeiro de 2012 (confira aqui)


 


Os Meus Sonetos - artigo de 31 de dezembro de 2011 (confira ali)


 


E o resultado foi este:


 


A beleza além transborda
Do centro e laterais
É tecida como a corda
Desde o começo aos finais.

A beleza que transmite
Na doçura da viagem
Aguça o meu palpite
Em fixar essa paragem.

Sonetos são como flores
Desabrochando velozes
Navegando em multi cores.

Eu sou do jardim Açores,
Rumando nas vossas vozes
Num deslumbre de valores.

Rosa Silva ("Azoriana")

Biblioteca de casa

Para quem estava habituado à minha assiduidade no blog e rede social do facebook nota que estou num período de pausa. Essa pausa deve-se ao facto de estar a alimentar a base de dados - Biblioteca de casa - criada por mim, com recurso à aplicação Access, através da criação de tabelas específicas para o registo de "livro", "descritor", "autor", "editora" que, depois, irão auxiliar o registo principal "biblioteca", com ligações àquelas tabelas específicas.


 


Mais informo que, se estiverem interessados, poderei disponibilizar a mesma a quem quiser registar os livros que possuem. Após o registo total ficarei apta a pesquisar e listar qualquer livro sem ter de ir à prateleira.


 


O novo ano já começa a produzir frutos. Só espero que não apodreçam ao saírem do cesto das ideias. O futuro o dirá.


 


Este artigo serve também para testar a funcionalidade nova dos blogs do SAPO: publicação automática na rede social facebook.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Saída dos escombros


Eram vinte para as quatro,
nos Açores...

Saída dos escombros


 


Apesar da segunda palavra ter uma conotação ruim, gosto dela. Ao acrescentar-lhe a saída torna-se, a meu ver, suavizante e suavizada.

Escolhi, neste começo de ano, o que há trinta e dois anos, foi um marco para o resto da vida de muitos terceirenses, jorgenses e graciosenses. Muitos feridos, alguns falecidos e imensos desalojados entre outros, ainda, saídos dos escombros sãos e salvos. No meu caso, saí sã e salva, sem arranhões por fora mas, por dentro, continuo a sentir (e a ouvir) o grande arranhão que o sismo de 80 me causou. Vivi-o intensamente na escala toda. Presenciei a natureza na altitude, longitude e magnitude.

Esta semana, recebi uma carta de um primo serretense, emigrante no Chino (EUA) que me fez reviver esse dia. Desta feita, com um misto de tristeza e reconhecimento do valor histórico-artístico de dezoito quadras (equivalentes a dezoito anos de idade) alusivas a uma amiga comum que não conseguiu sair dos escombros sã e salva. Zita Meneses sucumbiu e deixou em nós e nos outros, uma eterna saudade.

Depois do sismo de 80, fixei a palavra SAUDADE no meu vocabulário de menina ingénua e crente. Talvez um dia escreva sobre estes dois termos que, para mim, são dois escombros, tanto no mau como no bom sentido.

05/01/2012
(quinta-feira)

P.S. O primeiro artigo deste novo ano é escrito no dia de aniversário do meu afilhado (05/01/1993 – terça-feira) e um dia após se completar dois anos da elevação ao céu de um anjo doce (04/01/2010 – terça-feira).