Penso que ainda não estão refeitos do susto tremendo do encalhar de um tesouro material. Salvas as pessoas que conseguiram alinhar na evacuação, nem vale a pena contar o prejuízo dos pratos, talheres, terrinas e demais componentes de uma (ou mais) cozinha flutuante. Nem vale a pena contar o desperdício de lençóis, cobertores, edredons e colchas do mais fino fio. Mesas, cadeirões, equipamentos topo de gama, lustres, cristais, tapetes, carpetes, e sei lá que mais…Talvez vale a pena pensar na recuperação de alguns baús de bens de tanta gente que perdeu a melhor fatiota domingueira a favor de um pranto inesquecível. Se fosse comigo estaria a chorar desalmadamente por ter gasto uma quantia (talvez exagerada) para ver tudo ir por água abaixo. Não queria estar na pele de quem teve culpas no ato que nunca devia acontecer num cruzeiro daquele porte. Quantos dias precisaria de trabalhar para ter meios de remendar aquele buraco enorme?! Nem me apetece fazer contas porque não há calculadora com lugar para tanto dígito. Salvaram-se as pessoas pese embora as que tiveram o seu marco final, num dia considerado, por muitos, como azarado – sexta-feira, treze de um janeiro (em crise?!). Esta noite sonhei com embarques e desembarques, malas para dentro, malas para fora e não saía do mesmo lugar até acordar mais cansada do que quando me deitei. Antes de recolher aos meus parcos lençóis, vi imagens disponíveis para quem quiser ver. O flagelo aconteceu longe mas as réplicas ficam na nossa mente, sobretudo para quem lê ou ouve as notícias que vão surgindo de catadupa por todos os meios de comunicação ao alcance dos olhares e que mergulham no interior como uma bomba e dilaceram o coração do mais sensível dos seres humanos. E não estava lá… Agora imaginem se estivesse… Talvez morria só de susto… E que susto!
Tudo isto me fez pesquisar por outra tragédia muito semelhante que vai completar um centenário no próximo 14 de abril de 2012 [1]. O Titanic. Este embateu num domingo (14) e o Costa Concordia embate numa sexta-feira… mas repare-se (13) um número antes do outro e dois dias antes do outro… Com noventa e nove anos de distância acontece nova tragédia para nos fazer recordar da anterior. O comandante do maior navio do mundo da altura, Titanic, o capitão Edward J. Smith, teve a sua última viagem, o comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, teve airoso destino e, a meu ver, a consciência será a metralhadora inseparável. Na minha fraca opinião, o primeiro foi “salvo” de sofrer em vida a continuação de tremendo desgosto.
O Titanic e o Costa Concordia têm ambos um historial considerável a reter.
Toneladas de trabalho e história encontram-se por aí, navegando…
Rosa Silva (“Azoriana”)
[1] Na noite do dia 14 de abril, o comandante Smith já tinha ido dormir e pedira ao 1º oficial, William Murdoch, que assumisse o seu posto e o avisasse de qualquer imprevisto que ocorresse. Por volta de 23h40, o sino do cesto dos vigias tocou três vezes, indicando que algo estava no caminho do Titanic. Murdoch conseguiu ver que surgia à frente do navio uma massa escura de gelo. A ordem foi que se virasse ao máximo a estibordo e se fizesse marcha à ré a toda potência. Entretanto, a medida não foi suficiente para evitar o encontro entre o barco e o iceberg. Parte da massa de gelo arranhou o casco da embarcação sob a linha de água, abrindo um rasgo com mais de 90 metros em seis compartimentos estaques da proa, que foram invadidos pela água.
Fonte: http://www.titanicsite.kit.net/historia.html
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