Escuridão da alma...

Escondo-me no porão dos dias submersos e ouço vozes com “The Power of Love” que não me deixam só, aliás, nunca estou só. Comigo trago as manhãs frescas açorianas, trajadas da delícia do mar e do verde dos altos montes que embelezam a ilha da cultura genuína e popular. O poder do amor abre as portas para uma vida de notícias de empalidecer, vindas doutros horizontes e culturas. Volto a esconder-me e trago a mim o voo da Gaivota hoje… Queria ser Amália!… Queria ser a voz dos Il Divo para, hoje, cantar a “escuridão da alma”…


 


Escuridão da alma


 


Algures a alma ecoa
na penumbra dum vazio
elevando cada pessoa
aonde nunca se viu.


 


Algures uma fornalha
ardente de ilusão
onde todo o amor encalha
no labirinto do coração.


 


Algures a alma canta
alegrias e tristezas
e o meu voo levanta
entre vozes e belezas…


 


Nasce então
no porão da alma
a imensa escuridão
e a penumbra que me acalma…
E Deus onde estará?!
Onde está que não O vejo?!
Está aqui e está lá…
Está onde, hoje, O desejo…

Somewhere, somewhere………………..


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

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