Saída dos escombros


Eram vinte para as quatro,
nos Açores...

Saída dos escombros


 


Apesar da segunda palavra ter uma conotação ruim, gosto dela. Ao acrescentar-lhe a saída torna-se, a meu ver, suavizante e suavizada.

Escolhi, neste começo de ano, o que há trinta e dois anos, foi um marco para o resto da vida de muitos terceirenses, jorgenses e graciosenses. Muitos feridos, alguns falecidos e imensos desalojados entre outros, ainda, saídos dos escombros sãos e salvos. No meu caso, saí sã e salva, sem arranhões por fora mas, por dentro, continuo a sentir (e a ouvir) o grande arranhão que o sismo de 80 me causou. Vivi-o intensamente na escala toda. Presenciei a natureza na altitude, longitude e magnitude.

Esta semana, recebi uma carta de um primo serretense, emigrante no Chino (EUA) que me fez reviver esse dia. Desta feita, com um misto de tristeza e reconhecimento do valor histórico-artístico de dezoito quadras (equivalentes a dezoito anos de idade) alusivas a uma amiga comum que não conseguiu sair dos escombros sã e salva. Zita Meneses sucumbiu e deixou em nós e nos outros, uma eterna saudade.

Depois do sismo de 80, fixei a palavra SAUDADE no meu vocabulário de menina ingénua e crente. Talvez um dia escreva sobre estes dois termos que, para mim, são dois escombros, tanto no mau como no bom sentido.

05/01/2012
(quinta-feira)

P.S. O primeiro artigo deste novo ano é escrito no dia de aniversário do meu afilhado (05/01/1993 – terça-feira) e um dia após se completar dois anos da elevação ao céu de um anjo doce (04/01/2010 – terça-feira).


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