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"RESSUSCITEI" SEM SABER PORQUE "MORRI"
No barco de proa erguida
Venho cedo navegando
Indo à popa vez em quando
Se pla onda perseguida.
Tem vezes que vou caída
Prostrada no meu desmando
Na viagem soluçando
À procura de saída.
Eis que o sol surge então
Pra tingir de animação
A face da palidez...
E num gozo de alegria
Rompo mais um novo dia
Como quem nasce outra vez.
Rosa Silva ("Azoriana")
Etiquetas
Na verdade...
Oferta viva da natureza
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A primeira vez de todas
Que descobri nova cor
Nos retalhos de uma flor
Que alegra tantas bodas.
E a forma é cordial
Até nisso reparo eu
Para alegrar o quintal
Que nem ainda é meu.
Nada é nosso neste mundo
Nem se pode enfatizar
Vale apenas ser fecundo
Na cousa de germinar.
Oferta da natureza
Sendo viva, bem decora,
Vale p'la sua beleza
E plo bem que tenho agora.
Rosa Silva ("Azoriana")
Só por gosto, sem compromisso: Angra, a Fénix vigorosa do Atlântico
Coro
Oh! Angra engalanada
Toda aprumada
No seu voar
Vigorosa do Atlântico
De ar romântico
A cirandar.
Oh! Angra ave de fogo
Entra no jogo
De renascer
Eleva o teu balão
Pra São João
Te agradecer.
1
Minha Angra está tão feliz
E não para de cantar
Já sabe o que se diz
Nas ruas todas do mar.
E dança toda amorosa
Dando a mão ao par de brilho
Sente que é vigorosa
Do balão larga o atilho.
2
Nos braços do mar sereno
Envolta em cauda de luz
Nota que não é pequeno
O arraial que a conduz
E dança toda amorosa
Dando a mão ao par de brilho
Se sente mais vigorosa
Do balão larga o atilho.
3
Ao Porto das Pipas vai
De saia tule e xadrez
Por São João não distrai
De cantar ainda outra vez
E dança toda amorosa
Dando a mão ao par de brilho
Se sente mais vigorosa
Do balão larga o atilho.
4
A noite sempre a crescer
Nas ruas d'Angra cidade
Convidando para se ver
A linda festividade.
E dança toda amorosa
Dando a mão ao par de brilho
Se sente mais vigorosa
Do balão larga o atilho.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Apeteceu-me escrever esta letra, sem qualquer entrega ou participação na maior Festa Sanjoanina. Se alguém achar graça, escreva-me.
Ontem para Hoje
Quando o céu se abrir em flor
Numa toada de anil
Hei de ver todo o valor
De uma rosa de abril.
Quando o mar tiver calor
De tanto bailar na rocha
Hei de ver o meu fervor
Como chama numa tocha.
Quando a dor que nos deserta
For relíquia de horrores
Hei de ver a porta aberta
Para as mais bonitas flores.
Quando a terra for ternura
Para cada um que vive
Que se Ame a criatura
Mesmo que caia em declive.
Meu amor por ti é tanto
Que ouso 'inda rimar
Padre, Filho, Esp'irto Santo
A mais possa confortar.
Meu conforto é saber
Que ainda há amizade
E no Dia 'inda escrever
Bom Dia de Liberdade!
Rosa Silva ("Azoriana")
Bom dia de sábado (escurinho)
No céu reluzem estrelas
Abraçando a noite dura
E nas letras posso vê-las
Se lhes der boa abertura.
Vou tentar absorvê-las,
Para não dar disparates...
Ó meu Deus dá-me Estrelas
Com adornos de escarlates.
Há tanto céu, tanto mar,
E beleza em plenitude,
Noite e dia em cada lar
Com o brilho da atitude.
E quem está d'aniversário
Tenha um dia glorioso,
Seja extraordinário!
Seja bom! Vitorioso!
Rosa Silva ("Azoriana")
AS Ana Soares
Sempre vi
Sempre vi o mar de broa
Pão de milho ao quadril
Balançando terra à proa
Num berçário de anil.
Sempre li sem perceber
O que o mar ia dizendo
Só depois de o escrever
É que fiquei dele tendo.
É tão pobre o anterior
Que de versos até dói
O que é escrito sem repor
Pode um dia ser herói.
Porque o mar é o meu pai,
E a terra é minha mãe,
Coitado de quem não sai
E do mar nem gosto tem.
Rosa Silva ("Azoriana")
Vem [a Zeca Medeiros]
num banho de alfazema
de uma torneira de luz
no peito de um poema
a nova Páscoa [sem Cruz].
no rescaldo de um pranto
que se desfez sem pecado
no verso que segue santo
sem o soneto c'roado.
no corpo alvo de abril
do ano de vinte e três
dois mil que já é senil
e pobre mais que uma vez.
tu que tens voz de requinte
de solene rouquidão
quem me dera ser ouvinte
dos tons que meus versos dão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Era para ir e não fui...
Ao Fanal. Ao Monte Brasil.
Ao (re) balanço do mar.
À rua do meu lugar.
E quem sabe... ser de anil.
Era para ir devagar.
Fiquei-me no meu perfil.
Este que em tons de abril
É cerca sem me cercar.
E o sonho é o sujeito
Que me entra sem dar defeito
E faz de conta sem ser.
Durmo. Canto se não rimo.
Finjo que vem ao de cimo
O dom que queria ter.
Rosa Silva ("Azoriana")
Em Portugal não é tudo mal!
Temos vozes mui brilhantes
Temos poetas e cantores,
Bravos improvisadores
Nossos ricos diamantes.
Temos mar com céu de antes
Temos campo e sabores
Temos sãos e bons atores
Do longe somos distantes.
Tenho saudades de mim
E do que eu bem sonhava
Quando sem mim eu andava...
Penas tenho de ser assim...
Mas... gosto de Portugal
Quando não rima com mal!
Rosa Silva ("Azoriana")
Cardápio de malfeitor
Pode o céu virar inferno
O inferno virar água
Num dilúvio eterno
Que me faz sentir a mágoa.
Pode o lixo ser estrume
O estrume ser alimento
Mas a fúria vira lume
Atiçada pelo vento.
E a bondade vira lava
De um ser abominável
Que na minha casa entrava
Com mentira intragável.
Antes abraçar a fome,
Solidão e isolamento,
Do que estar com quem consome
Tudo, tudo a cem por cento.
Rosa Silva ("Azoriana")
Poema feliz
Que a porta da alma seja
A grata Felicidade
E que a nossa casa veja
O Amor e Amizade.
O nosso Lar ora festeja
A graça da Alegria
E que nossa vida se veja
Como o sol de poesia.
Bem-vindo seja ao Lar
Da Rosa e do Frederico
E que possam disfrutar
De tudo o que identifico.
Na ida para o exterior
Levem mais do que trouxeram
Vão na graça do Senhor
Como quando cá vieram.
Rosa Silva ("Azoriana")
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Angra, princesa linda
Uma Angra majestosa
Com o ventre para o ar,
Ao natural e tão formosa,
Toda ao léu a navegar.
Os bicos do seio Monte,
Dão-se ao céu, por mero gosto,
E pra traz, no horizonte,
Só esconde o próprio rosto.
Minha Angra, ó terra Amada,
Sem outra princesa igual,
Maravilha ancorada
Ao reino de Portugal.
Rainha ela então foi
E bem continua a ser
Do país que foi herói
E não se pode perder.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ramo de abril
Seja o mundo o que for,
Na nossa atualidade,
Mas que seja, por favor,
Melhor para a mocidade.
Acordei com pensamento
A florir nesta matéria,
Que não venha tal momento
De ser tudo só miséria.
Peço à sã governação
Que não deixe ir avante
Êxodo ou emigração
Do novo e jovem infante.
É triste se as nove flores,
De um jardim colorido,
Bons ilhéus, nossos Açores,
Ficarem sem povo unido.
E as crianças, Senhor,
Puras flores inocentes,
Felizes só por Amor,
Não se vejam decadentes.
E os velhinhos cansados,
Que deram tudo de si,
Não se vejam desprezados,
Mais que tudo até aqui.
E se, ainda, cá estamos,
Tem algo predefinido:
Hoje, domingo de Ramos,
Faça, em nós, maior sentido.
Termino como acordei,
Com o pensamento a mil,
Não sendo dona da lei...
Sou um ramo, sou de abril!
Rosa Silva ("Azoriana")
Dia de Petas, com um poema de Amaro de Matos e respetiva resposta
Tu és Rosa da Terceira
Mas tens um perfume raro
Neta da tia Vieira
A sonhar com Santo Amaro
Pai Carlos, avó Maria
Matilde mãe extremosa
Por seres toda alegria
Deram-te nome de rosa.
E agora cantando e rindo
Generosa, divertida
Ficamos todos pedindo
Mais anos p"ra tua vida!!!
Muitos Parabéns.
Amaro de Matos
Minha resposta:
Este tenho de retorquir
Com alegria aos molhos
Por gostar tanto de ouvir
Falar na "menina dos olhos".
Santo Amaro me encanta,
Queria voltar a vê-lo,
Para adoçar a garganta
E salgar o meu cabelo.
Ir ao porto e à maré,
Bem como à canada nova,
E depois mesmo a pé,
Visitar quem me dá trova.
Meu avô e minha avó
Tios e o primo mais novo,
Pois não há um dia só
Que não lembre do meu povo.
Depois ver aquele luzeiro
Que à noite se alinha
Na ilha do cavaleiro
Que do Pico é vizinha.
Ai, como é grande a saudade,
Que não cabe toda em mim,
Que se expande em amizade
Por um picoense assim.
Caro Amaro de Matos
E a filha Mariana
Depois inspirados atos
Da Rosa Azoriana
Vão os abraços exatos
Pra dourar vossa semana.
Muito obrigada!
Rosa Silva ("Azoriana")