A carta vencedora do Concurso Particular "Carta à Moda Antiga"

Carta #7 - Vencedora do Concurso Particular:
"Carta à Moda Antiga"

Carta 7

Transcrição:

"Amor

A minha noite é como um grande coração a bater.
São três e meia da manhã.
A minha noite não tem lua. A minha noite tem grandes olhos que observam fixamente uma luz cinzenta a filtrar-se pelas janelas. A minha noite chora e a almofada torna-se húmida e fria. A minha noite é longa e longa e longa e parece sempre estender-se para um fim incerto. A minha noite lança-me na tua ausência. Procuro-te, procuro o teu corpo ao meu lado, a tua respiração, o teu cheiro. A minha noite responde-me: vazio. A minha noite dá-me frio e solidão. Procuro um ponto de contacto; a tua pele. Onde estás? Onde estás? Viro-me para todos os lados, com a almofada húmida, onde a face se cola, os cabelos molhados nas têmporas. Não é possível que não estejas presente. A minha cabeça vagueia, os meus pensamentos vão, vêm e esmagam-se, o meu corpo não pode compreender. O meu corpo, este ocaso mutilado gostaria por um momento aquecer-se no teu calor, o meu corpo implora algumas horas de serenidade. A minha noite sabe que eu gostaria de te olhar, de acompanhar com as mãos cada curva do teu corpo, de identificar o teu rosto e acariciá-lo. A minha noite sufoca-me com a tua falta. A minha noite palpita de amor, aquele que tento conter mas que palpita na penumbra, em cada uma das minhas fibras. A minha noite gostaria de chamar-te mas não tem voz. Gostaria, contudo, de te chamar e de te encontrar e de se apertar um momento contra ti e de esquecer este tempo que massacra. O meu corpo não pode compreender. Ele tem tanta necessidade de ti como eu, talvez, afinal ele e eu não formemos senão um. O meu corpo precisa de ti, muitas vezes quase me curaste desta solidão. A minha noite escava-se até já não sentir a carne e o sentimento torna-se mais forte, mais agudo, despido de substância material. A minha noite queima-me de amor.
São quatro e meia da manhã.
A minha noite esgota-me. Ela bem sabe que me faltas e toda a sua obscuridade não chega para esconder essa evidência. Essa evidência brilha como uma lâmina no escuro. A minha noite gostaria de ter asas que voariam até junto de ti, que te envolveriam no teu sono e te trariam até mim. Sentir-me-ias perto de ti no teu sono, e os teus braços enlaçar-me-iam sem que acordasses. A minha noite não é boa conselheira. A minha noite pensa em ti, sonha acordada. A minha noite torna-se triste e perde-se. A minha noite acentua a minha solidão, todas as minhas solidões. O seu silêncio ouve apenas as minhas vozes interiores. A minha noite é longa, e longa, e longa. A minha noite recearia que o dia já não aparecesse mais, mas, ao mesmo tempo, a minha noite tem a sua aparição, porque o dia é um dia artificial em que cada hora conta a dobrar e sem ti não é verdadeiramente vivido. A minha noite pergunta se o meu dia não se parece com a minha noite. A minha noite tem vontade de me vestir e de me empurrar para a rua, para ir procurar o meu homem. Mas a minha noite sabe que aquilo a que se chama loucura, de toda a ordem, semeia ventos. A minha noite ama-te de todas as suas profundezas. A minha noite alimenta-se de ecos imaginários. Ela pode fazê-lo. Eu fracasso. A minha noite observa-me. O seu olhar é suave e corre furtuivamente sobre todas as coisas. A minha noite gostaria que estivesses aqui para também correr sobre ti com ternura. A minha noite aguarda-te. O meu corpo espera-te. A minha noite gostava que repousasses no côncavo do meu ombro e que eu repousasse no côncavo do teu. A minha noite quereria ser espectadora do teu gozo e do meu gozo, ver-te e ver-me estremecer de prazer. A minha noite queria ver os nossos olhares cheios de desejo. A minha noite quereria ter cada espasmo entre as mãos. A minha noite tornar-se-ia meiga. A minha noite geme em silêncio a sua solidão ao recordar-se de ti. A minha noite é longa, e longa e longa. Fica enlouquecida mas não pode afastar de mim a tua imagem, não pode submergir o meu desejo. Ela quase morre de não te saber aqui, e mata-me. A minha noite procura-te sem cessar. O meu corpo não consegue conceber que algumas ruas ou uma geografia qualquer nos separem. O meu corpo enlouquece de dor por não poder reconhecer o teu vulto ou a tua sombra no meio da minha noite. O meu corpo queria beijar-te no teu sono. O meu corpo queria dormir em plena noite e ser despertado porque tu me beijavas. A minha noite não conhece hoje sonho mais belo e mais cruel do que esse. A minha noite uiva e rasga os seus véus, a minha noite choca com o teu próprio silêncio, mas o teu corpo continua impossível de encontrar.
Fazes-me tanta, tanta falta. E as tuas palavras...
O dia está quase a nascer.
Mil beijos"

Datada de 11-03-2005

Enviada por: Maria Custódia Pereira

A final está quase...



Final do Concurso Particular "Carta à Moda Antiga"


Às 18 horas do dia 31 de Julho de 2005 (horas dos Açores) dou por encerrada a votação dos visitantes.
Vencerá a carta que a esta hora tiver o maior número de votos.
Depois desta hora farei um texto alusivo a este assunto com a respectiva divulgação da autoria da carta vencedora. Apresentarei, também, a lista dos concorrentes por ordem decrescente.
Agradeço a participação de todos quer concorrentes, quer votantes.
O(a) vencedor(a) terá de enviar para o meu e-mail o seu contacto para que lhe seja enviada uma pequena lembrança.
Para mim, todas as cartas são lindas e não consegui escolher só uma. Por isso, deixo aqui um Abraço de Amizade para todos(as).
Bem Haja! E continuem a escrever.
Beijos!

Azoriana

Carta à moda antiga - vencedora (e lista das concorrentes)

CARTA VENCEDORA



Carta #7



Maria Custódia Pereira


2º Lugar: Carta #1 de Alberto Flores

3º Lugar: Carta #3 de Sónia Bettencourt

4º Lugar: Carta #4 de Maria Roxo

5º Lugar: Carta #2 de Jorge Oliveira

6ºs Lugares: Carta #5 de Tere Penhabe e Carta#6 de Mica Carreiro

Um abraço afectuoso para todos(as)
Entrarei em contacto com a Vencedora.

Declaro encerrado o concurso particular
"Carta à Moda Antiga".
31 de Julho de 2005

"Ciranda das Mãos"


in "Amor em Verso e Prosa"

33- As Mãos....

           tuas
             nossas
               minhas,

As mãos não são mudas,
abrem-se num coro de amigos
- de cinco mais cinco -

A pena toda é quando
o coro atiça armas e bombas
e sucumbem inocentes...

Que venham as Mãos Alegres!
- SEMPRE, de cinco em cinco -

Azoriana

Um livro é um sonho!

teu sorriso lindo

Mãe! Vou ter de te dar outro adeus...
Eu sei que há outra luz que alumia,
Sinto que tive dom por companhia;
Será que doravante vai p'ros Céus?!

A dor corre no peito... Sonhos, meus,
deixo sem livro. Que vontade via!
Não consigo o sorriso por um dia
mas basta-me pensar (se viste Deus?!).

No céu há-de brilhar forte a estrela
com teu nome, bordado de matiz:
«MATILDE» - inspiração que bem quis!

Mãe! A tua imagem fez-se bela.
Perdoa-me se fiz algo errado;
Só te peço: Meu sonho... Ilustrado!

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5268


Índice temático: Desenho sonetos

Ciranda da "Festa da Natureza"


in "Amor em Verso e Prosa"

21- Festa da Natureza

As Ilhas, terras d'encanto
Vestidas de belas cores
As flores da Natureza
Enfeitam nossos cabelos.

Danças com mil chilreios
Soltam-se melodias d'amar
É a natureza em festa
Com cantares tão belos.

Lagoas de águas puras
Montanhas olhando os céus
Jardins tão caprichosos
Anda daí, vem conhecê-los!

Azoriana

Mais uma Ciranda - PAI


in "Amor em Verso e Prosa"

06- Tive Pai!

Na linha que aparta o céu da terra
Há sorrisos e lágrimas perdidas
Há filhos de pais desconhecidos
Há pais que desconhecem os filhos...

Eu tive um pai trabalhador
forte, destemido, prosador,
cedo levantava p'ro seu rumo laboral
e à noite voltava ao seio habitual.

Se hoje eu pudesse dava-lhe um Beijo,
se hoje eu pudesse pedia-lhe carinho
mas oxalá ele não esteja sozinho
é tudo o que eu mais desejo.

Nos seus olhos azuis levou toda uma vida
Que pena que não assisti na despedida
Sei que a última partida não se prevê
É pena não saber mais nada, nem tanto porquê!

Eu tive um Pai!
Ele já morreu
...
sei de filhos de pai, vivo,
mas pai agora
sou
- Eu -

Azoriana

Voar



Para o sonho não há limite!
Neste sonho apetece-me voar
sem norte
para onde eu possa sorrir.
.......
quero asas brancas e seguir
muito para além do olhar!

Azoriana

Gado Bravo

O Faial e a Terceira
Duas ilhas d'encantar
As Rosas na brincadeira
P'ra confusão aumentar.

Gado Bravo e Azoriana
Diferem nas suas linhas
As quadras neste panorama
Serão sempre amiguinhas.

Vou voltar a espreitar
Ruminanços de novidades
Se calhar vai-se talhar
Blogosfera de amizades.

Azoriana

Dedicado a Nuno Barata do Blog Açoriano "Foguetabraze"

T-shirt 2º aniversário

Num envelope macio e ligeiro
cá chegou a encomenda
Uma t-shirt é a minha prenda
do
Blog "foguetabraze" Açoriano
entre todos o Primeiro.

Esta prenda tão certeira
Trazia a medida exacta
Fico alegre e muito grata
pela lembrança p'ra Terceira.

Uma oferta como esta
chegou num dia lembrado
ficará assim gravado
o bom motivo da festa!

Festa comemorativa
2º ano bem anotado
e eu cá do outro lado
atenta na expectativa.

Obrigado a Nuno Barata, o especialista em generalidades
dono do Blog sempre atento às realidades.

28 de Julho de 2005

Azoriana

Os Açores em tua casa

capa do soneto


Visite esta e outras imagens inseridas na Galeria de Fotos do Portal Açores.



O Portal Açores é um Postal do Encanto Açoriano.
Vem espreitar todas as fotos e deixa um comentário. Não custa nada.

Azoriana

Versos de Mãe


Há dias em que versos salvam vidas!
Feitos de insónias gloriosas
talhados pelas noites amorosas...
horas que não deixarei esquecidas.

Mãe! Deste-me palavras destemidas
nem as musas estavam ociosas
nos sonhos fizeram-se milagrosas
revelaram-te linhas tão queridas:

Eis:"Oh! mar azul que tanto encerras,
os peixes teus nadadores, são o perfume
da mesa, de todos os pescadores."

Um poema nascido nestas terras
único e sei que não virou costume
mas versos de Mãe são sempre os melhores!


Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5252

Soneto do Ocaso


Soneto do Ocaso

O Sol deixou-se cair rente à Ilha,
Sua graça alindou-se Graciosa!
A noite adivinha-se formosa
De tão perto vi ocaso maravilha.

O céu, terra e mar linda estampilha
Junto a mim só sombra silenciosa
Mas, lá a roda forma-se luminosa
Para dizer adeus à Terceira - Ilha.

Dá-se então contagem decrescente
Foge cada vez mais do meu olhar
Só me resta um sonho no poente.

E da ramagem calma cá do monte
Vi-te dizer adeus tão devagar...
És amor qu'embeleza o horizonte!








 


Rosa Silva ("Azoriana")


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5247


Índice temático: Desenho sonetos

Participante nr. 29 de "Roda Ciranda, Roda"


in "Amor em Verso e Prosa" - Ciranda de Poetas


Canção de Andar à Roda

I
Vamos todos lá dançar
Um passo de cada vez
Quem quiser pode parar
Nunca antes de dar três.

Roda, roda, Cirandinha,
Roda que quero bailar
O meu par é o mais lindo
Venha aqui pro meu lugar.

II
Na roda vamos ficar
Até cansarmos os pés
Quem quiser pode parar
Vira e volta outra vez.

Roda, roda, Cirandinha,
Roda que quero bailar
O meu par é o mais lindo
Venha aqui pro meu lugar.

III
Nesta nova ciranda
Vou cantar com alegria
Este meu par é que manda
Até ao nascer do dia.

Roda, roda, Cirandinha,
Roda que quero bailar
O meu par é o mais lindo
Venha aqui pro meu lugar.


Azoriana

Santo Amaro

Santo Amaro

Há um ditado que diz "ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão". Aqui não se tratam de roubos. Claro que não! Tratam-se de Saudades! Esta é que é essa.

Porque será que nesta altura esta foto encanta, tanto a Mariana como a mim?! (e, estou convicta que, a muitas pessoas que também amam a bela freguesia de Santo Amaro da ilha do Pico).

Pois é... só me falta uma coisa para correr para este céu na terra... só uma coisa... ora tentem lá adivinhar o que é. ;)

Se eu fosse jovem e tivesse a generosidade de um cartãozinho que faz milagres e se viaja de barco a um preço simbólico... e se, e mais se's...

Mas, infelizmente, já não sou teenager (julgo que é assim que se escreve?!), por isso não vale a pena pensar mais no cartão, que só é útil à juventude.

Então, que solução dar a este desejo de, mais uma vez, estar junto dos familiares e cheirar aquele doce mar... estar dentro daquela conchinha sempre à beira-mar repousada... tal como escrevi no comentário do blog
Ardemares":

[(...) o mar de Santo Amaro é diferente dos outros mares... arde-me ao coração!

Mariana, "roubei-te" um pouco do título do teu blog mas percebo perfeitamente todo o sentido que vai nele.

Um abraço!

Nota: Aceito sugestões de como resolver este impasse :)

Azoriana

Na crista da noite

A beleza maior então se apresta,
entre terra e céu solta-se o beijo,
o momento dos sonhos, do desejo,
um sinal de amor se manifesta!
 
O raio só luz na virgem aresta
Entontece-me e quase que não vejo
o sol alegrar-se com outro beijo
como se fosse o teu na minha testa.
 
Um sonho breve foi amor eterno
fica gravado num fogo tão lindo;
no teu olhar nem sinais de inverno...
 
Na crista da noite desfaz-se o dia
outra voltará, decerto sorrindo;
Ficar contigo... que claro seria!

R
osa Silva ("Azoriana")

Participante nr. 15 de "Ciranda da Amizade"

in Amor em Verso e Prosa
in "Amor em Verso e Prosa"

Ciranda da Amizade

Amizade

Amigo abre o sorriso sem vaidade
Sente o coração manso de ternura
Liberta o sofrimento e a amargura
Amizade é símbolo de verdade!

Eu louvo a amizade sem idade
Ninguém pode chamar isto de loucura
Ter amigos essa virtude segura:
Veste-se de solidariedade.

Os amigos são como um jardim de flores
Elevam seu perfume p'ra natureza
Amizade aceita todas as cores.

Que bom manter a beleza desse encanto!
Há um brilho no olhar... Eu tenho certeza:
Há um bem querer quando se gosta tanto!

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5248


Índice temático: Desenho sonetos

Machado de Carlos UOL Blog

Viva!

Eu não sabia quem me batia à porta...
Fui ver... (curiosidade sempre a há)
E eis que ela se abriu de par em par:

O brilho de olhar foi o que se seguiu!

Suas páginas, de certeza, coroadas,
parecem rios de rosas... Lindas!

Voltarei sempre que me chamar...
.............................................
Cada vez que houver uma Canção!
.............................................
em Machado de Carlos - UOL Blog.

Azoriana

"Escrita Solta", de Paulo Póvoa

Escrita Solta

Estimado bloguista,
Envie o que goste de escrever, e descreva o que é para o mail deste amigo poeta.
Está tudo explicado num artigo no blog "Frases e Poemas".
Basta seguir este link para o "Semanário de poesia, crónicas e prosa".
E apetece-me dizer:

"Escrita Solta" convida
inspirações d'amizade
um grupo cheio de vida
escreverá com vontade!

Azoriana

Estou feliz!

Azoriana
o meu livro de sonetos
Sonetos.com.br
O seu site de poesia


15 de Julho de 2005

Um sonho torna-se vivo
os sonetos são a magia da escrita que me dá alegria
e antes da meia-noite ouvi o galo a cantar
trazia notícia que me veio, então, encantar
e quero aqui deixar registado este dia
A 15 de Julho de 2005,
Bernardo Trancoso,
na rubrica "Sonetos Seus" foi tão amoroso
registou meus sonhos nas páginas de história
e um livro colocou ao lado de ilustres sonetistas
fico tão feliz com esta dedicatória:

Eu, uma mulher terceirense, com emoção
envio um grande abraço do coração.
Nem sei, neste momento, que palestra lhe faça
no meu canto fiquei até sem graça
e tal como a rosa na madrugada,
sorri com o seu aroma ao despontar da ternura
estou tanto, mas tanto entusiasmada
mando um sorriso de contentamento
brilha o sol pela noite dentro...

Obrigado!

Azoriana

Dos Açores... História de Fadas

a propósito de fadas... recomendo estas


Eram catorze fadas bonitinhas
Gostavam de voar (soltam-se asinhas),
Sempre de par pr´aqui e pr´acolá,
Quatro p'ra cima mais quatro? Vêm já!

Fizeram uma festa de amiguinhas
Das rimas andaram sempre juntinhas.
Três rainhas, nenhuma quis ser má.
Mais três fadas no fim. Melhor?! Não há.

Varinha de condão, por terra e mar
E fadas assim não podem parar.
Sei que foram madrinhas! Vi-lhes amores

Alguns sabem quem são? São dos Açores!
De mãos dadas cantaram uma cantiga...
Dos seus versos tornei-me boa amiga.


Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5140


Índice temático: Desenho sonetos

Ao poema «Açores» de Vitor Sintra

Que poema encantador
Sobre as ilhas... Quanto amor!
Que beleza de moldura
Mui formosa e com frescura.

Pérolas do descobridor,
A natureza em flor,
A paisagem que é mais pura,
Até hoje nossa ventura.

Há brilhantismo no verso,
Por este nosso universo,
Rodeado de mar anil.

As hortênsias então
Cartaz de apresentação:
Nos valados mais de mil.

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=8263

Que vida?!

Há sonetos a sorrir que eu já li,
Outros como este foi aberto choro...
A Deus neste meu versejar imploro:
- Vinde, Amigo! Preciso de ti.

As mãos levanto. Tanto que já vivi,
Tanto que já chorei mas nem decoro,
Passado no presente é inodoro.
Por meus filhos cheguei até aqui.

Mas... que fazer da nova geração?!
Os jovens agarram-se ao gargalo
Do vício malvado e infernal.

Nada se pode dizer. Ouvem mal...
Cedo vão perder no jogo do galo.
- Deixem viver o vosso coração!


Rosa Silva ("Azoriana")


 


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5194


Índice temático: Desenho sonetos

No teu adro (artigo 505)



A bonita, tranquila e Santa Mãe,
no seu Altar qual flor... o Filho no braço
apelo de amor brota do seu traço,
na Serreta sediou-se e muito bem.

Senhora dos Milagres - Oh! Virgem -
é no teu adro que a fé dá tanto passo.
Unem-se amores num convicto laço;
Eu fui lá, com certeza, mas porém...

... o dia mais feliz de rasa vida.
Mas... subir no adro?! Já não há mais jeito.
De véu, só mesmo eterna despedida.

Ai! Se eu pudesse pintar neste quadro
o amor que caminhava no meu peito
no dia que gostei mais... daquele adro!


Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5139

Para ti, Bombeiro!

Num repente... Sirene... Alto grito!
Fogo ou coisa que vem agoniar.
O lema é correr, correr e salvar!
Até o coração bate aflito.

Rapidez, acção segue-se num rito.
Salvar vidas e bens não pode vagar
A estrada pára p'ros deixar passar;
Nesta viagem nada é interdito.

«Homens da Paz» vestem de prontidão,
Nem o cansaço os faz arredar:
Este o sinal de que sabem amar.

Dignos de toda a nossa gratidão...
As chamas nunca quebram seu machado.
Soldado do fogo - Sempre louvado!


Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5195


Índice temático: Desenho sonetos

Revelo a novidade...

esquema de azoriana


Para as pessoas amigas e para os que visitam o meu blog:
Imagino que já vos passou pela cabeça esta pergunta - Mas o que deu nesta mulher para agora meter-se a escrever sonetos?! Que ela gosta de poesia, até já demos por isso... mas isto está muito estranho... penso até que ela gosta mais de quadras de sabor popular.
Pois, se calhar certos estão vocês. Mas nada melhor que mudar de estilo de tempos a tempos. Eu explico.
Um dia disseram-me: "Tens de ler livros de autores portugueses. Procura os livros dos Poetas!"
Fui obediente e procurei e já escrevi sobre isso.
No entanto, também naveguei nesta onda gigante (que é a net - isso já sabem), e coloquei o termo de pesquisa "SONETO", e nem mais, foi cair direitinho no primeiro site listado, intitulado
"Sonetos.com.br". Segui o link "Como escrever" e deixei-me ficar por um bocado.
Gostei e fiquei viciada, no bom sentido. É verdade! Tenho pena do tempo não ser muito para ler tanto que lá está.
Já aprendi muita coisa neste site sobre Métrica, Rimas e Sonoridade. Já preparei um esquema à luz dos ensinamentos. Voltei a ser estudante nas horas vagas, mas não adianta forçar o vento quando não há talento. A expressão é minha, mas será que tenho talento?! Logo saberei ou alguém mo dirá. Ninguém sabe tudo e sinto que vou continuar a seguir a voz do coração.
E agora a novidade...

Já descobriram? Não! Então, continuando...
É que eu enviei alguns sonetos (imperfeitos). O Administrador do site , Bernardo Trancoso, que possui uma lindíssima colectânea de sonetos e refere que "não parei nos duzentos sonetos, nem pretendo parar. A meu ver, a poesia é uma filosofia de vida. Ela me transfere paz nos momentos difíceis e um pouco de alegria nos momentos tristes. (...)" e "(...) Grande é o poder de um pequeno verso. (...)", já publicou os meus e neste dia dei conta disso.
Agradeço imenso a gentileza de ter aceite os meus primeiros momentos de estudo. Talvez um dia me possa dizer algo sobre eles. Não tenho dúvidas que me sinto muito mais feliz hoje, porque mesmo que escreva com erros, escrevo o que vem do coração e esse espero que não me atraiçoe.
Abaixo o título dos sonetos enviados com a respectiva numeração atribuída:



  1. 1809 - Tocando o sonho

  2. 1818 - Fizeste-me

  3. 1819 - Crepúsculo

  4. 1820 - Sorriso do Amor

  5. 1822 - Porquê soneto? Porque sim, porque gosto...

  6. 1823 - Cântico ao Divino

  7. 1824 - No teu adro

  8. 1825 - Dos Açores... História de Fadas

  9. 1826 - 10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

  10. 1827 - Serreta

  11. 1828 - Nas tua mãos... a vida

  12. 1829 - Sanjoaninas 2005 (antevisão) e foi assim...

  13. 1830 - A Tourada dos Estudantes

  14. 1878 - Que vida?!

  15. 1879 - Para ti, Bombeiro!

  16. 1905 - Na crista da noite

  17. 1931 - Soneto do Ocaso

  18. 1932 - Amizade

  19. 1936 - Versos de Mãe

  20. 1952 - Um livro é um sonho!

  21. 2002 - Traços

  22. 2015 - Boa solidão

  23. 2070 - Incentivo

  24. 2104 - Serei alguém?!

  25. 2105 - Convite especial

  26. 2108 - Desejo

  27. 2125 - Para um filho que parte...

  28. 2153 - Horas íntimas

  29. 2154 - O Tacho que inspira...

  30. 2157 - Prisioneira de emoções!

  31. 2442 - Reflexão...

  32. 2470 - Vozes em sonho

  33. 2635 - Desenho do Soneto

  34. 2902 - Só

  35. 3095 - Autodidacta com sorriso

  36. 3138 - Quando há Natal...

  37. 3174 - I - Bravo berço

  38. 3175 - II - Bordada de lilás

  39. 3176 - III - Corpo pitoresco

  40. 3177 - IV - Linda Ilha Terceira

  41. 3178 - V - Convite (o mar é que nos tempera)

  42. 3179 - VI - Angra de encanto e Heroísmo!

  43. 3180 - VII - Olé! Toiro

  44. 3181 - VIII - O Sonho (1)

  45. 3182 - IX - Junho em festa

  46. 3183 - X - O Sonho (2)

  47. 3184 - XI - Continhas de luz - Nossa Senhora dos Milagres

  48. 3185 - XII - Monte Brasil

  49. 3186 - XIII - Preferências

  50. 3187 - XIV - Ó que saudade!

  51. 3188 - XV - Síntese - Ó Terceira! (=1821)

  52. 3322 - Natal dos pequeninos

  53. 3398 - Cartões de Natal (acróstico)

  54. 3472 - A propósito do soneto 3403, de Raymundo Salles Brasil

  55. 3492 - Ao «Semeador de Poesia» Francisco Monteiro

  56. 3502 - Esperança

  57. 3895 - Divino Espírito Santo - o tema das Sanjoaninas 2006

  58. 3904 - A janela p'ro mundo

  59. 3915 - Dedicatória à Chica (escritora e poetisa terceirense)

  60. 4095 - Matilde (amiguinha de 5 meses - 1/4/2006)

  61. 4096 - Praia da Vitória - 1 de Abril 2006

  62. 4097 - Papa João Paulo II - 2 Abril 2006

  63. 4194 - Deus seja Louvado!

  64. 4358 - MMVI-V-XII (Aniversário da Filha)

  65. 4411 - Vila da Povoação - São Miguel - Açores

  66. 4449 - Rimas de Vento

  67. 4540 - Sanjoaninas 2006

  68. 4541 - Densa solidão

  69. 4620 - Amor e Dor

  70. 4645 - Moldura de beleza

  71. 4702 - «Em algum lugar do passado»... (o mote)

  72. 4801 - As rochas

  73. 4881 - Dedicatória: «Crónicas... no feminino»

  74. 4882 - Ao poema «Açores» de Vitor Sintra

  75. 5107 - A cor que seduz...

  76. 5363 - A Luz de Maria!


Seria uma coletânea "Encontro com a Terra".
Fico à espera do vosso comentário.
Rosa Silva ("Azoriana")


Após algum tempo, verifico que as hiper ligações não estão a funcionar. Peço desculpa, embora seja alheia ao facto. Os sonetos listados estão em artigos no blog. Pesquise através do Google ou na "lupa" do blog, no topo.

Porquê soneto? Porque sim, porque gosto...

esquema de azoriana

Fui picada pelo bichinho raro
Do gosto. Porque gosto de soneto
Se algum crime por certo cometo:
Perdão! Será que me vai custar caro?!

Risquei meu crivo com algum preparo,
Tentei seguir por caminho correcto
Não fosse atropelar este projecto.
Espreito vosso sinal de reparo.

Nos sonetos tanta dedicação;
Amor habita qualquer coração
Mais no site de Bernardo Trancoso.

"Amor é fogo que arde sem se ver"
Camões quanta luz soube descrever!
... Amor! Amor! Para sempre famoso!

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5137


Índice temático: Desenho sonetos

15 Sonetos - Ó Terceira!

I - Bravo berço

Depois dos meus quarenta há descoberta
em réstias brancas só improviso
não sei de quanto mais será preciso
para cantar e ver minh'alma liberta
 
da saudade que no coração aperta
nesta ilha mora a cor de algum riso
que dizem semelhante ao paraíso
(bem me lembro de deixar porta aberta).
 
Recordo datas "made in" chafarizes
marcas de mãos que fazem história
de profissionais e outros aprendizes.
 
Colossais monumentos de primeira
Castelos, Igrejas, Praças, Memória:
Bravo berço donde vens, Ó Terceira!


II - Bordada de lilás

Bravo berço donde vens, Ó Terceira!
faz-se fé nas festas. Há mais touradas;
estas gentes querem-se animadas.
(Ao tremoço se dançou à volta da eira.)
 
Na ilha que foi sempre tão festeira
hortênsias cativam seus pedaços
na lava fria nascem rosas e laços
e se há dor que seja passageira.
 
Sofremos e rimos quase num só dia...
É verdade! Acreditem que nós cremos
que Deus nos dá nova alegria.
 
E Maria, Mãe de Jesus, é presente.
A devoção ativa nossa voz,
bordada de lilás, de amor ardente.


III - Corpo pitoresco

Bordada de lilás, de amor ardente,
a manta de retalhos (sonhos reais)
nas varandas luzem flores demais
o amor nascido dum olhar somente.
 
Em penas me sinto. Sou diferente?!
Já não avisto chilreio dos pardais;
O cheiro dos jardins, doutros quintais,
insiste em bailar nesta minha mente.
 
Perco-me em sonhos por entre mares
na lua deposito meus desejos
que ficam espalhados pelos ares.
 
Voltam ao coração independente
na lembrança de mansos e ternos beijos
- teu corpo pitoresco que bem sente.


IV - Linda Ilha Terceira!

Teu corpo pitoresco que bem sente
a brisa que corre por entre os dedos
baloiça a música dos arvoredos
da terra que no mapa vem assente.
 
Linda Terceira! Há quem por ti cante;
sai e vai dar a volta à ilha sem medos
nos Bailinhos lavram nossos enredos
bem lembrados do povo emigrante.
 
Há outras modas também com valores
nas vozes que p o desafio nasceram
dos nossos conhecidos cantadores
 
que sabem ilustrar esta Terceira
e perto do mar cantaram e viram
o pé de sal subindo a escaleira.


V - Convite (o mar é que nos tempera)

O pé de sal subindo a escaleira
leve, fresco, sem pressas com certeza
mostrando tanto encanto e beleza
da juventude em tez prazenteira.
 
E se quiseres vir p'ra nossa beira
motivos encontrarás de certeza:
alcatras, arroz-doce, pão na mesa
fazem as honras à boa cozinheira.
 
Os guisados, cozidos e bons grelhados
não faltarão. Terás de ter proventos,
já lá vai o tempo das graças (fiados).
 
Mas se esta não foi a melhor maneira
traz tua tenda em sãos movimentos:
Teu verão passas na zona costeira.


VI - Angra de encanto e Heroísmo!

Teu verão passas na zona costeira
e no mar fitas a onda que satisfaz
sei que depois sentir-te-ás capaz
d'enfrentar uma tarde Domingueira.
 
Creio ser uma tese verdadeira
o prazer que o mar em versos nos traz,
nossa baía com festa e cartaz
do Santo que faz saltar na fogueira.
 
Angra foi e será sempre um encanto
canta na marcha, reza à procissão
e no mar também já se viu pranto.
 
Marina já cativou tanta gente
à beira-mar solta ao sol d'emoção
abrem-se guarda-sóis divinamente


VII - Olé! Toiro

Abrem-se guarda-sóis divinamente
o Capinha enfrenta a raça pura
passo dado face à cabeça dura
dum toiro nessa arte repetente.
 
É bom vê-lo na corrida corrente
os "Olé!" qu'alegram lilás bravura;
lindas armas, de negra formosura
no símbolo regional imponente.
 
Na Salga, palco de lutas renhidas,
estes animais fizeram tal furor
deixaram estreitas quaisquer saídas.
 
Hoje, esse perigo é ausente
e ao longe quando passa vapor
esfregas teu olhar avistas contente.


VIII - O Sonho (1)

Esfregas teu olhar avistas contente,
montinhos de lava, digo Açores!
Sonho conhecer o Corvo e junto Flores
(é preferível em época quente).
 
Porque estas ilhas se olham de frente
guarnecidas das mais bonitas cores
talvez oásis de muitos amores
nesses campos do grupo a ocidente.
 
Santa Maria, estrela formosa
nome de Mãe, (outra que não fui ver):
primeira ilha, um botão de rosa.
 
Por encanto fico cá pela Terceira
junto da areia não quero perder
o sol que cobre a espreguiçadeira.


IX - Junho em festa

O sol que cobre a espreguiçadeira,
convida a lua p'ra bailar na Praça
e a noite ganha logo tanta graça
quando chega tão boa companheira.
 
Em Junho a festa toma a dianteira
junta-te a nós não percas a folia
no tempo que a noite parece dia
convida a estear nossa bandeira.
 
Então a noite se veste de olhares
vendo que na noite o dia acontece
e que a vida tem brilho nalguns lares.
 
Na noite vês Castelo ancorado
ao Monte Brasil que de lá enaltece
Silveira e Prainha do nosso lado.


X - O Sonho (2)

Silveira e Prainha do nosso lado
Negrito e Porto das Cinco além,
fazem as delícias de quem tem
no mar espelho de corpo moldado
 
nas voltas que dá ao banho salgado.
Esta paixão sei que a todos convém
mas p'ra mim não fico muito aquém
porque em terra é que ando e não nado.
 
Há um sonho que se agita em mim
uma onda que vai e vem devagar
ser sereia neste mar só por fim.
 
E quantas vezes já senti uma dor no
momento que já não posso saltar
trampolins da terra e mar sem transtorno.


XI - Continhas de luz
- Nossa Senhora dos Milagres

Trampolins da terra e mar sem transtorno
e o mundo será visto doutra forma,
nem seria preciso tanta norma
(ódio seria menos que morno).
 
Ao amor demos lugar e vamos pôr no
coração leis que não tenham reforma
porque o Livro de Deus bem nos informa:
Para segui-Lo não há desadorno...
 
Nesta ilha, bem pertinho da serra,
temos Imagem da Virgem Senhora
nosso amparo que brilha na terra
 
e do seu rosário iluminado
continhas de luz a toda e qualquer hora
presenteiam teu corpo de dourado.


XII - Monte Brasil

Presenteiam teu corpo de dourado
o sol e as estrelas com versos de luz
nesse caminho que mais me seduz
vejo o mar p'la areia encantado.
 
No horizonte encontro talhado
entre céu e mar nossa Ilha de Jesus
no cimo do Monte ergueu-se a Cruz
marco histórico ali plantado.
 
Avista na frente a nobre cidade
e no seu ventre tingido de verde
encerra cratera de muita idade.
 
E se há amor assim em demasia;
e se é num vulcão que tudo se perde
há quem prefira calma moradia.


XIII – Preferências

Há quem prefira calma moradia
e p’ró amor construa novo tecto
debruado com ternura e afeto
combinando alguma fantasia.
 
Há quem prefira ter por mais um dia
ramo de rosas no tom predileto
enlaçado por um beijo secreto
numa surpresa que canta alegria.
 
Há quem prefira, enfim, outra prenda
e que no céu uma parte conquista
mas para isso tem de haver emenda.
 
Ai, se o amor quisesse meu retorno
qual pincel que voa quando o artista
deixa o azul e veste o verde, doce adorno.


XIV - Ó que saudade!

Deixa o azul e veste o verde, doce adorno
na descida da serra até à encosta
e no vale chaminé de "mão-posta"
deixa escapar bom cheiro do seu forno
 
que leva o olhar a seguir seu contorno.
No lar a alva toalha deixa exposta
a côdea que tanta gente gosta...
Ao passado eu volto (bom retorno)
 
ao tempo da minha tenra idade
de um trago recebia massa e pão
das mãos da minha mãe... Ó que saudade!
 
Guardo no paladar doutra alegria
no calor do amor, do bom serão
tecido na pacata freguesia.


XV - Síntese - Ó Terceira!

Bravo berço donde vens, Ó Terceira!
Bordada de lilás, de amor ardente;
teu corpo pitoresco que bem sente
o pé de sal subindo a escaleira.
 
Teu verão passas na zona costeira
abrem-se guarda-sóis divinamente
esfregas teu olhar avistas contente
o sol que cobre a espreguiçadeira.
 
Silveira e Prainha do nosso lado,
trampolins da terra e mar sem transtorno
presenteiam teu corpo de dourado.
 
Há quem prefira calma moradia.
Deixa o azul e veste o verde, doce adorno
tecido na pacata freguesia.

Rosa Silva ("Azoriana")


Índice temático: Desenho sonetos

Crepúsculo (artigo 501)

imagem da net



Gravo no verso certo apartamento
Em dor e pranto, tal fonte lacrimosa...
A mentira foi tua arte famosa;
Enjaulaste e apagaste o sentimento.

Do alto já não suportei nenhum vento,
No jardim nenhuma planta formosa.
Tão longe, deixei de ser extremosa,
Na terra brava plantei o esquecimento.

Do sonho já não espreito lembrança
Pena ter seguido por tal caminho.
- Liberdade?! Quero ter esperança.

Contigo a vida não dá, nem importa.
Quanta mágoa neste pergaminho?!
Fugi-me da treva... Deixei-te a porta!

(2002-2-10)
Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5133


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Fizeste-me... (artigo 500)

imagem da net


Mãe, fizeste-me corpo de rajada!
E a vida levaste ao novo baptistério.
Acompanhar-me?! Não, no cemitério!
Teu barro foi partida ora finada.

Orfã sou! Fiquei sem ti... quase nada!
Procura incessante do mistério
Que encobre o riso, fica muito sério,
Tenta aguentar-se nesta caminhada.

O sol nem sempre aguenta ser escasso;
A luz que brota dá-se em oração.
E faz com que amanheça então meu passo.

Mas eu tenho que ser forte e libertar!
A vontade clareia-me o coração;
E o meu compasso torna-se acertar.


Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5132


Índice temático: Desenho sonetos

Eu não gosto de partidas



Eu não gosto de partidas
Bem melhor são as chegadas
Tristes são as despedidas
Alegres só as entradas.

O barco deixou a ilha
No rasto água salgada
Lá se foi a minha filha
Com gosto acompanhada.

Ser jovem nada melhor
P'ra viajar à boleia
A espera é que é pior
Se a cadeira tiver cheia.

Hoje o dia foi sortudo
Tanta gente embarcou
Expresso leva de tudo
A mim é que não levou.

P.S. Hoje a estrada era de água e bem salgada... Vi partir, em sorrisos, as pessoas que me são queridas. Foram nessa estrada longa e larga com destino a um bom porto, um cais com nome de Boa Ilha! Essa ilha negra que abraço até mais não! Eu fiquei... a ver a água calar-se ao virar do Monte... Senti nas veias o som a chamar-me: Vem connosco, vem até à conchinha beira mar plantada... Não fui! Fiquei a pensar quando será a minha vez de visitar Santo Amaro... Ele está lá com as minhas raízes e a saudade!
(Este o comentário que postei em Ardemares.)

Azoriana

Tocando o sonho

imagem da net


Nem sei se penso ou quero arrimar.
Se rimo faço-o, por mim, sem desdém
A contar mais do que rimo por bem,
Só se for mesmo cantando a rimar!

Em quantas linhas eu te quis chamar?!
Conotei as vezes que o sonho provém?
E tudo quanto admirei aqui e além
Rimei nas janelas voltadas a mar.

Melhor sorte terei se no retorno,
Com pétalas rosas fizer tal adorno
Mas não vejo quem gostava de ver!

Se neste voar eu perder a cabeça,
E malfadada quadra aconteça:
Só na rima plantarei novo viver...

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=5123


Índice temático: Desenho sonetos

O que não és (o comentário que virou artigo)

Não sou Cupido
nem vim alguém arranjar
mas vim com carinho
algo declamar

Em ti há uma estrela
que é esse teu coração
que tem a doçura de um passarinho
e de uma jovem mulher a paixão.

És flor branca da paz
Amarela para a vida
Rosada com o amor
e sempre uma mulher querida

Quem te aconchegue vai aparecer
seja com flores seja com sorrisos
E apenas te vai dizer
Que olhos tão bonitos :)


P.Povoa

De Azoriana:
Agradeço ao poeta esta gentil inspiração.
Assim fica com uma melhor disposição.
Um abraço sorridente.

Numa tarde de sol

Não me lembro do muito que estudei. Às vezes nem precisa, porque eu vou rebuscar, mas canso-me.
Eu não gosto do cansaço, prefiro o luar...
em sossego ou com vento!
"E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido".
Fernando Pessoa o escreveu e eu gostei de o ler. Admirei-o de coração.
Eu pensei bem lendo isto.
Dói-me é se nada penso mas o vento sopra a dor e encanto-me no verso que leio à noitinha.
Sempre ouvi tanto de Fernando Pessoa e hoje a vergonha inflama o que vou escrever.

Numa tarde de sol eu fui às compras e na lista, pequena, assinalei: livro.
Queria, porque queria um livro. Mas que livro?! Havia tantos...
De repente, olhei e vi

FERNANDO PESSOA
poesias escolhidas por Eugénio de Andrade.

Parei: É este!
Depois... a tira com números pequenos e a curiosidade abalaram rumo a casa.
Grande compra! Que grande compra! - pensava eu.
O pensamento estava cheio de razão.
Agora torna-se difícil saber qual o poema que gosto. Uns li uma vez, outra vez e outros fazem-me companhia assídua.
Não me obriguei a decorar nada como outrora o fiz. Agora soube-me muito melhor voltar a esta leitura:

Coroai-me de rosas;
Coroai-me em verdade
       De rosas -
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
       Tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
       E basta.


in página 125. Ricardo Reis. Odes.

Em páginas anteriores, apaixonei-me... quem não se apaixona por este Poeta?!

LAST POEM
(ditado pelo poeta no dia da sua morte)

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver ainda, mais nada.


in página 121. Alberto Caeiro. Poemas Inconjuntos.

A página 117 trouxe-me uma surpresa agradável que calei e continuei a ler porque o próprio o escreveu:

"fui o único poeta da Natureza". - in página 119. Alberto Caeiro. Poemas Inconjuntos.

e

"Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?</i>. - in página 203. Álvaro de Campos. Poemas.

O melhor de tudo é mesmo ser livro... é a árvore que fica viva.
Aquele é lembrado e amado por quem lhe toma gosto.
Há árvores grandes!
Eu nunca plantei nenhuma, nem pequena...
Talvez um dia volte às compras numa tarde de sol...

Azoriana

39 - MENINO DE RUA

de Tere e Dani Penhabe
in "Amor em Verso e Prosa" - Ciranda de Poetas


Menino de Rua

Menino perdido
no Sol e na Lua
Menino querido
que sina é a tua?

Vestes o luar
ris com as estrelas
só não podes voar
para junto delas.

Menino de rua
tens uma missão
procuras ternura
p’ro teu coração.

Eu quero louvar
o Deus que te guia
Ele vai-te amar
e dar luz ao teu dia!

(c) Azoriana

O que eu sou!

Se eu fosse uma estrela
Vivesse abaixo das águas
De certeza que as mágoas
Fugiriam logo dela.

Se eu fosse um passarinho
De mil penas coloridas
Dar-te-ia boas guaridas
Bordadas em amor e carinho.

Se eu fosse jovem mulher
Com alegria no coração
Abraçaria com emoção
Quem me quisesse acolher.

Mas não sou aquela estrela
Nem tão pouco passarinho
Até caiu o meu ninho
Sou mulher e sou singela.

Apetece-me flor branca
Amarela ou rosada
Gostava de ser bem amada
Esta palavra tão franca.

Há sonhos que não amanhecem
Escondem-se no teu mar,
Não há forma de os chamar
Tão longe se desvanecem.

Pedi à estrela que flameja
Que levasse o tal recado
Com um sorriso embrulhado
Pode ser que assim te veja...

(c) Azoriana

Voltei... (no verso)

Voltei de novo a amar!
o sol, a lua, as estrelas
as imagens serenas e belas
as vagas branquinhas do mar!

O sol aquece-me o coração
a lua adormece-me no sonho
as estrelas, que brilho medonho,
dançam na palma da mão!

Sinto vontade de viver
abraçada a esta terna visão
a nuvem traz-me a saudação
no verso deste meu escrever!

Rosa Silva ("Azoriana")

Claridade

olhar-te...

Há olhos
   que trabalham
   que vivem
   em sobressalto.

Há olhares
   que se cruzam
   não silenciam o brilho.

Há...
cores em delírio.


   espelhos com alma
   de tão bonitos!

Azoriana

Vassouras

passe o rato e surpreenda-se...passe o rato e surpreenda-se

As vassouras existem neste chão Serretense, bem no topo da Ilha Terceira!
Quatro imagens que as identificam. Basta passar-lhes o rato por cima e "voilá".

Azoriana

Desafi(ando)



Começou o Desafio de
para cá e de cá para !

Parada de Gonta tem beleza,
Mas os Açores têm também,
Amar assim a natureza,
Dá prazer e sabe bem.


Os Açores quase conheço,
As suas linhas gerais,
As quadras eu agradeço,
De Parada são especiais!

A amizade assim vivida,
Neste nosso Portugal,
Vence barreira contida,
Num transporte sem igual.


O transporte até se arranja
Caso a bolsa esteja farta
Minha vontade é que esbanja
Quem partisse numa quarta!

E quando a distância chega,
À lembrança intransponível,
Damos a volta à cabeça,
Por um caminho acessível.


Tantas voltas ela vai dar
Que adormecer até custa
E quando é para acordar
O relógio até me assusta!

Na Serreta ou em Parada,
Nos Açores ou Continente,
Damos por certo cantada,
Esta Amizade permanente.


Nisto eu estou bem certa
Esta Amizade nasceu feliz
O blog com a porta aberta
Parada & Serreta assim quis.

E quando quiseres mais próxima,
Esta distância de olhar,
Tomas o rumo da máxima,
E a Parada vens Parar.


Sinto que vai haver demora
A vida tem tanta turbulência
Mas se chegar bendita hora
Será festejada tal ocorrência!

Com trabalho ou nem por isso,
Escola tens muita cá,
A casa sem compromisso,
E um amigo, sabe-se lá.


"O sonho comanda a vida"
E eu sou muito sonhadora
Quem estivesse de partida,
Até fico comovida agora...

Por ora mantém a fé,
E a vontade sonhadora,
Quem sabe se logo é,
Em Parada, sim senhora!


Uma viagem em pleno Verão
Mochila com gosto e sorriso
Resolvia bem a questão
Parada rima com: Paraíso?!

CAH
Azoriana
 

De onde sou



Sou da Vassoura
a Canada que riu
e o mar estava todo a fio...

Foi ali que te conheci,
Doce Mar:
Eu sempre te admirei!

Falei contigo sobre a Canada
que se ligava à pequena serra:
Serreta
Quantas vassouras Deus te deu?
Tantas e hoje poucas...
E o nome dado ao caminho
Que ouviu o meu chegar:
Esse o meu ninho!



Azoriana

Tu...

imagem da net

estás nesse chão
desaguada

não foste colhida
foste largada

mas,
ficarás nova
se amada!

Azoriana

Em dia de Cantoria - o desafio!

30 de Junho de 2005

Foi o dia da Cantoria ao Desafio no Corpo Santo, em Angra do Heroísmo, junto ao Império da Caridade, cujas festas decorrem neste período.

Presentes estiveram os Cantadores Terceirenses bem conhecidos: João Leonel (O Retornado), José Eliseu, António Mota e João Angelo.

Em primeiro lugar, cantaram os senhores José Eliseu e João Leonel "O Retornado" e de seguida os senhores António Mota e João Ângelo.

Enquanto os primeiros rimavam suas cantigas, eu abeirei-me dos outros dois para tentar descobrir porque não há mulheres nestas andanças e falei do meu interesse e entusiasmo por estas tradições do improviso. Confesso que tinha um bichinho cá dentro a tentar-me para experimentar, ou melhor, fazer um teste em "palco". A meio da conversa o Sr. Mota avisa-me que me irá convidar para cantar. Fiquei nervosa por ser a primeira vez mas tranquilizei-me.

Após acabarem as suas cantigas, sem qualquer estudo prévio e aplaudidas pela assistência, no arraial ao ar livre, chegou a hora do anúncio da presença de uma mulher para improvisar: a surpresa da noite!

Eu tremi mas o gosto foi maior e lá fui para o coreto, antes da desgarrada final pelos quatro cantadores.

Notei que houve alguns olhares curiosos pela inesperada intervenção... e mais curiosa fiquei eu... qual seria a reacção?

Optei por não seguir a normal cantoria, pois a minha voz não está habituada, ainda, à melodia, mas sim declamar três quadras de improviso: uma de saudação, outra de apresentação e a última de remate, dando lugar aos cantadores convidados. Gostei da experiência e das palmas. Foi algo novo para mim e feito com gosto, ainda mais porque os tocadores acompanharam-me com uma melodia regional e eu senti-me bem ao ponto do Sr. José Eliseu, numa das suas últimas cantigas, em jeito brincalhão, referir que eu seria a "Turlu do Corpo Santo"! :)

Mais tarde, li numa entrevista feita pela diaspora.com ao Sr. João Leonel, "O Retornado", em que o próprio referiu: "estreei-me a cantar ao desafio num lugar chamado Corpo Santo, que pertence à cidade de Angra do Heroísmo", e isto fez-me pensar: também foi a minha primeira e breve estreia neste lugar. Esta descoberta deixa-me feliz.

Oxalá houvesse mais alguma interessada em acompanhar-me numa desgarrada criando assim uma "nova onda" de cantoria de improviso mista. Porque não?! Haja quem se atreva e vamos nessa!

Por fim, resta-me agradecer ao Sr. Mota pela sua gentileza.

Cumprimentos para os seus companheiros do improviso bem como ao pessoal presente nesta noite de cantoria!

Rosa Silva ("Azoriana")