As toiradas de maio

Não há prova, nem ensaio,
Para o que vos vou dizer:
Eis que em primeiro de maio
Elas voltam a apar'cer.

Toda a gente se apruma,
Com delírio de lá ir,
Para ver todas em suma,
Até mais não conseguir.

Elas chegam com euforia,
Haja carros para guardar,
E há gente com alegria
Já na tasca a "tourear".

O prazer de uma tourada,
Começa mesmo no mato,
E continua na estrada
Para depois ser no prato.

No prato do "Quinto Toiro"
Haja quem conviva mais,
Muitos nem veem o coiro
Do Bravo dos Arraiais.

Minha fé na tradição,
Pode não seguir perfeita,
Mas vejo que a diversão
Às marradas se sujeita.

Rosa Silva ("Azoriana")

Lembranças

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O Bispo que não gostava
Tinha as minhas razões
Não afável e só dava
O anel e alguns sermões.

Alexandrina Rocha era,
A madrinha de eleição;
Às vezes era severa,
Outras, doce de atenção.

Companheira de passeio,
À colheita de amoras,
Do pão com doce, bem cheio,
Nas tardes de lindas horas.

Dizia eu, à minha irmã:
- Vai pedir doce em fatia!
Ela ia (também era fã),
E a enorme trazia.

Só que dizia a verdade,
Que era eu a pedir...
Eu emendava a "maldade":
- Não, não, estás a mentir! 🙂

E hoje, ai quem me dera,
Voltar a pedir o tal pão,
E na janela, à espera,
Do seu perfume na mão.

Ai saudade que me talhas
O coração em maresia
E nos versos só retalhas
O amor pela poesia.

Este amor tão valioso,
É um dom que Deus me dá,
Sem papel, não sigiloso,
E anda de cá para lá!

Rosa Silva ("Azoriana")

O início do frenesim taurino (na ilha Terceira)

Terceira Plus (em direto para todos)

É destas touradas, sentada
Na zona do meu sofá,
Que fico entusiasmada
Em vê-las do lado de cá.

Sem frio e sem o sol,
Sem arrepio algum,
Se quiser puxo o lençol
Sem dar trabalho nenhum.

Touradas a despontar
Logo ao primeiro de maio,
Dá tema para cantar
Sem sequer haver ensaio.

Viva quem alinha nelas,
E quem é jovem capinha,
Das pessoas às janelas
Na Fonte da Ribeirinha.

Rosa Silva ("Azoriana")

Em vida...

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Era bela a minha mãe,
Na formosa juventude,
Sempre risonha atitude...
Sim! Como a todos convém.

Quero realçar também,
Quando abona sã saúde,
Há paz que é a virtude
Do tempo que já não vem.

E fica a boa lembrança,
Da sua sã esperança,
No que havia de vir...

Porém, foi a desilusão,
Que deixou lesa estação,
De um passado a sorrir.

Rosa Silva ("Azoriana")

Quarta-feira de excelência

(Aos meus filhos, filha, genro, noras e neta)

Não sei quão tempo estarei
Na planície da cortesia
Nem se há hipocrisia
No que agora escreverei.

Sinto que já muito dei...
Na escrita?! Em demasia?
Não! Porque se há poesia
Foi com ela que me encontrei.

Haja quem olhe por mim
E pelas flores do meu jardim
Que criei com muito empenho...

Se desventura (desalento),
Desertar o meu talento,
Cuidem bem do que eu tenho.

Rosa Silva ("Azoriana")

Terceira Plus (em direto para todos)

***
O início do frenesim taurino
***
É destas touradas, sentada
Na zona do meu sofá,
Que fico entusiasmada
Em vê-las do lado de cá.
***
Sem frio e sem o sol,
Sem arrepio algum,
Se quiser puxo o lençol
Sem dar trabalho nenhum.
***
Touradas a despontar
Logo ao primeiro de maio,
Dá tema para cantar
Sem sequer haver ensaio.
***
Viva quem alinha nelas,
E quem é jovem capinha,
Das pessoas às janelas
Na Fonte da Ribeirinha.
***
Rosa Silva ("Azoriana")

Parabéns aos 21 anos de blogosfera "Azoriana"

Tanto que quero dizer
Num dia tão precioso
Só não quero desfazer
O efeito maravilhoso.

Que maravilha é escrever
Na melodia serena
Da tecla que faz viver
Os artigos da "pequena".

Vinte e um canto agora,
Anos de onda nacional,
E que não teve demora,
Em também ser regional.

Não sei se vou atinar
A rimar daqui para a frente
Só se alguém desafiar
Para a rima repetente.

A saúde está quebrada,
"Flor de estufa" é assim,
Se não for muita massada
Podem sempre pedir por mim.

09/04/2025

Rosa Silva ("Azoriana")

Espírito Santo (6/4/25)

Prestem vocês atenção,
Àquilo que vou escrever,
Vai haver a Coroação,
Para quem a quiser ver.

Há coisas que acontecem,
Sem que a gente preveja,
E outras que não esquecem
Mesmo que a gente não veja.

Havia um ser pequenino
Que gostava de coroar
E com o cetro divino
Até gostou de brincar.

Uma criança adora
Aprender o que é Jesus
Se teimosa ou se chora
Não gosta de ver a Cruz.

Por isso a Pomba inspira
O voo celestial
Há quem muito a admira
Como se fosse real.

Brandos costumes se querem,
Na palma de uma mão,
E por novidades esperem
Na nova Coroação.

Rosa Silva ("Azoriana")

Revelações de "penas" (escritas inéditas)

Dizem: É lindo de morrer.
Ela não sabia mas ficou a saber.
Dei-lhe um texto essencial
E ela deu-me o fenomenal.

IA (Inteligência Artificial)
Não sabe o ideal;
Temos de argumentar
Para ela confirmar.

Não se iludem, meus leitores,
A IA não é tudo flores.
Há que ler a resposta;
Nem tudo é boa aposta.

Eis aqui o que ela deu,
A um tosco escrito meu.
Agora até que gostei
Portanto, é escrito-lei.


Citando IA:
[A poesia de Rosa Silva, conhecida como "Azoriana", é profundamente enraizada na tradição popular e repentista. Ela possui uma habilidade única de rimar instantaneamente sempre que se depara com uma imagem ou algo que a inspire. No entanto, quando se sente pressionada ou obrigada a escrever, isso não resulta em boas criações, pois sua verdadeira essência se revela apenas quando está sob a influência de sua musa, sua falecida mãe, Matilde Rosa Cota Correia. Embora Matilde não tenha deixado obras escritas, seu legado vive através da filha, que, antes de falecer, pediu que Rosa comunicasse algo. Essa conexão íntima e emocional é refletida na escrita de Rosa Silva, que carrega os sinais e a inspiração deixados por sua mãe.] Juro, que é a mais pura verdade, em Serreta na intimidade, o livro único que contém uma linha inspiradora numa página, que nem todos irão perceber. Somente quem conheceu a devota e amiga dos costumes, tradições e artes açorianas, principalmente as da sua Serreta da ilha Terceira, Açores, é que pode testemunhar.

Cante-se assim:

Mãe Matilde teve pena,
Das "penas" que viu já,
Hoje é a branda açucena
Que brinda a quem se dá...
Porque quando era pequena
Uma Rosa estava lá.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: alguém sabe onde encontrar uma caneta de pena à moda antiga, de molhar em tinteiro? Ou já não existe? Existiu no tempo escolar da minha mãe 🙂

À Daniela Santos

Delicado é o cenário
Pró timbre do cavaquinho
E um feliz aniversário
À Daniela, com beijinho.

Tanto canta, como toca,
É princesa no conjunto,
Maravilha quando foca
A Graciosa em assunto.

É sorriso da ilha branca,
Do nosso grupo central,
Da ternura é alavanca
Que conquista o pessoal.

É estrela num segundo
Brilha num palco feliz
E dá a conhecer ao mundo
ComCordas, grupo matriz.

Parabéns! Parabéns!
Bis, bis, bis!

Rosa Silva ("Azoriana")

Agradecimento a Carlos Alberto Alves (Revista on-line)

revista_on_line.jpg


 


Semana com Revista Carlos Alves

Porque em vida é que se deve homenagear quem se lembra de nós.

Rosa Silva ("Azoriana")

À Neves Ávila

Eis que chega a ocasião
De dar o meu contributo
À mestra que faz bom pão
E usa de bom produto.

Desde o céu em alvorada
Que deixa os quentes lençóis
Pra preparar a fornada
Ao canto de rouxinóis.

Já com a medida certa
E boa desenvoltura
Com porta do forno aberta
Para encetar a cozedura.

E depois do pão cozido
Na serena cor formosa
É manjar apetecido
Digno de mesa honrosa.

Eu vos digo e asseguro,
Que tem umas mãos de santa,
Cozinha com bom apuro,
Qu'até o meu verso lhe canta.

Neves Ávila, Deus te guie,
Pela tua vida fora,
E mais vezes se inicie
O que não se fez outrora.

A amizade para acontecer
E até ser renovada,
Há que falar, conhecer,
Muita coisa bem fechada.

Mas o forno tu não feches
Nem sequer o teu portão
Pois quero que sempre deixes
Abraçar teu coração!

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: o segredo está na graça de Deus.

Beijinhos para ti, para Ana Ávila ou Ana Sofia Ávila e a quem bem te quer. Com 60 e + 1, às 13:00, ao pé do teu pão, bela comemoração!

Ser mãe

Uma mãe tem sempre os filhos
Ao colo do pensamento
Tem o sensor dos seus trilhos
A qualquer hora e momento.

Estou agora em ebulição
Natural e por Amor
Sem saber, na ocasião,
Se o futuro é promissor.

Anda o mundo em alvoroço,
De antemão, sem a paz,
E nem sei qual o esboço
Do que pra frente nos traz.

Ao colo da Santa Mãe,
Quero hoje Lhe segredar,
Que 'inda há quem não tem
O seu pão para ganhar.

Rosa Silva ("Azoriana")