Tomei conhecimento
Que, de novo, o evento,
Não terá a Procissão...
Não há arcos e tapetes
Muita gente, nem foguetes
Apenas a transmissão.
Não sei se a segunda-feira
Que dá folga à Terceira
É para ser venerada;
Sei que é de devoção
Mais que uma tradição
Ela ser ao Povo dada.
Senhora Mãe da Serreta,
Do mundo, nosso planeta,
Que vive atormentado...
Há que pedir e orar
Para Ela nos ajudar
E a quem está adoentado.
Mãe dos Homens e do Amor,
Mãe do Filho Salvador
Que reina em viva Luz:
Traz a cura à sociedade,
Tira o mal da humanidade...
Pede por nós a Jesus!
Rosa Silva ("Azoriana")
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Festa diferente
Cravos de amor
São cravos feitos de renda
Era eu ainda solteira
E não tiveram emenda
Pela vizinha "parteira".
Num cristal na prateleira
Que seu valor se entenda
Guardei-os a vida inteira
Para mim mais linda prenda.
Foi a senhora Palmira
Das catorze, se dizia,
Que croché assim fazia.
Ensinou-me, não admira;
Quão feliz me deu a sorte...
Que a Mãe do Céu a conforte.
Rosa Silva ("Azoriana")
P. S. Informação fornecida pelo neto Victor Teixeira: Palmira de Jesus Sousa nasceu a 29 de novembro de 1911 e faleceu em janeiro de 1995.
Lágrimas secas
Sou cálice da amargura
Nem a rima me consola
A lágrima quase descola
No declínio da ternura.
Sou vaso de planta obscura
Um campo verde sem bola
Uma corda sem viola
Corpo sem temperatura.
Tingo-me de paciência
Colho tanta reticência
À espera de me entender.
Não faço ainda a fugida,
Não rasgo o pano da vida
Para alguém o estender..
Rosa Silva ("Azoriana")
Relíquia da manhã
Já não sou o que já fui
Mas fica a recordação;
O meu verso ainda flui
P'ra me dar consolação.
Que se viva o que for
O que resta amiúde
Que haja paz e amor
O resto haja saúde.
Tudo é fácil em palavra
Resta mesmo é usufruir
Cada quadra que se lavra
Tem a estante do porvir.
Não escrevo o que escrevia
Na conjuntura atual
Vou vivendo o dia-a-dia
Nada mais será igual.
Estive no paraíso
Voltei ao meu escritório
Faço tudo o que é preciso
Com mais dor no purgatório.
A quem agora me lê
E me vê pelos caminhos...
Nem tentem saber porquê
Porque os pés veem sozinhos.
Sozinhos e com Maria
E seu Filho muito amado;
Quando faço a travessia
Ouço o sino afinado.
Sou avessa ao ruído
Porque fere todo o ser
Principalmente o ouvido
Muito mais possa reter.
Nesta hora matinal
De um agosto presente;
Perto o ano do final
Que se viva mais contente.
Para em dezena acabar
De quadras todas a eito
Dizem que é bom em par
Para não causar defeito.
Rosa Silva ("Azoriana")
Aida & família
I. Aida
Pareces uma rainha
E uma flor natural
Não é só ideia minha
Creio ser universal.
Se vontade eu já tinha
De ser avó maternal
Agora se adivinha
Que a vontade é brutal.
Ver-te, assim, lindo presente,
À luz do omnipotente,
É criar expetativa.
Toda a natureza canta,
O refrão que nos encanta,
E encanta nova vida!
II. Amores
Eis o quadro principal,
Fruto de cumplicidade,
De amor, que na verdade,
É a raiz do casal.
No ventre, em especial,
Há amor que sempre há de
Ser ponte de igualdade
No coração ideal.
Felizes sejam os três
Porque a Matilde já fez
Emoção à flor da pele.
Venha ela, a vossa filha,
Que na floresta da ilha,
Já formou nobre papel.
III. Aida & família
Aida de rosas c'roada,
Em jogo de maravilha,
À natura igualada,
No oitavo mês da filha.
Por Deus seja amparada,
Na beleza da partilha,
Seja leve a alvorada,
Da alva cor que já brilha.
Eu rimo a toda a hora,
E me liberto agora,
Nos versos sempre a fio...
À Aida e nossa Matilde,
No ventre ainda humilde,
Louvo a foto que me riu.
Rosa Silva ("Azoriana")
A Serreta é...
A Serreta é minha mãe
E dos poucos que já tem
A viver no seu regaço
Cada um tem sua história
Com os lírios de glória
E as flores de um abraço.
Tenho uma amiga Maria...
Esteves, que está sozinha
E tinha uma casa cheia.
Agora nos vemos mais
Nestas redes sociais
Que a amizade ateia.
Quando visitar Maria
A Virgem da Romaria
Por estar aí tão perto
Baixinho diga que amo
E por Ela sempre chamo
Com um sorriso aberto.
A rosa mais perfumada
Seja no altar içada
Como a Bandeira no adro.
Julgo que mais uma vez
Sua Festa no seu mês
Será de novo um quadro.
Não há mão na pandemia
Há gente em demasia
À mistura no planeta.
Os milagres podem vir
Se os Homens no porvir
Rezarem mais na Serreta.
Rosa Silva ("Azoriana")