Por mais velhinha que fosse
Eu gostava tanto dela
Da poesia tão doce...
Que deixou linda e bela.
A imagem fez um ano
Mais sete meses contei
Numa tarde fiz o plano
Com gosto eu a visitei.
Em Góis era sua morada
Que com Amor defendia
Com o brilho da Poesia.
Judite, sua afilhada,
Zela agora no seu lar
Por quem dela quis zelar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Etiquetas
C.B.S. Clarisse Barata Sanches
Até sempre, Clarisse Barata Sanches!

Estava aqui a pensar
Se tivesse um avião
Eu podia aterrar
Junto ao nobre caixão
Onde está a brilhar
A poetisa da Nação;
Eu ficaria a chorar
Agarrada à sua mão.
Mas viagem não preciso
O tempo já acabou
Ela está no Paraíso
Como flor que lá chegou
Deve estar com um sorriso
Por tudo o que ela criou.
E fica o meu improviso
Na janela que faltou.
Seu corpo está presente
Na Terra que a criou
Na urna jaz somente
Uma flor que já murchou
Sua alma eternamente
Junto a Deus já se plantou.
E eu choro amargamente
P’lo poema que fechou.
Aquilo que não lhe disse
E o que fica por dizer
Queria eu que florisse
Antes do amanhecer
Muito mais queria que visse
Só além é que vai ver
A boa amiga Clarisse
Está com Deus, posso crer!
26/12/2018
Rosa Silva (“Azoriana”)
Faleceu a poetisa de Góis - Coimbra: Clarisse Barata Sanches (25/12/2018)

Clarisse Barata Sanches.
Funeral a 27/12/2018. Paz à sua alma!
Seus blogs: Cânticos da Beira e À beira do rio Ceira.
Meu encontro com Clarisse (23/05/2017) - há 1 ano e 7 meses.
Feliz Natal (ao SAPO e equipa)
Caro Pedro Neves
Eis a ocasião festiva para lhe desejar uma ótima semana, bem como a toda a equipa que me / nos trata dos artigos bloguísticos com mil cuidados. É verdade! Agradecer é pouco. Louvar é melhor. Louvo com toda a palavra a vossa contínua manutenção e atenção. Uma Estrela, uma imagem de Presépio, uma Luz a piscar, um arco de verdura, um abraço penetrante, um cálice de alegria, fazem parte da quadra que nos visita. Seja feliz! Sejam felizes!

Ao SAPO nosso serviço
Atento à sua gente
Tem o meu verso submisso
Que me chega num repente.
Com palavras vos abraço
Neste dia, em boa hora,
O SAPO é o meu laço
Que dura pela vida fora.
Mas se a vida perder
Porque se perde num instante
Ficam agora a saber
Que o levem p'ra diante.
O blogue da minha estima
Numa idade juvenil
Teve berço pela rima
Que nasceu no mês de abril.
Se o Template favorito
Da equipa que me atrai
Vier novo e bem bonito
Do meu coração não sai.
Se acharem que o atual
Está bem sem mais defeito
Só resta: FELIZ NATAL
E um Ano com proveito.
Rosa Silva ("Azoriana")
Comentário in SAPO.Blogs
Kathie Baker - a Princesa dos Calendários! (agora em modo virtual)
Que alegria é ver o percurso de uma amiga através de imagens aplicadas a folhas de calendários, cujo início remonta ao ano de 2003, nas suas passagens por várias ilhas e outros lugares do continente português e estrangeiro.
É com agrado que me vejo (e ao meus) em algumas imagens captadas na ilha Terceira. Tornámo-nos amigas e sempre que há oportunidade marcamos encontro a cada estadia na ilha. Muito obrigada pela delicadeza que sempre tem comigo (desde o ano 2008).
Basta seguir esta hiperligação para "I No Longer Like Chocolates" - Calendars.
Rosa Silva ("Azoriana")

Imagem da capa do calendário virtual 2019 da autoria de Kathie & John Baker
Abençoada Conceição
Abençoada Conceição
Com o sol a iluminar
Gente que vai adorar
A sua Mãe de afeição.
Abençoa Mãe com tua mão
O perdão que tens para dar
À gente que tende a errar
Alivia e tem compaixão.
Maria do Nascimento
Sem mácula e com pureza
O Amor com toda a certeza.
Maria em lindo momento
Na festa da Humanidade:
Eis a Mãe da Santidade!
Rosa Silva ("Azoriana")
“On the Front Lines of Multiple Sclerosis” - Translated by Katharine F. Baker
“On the Front Lines of Multiple Sclerosis,” by Rosa Maria Silva
Translated by Katharine F. Baker
Originally published in Portuguese at:
https://silvarosamaria.blogs.sapo.pt/esclerose-multipla-na-primeira-linha-1351274
A true story based on personal knowledge, originally written to commemorate Portugal’s National Day for people with multiple sclerosis, 4 December 2018.
Multiple sclerosis was the disease that took my mother to the point of no response. For thirty-nine years everything was falling asleep... I understood what she said: “It’s a tingling, an anthill that’s taking over my whole body.” She was dependent on another person (her youngest daughter) for basic and essential care. She had lost almost all of her senses, including vision. Palpation would produce only the usual routine. She’d cradle her morning mug of coffee and milk, the spoon would go askew en route to her mouth, chewing or swallowing a necessary sacrifice, a poor procession of her hand to her leg with no strength to place her foot on the wheelchair’s footrest. In her final years (in her sixties), the chair was almost always replaced by her bed. The bed was the site of all the actions of her human body, a “dead” weight amid tears and prayers repeated mentally with the images of saints adorning the room. She believed devoutly in prayer, and in visiting Serreta’s Patron Mother the second week of every September, no matter what. Her highest priority was to hear and see the festa mass, with the Holy Mother on her platform, while seated very close to Her. My mother’s smile shone for that hour. The perfume of the season’s ornamental flowers inside the church made her face young and happy. I would admire the scene and withdrew into my silence. When would the time come that I could no longer view that scenario of instant happiness? During Serreta’s festa in September 2003, it was impossible even to think about taking her to the best representation of motherhood in the universe. The next month, on the 28th, she lost all movement. She had only her lips closed on an assistive device in order to access her machine-adapted meal, eyes closed to her ephemeral world, total pallor, a “sleep” that was hard to watch, and our prayer that God would hear it and grant her the peace she deserved.
Ever since, I’ve never liked hearing that expression “having multiple sclerosis” - it’s like remembering my sister, the best caregiver my mother could have had, in the sense that she had become accustomed to that scourge. How many, many times had the ambulance not been the surest and quickest way to take her patient (and mine) to the old Angra do Heroísmo hospital? How many, many times had the physical therapist helped her and taught her the best way to withstand falling when moving How many, many times had I wept inwardly over coping however I could, when a more aggressive treatment was deemed inappropriate because she was too sensitive to pain, wounds, and the sapping of the parts of her body that had given me (us) life.
To this day I think that it was my mother, Matilde Correia, whose suffering inspired my creativity in writing when I never had any before (I was a student not by choice, but out of duty). After her death I became a lover of words to the point of turning into an avid improviser. I leave proof in a book I have edited for future reference about our Patroness Mother, our village and my ailing mother, who always harbored an unshakable faith. That faith did not cure her, but it elevated her and healed me.
2018/11/29
Comment from a reader I know who asked me not to identify him:
“Your mother’s life was for several years truly one of an authentic martyr, always watered with faith, that invisible force, which certainly helped her bear her tremendous cross. Your sister didn’t have an easy task either, and that, in order to deal with this type of illness, requires a total availability, and you, who were more on the periphery, were suffering in your silence. After your mother’s death, I believe that her spirit, at peace, was decisive in your intellectual transformation. Probably what you did from there was something she in life had always wanted to do, but could not, due to two limitations: literary knowledge, and illness.”
Comment from a communications professional I know who asked me not to identify her:
“A deep, moving text that mirrors the suffering of someone who has had the joy of being enveloped by love to the end.
In its form, Rosa’s writing is visual and intense, where the almost imperceptible recourse to metaphors makes us witness to the episode and carries us to the reality of her emotions.
For me, the spreading of these texts goes beyond their literary aspect.
Your mother’s life experience of being a bearer of ‘multiple sclerosis’ must be discussed, because it is in sharing situations like this that concern for the problem is spread.”
P.S. Chryz Chrystello (Jornalista, tradutor) - Blogue de notícias alternativas in https://blog.lusofonias.net/?p=84155
Estrelas do Céu
Que haja estrelas do Céu
Na tua casa também
E no lar de cada ilhéu
Que à família quer bem.
Vamos todos a Belém
Como se fosse magia
Ver o Menino que tem
A doçura da alegria.
Haja saúde na fé
Na doença a paragem
Como o Menino em imagem.
Haja gosto por quem é
Amor e Vida somente
No Natal de toda a gente.
Rosa Silva ("Azoriana")
Esclerose Múltipla na primeira linha
(um texto verdadeiro por conhecimento familiar para o dia nacional a 4 de dezembro)
Esclerose Múltipla foi a enfermidade que levou a minha mãe ao ponto de não reação. Tudo foi adormecendo ao longo de trinta e nove anos… o que ela dizia eu compreendia: "é uma dormência, um formigueiro que me toma o corpo todo". Ficou dependente de outrem (a filha mais nova) para os cuidados mínimos e essenciais. Perdera quase todos os sentidos incluindo a visão. A palpação surtia apenas no que era formato habitual. Moldava a caneca do café com leite matinal, a colher ia torta ao caminho da boca, mastigar ou engolir um sacrifício necessário, um cortejo deficiente da mão para a perna sem força para pousar o pé na cadeira de rodas. Em idade mais avançada (pós sessenta anos) a cadeira foi substituída pela cama quase sempre. A cama era o estado de todas as ações do corpo humano, um peso "morto" entre lágrimas e orações repetidas mentalmente com as imagens de Santos feitas ornamento do móvel do quarto. Ela era uma preciosa crente na oração e na "visita" à Mãe Padroeira, por ocasião da segunda semana de setembro, desse por onde desse. A prioridade era ouvir e "ver" a missa de Festa com a Mãe no andor, mesmo sentada muito perto d'Ela. O sorriso resplandecia nessa hora. O perfume das flores ornamentais da época, no interior da igreja, fazia-lhe o rosto novo e feliz. Eu admirava aquela cena e entristecida recolhia-me ao silêncio. Quando seria o tempo de já não ver aquele cenário de "felicidade" instantânea?! Foi na Festa de setembro do ano de 2003 que não foi possível sequer pensar em levá-la para junto da melhor representante das mães do universo. No mês seguinte, a vinte e oito, perdia todos os movimentos. Apenas os lábios cerrados com uma sonda para a refeição adaptada a máquinas, olhos fechados para o mundo efémero, palidez total, um "sono" feio de ver, e a nossa oração para que Deus a recebesse e lhe desse a paz merecida.
Nunca mais gostei de ouvir essa expressão "ter esclerose múltipla"... é como que relembrar a minha irmã, a melhor cuidadora que minha mãe podia ter, no sentido de que acostumara-se àquele flagelo caseiro. Quantas e quantas vezes não fora a ambulância o meio certeiro e diligente para levar a sua doente (e minha) ao velho Hospital de Angra do Heroísmo?! Quantas e quantas vezes a fisioterapeuta lhe acudira e ensinara a melhor forma de suportar a queda dos movimentos?! Quantas e quantas vezes chorava eu, interiormente, ao tratar do que podia porque outro maior tratamento não me era considerado adequado por ser demasiado sensível à dor, às feridas, e ao consumir das peças de um corpo que me (nos) dera à luz.
Ainda hoje penso que foi ela, Matilde Correia, a minha mãe, a sofredora a inspirar a minha criatividade de escrita que jamais fizera antes (Não fui aluna por gosto, mas por obrigação). Depois do seu falecimento tornei-me amante de palavras ao ponto de ser uma repentista assídua. Deixo provas num livro que editei para memória futura sobre a Padroeira, a freguesia e a mãe enferma, mas sempre com uma fé inabalável. Essa fé não a curou, elevou-a e curou-me.
2018/11/29
Comentário de leitor conhecido e que não identifico por opção:
"Efetivamente, a vida da tua mãe, durante vários anos, foi a de uma autêntica mártir, sempre regada com fé, essa força invisível que, certamente, a ajudou a suportar a tremenda cruz. A tua irmã, também, não teve tarefa fácil pois, lidar com esse tipo de doença, exige uma disponibilidade total. Quanto a ti, que estavas mais na periferia, ias sofrendo no teu silêncio. Depois da sua morte, creio que o espírito dela, em paz, foi decisivo na tua transformação intelectual. Provavelmente, o que tu fizeste a partir daí foi algo que, ela, em vida, sempre quis fazer, mas não o conseguiu por duas limitações: conhecimentos literários, doença."
Comentário de uma profissional da comunicação conhecida e que não identifico por opção:
"Um texto profundo, comovente, que espelha o sofrimento de alguém que teve a felicidade de estar envolvida pelo amor até ao fim.
Na forma, a escrita da Rosa é visual e intensa, onde o recurso às metáforas quase impercetível, nos fazem testemunhas do episódio e nos transportam para a realidade das emoções.
A divulgação destes textos, quanto a mim, vão além do aspeto literário.
A experiência de vida da sua mãe, de ser portadora da "esclerose múltipla", deve ser divulgada, porque é na partilha de situações como esta que o interesse pela problemática se difunde".
Verso(s) & Verso(s) II
Do verso sei tão pouco... só lamento
Não ter a parte que melhor seria
Para dar-me de tudo o que queria
Ficar na lembrança do mais atento.
Do verso gosto tanto… com talento
Dos teus que vejo nascer cada dia
Regados como flores em sinfonia
Na tela que não morrerá no vento.
Que hoje o verso seja a melhor flor
Que cai no molde peito "poetante"
E que do meu saiu quase errante…
Na volta sonho ver quanto valor
Se expande entre um e o outro verso
Se o meu saiu, assim, ora disperso.
Rosa Silva ("Azoriana")
P. S. Comentário escrito para "Poeta porque Deus quer" que me responde assim:
Verso(s) II
"Se o meu saiu, assim, ora disperso",
Embora entre harmonias partilhado,
Será contigo, Rosa, que converso,
A ti te envio um poema naufragado
Nas ondas deste mar que é nosso berço,
Mesmo que seja um berço do passado,
Pois se o nosso presente é bem diverso
Pode o futuro ser aproximado;
Não erra o verso vindo cá do fundo
Que busca um cais, um cais no nosso mundo,
Nem erra o verso que outro verso inspira,
Portanto, inda que sendo um verso errante,
Não erra o seu percurso o navegante
Que em vez de usar sextante, use uma lira!
Maria João Brito de Sousa
in https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/sem-lagrimas-435757?view=6227757#t6227757
Nós...

As ilhas só querem sossego
Sem reboliço a maior
Viver nelas com apego
Sem delírio é o melhor.
Não trair a caridade
Não fazer mal a alguém
Viver no campo ou cidade
Sem manchar o que está bem.
Unir as mãos simplesmente
Como vês na chaminé
Sem medo, seguir em frente,
O que foi atrás já não é.
Afinal ilhas de Verão
São o lema preferido
As cores cinzentas não
Agradam no colorido.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bendito Menino Jesus

Bendito Menino Jesus
Por te fazeres criança
Para nos dares a Luz
A fé, o dom esperança.
Bendito até na pobreza
Pura a tua intenção
Tinhas tão pouco na mesa
E muito no coração.
Fazem-te lindas figuras
Compostas de ornamento
Só queres que as criaturas
Te orem com sentimento.
O doce sorriso teu
Invade a minha escrita
Quero que sejas meu
E daquele que Acredita!
Rosa Silva ("Azoriana")
Montanha da ilha do Pico
És o rei açoriano
Que de branco se envolve
O teu nome é soberano
Que na bruma se absolve.
E tens a dupla versão
De alegria tamanha
És da nossa Região
A altíssima Montanha.
Da ilha que tanto adoro
Que dela eu tenho parte
E nela eu também moro
Nem que seja por amar-te.
Sou feliz quando te vejo
E vejo o teu convés
Em mim há sempre o desejo
De te ver como tu és.
Rosa Silva ("Azoriana")
Mãos de Oleiro
Molda o barro da alegria
Que se faz cheio d'amor
E se expõe na olaria
Grande peça de valor.
Ricardo Simas o faz
Com o dom de bem fazer
A Olaria então lhe traz
Muito mais que o lazer.
Telhas, peças e alguidares
Passam todos pela mão
Vão usando nos lugares
Quem os quer de barro são.
Ó que mão laboriosa
Que alimenta a arte
Olaria é primorosa
E de S. Bento faz parte.
Rosa Silva ("Azoriana")
Mãe Senhora
(Prece para um amigo - Fernando Mendonça)
Ampara quem mais precisa
Alivia a cruz e a dor
De quem tanto realiza
O bem seja aonde for.
Porquê, Senhora, porquê...
Quiseste uma nova flor?
Na Vida o crente crê...
Mas porque há então a dor?!
Zelai pelas "avezinhas"
Que clamam num coro triste:
Tem uma nas quadras minhas
Zelai porque a dor existe.
Avé ó Cheia de Graça!
Peço-Te com humildade
Que o milagre se faça...
Desenho de eternidade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Carlos Silveira (emigrante serretense no Chino)
Tens a história pessoal
E da Serreta na alma
Freguesia sem igual
Que a tanta gente acalma.
Só tu podes reunir
Um livro de recordações
A uns farás sorrir
Outros darás emoções.
Somos dois primos contentes
Por darmos tanto amor
E termos tantos parentes
Com talento e valor.
Nunca esqueces de mim
Eu não esqueço de ti
A Serreta é um jardim
Com nossa raiz aqui.
Podemos estar ausentes
Nossas vidas noutro lado
Mas estamos mais presentes
Na lembrança do passado.
Escreve com teu coração
As linhas de uma vida
É fiel tua visão,
Pelo afeto, mantida.
Adoro ver as imagens
De tempos maravilhosos
Que merecem homenagens
Por terem sido ditosos.
Adeus até novo dia
Que nos venhas visitar
Para mim é uma alegria
O teu corpo abraçar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Mãe partiste há 15 anos
Tenho de fazer um poema
Que diga tudo o que quero
Que com gosto seja o tema
Para aquela que venero.
Minha mãe sempre sofreu
Na terra que a viu nascer
Só no Céu Jesus lhe deu
A paz que mereceu ter.
Haja hoje alegria
Dentro em meu coração
Rezo uma Ave-Maria
Pela voz da inspiração.
Ave-Maria de Luz
Mãe, Senhora poderosa,
Seja o rosto de Jesus
A mais linda e pura rosa.
Que deponho no teu peito
Numa oração feliz
Mãe bondosa que respeito
Em tanto o que Ela me diz.
Ave-Mãe de Graça tanta
Que brilhas com maior luz
Estrela que me encanta
No verso que me conduz!
Rosa Silva ("Azoriana")
Balada de ilhéu
Para o Pipoca - Paulo Borges
Tens saudades de estudante
Na Coimbra que viveste
Sei que na ilha és radiante
Mas tu da "cabra" não esqueceste.
Da Pampilhosense não
Passa um dia que não seja
Para lembrar a união
Que a trompa te bafeja.
Sei que estudaste a valer
E continuas nessa missão
Ouvindo a balada que há de ser
A lembrança do coração.
Os amigos que te acenaram
Num "adeus" quase eterno
Por ti sei que muitos afinaram
Num sorriso fino e tão terno.
A mãe de um universitário
Rosa Silva ("Azoriana")
Ó "Gente da Nossa"
Ó "Gente da Nossa"
Diáspora aventura
Para que o ilhéu possa
Receber vossa ternura.
Gente que luz num sorriso
Visitando outros locais
Como quem diz paraíso
Da vivência dos seus pais.
De parte a parte abraços
Visitas com muito agrado
Estreitando os bons laços
Do português emigrado.
É assim que eu vos vejo
Por essas terras de bem
Quando cá vem o festejo
No rosto de mais alguém.
Rosa Silva ("Azoriana")
O Manuel dos Biscoitos (Tomás, Tomaz?)
Os Biscoitos são a lava
Que corre no coração
Ela corre porque é brava
A saudade do torrão.
Ó primo Manuel Tomás
Não cortas tua raiz
Um dia sei que estarás
Na tua ilha mais feliz.
Faço-te a cortesia
Porque sei que a mereces
Dás valor à poesia
E dela tu não esqueces.
Tens um tesouro antigo
Que partilhas com o povo
Porque o teu cantar de amigo
Esse fica sempre novo.
Quem me dera que um dia
No seio da ponta Norte
Nossa voz encontraria
Um motivo p'ra dar sorte.
A sorte de eu te ver
A vontade de me veres
E o que for há de ser
Com a graça dos haveres.
Seja forte ou seja fraca
Nossa rima repentista
Sempre que ela ataca
Sai o verso a toda a vista.
Quero ter esta lembrança
Gravada neste meu canto
Enquanto há vida há'sperança
Padre, Filho, Esp'rito Santo.
18.outubro.2018
Rosa Silva ("Azoriana")
Senhora do Rosário da Vila das Lajes, ilha Terceira
Ó Senhora do Rosário
Que nos dás as belas contas
Neste caso não apontas
Nem pró Céu nem pró Sacrário.
Apontas para a humildade
Da bonita oração
E nos dás a tua mão
Pra fugirmos da maldade.
Dos Milagres e do Rosário
Há só uma semelhança
Do mesmo lado a criança
Não pode ir ao contrário.
É junto do coração
Que a Mãe guarda o Filho
E nos mostra o seu brilho
No dia da Procissão.
Nossa Mãe, dá-nos a Paz,
Tolerância e alegria
A saúde em cada dia
E a desgraça se desfaz.
Salve Mãe celestial
Eu em Ti muito acredito
Tens sempre um gesto bonito
Como Tu não há igual.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bela imagem
O terço que a mãe pedia
Apagava a solidão
Rezava à Virgem Maria
Pedindo mais proteção
Proteção para seus filhos
Que não tinha ao seu redor
E por quem seguia os trilhos
De a tratar p’lo melhor.
Agora está no Céu
Como tantas outras almas
O Pão que Deus lhe deu
Sobressai, merece palmas.
Pão-por-Deus, é doação,
Por alma dos que lá temos
Mas também uma oração
Valerá mais do que menos.
Rosa Silva ("Azoriana")
Thank you dear friends Kathie and Jonh Baker!
Queridos amigos Kathie & John Baker espero que a viagem de regresso a casa tenha sido muito boa e estejam confortáveis na vossa casa. Fico-vos eternamente grata pelo mimo que colocaram na minha mão (junto com outros documentos) que ficam sempre uma boa recordação da vossa passagem pela ilha mais afamada pelas festas e atrativos gerais.
Gosto de vos ver sempre gentis e com aquele laço de amizade que já tem uns aninhos. Espero voltar a ver-vos nem que seja para aquele "take a picture" ou aquele beijo e abraço que acalma a saudade.


Prometo que irei ler, com calma, o livro de Diana Marcum, cuja capa nos inspira logo a ir marcando cada passagem. Uma delas eu conheço bem e fica na minha freguesia natal - o "Ti' Choa". Já sabia que a Kathie não me ia chamar a atenção para o que me dá mais atenção.
Beijos e abraços,
Your friend,
Rosa Silva ("Azoriana")
A tradição venturosa
Segunda-feira tradicional
A tradição venturosa
Da Praça, vale do pico,
De colorido famosa
Nobre verso te dedico.
Com a alma serretense
Brincando numa praceta
É um marco terceirense
Verde lindo na Serreta.
O pico vai-se vestindo
Do colorido humano
Vão entrando e saindo
Deste palco açoriano.
Obrigada a quem veio
Cumprindo a animação
O sol deu-nos bom asseio
E calor à inspiração.
Rosa Silva ("Azoriana")
Louvor à Mãe
Não sei mais como provar
Que amo a Mãe Maria
E não deixo de louvar
Quem vem vê-la cada dia.
Ave Mãe da Romaria
Do Povo a caminhar
Da dor faz uma alegria
Quando consegue chegar.
Tanto Povo na Serreta
Para ver a Estatueta
Milagrosa e tão pura.
É preciso devoção
Amizade à tradição
Ao convívio e cultura.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Estrela da Serreta"
Um lugar familiar
Que merece uma visita
Nem que seja pra olhar
Pra decoração bonita.
Delícia do paladar
Só quem cá vem acredita
Por isso eu vou louvar
Esta sala favorita.
Feliz seja cada amigo
Deste lugar pitoresco
Com um toque sempre fresco.
Se fores eu vou contigo
Porque a festa acontece
E em rima se agradece.
Rosa Silva ("Azoriana")
Serreta e o que dizem dela

Deixai-me ser feliz em setembro
O mês que eu tanto lembro
Na segunda semana que tem
Deixai-me sorrir e chorar
Que se traduzem em amar
A nossa linda Virgem Mãe!
Obrigada ao jornal
Que é sempre pontual
Em divulgar o que é bom
O texto é uma delícia
E gosto bem da notícia
Por ser nobre no seu dom.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ó Senhora dos Milagres
A Virgem Senhora
Rainha do Céu
Livre a toda a hora
O mal do ilhéu.
Maria bondosa
Querida do Povo
Pura e graciosa
No andor eu louvo.
Na Serreta quis
Pra sempre ficar
Ali tão feliz
Para o crente orar.
Pra quem está fora
Da ilha Terceira
Também comemora
A Mãe Padroeira.
5/9/2018
Rosa Silva ("Azoriana")
À espera de s. vapor a 4 do 9
Pois aqui é só vista de mar a borbulhar na costa, a pontinha do cais com um farolim e um carro "alarmado" a dar voltas em terra.
Enquanto se espera vou escrevendo sobre o que me rodeia:
Vejo gaivotas (poucas) sobrevoando este mar acizentado e ligeiramente irrequieto. E nada de chegar esse "berço do atlântico" com o Pipoca.
Será que alguém já pensou isto: O mar é um vadio, um eterno solitário de ondulação variada...
"Quem espera, desespera" mas não há nada melhor do que sentir os pés em terra firme, mesmo que sujeita a outras ondulações. Afinal tudo e todos tremem e temem tremer.
Praia da Vitória, 4 de setembro de 2018
Rosa Silva ("Azoriana")
Uma pisca de chuva
23 de agosto de 2018
E chove sem ventania… chuva de verão é pacífica e até apetece ficar quieta a levar com a retilínea frescura matinal. Dizia-se que estava um calor abrasador, que havia seca preocupante, que havia ilhas a rezar por chuva… pois S. Pedro abriu a torneira e projetou na natureza ilhoa uma tocata para a verdura, para as flores, para os animais e para as pessoas abrirem os chapéus de chuva mesmo que de braços descobertos pelo gosto de se verem tocadas por uma água apetecida.
Confesso que me entristecia olhar os meus vasos com flores, renascidas de outras mais antigas, estarem como que a pedir-me a rega, quando o sol se esconde no horizonte para os lados da minha freguesia natal. Hoje elas devem estar ensaiando a valsa da alegria.
Porta aberta: é um consolo ouvir a pálida chuva beijar o chão com gosto ao invés do ruído de martelo e pregos e outros materiais que, tão cedo, não deixam as redondezas da minha escrita da matina.
Bom dia e aproveitem a encher o regador da prudência ilhoa.
Rosa Silva (“Azoriana”)
“É sempre a mesma coisa”
Não, não é! Mas parece…
O ritmo da vida tem compassos diferentes. Há eventos e Eventos. Uns descrentes e outros crentes q.b. (não exageremos em nada). Acontece que desde que me ausentei, por vontade própria (infelizmente), para outros ares que não os do monte serretense, sinto sempre a mesma coisa no correr do mês de agosto (o oitavo do calendário): Como vai ser para a “mudança” para o perfume do cedro do mato, das hortênsias, das dálias e outras flores mais resistentes, para a feitura dos arcos, para a romagem da procissão da Santa mais falada na segunda semana de setembro, aquela a que ainda muitos acreditam que é mais que uma estátua miúda mas linda de preces e orações em situações, ora boas (agradecimento) ora menos boas (pedidos de misericórdia)?! Para as touradas… Como vai ser sem ter o “teto” materno da meninice e juventude (até vinte e um anos)?!
Soluções surgem quase sempre como que num apelo ao que era bom: o perfume florido do interior do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, ao Jardim de Nossa Senhora, aos cânticos ensaiados com antecedência até serem como vozes de anjos presentes na Festa da Mãe padroeira da Serreta.
E a Filarmónica toda aprumada e “dona” de toda a melodia imparável: Tocatas, marchas, hinos, alvoradas, toques de cor. Acordar cedo ou nem ter tempo para dormir nesses dias que iluminam e trazem vida à freguesia de pouca população residente, mas com um mar de gente amiga e que volta durante a segunda semana de setembro.
Sem Maria, sem a Mãe, sem a Senhora dos Milagres quem aguenta?! Eu que sou nada e crescida a ouvir e ver tudo (ou quase) nasce-me, ano-a-ano, uma vontade de lá estar rente e presente…
A maior parte do casario decora-se para prestar a homenagem devida à sua querida Mãe, que gosta de sair à rua. Que me lembre não saiu umas vezes: se chovia ou ventava muito. É que a imagem é pequena e leve, mas em cima do andor enfeitado das melhores e prometidas flores torna-se um peso pesado para glória do sacrífico de quem vai levá-lo por promessa ou simplesmente por amor. Há muitas maneiras de amar. A meu ver carregar um andor aos ombros é uma delas. Pesa e desajeita cada ombro, mas chega-se ao fim com a sensação de amor cumprido pela honra da Festa, seja qual for a intenção. É a viagem da imagem que se mostra pelo caminho ornamentado dos belos tapetes de cedro picado, hortênsias ou flores desfolhadas para rechear de beleza todo o circuito habitual.
E antes, muito antes?! Limpar todos os cantos à casa de moradia, tirar as roupas com aquele cheiro bolorento de humidade serrana para o estendal dos muros até que o sol a impregnasse de novo perfume após serem passadas por água fresca e sabão (azul e branco, outrora, sabão em pó da modernidade) numa pia de pedra talhada bem à maneira das mãos se consolarem no lavadouro a esfregar até se achar que o tecido parecia outro, renovado…
E ainda?! Cortinas, tapetes, toalhas, todos os paninhos que tinham servido para repousar o pão e massa sovada até levedarem e irem para um forno de porta aberta por onde, primeiro, entravam as lenhas para o aquecer e depois aquelas “bolas” de massa, em fileira e à vez, até se tornarem fofas e rosadas com o melhor dos paladares.
Há e mais?! E as alcatras de carne de vaca (ou de porco), também faziam parte desta trabalheira alegre e promissora. Serviam de reserva alimentar para passar os dias da Festa da Senhora dos Milagres com um rosto alegre para os peregrinos, para os forasteiros, para os emigrantes perfumados de América, Canadá e outros pontos do mundo onde houvesse um amor à Virgem, uma saudade palpitante. Muita dessa saudade fazia cair aquela lágrima quente pelo rosto que, por desventura, não podia assistir presencialmente ao desfilar de um mar de gente crente e suplicante.
Ave, Ave, Ave Maria! Ave, Ave, Ave Maria! O meu milagre seria mesmo… sete dias na Serreta nem que fosse a dormir no chão com o canto da noite a embalar-me e as estrelas de um sorriso a encantar-me.
17.agosto.2018
Rosa Silva (“Azoriana”)
Ti' Humberto Filipe - O Ganadero do Povo *1945 +2018


RIP
Nasceu a 23 de outubro de 1945 e partiu para o Pai, hoje, 3 de agosto de 2018.
Um Homem muito estimado
Será p'ra sempre lembrado
Na Ilha e para além dela.
Que Deus na Paz o receba
E forças alguém perceba
Depois da grande sequela.
Recordemos o Homem bom
Leal, porque era seu dom,
Franqueza vinha de novo.
Mesmo perdendo a saúde
Vincava a grande virtude
Ser «Ganadero do Povo»!
Paz à sua alma!
Rosa Silva ("Azoriana")
Ilha
A ilha cai-me de braços
Entre mimos e abraços
Da saudade escancarada
No desespero de nada.
A ilha é fogo de amor
Lilás nobre cor
Presente de vida
No peito escondida.
Sou tua
Minha ilha
Meu tesouro
Da lua
Maravilha
Sol de ouro.
Sou tua
Natural
Jóia querida;
Da rua
Arraial
Nobre corrida.
A ilha faz-me saudade
Acontecer em quantidade;
Sem ti eu não posso viver
Sem ti há um sonho a doer.
A ilha milagre dos céus
Um mundo de ilhéus
Melodia encantada
De uma alma apaixonada.
31/07/2018
Rosa Silva ("Azoriana")
Dia da freguesia da Serreta - 29/07/2018

Fontenário aqui posto
Na Mata que o recebeu
Visto assim até dá gosto
E o gosto não é só meu.
Tem frescura ao redor
Numa folhagem vibrante
Para mim é o melhor
Lugar para o visitante.
É a natureza pura
Que se quer sempre estimada
É um hino de ternura
Logo pela madrugada.
Na Mata a opereta
Se faz com tom natural
É a graça da Serreta
Minha linda terra natal.
Rosa Silva ("Azoriana")
Sanjoaninas 2018 - A minha oferta
Terceira é mais que primeira
《Berço do Liberalismo》
É ilha hospitaleira
Leal no seu Heroísmo.
Angra ergue sua bandeira
Na capital do lirismo;
Defensora verdadeira
Com Cristo no seu batismo.
Terceira ilha de amores
Por Angra de belas flores
E Praia de fina areia.
Em Angra há doce abrigo
S. João está contigo
No sorriso à boca cheia.
Rosa Silva ("Azoriana")
S. Salvador da Sé
Altas torres dão sinal
Que é nobre a Catedral
Que nós chamamos de Sé;
O relógio só parou
Quando a terra abalou
Para ouvir brados de Fé.
Torres de verde e de branco
Ondulado solavanco
Que prima por suas cores
Dão ao mundo inspiração
E os sinos em oração
Zelam por nossos Açores.
S. Salvador patrocina
A virtude da doutrina
Que todo o cristão proclama.
Quem os seus degraus pisar
Tem tempo de improvisar
A oração que Deus ama.
Pai-Nosso que estás no Céu
Abençoa o nosso ilhéu
Que estes meus versos lê;
Dá-lhe o pão de cada dia
Saúde, paz e alegria
E mais força no que crê.
Rosa Silva ("Azoriana")
Canto da bruma / Song of the Mist

Despiu-se da bruma a natureza
Para acolher o dia que é seu
E num véu de ternura se envolveu
Não desfazendo nada da beleza.
As aves chilrreando singeleza
Num canto que alegria absorveu;
No dia em que a bruma adormeceu
Acende-se o sol em fortaleza.
E assim pudera eu dizer-te agora
O quanto este canto da aurora
Faz eco no peito da sã chegada.
Ai! Pudera eu sentir-me toda a vida
Bruma que se quer dos ares despida
Num corpo que dá brilho à madrugada.
Rosa Silva ("Azoriana")
Thank you very much for the translation
“Song of the Mist,” by Rosa Maria Silva
Translated by Emanuel Melo
and Kathie Baker
Nature has shed the mist around her
To welcome the coming of day
And wrapped herself in a veil of tenderness
Without diminishing any of her beauty.
The birds chirp simply
A song absorbed in joy;
And on the day when mist fell asleep
The sun shines brightly.
And thus I can tell you now
How much this song of the dawn
Echoes in my heart on this new day.
Oh! If only I could feel for all of my life.
The mist that creates the illusion of being shed
From a body that brings splendor to the dawn.
Lembra-te disto...
Amor de mãe é tão grande
Que não cabe na medida
E muito mais se expande
Quanto maior for a vida.
Amor de mãe não desande
No coração tem guarida
Mesmo que ela não nos mande
É uma rosa querida.
Há respeito pela mãe
Que ao filho quer o bem
Seja lá aonde for.
Seus filhos no pensamento
A toda hora e momento
São o seu maior valor.
Rosa Silva ("Azoriana")
Dedicatória matinal ao Lugar de S. Carlos - Angra do Heroísmo
São Carlos é...
Vegetação combinada
Que se abraça longamente
Esguia e perfumada
Que até perfuma a gente.
Cada quinta é asseada
De um luxo evidente
E a mim não custa nada
Louvar cada residente.
Junto ao mar outro perfume
Que não me deixa queixume
Faz-me bem saber a sal.
Quando a paz ali se instala
Perfuma até a alma
De S. Carlos matinal.
Rosa Silva ("Azoriana")
Observação de um leitor: "Essas tuas quadras refletem os benefícios de vivermos em ilhas tão belas onde, diariamente, podemos cheirar os odores da terra, os sons da Natureza e as matizes do oceano." - MV.
Vem aí o Dia dos Açores (21 de maio)
"Decreto Regional nº 13/80/A, de 21 de julho de 1980.
Publicado no Diário da República I Série, nº 192/1980, de 21 de agosto. Página 2305
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
ASSEMBLEIA REGIONAL
Decreto Regional nº 13/80/A
Formada por pequenas comunidades isoladas durante séculos, a Região Autónoma dos Açores manteve cultos e práticas profundamente populares, totalmente enraizadas no quotidiano e de origem vincadamente portuguesa.
Porventura o mais significativo de todos eles será a comemoração do Espírito Santo – em que se entrelaçam as mais nobres tradições cristãs com a celebração da Primavera, da vida, da solidariedade e da esperança -, comemoração cuja vitalidade se alarga naturalmente a todos os núcleos de açorianos espalhados pelo mundo.
As celebrações são tão espontâneas, tão vividas e tão intensas que a natureza das coisas como que impõe um inevitável descanso no primeiro dia útil que se lhes segue.
Porque é o mais popular dos dias de repouso e recreio em toda a Região, entende-se justo consagrá-lo como afirmação da identidade dos açorianos, da sua filosofia de vida e da sua unidade regional – base e justificação da autonomia política que lhes foi reconhecida e que orgulhosamente exercitam.
Assim, e nos termos do artigo 229ª, nº 1, alínea a), da Constituição, a Assembleia Regional dos Açores decreta o seguinte:
Artigo único - 1 - Considera-se como Dia da Região Autónoma dos Açores a segunda-feira do Espírito Santo.
2 - É feriado regional o dia referido no número anterior.
Aprovado pela Assembleia Regional dos Açores em 26 de junho de 1980.
O Presidente da Assembleia Regional dos Açores, Álvaro Monjardino.
Assinado em Angra do Heroísmo em 21 de julho de 1980."
Publique-se.
O Ministro da República, Henrique Afonso da Silva Horta.
Proposta de canção (ao calha): Portugal de amores
Meu País, meu Portugal de amor
Vestido ao sol-pôr
Do canto da alegria!
Meu País, de louros e costumes
Da grandeza de cumes
De um verso de ousadia!
Meu amor por ti é quente
De sabores evidente,
Mar na palma da mão…
Guerreiro de aventura
Um portal de cultura
Brasa de emoção!
Portugal maravilha
Réplica em cada ilha
Nas duas Regiões…
Sempre do nosso agrado
O canto de um fado
Voando entre Nações!
Portugal, Portugal!
So, I love you Portugal…
14/05/2018
Rosa Silva (“Azoriana”)
Feliz aniversário amigo Fernando Mendonça!
Dou-te nesta hora exata
Os sinceros parabéns
Que vão além desta data
Pela alegria que tens!
Nas ondas do improviso
Onde estou a navegar
Parabéns com um sorriso
Que estou a enviar.
Que tenhas muita saúde
E amigos quantos queira
Tua Praia amiúde
Com a rima à tua beira.
Tenhas sol na tua vida
E o mar à cabeceira
És uma pessoa querida
És poeta da Terceira.
Bjs
Rosa Silva ("Azoriana")
A pura da verdade!
Não sei se já repararam mas este blogue anda meio devagar, devagarinho (mas não parado). À espera de fontes de inspiração ou "vozes de amor eterno" vou remando nestas linhas virtuais ao ponto de tentar que alguém ainda se disponha a "olhar-me" nem que seja de soslaio. O dia hoje está propício a escrever prosaicamente na tentativa de angariar esse tal olhar, nem que seja de saudade. AH! Saudade que me matas e eu aqui sem fazer nada, se tu de mim não escapas, que sejas modificada.
Vou passando dias e dias numa velocidade cruzeiro nem sei ao encontro de quê... ainda bem que não se sabe o que está para além do horizonte humano... e que eu deixe de ser utópica e ingénua (não me venham com a história do "bicho papão" nem do "lobo mau"). Ao longo da vida conheci-os bem... não precisa vê-los mais!
Bem bom que alertaram para o "follow friday", em que todos (os que sim e os "nim") se ajeitam a proceder conforme mandam as instruções, quais rebanhos de amizade bloguística. Eu penso que o grandioso "facebook" anda a "esconder" os blogues da rotina virtual. Enfim, eu não esqueço do meu querido blogue nem de alguns que ainda teimam, tal como eu, a permanecer na escadaria da serenata, como fazem agora os Estudantes Universitários de Coimbra. De repente, bateu-me uma saudade de estar (como há um ano - maio de 2017) pelas ruas de uma Coimbra a rebentar pelas costuras de estudantes que mais pareciam andorinhas voando pelo Mondego. Lembro bem daquele "mastro" do Mondego que, mal o via, sabia estar próxima da "residência provisória" de um maio de Maria, da Mãe, da minha filha Aida Alexandra Silva Borges e do Santo Cristo dos Milagres.
Dai-me Senhor uma serenata
Na rapidez da passagem
Em que a vida se desata
Na cegueira de outra margem.
Dai-me Senhor uma pacata
Timidez nesta viagem
Em que a vida se arremata
Numa pronta vassalagem.
E dai-me Senhor então
Da cantiga o refrão
Como outrora bem me davas.
Sei que se eu o receber
Na certa irei conceber
Muito do que agora travas.
Rosa Silva ("Azoriana")
14º Aniversário do blogue Azoriana - Açoriana
Com uma pausa bimensal eis que chega o dia de aniversário deste estimado blogue. Nasceu no dia nove do mês de abril do ano de dois mil e quatro, numa sexta-feira. Hoje, segunda-feira, o dia entrou bonito para, também, participar da festa deste meu cúmplice diário. Quer dizer, esteve um pouco à deriva por razões que só a razão conhece, mas não deixou de ser o meu blogue. Não sei precisar se algum blogue do tempo do meu se aguentou até atingir os catorze anos. O que sei é que enquanto houver teclado e dedo o blogue não vai para o degredo.
Tantas recordações, tantas escritas a abraçar o poético, tantos sinais que fui marcando "escondidinho" mesmo que outras técnicas tenham sobressaltado a estas. O que vale aos blogues é terem interatividade com as redes sociais que atraem milhões de adeptos.
O que interessa, antes de mais, é agradecer e enaltecer o fiel depositário dos meus encantos: o SAPO. Ainda vim a tempo de verificar que os nossos escritos estão seguros (HTTPS) e que parar é como que começar de novo. Até quando?! Até eu notar que alguém ainda gosta de me visitar virtualmente.
Muito obrigada pela vossa companhia. Hoje deixa um "miminho" nos comentários. Um "olá"... ou simplesmente abraça-me como uma mãe a um filho ou filha... Esse é que é um abraço de coração...
Rosa Silva ("Azoriana")
Como uma folha caída
Quando a saúde periga
Precedida de sinais:
A repensar nos obriga
E cuidar não é demais.
É preciso que se diga
E a quem percebe mais
A maleita da espiga
Que ataca os mortais.
Quando se adia a cura
Se torna mais insegura
A feliz estrada da vida.
Todo o cuidado é pouco
Neste mundo que anda louco
Como uma folha caída...
Rosa Silva ("Azoriana")
Obrigada a Fernando Mendonça pela dedicatória
Rosa Silva "Azoriana"
Hoje acordei pensando nesta amiga Rosa Silva, mulher das cantorias ao desafio, da poesia escrita e também da prosa, sempre com muita qualidade e profundo sentimento!
Mulher de grande inteligência para quem a conhece de perto e a segue no Facebook ou no seu Blog!
Grande devota da Senhora dos Milagres, Padroeira da Freguesia da Serreta, lugar onde nasceu e continua revivendo com uma intensidade incomparável, quer da sua infância, quer dos seus pais, dos quais não se cansa de recordar quase sempre que escreve!
Foi esta mulher, que se apresenta de uma forma simples e desinteressada do sucesso... Que numa noite, da qual bem me lembro... Disse-me assim: Tens jeito para rimar, vamos lá que eu te ajudo!... E foi a partir daí, que comecei escrevendo quase diariamente, ao ponto de como todos sabem, acabar realizando o sonho de publicar um livro! Livro esse, que me levou a escrever no volume que lhe dei: Toma amiga, porque metade dele é meu e a outra metade é teu!... E digo isso, porque foi ela que durante vários serões, se sentou ao computador organizando todos os meus poemas, a fim de serem publicados!
Quase sempre são os mais velhos, chamados de veteranos... a incentivarem os novos a seguirem um determinado rumo! Neste caso, foi precisamente o contrário! Fui, digamos que "levado ao colo" por uma mulher com idade de ser minha filha!... :)
Pensei em escrever este desabafo em poesia, mas entendi que tudo o que sinto por esta amiga não caberia num soneto ou nas estrofes de um poema!...
Que tenhas saúde e continues sendo sempre como és!... Rosa Silva "Azoriana" Mulher das rimas e da escrita que encanta os leitores destas Ilhas e além mar!
Um bem haja sempre
Amigo do peito.
Fernando Mendonça
30/01/2018
Tiveste a chama da saudade
Tiveste a chama da saudade
Com um brilho cinzelado
Agora a maturidade
É passada noutro lado.
Vive a vida de verdade
No amor estás ancorado
Somente a felicidade
Tem sempre algum valado.
Da ilha que te adora
Mesmo que mores lá fora
Vão abraços de maré.
Ficamos sempre à espera
Que a fase "quem me dera"
Seja o que hoje não é.
Rosa Silva ("Azoriana")
À Marisa e ao Tiago
No reino da juventude
Há esperança a reinar
Mais forte seja a saúde
Porque o resto há de chegar.
Seja nobre a atitude:
Cantadores vão cantar!
Dupla seja a virtude
A quem merece a dobrar.
A Marisa e o Tiago
De nós merecem afago
Numa festa que há de vir.
Depois de bruto acidente
Felizmente estão com a gente:
Vamos fazê-los sorrir!
Rosa Silva (“Azoriana”)
Cantoria Solidária
Local: Sociedade Velha da Vila das Lajes
Data | Hora: 27 de janeiro de 2018 | 21:00
Cantadores:
Tiago Clara e Ricardo Martins
Vasco Gomes e Artur Miranda
Marcelo Dias e John Branco
José Fernando e Ricardo Martins
Helder Pereira e José Eliseu
Verbas angariadas reverteram para ajuda ao Tiago Clara.
Versos ao calhas
O mote:
O verso que me valha
A quadra que me ajude
Hoje eu sou o que calha
O resto haja saúde.
Quadras:
Nem sempre fui assim
Sou corpo que trabalha
Para ter outro fim
O verso que me valha.
Nem queria que fosse
Uma letra em virtude
Apenas quero doce
A quadra que me ajude.
Não perco por querer
O que não atrapalha
Ontem tive o poder
Hoje eu sou o que calha.
É negra a esperança
Por muito que se mude
Se a voz pouco alcança
O resto haja saúde.
26/01/2018
Rosa Silva (“Azoriana”)
Memorando estatístico do(s) blog(s)
17/01/2018. Quarta-feira. Reflexão: Como se consegue obter comentários ao ponto de um artigo ter uma leitura alargada?! Não sei nem é coisa para me preocupar em demasia. Basta-me existir e deixarem-me sobreviver sem me tirarem o resto que tenho de cerebelo. Aqui, neste painel de enquadramento de escritos, sou eu e mais nada. Sinto-me como "peixe em água doce", sem mar cavado a grosso, nem ventos tempestuosos, nem coisas que me tiram do sério (por enquanto!!!).
Hoje resolvi verificar a estatística dos meus blogs - Açoriana / Azoriana e Serreta - e gostei do que vi. Nada melhor que a imagem de comprovativo. Ei-la:

Fora os artigos que, eventualmente, eu tenha apagado, existem, nesta data, 5.136, sendo 4.936 deste blogue e os restantes do blogue sobre a freguesia natal - Serreta.
Agradeço a todos/as os/as que tiram um pouco do seu tempo para me visitarem e deixarem um recadinho que adoro ler.
Rosa Silva ("Azoriana")
Dar largas à alegria para bem da saúde
Sinto que a alegria que se extravasa é rica em ingredientes para melhorar o nosso dia-a-dia, se bem que preenchido com alguns tormentos próprios (ou não) de um estado intrínseco que já não tem salvamento.
Ser alegre é contagioso e pode animar a vivência do nosso convivente. Abramos os braços aos afetos com a maturidade necessária. De nada serve abrirmos mão do que tanta falta nos faz: a amizade!
Há sempre um efeito secundário dos grandes afetos: a desilusão. Há que tomar as devidas precauções para tornear esse “veneno” esporádico. Cada vez mais o mundo anda em atrito de desilusão e num sobressalto espantado e espantoso.
Haja saúde com alegria!
Rosa Silva ("Azoriana")
Canção d'emigrante (para Joe Fagundes)
Ó Serreta da minh'alma
Que estás no meu coração
És a força que me acalma
És meu berço e torrão.
Quando um dia te deixei
Fiquei sendo emigrante
Mas em ti sempre pensei
Foste meu lar triunfante.
Nasci no alto da serra
Avistando o lindo mar
Hoje adoro a minha terra
E penso em lá voltar.
Tem a Virgem milagrosa
No seu altar tão serena
Com a sua mão bondosa
Que à gente sempre acena.
Vou voltar, ai vou voltar,
À querida freguesia
Vou rezar, ai vou rezar
À linda Virgem Maria.
Abraçar os meus parentes
Que de mim têm saudades
E ver nossas boas gentes
Nas suas atividades.
Visitar o batistério
Onde conheci Jesus
E também o cemitério
Que é reino de outra luz.
Ver o sol no horizonte
Dourando a sua cama
O brilho da água na fonte
Que até no chão derrama.
Ver o branco casario
E o gado a pastar
Ver tudo o que já me viu
Ver a aurora e o luar.
Vou voltar, ai vou voltar,
À brava ilha Terceira,
Vou brindar, ai vou brindar
Minha Santa padroeira!
2018/01/10
Rosa Silva ("Azoriana")
Calendário 2018/2019 - Muito obrigada Kathie Baker!

Obrigada à amiga Kathie Baker pelo excelente calendário (último) de uma geração atraente. Desde 2003 a recordar lugares, momentos, visitas, amizades e encantos, abordando sempre uma temática mensal e um título adequado para a capa.
Neste calendário (2018), a contra-capa assinala a efeméride tipicamente anual e deixa-nos os meses, do ano seguinte, à disposição para que fiquemos mais um ano na sua companhia. Kathie Baker é uma amiga residente nos USA mas com costelas açorianas e que ama visitar as ilhas e trazer-lhes do seu bom conhecimento. Já traduziu alguns dos meus artigos e muito bem.
Gentil agradecimento extensivo a John Baker que captou a nossa imagem num ameno convivío à roda de uma mesa de bar.

Abundância de escrita ou escrita abundante?!
Nunca sei a verdade absoluta, nem saberei nunca. Nunca é tempo eterno, demasiado longo. Dizem que nunca não existe e que não se diga nunca… Portanto, será a minha escrita abundante ou será uma abundância de escrita?! Como a nossa língua portuguesa é abundante de trocadilhos cujo significado pode disparar uma série de interpretações.
Tenho escritos aos milhares plantados nas vias tecnológicas. Apenas um conjunto teve o condão de ser replantado em papel que se leia. Os outros conjuntos foram sendo replantados por uma pessoa boa e generosa: José Fonseca de Sousa, um amigo dos Açores e dos amigos que tem espalhados pelos ilhéus da saudade.
Graças ao improviso e à cultura açoriana vi-me na alegria do seu rosto e da sua esposa, D. Guiomar Sousa. Um casal que, em conjunto, visita as ilhas que lhes acenam com cordialidade e simpatia.
Para ele a minha abundância de escrita é agradável. Dá-me valor e valores também por escrito.
Eu digo que a minha escrita é abundante porque ultrapassa a palavra “nunca”. É que desde nove de abril do ano de dois mil e quatro o pensamento é luz, ora viva, ora atenuada, que me impele a cumprir com os desígnios de um blogue que se quer assíduo e com palavreado abundante (ou não). Por vezes, basta uma linha, um trecho, uma estrofe, um parágrafo, um artigo, para que se diga que a escrita abunda.
É preciso é que haja talento e talentos, porque o resto virá por acréscimo.
Bom dia de uma quarta-feira com boa manhã, o mesmo que dizer com ares de bom tempo que, conforme os antigos diziam, corresponderia ao clima do mês p.f. de outubro. Oxalá que assim seja… pois os tempos mudaram e nunca mais serão os mesmos e nós também não!
Rosa Silva (“Azoriana”)





