Da ilha em suma

Da ilha em suma

Chega-se ao fim
Olhando a chegada;
Resta quase nada
É mesmo assim.

É sexta enfim
Semana dourada
Com rima apanhada
Num sopro de mim.

“Adeus” não a Deus,
E à Virgem Maria,
Logo ao primo dia!

Prós seus e prós meus
Só desejo Paz!
Da ilha em lilás…

Rosa Silva (“Azoriana”)

I wish, desejo...

Que
2017
venha com
vontade e animação
trabalho e fraternidade
de longe, seja o melhor prá gente
e se não
seja bem diferente
sempre para melhor
nunca para pior
***
Que
haja paciência
muita competência
nos nossos labores
e que a natureza se regale
no coração de cada um se instale
a alegria de saber viver nos Açores.

Feliz Ano Novo!

Rosa Silva ("Azoriana")

Maria dos Anjos - É Natal

Querida prima cantora
Com a voz fenomenal
Sejas hoje detentora
De belo e Feliz Natal.

Que imagem encantadora
Nesta quadra é a ideal;
Embalas a manjedoura
Do Menino celestial.

Dos Anjos, também Maria,
Tão doce na melodia
Que encanta o nosso povo.

Nesta hora e doravante
Sejas feliz emigrante
No teu lar Bom Ano Novo!

Rosa Silva ("Azoriana")

Chegada natalícia (quinta-feira 22/12/2016)

Corro mansa pela ilha
De pensamento feliz;
Quinta-feira maravilha
Na chegada do petiz.

Dou de graça a partilha,
Porque a mente assim quis:
Aos meus filhos e à filha
Que são da minha raiz.

Partilho felicidade,
Partilho amor de mãe,
Que jamais perde a idade.

A família se ajunta
No melhor mês que se tem
Uma alegria conjunta.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Rosário, Coroa de Rosas...

Nunca se vai ao contrário
Do valor de uma doutrina
Com mais um aniversário
De uma Criança divina.

Mote extraordinário
Para quem versos assina;
Mais o Santo Rosário
Que à Coroa se destina.

Rosário, Coroa de Rosas
Para a Rainha das rainhas,
Estrela das estrelinhas.

Rosário, rosas gloriosas,
De dor, gozo e piedade,
Da Mãe da Natividade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Um Santo Natal

□☆☆☆☆♡☆☆☆☆☆□


Trazei-me um Menino
Pobre, triste, sem pão,
Que seja como o Divino
Pra dar consolação.
Trazei-me a esperança
De um mundo melhor
Não só para a criança
Mas pra quem está pior.
Tudo o que se diz
Pela escrita fora
Que faça feliz
O tempo de agora.
Mas é utopia
Tudo o que se rima
Porque hoje em dia
Reina pouca estima.
Quanto mais se tem
Mais se quer ter
O Menino de Belém
Custa sobreviver.
Comércio é o santo
Que a tantos ajuda
Gasta-se mais um tanto
Que Deus nos acuda.
O comerciante precisa
Também ter na mesa
O pão que improvisa
Na montra em beleza.
Rogai por nós Senhor
Que nada inventaste
Que reine o Amor
Um quanto que baste.
Se dermos um beijo
No seu beija-pé
Pede-se um desejo
Por quem não tem fé.
Que a Terra alimente
O Homem de bem
E a nossa gente
Feliz seja também.
Não seja esta hora
Só Festa animada
Lembremos de outrora
A estrela dourada.
Um abraço amigo
A todo o pessoal
Por este artigo
Um Santo Natal.

Rosa Silva ("Azoriana")

De Portugal Rainha

Senhora da Conceição

Maria da Conceição
Pousada em nuvem de anjos
Florida pelos arranjos
Campestre decoração.

Maria dai-nos perdão,
Sob o pedestal de arcanjos
Na ternura de esbanjos
Que adoça a atenção.

Nossa Senhora querida
Que guias a nossa vida
De mãos postas para o Céu.

Guia também nossa fé
Para enfrentar o que é
Profecia de ser ilhéu.

Rosa Silva ("Azoriana")

NOVENÁRIO E FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

 


(...) Para os católicos portugueses, o dia 8 de dezembro representa a devoção lusitana à Mãe de Jesus; além disso, a Santíssima Virgem Maria, invocada sob o título de Imaculada Conceição, é a padroeira principal de Portugal, tendo sido declarada Rainha de Portugal por D. João IV, em 1646, razão pela qual este dia ser considerado feriado nacional. (...)


 


Novenário: 29 de Novembro a 7 de Dezembro, com confissões às 18h30, terço às 19h30 e Eucaristia às 20h, pregada pelo padre Tiago Tedeu com o tema “Obras de Misericórdia”


3 de Dezembro às 21h – Vigília com Equipas de Nossa Senhora


7 de Dezembro


10h45 – Eucaristia – Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade


13h30 – Eucaristia – Serviços e Repartições Públicas


19h30 – Eucaristia, com Ofício de Vésperas – Seminário Episcopal de Angra


Vigília de Nossa Senhora da Conceição (de 7 para 8 Dezembro)


21h – Catequese e Agrupamento 492 – Conceição


23h – Grupo de Jovens Nª Senhora da Conceição


24h – Movimento da Mensagem de Fátima


01h – Rancho de Romeiros de Nossa Senhora da Conceição


02h – Confraria de Nossa Senhora da Conceição


04h – Ordem Franciscana Secular


07h – Caminhantes Nossa Senhora da Conceição


Solenidade da Imaculada Conceição (8 de Dezembro)


07h45 – Alvorada pela Fanfarra Operária


08h00 – Eucaristia - Fanfarra Operária / Legião de Maria / Caminhantes de Nossa Senhora da Conceição


09h00 – Eucaristia - Bombeiros Voluntários de Angra do Heroísmo


10h30 – Eucaristia - Catequese / Baptismos


12h00 – Eucaristia - Confraria de Nossa Senhora da Conceição


15h00 – Eucaristia - Movimento da Mensagem de Fátima / Movimento dos Cursos de Cristandade


16h50 – Saudação pela Filármonica Recreio dos Artistas


17h00 – Concelebração Solene presidida por Dom João Lavrador, com Ordenação de Diáconos


19h30 – Eucaristia - Fraternidades Franciscanas da Ilha Terceira

Natal de brilho

Damos brilho e luzimento
À vinda de um Senhor
Que traz Paz e muito Amor
Com seu pobre nascimento.

Damos tanto num momento,
Para ungir o Redentor,
Para aliviar a dor
De nascer pobre ao relento.

Que as luzes sejam abraços
Sigam para outros espaços,
Outros ares e outras vidas.

Que a Quadra do Natal,
Seja feliz por igual,
Às nossas gentes queridas.

Rosa Silva ("Azoriana")



Feliz Natal
Merry Christmas
Joyeux Noel

Kathie, John Baker & friends - 12 Oct. 2016

Kathie Baker and friends


Kathie Baker and friends


12 de outubro de 2016


Kathie Baker e John Baker, Fernando Alvarino, Frederico Freitas e eu, num encontro de amizade que perdura.

Recordar é lembrar do que é seu... (continuação)

Carlos Cândido e neto


Se fosse vivo, hoje faria oitenta e sete anos. Teria bolo para o fazer contente. Teria a família a lembrar que ser "picaroto", nome que se atribui aos nativos da ilha do Pico, do arquipélago dos Açores, é ser poderoso e um prodígio no trabalho. Sem grandes estudos (os mínimos para a data que viveu na sua ilha de nascença), no entanto, sabia fazer com as duas mãos e, mais tarde, só com uma, o que alguns não sabem. Pedreiro, carpinteiro, pintor, agricultor, e mais o que viesse à rede seria como uma invenção pronta na hora. Tanto que o Carlos Cândido fez para si e para outrém, sem, muitas das vezes, pedir retribuição. Era assim o meu pai de quem tenho o maior orgulho. Tinha, também, uma dose de génio e bravura... mas tudo fez para que as suas filhas e netos ficassem com a ideia de que o pai/avô foi um homem de trabalho para manter na lembrança e comemorar o seu dia risonho.

Rosa Silva ("Azoriana")

Angra do Heroísmo (sempre Portuguesa)

É nossa linda princesa,
Santuário de fé,
Recheada de beleza
Com Padrão frente à maré.

Cordiais por natureza,
Obelisco e a nobre Sé,
E também tem realeza
Na Câmara que linda é.

Baía abraça os veleiros,
O Monte abraça a Baía,
Que também a gente abraça.

Cidade de pioneiros,
Portuguesa em primazia,
Leal em tudo que faça.

2016/12/01
Rosa Silva ("Azoriana")

Ar de inverno

O Inverno já assobia
Como outrora, bem me lembro,
Chove no primeiro dia
Tempestivo de dezembro.

Não me espanta a frieza
Já é próprio da altura
Caldinho quente na mesa
Com um tanto de verdura.

Um chá quente sem alarde
Já se toma a meia tarde
Para o corpo aquecer.

Ouço da chuva o canto...
Padre, Filho, Espír'to Santo,
O cale ao anoitecer.

Rosa Silva ("Azoriana")

Cinco Ribeiras

cinco_ribeiras_tarde.jpg


Cai a tarde sombreada
Paralela ao meu olhar
Acinzentado o mar
Numa pausa comentada.

Vai a nuvem engalanada
Como se fosse a voar
Numa corrente lunar
Na parede pendurada.

E o coração bate forte
Prisioneiro à minha sorte
De estar noutras fronteiras.

O som que ouço me acalma
Na hora que cada alma
Me vê nas Cinco Ribeiras.

Rosa Silva ("Azoriana")

Cota asseado



Primogénito querido
Desde a hora da ideia
Que é ter a casa cheia
De um desejo vencido.

Com esse ar divertido
Onde a graça incendeia
Fazes rir de volta e meia;
Que bom tu teres nascido.

Do fundo do coração
Ergo a justa oração
Que em verso te sublima.

Que tenhas boa saúde,
Sempre a melhor atitude
Prá oferta flor de rima.

Rosa Silva ("Azoriana")

Vinte anos



Há que tirar parecenças
Desse rosto luminoso
Mas não vou dar-te sentenças
Fico pelo ar bondoso.

Espero que tudo venças
Tens de ser estudioso
O que for demais dispensas
Basta não ser ocioso.

Em Coimbra estudante,
Da ilha és emigrante,
Lembrando dos teus amores.

Brevemente irás voltar
Às raízes do teu lar:
Tua Terra é os Açores!

Rosa Silva ("Azoriana")

Natural painel



Rosto de alegria,
Olhos de brilhante,
Que até contagia
O seu semelhante.

Rosto de princesa,
Sorriso de mel,
Aida natureza,
Natural painel.

Tem serenidade,
Paz no seu olhar,
Cópia de mar.

Digo à-vontade:
Minha filha linda,
Querida e bem-vinda!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Angra natalícia

Angra está iluminada
Com uma chuva de estrelas
De presentes decorada
Bolas rubras podeis vê-las.

Até o Anjo que anuncia
O presépio que se tem
No adro da alegria
Que chama quem lhe quer bem.

Um trabalho valioso
Linda luminosidade
Que seduz toda a cidade.

Acho o Menino vaidoso
Mesmo que não possa ser...
Seu brilho dá gosto ver.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ser mãe

Sou uma mulher feliz
Pelos filhos que eu tenho
Desejei-os com empenho
E tê-los sempre eu quis.

Muito por eles já fiz
E erros também desenho
Mas os erros não mantenho
Só mantenho a matriz.

Ser mãe é querer o bem
Aos filhos que jamais vão
Sair do meu coração.

Outra prova que ser mãe
É sobreviver à tristeza
E abrir braços à surpresa.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sanjoaninas 2017 - o Cartaz



É muito nobre, leal
É Angra sempre constante
De quem vem é imigrante
Dos de cá é natural.

Angra é linda sem igual
Ao colo seu diamante
Que a fez ser tão brilhante
Cruz de Cristo triunfal.

Quando Angra é visitada
É, por tantos, admirada
Jóia de recordação...

Quem com ela canta e dança
É Festa, doce esperança
Que agrada a São João!

Rosa Silva ("Azoriana")

Clarinetista e Trompista

É verdade!

E tudo muda
E tudo vira
Quem se escuda
Já está na mira.

E nada fica
E tudo cai
Quem se dedica
Também se vai.

Porque a mudança
Sempre assim foi
Vem de criança
Em velho dói.

Hoje é meu
Assim se diz
Amanhã teu
Mal não te quis.

A vida é bela
Se te cuidares
Nem dás por ela
Nem noutros ares.

Levantar cedo
Faz muito bem
Guardar segredo
Também convém.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Sementes de saudade

Saudade palavra má
Que não devia existir
Para aquele que anda cá
É que a fica a sentir.

Saudade do que era bom
Não do que nos faz sofrer
Acentua-se o seu tom
No que fica por dizer.

A saudade é tão ardente
Se o amor a trespassa
É maior pelo ausente
E pesada p'la desgraça.

Mas a saudade para mim
Relembra-me o que não fiz
Saudade que vem no fim
E o fim nada nos diz.

31/10/2016
Rosa Silva ("Azoriana")


 


Nota: O mês de outubro deu-me sementes de saudade... dois dias tristes.

Ilha feliz

É um pedaço de nós
Um regaço de amor
Onde ecoa a nossa voz
Ilha de Nosso Senhor.

Canto a ilha que nasci
No regaço da manhã
Chuva e sol também já vi
E a brisa da Fajã.

Ó minha ilha adorada
Tens forma de coração
Por tantos és visitada
És forte recordação
Cada festa uma tourada
Cada verso uma oração.

Ilha de bravos costumes
Porque bravo é nosso mato
Seja em vales ou em cumes
Também é de fino trato.

Um pulmão da natureza
Pôr-do-sol encantador
E sempre tive a certeza
De que és berço de amor.

2016/10/30
Rosa Silva ("Azoriana")

Maria do Carmo Fortuna

Sempre foi grande guerreira,
Franzina e trabalhadora,
Uma mulher de primeira
Para tantos protetora.

Viúva mas sem fronteira
À Virgem tão zeladora,
Maria a vida inteira
Do Carmo a seguidora.

Suas mãos nas minhas tive
E a palavra que sobrevive
Além da eternidade.

Fortuna de sobrenome
E mais forte foi seu nome
Que, aos seus, deixa Saudade.

Sua nora
Rosa Silva ("Azoriana")

Matilde Rosa

Eu te peço num clamor
Que nasce do coração:
Ajuda com teu Amor
Minha triste estação.

Meu verso é um sofredor
De saudade e de emoção;
Quanto mais é forte a dor
Mais se entra em comoção.

Mãe Matilde, também Rosa,
Porque Rosa também sou
Que o teu ventre me gerou...

Mãe Matilde, flor formosa,
Desta terra tua e minha...
Hoje és pétala rainha!


2016/10/28 sexta-feira - 13° aniversário do falecimento da mãe que sofria de esclerose múltipla, uma doença do sistema nervoso central.

Já vi tanto sofrimento
Nesta minha existência
Quem sofre tem o momento
Na divina Providência
Que lhe dá contentamento
Maior que qualquer ciência.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dia 23

Carlos Andrade "Santa Maria", faleceu a 23 de fevereiro de 2016. Carlos Nunes "São Mateus", faleceu a 23 de outubro de 2016.

Um intervalo de oito meses. Mesmo nome e alcunhas relacionadas com lugares de nascença fazem com que a Cantoria Açoriana seja também um historial de coincidências ou dias memoráveis.

O primeiro parte e fica sepultado na freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória, ilha Terceira. O segundo esteve na sua terra natal em 2015, partiu e fica sepultado nos Estados Unidos da América.

Nenhum voltou à terra de nascença para a sepultura mas ficarão sempre na mente e coração dos açorianos, sobretudo dos que partilharam o palco ou o terreiro das cantigas, como improvisadores.



*****
Atente-se na coincidência
Do dia em duas partidas;
Não são coisas da ciência
Mas lembrete de duas vidas.

Duas vidas que cantaram
Com a força de um dom,
Que em 2016 deixaram
Eternizado o seu tom.

Vinte e três está na memória
De quem os dois conheceu:
"Santa Maria" teve glória,
"São Mateus" o mesmo se deu.
Carlos Nunes 20153+2 igual a cinco
É a conta que eu somo;
Dois cantadores com afinco
Que nos deixam nem sei como.

24/10/2016
Rosa Silva ("Azoriana")

Queria ser...

Queria ser o pôr-do-sol
Da minha pele
Desnuda
No teu horizonte.
Fixar a âncora
No teu peito
De mar brando
E amar
....
Olhando a imagem
Ao relento
De nós.

Rosa Silva ("Azoriana")

Carta aberta de saudades

Saudades da Serreta
Dos passeios que fizemos
Da ida à Lagoínha
Das pedrinhas no cestinho
De dormir colchão no chão
De ouvir os passarinhos
De ver o mar inteiro
E a serra sem nevoeiro
Da azáfama da Festa
Das horas bem preenchidas
Das idas à Sociedade
Dos campos em pacatez
Até de varrer o caminho
De lavar chão e janelas
Portas, mesas e tanto mais
Saudades da Virgem Mãe
E de visitar meus pais
Os que cá já não estão
Mas que me fizeram crente
No meio de tanta gente
Que andou na Procissão
E de tanto que os foguetes
No trabalho divertido
Daquele povo unido...
Saudades de estar onde não estou
De ficar no que deixei
E quem sabe se hei de ir
Outro dia e outra hora
Sorrir a Nossa Senhora.
E saudades se tiveres
Escreve delas se puderes...

Rosa Silva ("Azoriana")

Maria, ó Mãe dos crentes

04 N.S. Fátima no Santuário da Serreta 2016

Maria, ó Mãe dos crentes,
Que percorrem os caminhos,
Em grupo e ou sozinhos,
No fundo, são como enchentes.

Maria dos inocentes,
Dos pobres e sem carinhos,
Dos versos em pergaminhos
Que voam em tantas frentes.

Maria dos teus avós,
Dos meus e de tantos mais,
Onde incluo os meus pais.

Maria, rogais por nós!
É feliz aquele que chama
Pela Mãe que mais o ama…

2016/09/02
Rosa Silva (“Azoriana”)

Delícia

Tortura-me de risos
Se puderes
Não deixes por dizer
O que não é dito
Fita-me o olhar
Na boca do mar
E salva-me
De afogar-me
Em ternura.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sorriso

Gotejam palavras de abundância
Na sirene das letras luminosas
E o sorriso teu
Resplandecente
Tinge-me
De dourado
Na rua
De outras prosas.

2016/10/12
Rosa Silva ("Azoriana")

Olhares

olhares


O que fui na meninice
Já não sou na outra idade;
No deserto da saudade
Ando eu, já alguém disse.

Houve um olhar de meiguice
E outro que jamais há de
Voltar a ser a metade
Do que foi a criancice.

Transfiguram-se os ares,
Multiplicam-se os olhares,
Na mudança que se tem...

Há olhares que naturais
Têm a doçura dos pais
Num berço chamado... Mãe!

Rosa Silva ("Azoriana")

Noites de Outono

Cenário de pré-inverno
Traz aconchego ao lar
Apetece a descansar
Do tempero de inferno.

Um termo longe de terno
Que evito pronunciar;
Quero ver o sol raiar
No lírio do verso eterno.

E é tão meiga esta visão
De um lar aconchegante
Contigo no meu semblante.

Difícil a previsão
Do que possa acontecer
No cenário por tecer.

2016/10/11
Rosa Silva (“Azoriana”)

Escrita

Debulhei versos como quem canta
E agora calada me manifesto
Saciei-me de tudo e no resto
Nenhum verso ecoa e me espanta.

Aquela aragem já não se levanta
Na boa rima que à sede empresto
E mesmo assim o verso é tão lesto
Na ventania que adoça a garganta.

Preza-me o dom que ainda tenho
Doado para me dar mais prazer
Em tudo o que escrevo com empenho.

Fica a relíquia - sem despedida:
Escrita não se pode desfazer
Ela vive para além da vida.

Rosa Silva ("Azoriana")

Pensamento

Na hora que se precisa
Vemos quem é nosso amigo;
Na hora mais indecisa
Me socorro do artigo.

Um artigo que vos avisa
Da vida que é um castigo:
Se a morte é a divisa
Para o doente em perigo.

Há anos que numa cama
Uma senhora reclama
Por ter uma vida boa.

Em luta contra a doença
Pode ter melhor sentença
Na hora que mais magoa.

Rosa Silva ("Azoriana")

Corvo, a ilha



Numa ponta bem corvina
Reside a população
Com a patrona divina
Dos Milagres por ação.

Esta ilha nos ensina
Com maior satisfação
A viver a boa sina
Do que eles todos são.

São da paz e da harmonia
Do presépio da alegria
Da virtude paciente.

São da ilha mais pequena
Da pacatez tão serena
Um exemplo para a gente.

Rosa Silva ("Azoriana")

[Assim de repente...], [Sentir de ilhoa] e [Serreta na intimidade]

Título de livro não editado: Assim de repente
Arquivo in: “Meo Cloud”
Mote: Num rosto de tom salgado
Autora: Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Num rosto de tom salgado
Pela vida de maresia
Entre um tom desbotado
Que só alegra a poesia.

Num rosto de olhar marcado
P'la serra da freguesia
Onde o meu ser foi criado
Entre regaços de alegria.

Quero com isto dizer
Que o que pode aparecer
Nem assim é tão perfeito.

Trago ondas de amargura
Misturadas com doçura
Que me ardem ao meu jeito.


 


Título de livro não editado: Sentir de ilhoa
Subtítulo: Entre sorrisos e amargura in Azoriana Blogue
Arquivo in: “Meo Cloud”
Mote: Há de haver
Autora: Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Há de haver quem me defenda
No augusto chão nublado;
Entre a rima sem emenda
Tudo foi por mim criado.

Há de haver quem me entenda
Desde o berço embalado
No quarto da minha senda
Para ser depois rimado.

Há serões e há nascentes
De comparsas linhas loucas
Que a voar não ficam ocas.

Há amizades crescentes
Em cada quadra que vai
P’la minha mãe e meu pai.


 


Título de livro não editado: Sentir de ilhoa
Subtítulo: Entre sorrisos e amarguras no cantinho serretense – Serreta documentário
Arquivo in: Blog
Soneto in livro editado: Serreta na intimidade
Mote: Página pessoal sobre a freguesia da SERRETA
Autora: Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Em ti, nesse teu ventre tão contente,
sonhei. Sou filha dum amor, primeiro.
Do céu, nem esse denso nevoeiro
sequer impediu um olhar, de frente.

Ali, meu ser até esteve presente.
Sim! No terreno alto sobranceiro
serena ao mar o vulcão desordeiro
que tanto agoniou esta gente.

Gritou mas agora ficou calado;
Dorme nesse soninho sossegado
porque a ninguém quer incomodar...

Brilha! Minha linda terra natal
e que não te suceda algum mal.
Canto a Serreta... Tu foste o meu lar!

Santo Amaro do Pico "A TERRA DOS BARCOS" (Açores). Por Amaro de Matos

Amaro do Matos. 20 Maio 2016

"Por gentileza do Jornal do Pico foi hoje publicado um texto, mais ou menos longo, sobre Manuel Inácio Nunes. É só mais um contributo para que a sua figura seja relembrava com a vénia que todos nós lhe devemos. Por mim fiz o que pude.

O Senhor Nunes

Desde há muito que avalio a importância dos nossos lugares com base na capacidade e influência que neles tiveram os valores humanos que os preencheram.

Acredito, pelo cruzamento que vou fazendo de inúmeros fatores, que a verdadeira importância de muitos lugares das nossas Ilhas se encontra na sua história, bem como na história dos seus ancestrais. Concluindo, acho que o grande ativo destes lugares é o seu património histórico, cultural e social.

Vem isto a propósito da homenagem que, finalmente, após 69 anos da sua morte, os Açores prestaram a Manuel Inácio Nunes, um dos seus filhos mais ilustres, nascido em Santo Amaro do Pico a 1 de Julho de 1874, um dos sete filhos de Estolano Nunes Teixeira e de Ana Bernarda, que emigrou para os EUA quando contava apenas 17 anos, em 1891.

O autor destas linhas, nascido na mesma freguesia da Ilha do Pico, 60 anos após este ter emigrado, tem lembranças muito precoces deste seu conterrâneo: O senhor Nunes.

Era assim que se falava deste senhor. O filho do Estulano e neto do Daniel Nunes, com mais uma ou outra ligação apontada à família dos Teixeiras, por parte do pai e à dos Jorges e dos Côcos, pela da Mãe, era sobretudo falado pela grande fama que tinha conquistado na América, mais propriamente na Califórnia, a fazer barcos.

Também se falava do Senhor Nunes por no ano da fome, 1923, tendo na América conhecimento dessa calamidade, ter feito chegar a Santo Amaro 96 sacos de milho, que foram distribuídos pelos mais carenciados de todo o Concelho de S. Roque. Igualmente se ligava o seu nome a um donativo para obras na Igreja, no valor de 2 527 dólares, que o próprio tinha reunido e para o qual tinha generosamente contribuído, em resultado de uma recolha de fundos que promovera junto de outros santamarenses na Califórnia e que tinha trazido em mão, aquando da sua última visita a Santo Amaro, em 1946.

Dos seus barcos, ou melhor dos seus riscos e modelos, sabia-se que, como contemporâneo de João Inácio Cândido da Silva, de Manuel António Furtado Simas (Mestre Manuel Bento) e de José Joaquim Alvernaz, lhes havia feito chegar muitos que, depois de construídos de acordo com as instruções recebidas, davam excelentes barcos, diferentes dos que havia até então. Foram eles a Calheta, a Patriota, o Bom Jesus, a Helena, a Maria Eugénia, a Ilha Azul, o Ribeirense, o Espírito Santo e o mais emblemático de todos, o Terra Alta e muitos mais.

Do Bom Jesus, lembro-me de ter um dia descoberto na oficina do meu Pai um modelo já incompleto, que me interessou. Perguntando-lhe a que barco correspondia, ele disse-me que - aquilo era o modelo do Bom Jesus, modelo mandado da América pelo Senhor Nunes. Pedi-lhe que mo restaurasse, o que aconteceu e depois fiz eu próprio uma réplica dele. Ainda hoje conservo os dois.

Da Maria Eugénia, lembro-me de, em conversa com o Senhor Manuel Joaquim Neves, quando ia à sua adega buscar um garrafão de aguardente que trazia para S. Miguel, ele, que foi o primeiro mestre do Terra Alta, me dizer: - ela era um barco extraordinário, tinha um fundo especial para andar, os outros tinham todos medo dela, pois ela, quando tinha vento a jeito, andava muito. Dizia: - à saída da Terceira, dava-nos uma hora de avanço e passava-nos ainda antes de chegarmos ao Topo. Arrematava, dizendo: - foi feita pelo Mestre Manuel Bento, mas o risco era do Senhor Nunes, que estava na América.

Das muitas visitas que faço ao meu amigo João Vargas, neto de João Inácio Cândido da Silva, também ele construtor de barcos, entre outras atividades, encontro sempre uma coleção extraordinária de chalupas em miniatura, os veleiros das regatas na Lagoa do Peixinho, levados às costas pela encosta para disputas memoráveis, especialmente pelo S. João. Diz-me o João Vargas: - Quando o Senhor Nunes esteve cá da última vez, em 1946, foram lá todas e ele esteve sentado no areeiro a ver a regata.

A par da Patriota, um belo exemplar com mais de dois metros, feita de cavernas, pelo Avô do João Vargas, toda aparelhada e de outras, lá esta a chalupa do Senhor Nunes, que ele conserva como todas as outras, perfeita, pintada com mestria e ostentando a marca: - Recordação de Manuel Inácio Nunes. Depois, mostra-me, com orgulho, uma moldura na parede, com uma folha de revista, já bastante gasta, para me explicar que aquilho é o Zaca, um dos veleiros mais belos do mundo, feito pelo senhor Nunes. O senhor Nunes era grande no risco, diz-me sempre o João Vargas.

Claro que, embora do Zaca eu saiba quase tudo, desde a vontade que teve o multimilionário Templeton Crocker que fosse o estaleiro NUNES BROS, a construí-la, às suas dimensões, às peripécias da sua utilização para fins militares, de ter deixado de se chamar Zaca nesse período para ter como registo a marca IX-73, de ter depois sido vendida a Errol Flynn, um ator famoso da época, e de ter servido para nele Orson Welles rodar várias cenas do famoso filme A Dama de Xangai e ainda que, depois de quase ter desaparecido em Nice, ter sido recuperado e ainda hoje navegar em cruzeiros e regatas de vela de prestígio no Mediterrâneo, deixo que seja o João Vargas a revisitar a história dos feitos do senhor Nunes.

Contar-me como o seu tio Heitor Vargas, outro apaixonado por veleiros, sendo, no tempo, alfaiate de profissão, na Horta, foi de grande valia na interpretação dos riscos que o senhor Nunes mandava, quase todos na escala de uma polegada por pé, e que era o tio Heitor que, com a sua prática de ampliar os desenhos dos figurinos, auxiliava os construtores navais de Santo Amaro nas contas para “passar a grande” os riscos que chegavam da América, das mãos do senhor Nunes.

Outra evidência da presença do senhor Nunes na construção naval de Santo Amaro, encontrei-a quando, na última reparação do Terra Alta, meu pai me pede para fazer a parte desenhada do projeto de alteração do barco. Quando recebi a cópia do projeto original, lá estava a marca: - NUNES BROS.

Sei que aquele projeto foi desenhado por Manuel Inácio Nunes para armadores da freguesia da Prainha e que aquele barco se haveria de chamar Cristo Rei, mas que, por não ter chegado a bom porto essa armação, o projeto acabou por ser realizado em Santo Amaro, com uma sociedade formada por pessoas de várias Ilhas, que culminou na construção do barco que veio a chamar-se Terra Alta, obra do Mestre Manuel Joaquim de Melo, em 1946.

Desde sempre me intrigou o desconhecimento da razão pela qual teria Santo Amaro do Pico, a partir de meados do Século XIX e ainda com mais foça a partir do início do Século XX, sido o centro de toda a construção naval nos Açores. Cruzando as várias fontes disponíveis, fui concluindo coisas que se foram tornando óbvias.

Santo Amaro do Pico, após a sua implantação como lugar no sítio da Terra Alta, em meados do século XVI, chegando a freguesia no final do mesmo século, por razões de escassez de recursos em terra e dificuldades de comunicação com outros lugares, onde se iam instalando os povoadores teve necessidade de Barcos.

Essa realidade levou a que, com o passar do tempo, os seus habitantes se fossem dedicando à construção naval, tendo mesmo esta atividade, ainda no Século XIX, alcançado uma dimensão que ultrapassou o próprio lugar, alastrando a outros locais da ilha e mesmo a outras Ilhas, com João Maria Teixeira, nascido a 5 de Janeiro de 1813 e falecido em 17 de Maio de 1879.

Este impulso levou a que se criassem novos estaleiros e consequentemente à necessidade de mão-de-obra especializada.

Como em todos os fenómenos desta natureza, desde muito cedo, começam a surgir, pelo trabalho continuado de muitas pessoas como carpinteiros, “vocações” nos seus descendentes.

Sabe-se que em Santo Amaro do Pico, Daniel Nunes de Melo e Estulano Nunes Teixeira, seu filho, na primeira metade do século XIX, construíram pequenos barcos, junto da primitiva Igreja. É exatamente o filho de Estulano, Manuel Inácio Nunes que, aos 17 anos, emigra para os Estados Unidos, para a Califórnia, onde pode dar largas à sua capacidade criadora e desenvolver a vocação e o gosto pela arte da construção naval, que herdara do Pai e do Avô, que vem a ser a grande figura da Construção Naval de Santo Amaro do Pico.

Manuel Inácio Nunes nasceu em Santo Amaro, Ilha do Pico, Açores, a 1 de Julho de 1874.

Filho de Estulano Nunes Teixeira e de Ana Bernarda foi o terceiro de sete irmãos.

Emigrou para os Estados Unidos em 1891, tendo-se fixado em Clarksburg, próximo de Sacramento, Estado da Califórnia.

Adquiriu a condição de Cidadão dos EUA, em 5 de Julho de 1900, por acórdão do Supremo Tribunal do Condado de Sacramento, Estado da Califórnia.

Casou com Ana Melo Nunes, tendo do casamento nascido dois filhos: Berta e Ernesto Nunes.

Faleceu em Kentfield, Califórnia, EUA, a 27 de Setembro de 1947, aos 73 anos de idade.

Deste Santamarense, Picoense e Açoriano Ilustre, perdeu-se no tempo o eco da sua enorme dimensão como homem e como cidadão competente e exemplar que foi.

Emigrando muito novo para os EUA, nunca deixou de ter à sua terra natal um apego que conservou até ao fim da sua vida.

Santo Amaro, em ações muito concretas, recebeu deste seu filho apoios significativos, mas a Ilha do Pico e os Açores, de uma forma geral, beneficiaram do seu grande talento como Construtor Naval de grande relevo na Califórnia. De forma empenhada e desinteressada, contribuiu, com a sua arte e os seus projetos, para que os seus conterrâneos fizessem de Santo Amaro do Pico o principal centro de Construção Naval nos Açores, onde se produziram, principalmente a partir do Século XX, a quase totalidade das embarcações que ligaram, com serviços de cabotagem, todas as Ilhas dos Açores, bem como a maioria absoluta de barcos de pesca, com acentuada evidência para os da pesca do atum.

A colaboração que deu aos seus conterrâneos foi fundamental para a história da construção Naval em Santo Amaro do Pico, que tem assim, a partir do início do século XX, uma base muito bem identificada - a figura de Manuel Inácio Nunes.

Esta ação dele "desviou", completamente, aquilo que foi o centro da Construção Naval dos Açores, de S. Miguel para Santo Amaro do Pico. Foram os seus projetos que, a partir do início do Século XX, influenciaram tudo o que foi a Construção Naval nos Açores durante esse século. Fizeram-se Barcos de cabotagem de linhas modernas que, navegando para todas as Ilhas, fizeram de si próprios e dos estaleiros que os construíram a melhor das promoções. Depois, veio a época das traineiras e repetiu-se o que era espectável: - Fizeram-se em Santo Amaro mais de 90% de todas as embarcações desse tipo.

Do seu percurso nas terras da América, depois do senhor Padre Neves, em “Subsídios para a História de Santo Amaro”, referir a sua ação e importância, fala-nos com grande pormenor Margarida Maria da Terra Nunes (Silva por casamento), Santamarense a toda a prova, que emigrada em Novato, na Califórnia, faz a Manuel Inácio Nunes, com um relato muito circunstanciado da sua atividade, que deixa entender bem a dimensão da sua obra, aquilo que eu considero a primeira homenagem, feita pelos seus conterrâneos, a este homem notável. Faltava, de facto, uma homenagem formal, não que isso acrescente mais nada à sua brilhante carreira, mas pelo que representa de exemplo e de valorização da sua terra, pelo prestígio que lhe empresta e também porque por mim, que vou cruzando várias informações de várias épocas, vou chegando sempre à mesma conclusão:

- Santo Amaro do Pico é de facto “A Terra dos Barcos”.

Se é indesmentível que a Construção Naval deste sítio influenciou decisivamente a construção Naval em todas as Ilhas dos Açores e que a ela estão ligadas várias gerações de artistas, humildes, generosos e competentes, é forçoso reconhecer que tudo seria muito diferente se não tivesse existido, com o empenho que teve pela sua Terra, a figura de Manuel Inácio Nunes, sem dúvida nenhuma o maior entre os maiores.

Com esta homenagem, homenageia-se igualmente uma atividade que, devido à simplicidade dos seus protagonistas, não deixou história escrita. De uma forma mais abrangente, pode dizer-se que assim se homenageia, dignamente, a Terra dos Barcos, bem como todos os homens do Mar e das suas artes.

Dessa terra, Manuel Inácio Nunes, que também teve forte inclinação para as letras, disse um dia:

… Fosse eu rico que pudesse correr mundos, como muitos há, seria Santo Amaro do Pico, sempre, a minha primeira visita.

Não importa faltarem ali os arranha-céus como tem Nova York e outras cidades grandes; não importa o seu porto ter simplesmente umas lanchinhas e pequenos batéis. É a minha querida freguesia que para mim significa o maior e mais rico tesouro dos encantos da natureza.

E, após a sua última visita em 1946, dela se despediu assim:

- Adeus meu jardim. Adeus para sempre!

Resta-me, por fim, agradecer a todos quantos entenderam a justeza dos argumentos, que ao longo de anos fui reunindo e tentando tornar efetivos, de forma a poderem suportar esta minha convicção.

A todos, obrigado.

Amaro de Matos

P. Delgada, Maio de 2016"


Nota: A minha homenagem a Santo Amaro do Pico (e seus construtores navais e amigos), sempre!


(…)

Dos barcos a capital
Do murmúrio das marés
Das ondas um festival
Da proa até ao convés.

(…)

Rosa Silva ("Azoriana")

Âncoras

Conforto e paz ancoradas
Nas margens do coração;
Pétalas de admiração
Para mim tão desejadas.

Não são páginas rasgadas
Ao dom da inspiração…
Dão grande satisfação
A quem as ama entoadas.

Obrigada tão somente
A quem quer bem de repente
Ao que de mim se dilata.

Seja sempre uma harmonia
Os gorjeios de alegria
Nos ramos de autodidata.

Rosa Silva (“Azoriana”)


In "Lírios de escrita"

"Férias" prolongadas

Bom dia, boa tarde ou boa noite consoante a hora de leitura,

Honestamente escrevendo peço misericórdia para mim. Estou no ponto de esgotamento total. Não consigo ver este mundo com bons olhos. Vejo tudo num alvoroço. A paz tive-a na minha freguesia natal desde 20 de agosto até 16 de setembro 2016. Voltei ao desassossego, aos rituais da semana e nem consigo o prazer de "poetar". Muito sinceramente está na hora de parar. Cumpri a missão que tinha predestinada. Agora é o silêncio que será a minha tábua de salvação. Tudo está consumado.

Agradeço, do fundo do coração, tudo o que fizeram por mim. Agora é o tempo de silêncio. Não posso mais. Esgotei as forças físicas e psíquicas. Apenas um dia atrás do outro.

Continuem a ler a montanha que escrevi com livre acesso nas "tag" e arquivo.

Eu sou apenas um grão de areia que com o tempo voa para os recantos do silêncio. Manterei o blog ativo com o que apetecer "postar", nem que seja uma imagem ou algo inesperado.

Um grande abraço do tamanho da devoção a Nossa Senhora dos Milagres. Ela fez-me o milagre da paz da vida.

Angra do Heroísmo, 23 de setembro de 2016.


Paz da vida

É no silêncio que vivo
A hora, dia e momento
Na paz do sentimento
Que no íntimo eu privo.

É no silêncio ativo
Que jogo o dilatamento
Sacudidelas de alento
Que jazem já sem motivo.

A mente está obstruída
Conserta a paz da vida
Não é uma paz qualquer.

Quero viver livremente
Com paz no meio de gente.
Paz da vida o bem-me-quer!

Rosa Silva (“Azoriana”)

Festa de S. Carlos 2016

Festas de S. Carlos 2016

É com grande satisfação
Que cumprimento a Comissão
De S. Carlos agora em Festa.
Muito agradeço o Programa,
Que alegremente nos chama,
Ao louvor que bem se presta.

Digo isto com ternura
Por defender a Cultura
E as nossas tradições.
Com Ceia de Criadores
E um livro de cantadores
Tocadores e emoções.

Bem-haja a juventude
Com alegria e atitude
Erguem a Festa do Império.
Mais um ano que venera
O Espírito que se espera
Cumprir sempre Seu Mistério.

Para não me alongar
Eis que nosso rico Lugar
Segue o rito com preceito.
Seja o dia do Pezinho
Uma oferta de carinho
Do canto ao nosso jeito.

2016/09/20

Rosa Silva (“Azoriana”)

Uma década de Santuário. Serreta 2006/2016

Foram contados a eito,
Peregrinos da Senhora
Que é sempre a boa aurora,
A Luz que nos faz efeito.

O Seu Templo é perfeito
Desde os trilhos de outrora
E é muito mais agora
Iluminado com jeito.

Dez anos para festejar
Dia dez é singular
Sábado do novenário.

De milagres se ilumine
O Povo que ora define
Década de Santuário!

Rosa Silva ("Azoriana")

Três sonetilhos: Memória de Festa

Adeus Senhora!

Adeus Senhora de Deus
A Mãe que tanto nos quer
Porque somos filhos Teus
Seja o que Deus quiser.

Haja alegria nos céus
Esteja onde estiver
E que os parentes meus
Cantem com a Santa mulher.

Adeus Senhora das flores
Do mundo e dos Açores
Da paz e da santidade.

Adeus Senhora da Vida
De uma promessa cumprida
Com a cor da amizade.

2016/09/18
***
Os lírios de Maria

AO PENDÃO (novo em 2016)

O lírios da Virgem Mãe
Enfeitam o Seu Pendão
Três anjos também um bem
Dão brilho à inspiração.

Bordada em alvo que tem
Sob azul celeste então
A graça que lhe convém
P’ra década de elevação.

Sejam os seus benfeitores
Casal que deram valores
À Estrela da Romaria…

Beijados na grande Festa
Que a homenagem se presta
Com lírios de alegria.

Nota: Dedicatória a Maria Oldemira Álamo e marido.
***
Senhora da madrugada

Ó minha Mãe adorada
Que linda nos apareces
Florida de tantas preces
Por milhares tão amada!

Senhora da madrugada
Que de ninguém ora esqueces
Tudo de nós bem mereces
No trilho da caminhada.

Uno as mãos para pedir
Os lábios para agradecer
O que pela gente tens feito.

O sorriso quero abrir
Ao mundo que venha ver
Teu rosto esquerdo e direito.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Sónia Melo

Minha Sónia querida
Amei contigo trabalhar
Meiga, doce e divertida
Sempre pronta a ajudar.

És a flor mais colorida
Que a Senhora tem no Altar
Tua amiga toda a vida
Para sempre irei ficar.

Ao meu lado foste rija
Em alturas importantes
Como nunca vira antes.

Nada mais de ti se exija
Porque a vida são três dias
Com amizade e alegrias.

Rosa Silva ("Azoriana")

A marrada da 40 a 14/09/2016 (noves fora 5)

Quis fazer rir o pessoal
Estava muito divertida
No fim a coisa correu mal
Com a grande investida.

Graças a Nossa Senhora
Que impediu o pior
Podia ter ido embora
Numa altura melhor.

Fui-me deixando ficar
Atrás do esconderijo
Nem queria acreditar
Naquele golpe tão rijo.

Quis o Dinarte Pavão
Fazer a parte engraçada
"Sopa de corno" em ação
Pra terminar a vacada.

Sinto os efeitos agora
De toda essa brincadeira
Valha-me a Santa Senhora
Que é a Mãe padroeira.

Agora fico quieta
Não posso fazer mais nada
Tenho a tarefa completa
E a lembrança da cornada.

Ó minha mãe lá no céu
Alegrias bem merece
Até tiro o meu chapéu
Que a festa já arrefece.

Por favor dá-me a mão
Pra que tudo se conforte
E ao Dinarte Pavão
Dá-lhe também boa sorte.

Quis que eu tirasse a carta,
No fim, como despedida,
Cada qual hoje se aparta
Com uma Festa cumprida.

Adeus pessoal amigo
Mesmo aquele mais distante
Rimar mais eu não consigo
Viva o nosso emigrante!

Que esteve a toda a hora
Reunido em pensamento
E que pela vida fora
Lembrem rindo do momento.

2016/09/15
Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Radio Portugal USA.

Programa das Festas Nossa Senhora dos Milagres 2016

Festas Nossa Senhora dos Milagres


Serreta 2016

Programa

10 a 15 Setembro

- Uma década de Santuário -

 

10 SET.

SÁBADO

19:00H - DESFILE DA FILARMÓNICA RECREIO SERRETENSE

PERCURSO: DO PICO À IGREJA

20:00H  - NOVENA

21:00H - ABERTURA DE ILUMINAÇÃO E BAZAR

22:00H - CONCERTO DA FILARMÓNICA RECREIO SERRETENSE

23:00H - TRADICIONAL FOGO PRESO (1° PEÇA)

23:30H - TRADICIONAL FOGO PRESO (2° PEÇA)

00:00H - MISSA

 

11 SET.

DOMINGO

(06:00H - ALVORADA ZONA ABAIXO DA IGREJA)

06:00H - MISSA

10:00H - MISSA

16:00H - MISSA SOLENE EM LOUVOR DE NOSSA SENHORA DOS MILAGRES SEGUIDA DE PROCISSÃO

21:00H - ABERTURA DE ILUMINAÇÃO

22:00H - ATUAÇÃO DO GRUPO "PÓ DE PALCO"

 

12 SET.

SEGUNDA-FEIRA

06:00H - ALVORADA ZONA ACIMA DA IGREJA)

11:00H - MISSA

17:00H - TRADICIONAL TOURADA NA PRAÇA DO PICO DA SERRETA

COM TOUROS E VACAS DE HUMBERTO FILIPE E EZEQUIEL RODRIGUES

19:00H - NOITE INFANTIL COM INSUFLÁVEIS, BALÕES E PINTURAS FACIAIS

21:00H - ABERTURA DE ILUMINAÇÃO E BAZAR

22:00H - ATUAÇÃO DE "FRANCISCO OURIQUE"

 

13 SET.

TERÇA-FEIRA

12:00H - TRADICIONAL BODO DE LEITE

18:00H - MISSA SEGUIDA DE PROCISSÃO

EM LOUVOR DE SANTO ANTÓNIO

19:30H - BODO DAS BRINDEIRAS

21:00H - ABERTURA DA ILUMINAÇÃO E BAZAR

21:30H - CANTORIA COM OS CANTADORES JOSÉ ELISEU, JOÃO LEONEL (RETORNADO), ANTÓNIO MOTA, MARCELO CANETA E JOSÉ BORGES (ILHA DE SÃO MIGUEL), ACOMPANHADOS PELOS TOCADORES VITOR MELO, EMANUEL COELHO, TIAGO LIMA E FRANCISCO OURIQUE

 

14 SET.

QUARTA-FEIRA

11:00H - EXCURSÃO AO TENTADERO DE EZEQUIEL RODRIGUES

18:00H - TRADICIONAL TOURADA À CORDA

COM TOUROS DE HUMBERTO FILIPE E EZEQUIEL RODRIGUES

21:00H - ATUAÇÃO DOS "SÓ FORRÓ"

23:00H - SURPRESA

 

15 SET.

QUINTA-FEIRA

17:00H - TRADICIONAL VACADA NA PRAÇA DO PICO DA SERRETA COM VACAS DE EZEQUIEL RODRIGUES.

 

Agradecimento

Queremos desta forma, agradecer a todos os que de uma ou outra forma, contribuíram para a realização destas festas.

Deixar um agradecimento especial a todos os emigrantes que fizeram donativos.

Também um agradecimento especial ao comandante José Miguel Alves Teixeira da Esquadra dos Biscoitos por toda a disponibilidade que teve para connosco.

A todos vós o nosso muito obrigado, pois sem a vossa colaboração não seria possível realizar esta festa.

 

A comissão

Dinarte Pavão

Paulo Simão

Rosa Silva

Sónia Melo

 

FECHO GERAL DE TRÂNSITO

SÁBADO (dia 10) - 18H00 ÀS 02H00

DOMINGO (dia 11) - 14H00 ÀS 20H00 E DAS 21H00 À 01H00

DIA 12 A 15 SET. DAS 21H00 À 01H00

Festa da Serreta 2016

Festa da Serreta
2ª semana de setembro de 2016


Mordomos listados por ordem alfabética / contacto:


* Dinarte Pavão   917 281 583
 * Paulo Simão  964 295 640
 * Rosa Silva  927 408 724
 * Sónia Melo  919 687 106


[Unidos damos a mão pela Festa e Tradição!]

Estamos à disposição
E que Ela nos acuda:
Com a força da união
Dá teu passo de ajuda.

Não esqueças que a Festa
Só se faz com o quinhão
Que cada ser manifesta
Em troca da diversão.

Porque a diversão noturna
Engrandece o arraial
A outra que é diurna
Está cheia de pessoal.

Os mordomos agradecem
A vossa bonita ação
E de vós nunca esquecem
Pela Mãe da Oração.


Escreva-me e saiba como...



  • 1ª reunião efetuada a 28 de outubro de 2015.

  • peditório local a 8 de novembro de 2015, das 14 horas em diante.

  • 2ª reunião efetuada a 3 de fevereiro de 2016 - atividade carnavalesca.

  • 3ª reunião (...)

  • 4ª reunião efetuada a 19 de abril de 2016 - vários assuntos relacionados com a Festa.

  • Donativos e/ou patrocínios doravante. A Comissão agradece.

  • peditório local do leite a 3 de julho de 2016, das 14 horas em diante.

  • Festival de Sopas a 23 de julho de 2016, às 19:30 horas, realizado no Pavilhão Multiusos da Serreta.

  • Logotipo das Festas 2016


  • Logotipo Serreta 2016



  • Reunião efetuada a 7 de agosto de 2016 (1º domingo de agosto) - Início de grandes decisões sobre o programa da Festa que só mais tarde será divulgado.

  • APELO: Pede-se aos pais das crianças da Serreta para entrarem em contacto com Rosa Silva através de 927408724. Por favor comuniquem aos que não possuem internet. Agradecimentos especiais.

  • Divulgação do Novenário, temático, de Nossa Senhora dos Milagres.

  • Programa da Festa: Divulgação a 2 de setembro.

10 a 15 de setembro SERRETA 2016

É na segunda semana


Do mês que agora entrou


Que se vai cantar "Hossana"


À Mãe que Jesus gerou.


 


É com gosto e cortesia


Que a data se expande


Na pequena freguesia


Que agora fica grande.


 


Dez a quinze de setembro,


E antes o Novenário


Que de pequena eu lembro.


 


Erguem-se vozes no Templo,


Que é digno Santuário,


Para ao mundo dar exemplo.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Serreta 2016 - Novenário de Nossa Senhora dos Milagres

02/09 (Sexta):


- Filarmónica Recreio Serretense


Pregador: Pe. Tomás Brito


 


03/09 (Sábado):


- Mensagem de Fátima


Pregador: Pe. Dr. José Júlio Rocha


 


04/09 (Domingo):


- Grupos corais


Pregador: Cónego Dr. João Maria Mendes


 


05/09 (Segunda):


- Leitores e Acólitos


Pregador: Cónego João de Brito


 


06/09 (Terça):


- Famílias de Nossa Senhora


Pregador: A definir


 


07/09 (Quarta):


- Catequese


Pregador: Cónego António Henrique


 


08/09 (Quinta):


- Idosos


Pregador: Pe. Dr. José Júlio Rocha


 


09/09 (Sexta):


- Franciscanos


Pregador: Frei Mário Jorge


 


10/09 (Sábado):


- Peregrinos


Pregador: Ângelo Valadão


 


 


Terço meditado: 19H30


Missa com pregação: 20H00

Recordação (2016) - Foi Deus que à Terra trouxe...

Foi Deus que à Terra trouxe
Para o Povo adorar
Sua Mãe que é tão doce
Uma flor p'ra perfumar.

Quem dera que assim fosse
No mundo e em cada lar
Treva com Luz apagou-se
E brilha como o Altar.

Ó meu Deus que linda é
Maria com nossa fé,
Muito amor e devoção.

Um sorriso no sol-posto
E na aurora que dá gosto,
Ao Canto da Oração!

Rosa Silva ("Azoriana")

A subida de uma Estrela

Bom dia p'ra quem esteja


No vitral da inspiração


E com a Mãe da igreja


Senhora da Assunção.


 


Subiu ao céu p'ra que seja


Lembrada nesta estação


Para que o mundo veja


O brilho da devoção.


 


Mesmo que não seja crente


Ou o seja em demasia


Há algo que une a gente...


 


Quer-se a paz interior


P'ra ver subir neste dia


A razão de haver Amor.


 


Rosa Silva ("Azoriana")


15/08/2014

Beleza praiense

Só de ver é um poema
O registo que expões
Nossa ilha tem o lema
Que alegra as visões.

Cada uma é um emblema,
Verde manta em divisões,
Retalhos p'ra cada tema
Que se prende aos corações.

A ilha Terceira ensaia
A Serra que dá à Praia
Uma beleza capital.

A pureza é nobre e vasta
Da verdura que é casta
Vitória de Portugal.

Rosa Silva ("Azoriana")

Festa da vida

Andamos de sol às costas
Entre as poeiras cinzentas
E o mar de águas lentas
Banhando a praia que gostas.

Deixamos as letras expostas
No mar seco de sebentas;
Chorando saudades sedentas
Da ilha das festas compostas.

E o mar?! Há sempre o mar
Liberto de coisas sérias
Ao gozo de quem tem férias...

E a ilha?! Sempre a tourear
Na terra, em valsa estendida...
Pois se há festa há Vida!

Rosa Silva ("Azoriana")

História do Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres

Santuário da Serreta


Clique na hiperligação na imagem e encontre a história da elevação a Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres.

Artigo recuperado da antiga página no SAPO.

Do meu agrado... a Fajã da Serreta!

Fajã da Serreta

Fajã da Serreta

DO MEU AGRADO
A FAJÃ DA SERRETA

Na fajã tem o perfume salgado
A solitude da mãe natureza;
Tem o produto que se quer na mesa,
A sua ponta nome de Queimado.

A fajã é vale dum imenso prado,
Repouso lindo de tanta riqueza;
E vejo no mar, com delicadeza,
Ave imersa de bico inclinado.

Trago gravada, p'ra mim, a imagem
Daquele cenário que gosto de ver
E naquela cena me deixo viver...

É Verão… Aquece a fina aragem…
Na rocha dança salgada maresia;
Em mim a chama dela ser um dia.

2016/08/02

Rosa Silva ("Azoriana")

Boa tarde a todos (as)

Mata da Serreta


A tarde está como se quer
Nem fria nem muito quente
E para mim, que sou mulher,
Visto branco tão contente.

Minha terra, deusa e mãe,
Que feliz que tu me fazes
E por mim está tudo bem
Minha terra de cartazes.

Cartazes de cantorias,
Cartazes de festa brava,
E festas nas freguesias
Que a minha mente grava.

Diverti-me à maneira,
Fiz até mais do que quis,
A Serreta da Terceira
É para mim pulmão feliz.

De verdes engalanada
Em prados e por colinas,
Com nossa gente imigrada
Trazendo cores divinas.

Digo isto com orgulho,
Digo isto com prazer:
Dou o laço ao embrulho
Da rima que sei fazer.

2016/08/01
Rosa Silva (“Azoriana”)

O Jornal da Praia e Dr. Francisco Miguel Nogueira com a Serreta

Jornal da Praia


JP | EFEMÉRIDE


Sabias que neste ano de 2016, o Santuário da Serreta completa 10 anos de existência?

A 6 de maio de 2006, por decisão do bispo de Angra e Ilhas dos Açores D. António de Sousa Braga (desde 15 de marco de 2016, Bispo Emérito), a igreja paroquial da Serreta foi elevada a Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres.

Com esta elevação, oficializou-se o reconhecimento da fé e da devoção do culto a Nossa Senhora dos Milagres da Serreta que atrai milhares de fiéis todos os anos, em meados de setembro, cumprindo as suas promessas, pedidos e preces à Virgem dos MIlagres.

Segundo Pedro de Merelim, esta devoção a Nossa Senhora dos Milagres da Serreta remonta aos finais do século XVI, quando o padre Isidro Fagundes Machado, percebendo que estava em situação complicada, acusado de algo que não fez, refugiou-se no local que mais tarde seria a Serreta, pois era na época um sítio isolado, onde poderia fazer as suas rezas. Levou consigo uma pequena imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus e cumprindo a promessa, ao se provar que era injusta a sua acusação, construiu ali pelas suas próprias mãos uma simples e pequena capela.

Com a morte do Padre, tentou-se manter a Capelinha mas não se conseguiu e, com o tempo, a imagem foi parar à Igreja Paroquial de São Jorge das Doze Ribeiras, embora o culto e interesse na Senhora dos Milagres tenha sempre crescido. Após a contribuição de vários benfeitores, entre eles o 1º Capitão-General dos Açores, D. Antão de Almada, foi feita a promessa para a construção de uma Igreja. Contudo, só quase meio século depois depois, em 1819, a Igreja da Serreta começava a sua construção, por iniciativa do 8º Capitão-General dos Açores Francisco António de Araújo e Azevedo.

Portugal, depois de 1820, viveu um período conturbado da sua História, com as guerras liberais e a Guerra Civil (1832-1834), e as obras pararam. O edifício só ficou concluído com o Governador Civil do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo José Silvestre Ribeiro, um dos homens que mais marcou a sociedade e a cultura urbana da Terceira nos meados do século XIX. A 10 de setembro de 1842, após a 2ª Caída da Praia, em junho de 1841, realizaram-se a bênção do novo templo e a solene transladação da imagem para a Igreja da Serreta, tentando dar alento a todos os afetados pelo terramoto de 1841 e exaltando o espírito religioso terceirense.

Neste ano de 2016, na segunda semana de setembro, a Serreta vai celebrar uma década de fé, comemorando a ascensão da Paroquial a Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres. A Comissão de Festas apela para que, como sempre tem acontecido, “se repita a peregrinação dos que fizeram parte da contagem que contribuiu para afirmar a solução do processo” que a elevou a Santuário. Alerta ainda para que “os vivos e os nascidos durante esta década que sentem o chamamento, a devoção e a partilha religiosa e/ou profana” não deixem de ir até à Serreta. A Comissão das Festas Serreta 2016 “acredita no vosso apoio na festa noturna porque a Senhora dos Milagres, além das promessas habituais merece ter uma moldura humana alegre e contente por estar presente numa Festa secular”.


Informação dos Mordomos por Rosa Silva
Francisco Miguel Nogueira


#‎jornaldapraia‬ ‪#‎efeméride‬ ‪#‎nossasenhoradosmilagres‬


29/07/2016

Quadro perfeito

Os filhos são como flores
No regaço da sua mãe,
Sorrisos encantadores
Provam que se querem bem.

Os filhos são como a aurora
Enfeitada de ternura
E lembram p'la vida fora
Os abraços da doçura.

Já conheço esse quadro
Três vezes os abracei
No pórtico de cada adro
Por isso digo o que sei.

Potente um sorriso terno
No quadro mais-que-perfeito
As cores do amor materno
Produzem um belo efeito.

Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA

Festival de Sopas / Serreta 2016 / a 23 de julho

Autor: Ricardo Meneses. 2016

Porque Ela merece
Porque a Sua Festa merece
Porque nós merecemos
Nós, a Comissão
que organiza os festejos
da segunda semana
de setembro 2016



Festival de Sopas


Sobre o Festival de Sopas


Ambiente de alegria
Porque "Jardim da Senhora";
Não esqueço este dia
Lembrarei p'la vida fora.

Estive em boa companhia,
Grupo que não se ignora.
A Senhora nos dizia:
Confia, confia agora!

Obrigada a toda a gente
Que connosco quis estar,
Partilhando o seu presente.

Obrigada ao pessoal,
Que além de participar,
Fez por Ela o Festival!

2016/07/23
Rosa Silva ("Azoriana")

Relíquia regional


A Luz do Espírito Santo
Na vitrine da saudade
Faz brilhar em cada canto
O valor da santidade.

Símbolo que amo tanto
Na sua simplicidade.
Se outro valor, quanto?
Na estante da amizade.

Só sei que é bem exato
Fruto de artesanato
De quem ama a Região.

É relíquia regional
Com valor sentimental
Marca de uma tradição.

2016/07/16
Rosa Silva ("Azoriana")

No vale do sentimento

No vale do sentimento
Há um quadro de alegria
Onde desenho o momento
De te ter por companhia.

Do horizonte bem tento
Descobrir tua esquadria
De laranja com cinzento
Quando cai o fim do dia.

Agora estou do teu lado
Como estive até agora
Provando o bem-querer.

E mais eu teria dado
Por ti, sem olhar a hora,
Para não te ver sofrer.

Rosa Silva ("Azoriana")

Aos emigrantes

Emigrante


Quem parte ainda fervilha
A doçura de cá estar
Leva o aroma da ilha
E o perfume do lugar.

Quem chega traz maravilha
Um sorriso no olhar
No abraço a estampilha
Que nos parece brilhar.

Ó brava gente insulana
Com nome de açoriana
Que regressa e também sai.

Deus te traga em alegria
E na volta que o teu dia
Seja sol que sobressai.

Rosa Silva ("Azoriana")

Nunca devemos negar
Ajuda a Nossa Senhora
Porque devemos pensar
Nos sinais p’la vida fora.

Podem nem acreditar
No que estou dizendo agora
Mas eu posso afirmar:
Há sinais a qualquer a hora.

Podes até nem falecer
Podes ficar a sofrer
Na pele ou também na mente.

Confio porque aprendi
Nos sinais que hoje senti…
Que a fé toca na gente.

2016/06/29
Rosa Silva (“Azoriana”)

Parabéns ao Ti' João Ângelo Vieira

20160624 Ti João Ângelo

Linda Marcha, sim senhor,
Honrando a Desgarrada
Cantadores e tocador
Numa Festa asseada.

O Ti João das "Velhinhas"
Num carro extraordinário
Elevo nas quadras minhas
Por mais um aniversário.

Esta Marcha não esqueceu
Dos cantadores a história
Até o José Eliseu
Fez da letra uma glória.

Ti Mancebo da guitarra
Também fez boa figura
Mostra que o som desta farra
Faz parte da nossa Cultura.

E viva o São João
Que atrai o bailarico
E observa o balão
Foliando o manjerico.

Parabéns ao Mestre das Cantorias
Que seja sempre feliz
Festeje por muitos dias
A Desgarrada que quis.

24/06/2016
Rosa Silva ("Azoriana")

Serreta - Quadras soltas de repentista

Serreta quadras soltas de repentista

Por uma oração!

Rosa Silva ("Azoriana")

Meus agradecimentos pela tradução inglesa por Katharine F. Baker: Angra florida e tão querida

"Angra florida e tão querida" - "My Dear Flower-Filled Angra"

Translated by Katharine F. Baker - with the assistance of Fernando Alvarino Vieira (Angra) and Emanuel Melo (Toronto).

Meus sinceros agradecimentos à querida amiga Kathie, bem como a Fernando Alvarino e Emanuel Melo.


 


Drink a whole jug of wine
In honor of St. John,
Whether vinho de cheiro
Or sangria, at the Bailão grounds.

Go to Angra for the bustle
Perform your marcha (or sit in your chair);
And eat lots of chouriço
A Terceira tradition.

Set aside your diets
And prepare your fresh basil
Take someone’s out-stretched arm
And start your folk-dancing.

This will truly be an unsurpassed
Flower-filled week:
Angra, happy by the sea
And in its colorful streets.

As aves / Birds

Que belas melodias gorjeiam as aves
Quando a tarde do dia longe se esvai
Deixando em mim os tais brandos tons suaves
De mais um dia que aos meus dias subtrai.

2016/06/23
Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Birds
Translated into English by Katharine F. Baker and Emanuel Melo

Birds What lovely melodies the birds twitter
When the day’s afternoon fades
Leaving inside me such warm soothing tones
That from my dwindling days subtract another.

Angra do Heroísmo vista de S. Mateus

Angra do Heroísmo

Nossa Angra é uma beleza
À vista do Quebra-mar
Quando o sol é fortaleza
Sempre pronto para a beijar.

Minha terra é de certeza
Um barquinho sobre o mar
Por isso sua riqueza
É uma jóia só de olhar.

Meu amor por ti é grande
E sempre mais se expande
De alegria verdadeira.

Jamais deixarei de ter
Orgulho de em ti viver
Ó capital da Terceira.

2016/06/21
Rosa Silva ("Azoriana") 

Angra florida e tão querida

Angra 2016

Bebam um jarro inteiro
Em honra a S. João
Quer seja vinho de cheiro
Ou sangria no Bailão.

Vão pra Angra em reboliço
Na Marcha (ou na cadeira);
E comam muito chouriço
Tradicional da Terceira.

Deixem dietas de lado
E preparem o manjerico
Com alguém de braço dado
Formem vosso bailarico.

Vai mesmo a desbancar
Uma semana florida:
Angra alegre junto ao mar
E nas ruas colorida.

Rosa Silva (“Azoriana”)


Gravado para Rádio Portugal USA: 20160618RSangra_florida.mp3


 

Nas vésperas sanjoaninas

Com o perfume sanjoanense
Apetece feriar
Logo sendo terceirense
É motivo para animar.

Irão as ruas encher
Com maresias coloridas
De gente a mais não poder
Que distraem suas vidas.

Por mim que ando com festa
Na mente a calejar
Não formei gosto a esta
Que está para começar.

Algum dia hei de ir
Ver o Santo da esquina
S. João que faça rir
A Angra Sanjoanina.

Que venham os lá de fora
Com a gente no coração
E festejem tudo agora
Porque agora é S. João!

S. João seja amigo
Traga sol e muito riso
E também venha comigo
Num abraço de improviso.

2016/06/15
Rosa Silva (“Azoriana”)

À "Melodia das Palavras", de Francisca Silva (Chica Ilhéu)

Chica Ilhéu

O livro da minha amiga
É o quinto, das emoções,
Vida, amor, dor, fadiga,
Cabem em suas estações.

A Palavra não intriga,
Abraça opiniões
Muito mais há que se diga
É nobre em doutas ações.

Chica, da nobre cidade,
De Angra do Heroísmo,
Tem forte o seu lirismo.

Chica, a nossa amizade,
Fica mesmo se partir,
Num laço de bem sentir.

Rosa Silva ("Azoriana")

Repentista

Eu amo improvisar
Escrita de repentista
Ela vem sem avisar
E faz-se de alquimista.

Quando atinge a razão
Na mente não se aloja
E se cai no coração
Todo o seu valor despoja.

Ó gente que de mim gostas
E gostas da minha escrita
Com o dom que arrebita...

Jamais lhe vires as costas,
Dá-me o gosto e o prazer
De amar o que sei fazer.

Rosa Silva ("Azoriana")

Comemorar Portugal

vasco_da_gama.jpg

Mais uma vez Portugal é heroísmo
Numa Angra fardada em rigor
Celebrando com patriotismo
Uma dádiva de bronze e valor.

Vasco da Gama em frente, de pé,
Num passo que quer avançar
No Pátio que guarda a maré
Com duas vitrinas à beira-mar.

Bem-haja quem hoje içou
Retalho que o tempo não mata
E mais louvo que a imaginou
Para se erguer numa nobre data.

Angra veste sua nobreza
Com trajes de ordem local
E mostra que é Portuguesa
Constante e sempre leal.

Rosa Silva ("Azoriana")

Amar

Se fosse para escolher
Um verso do meu rimar
Na certa ouço dizer
Aquele do verbo amar.

Amar é querer o bem
De bem só faço o que posso
Na vida pouco se tem
De tão pouco que é nosso.

Amar é verbo inteiro
Sempre com duas vertentes
Amor quando é verdadeiro
Faz sorrir as nossas gentes.

Quando se vê um sorriso
No planalto do olhar
No vale do improviso
É mote do meu rimar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Terceirense

Andamos sempre de roda
Numa roda que é a ilha
No Pezinho que é a moda
Da amizade e partilha.

Pezinho e Boa esperança
Sapateia e chamarrita
Saudade a temperança
Do peito onde ela grita.

Um leque de melodias
Deste mundo regional
Que vão coroando os dias
De quem é sentimental.

"Ó meu bem se tu te fores"
Para uma terra estrangeira
Leva sempre teus Açores
E as modas da Terceira.

Eu contigo também vou
Nas asas do sentimento
Lembrando aquilo que sou

Rosa Silva ("Azoriana")


in "Lírios da escrita"


Gravado para Rádio Portugal USA.

Homenagem do Império da Boa Hora a José Luís Gomes Lourenço

Cada vez que me convidas
Para o canto do Pezinho
É o mesmo que dares vidas
Às rimas do meu carinho.

Francisco Ludgero Sousa Vieira
Também foste com coragem
À casa que na Terceira
Teve placa de homenagem.

Honenagem do Império
Da Festa da Boa Hora
Um evento muito sério
Que lembrarei vida fora.

José Luís foi professor
E tocador de viola
Na Terceira um valor
Da cultura e sua escola.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sentimental

Amanhece um dia pardo
Na clareira da minh'alma
Nem por isso é um fardo
É um estado que me acalma.


Defronte um torrão de ideias
Que apetece debulhar
Soltando o calor das veias
De um corpo Terra e Mar.


Corre, corre, saltitando
Palavra atrás de palavra
Parece que estão brincando
Com a rima que me lavra.


Aos poucos a claridade
Abraça o mundo ilhéu
Em crescendo a saudade
Da mãe querida no céu.


E as aves que solfejam
Nos beirais tão insulares
Alegram e até gracejam
Com a mutação dos ares.


2016/06/03


Rosa Silva ("Azoriana")

Noite molhada

Penso não estar enganada
E oxalá que assim seja
Numa noite tão molhada
Em casa tudo se veja.

Mês de junho folião
Já começa com defeito
Tanta água cai então
Encharcando tudo a eito.

Nas ruas tenham cuidado
E nas casas com goteiras
Mais vale carro arrumado
E fugir de algumas beiras.

Boa noite vos desejo
Nesta hora e momento
Ao abraço junto um beijo
A quem 'inda está atento.

Rosa Silva ("Azoriana")

Doem-me as palavras...

... As faladas e as escritas
E tantas que nem são ditas
Numa era de vendavais
Chuvas, sóis e pouco mais.

Doem-me as palavras [mudas]
Entre vírgulas sisudas
Com o vento das escolhas
Esvoaçam tantas folhas.

Tenho o cérebro contrito
Feito medo, sem o grito,
No balaio eu me ponho
A pensar no que eu sonho.

Nos outros eu também penso
Se voltarem a ter senso
Que não voltem ao rochedo
Da saudade... Que tenho medo.

Rosa Silva ("Azoriana")

Último sábado de maio

Não sei o que dizer
Que não tenha dito
Basta aparecer
Um verso bonito.

Um verso enfeitado
De muita alegria
Pra ser declamado
No mês de Maria.

Está quase no fim
O mês que casei
Um lustro é assim
O quanto somei.

Foi a vinte e sete
Que unimos a mão
Agora compete
Manter a união.

A quem me ouvir
Lá longe, distante,
Faça por sorrir
Sorriso emigrante.

Porque um sorriso
Com sinceridade
É o mais preciso
À dor da saudade.

Saudade, ai saudade
Que o tempo não mata
Nem traz na verdade
Nada que a empata.

Por agora saio
Desta cortesia
Sábado de maio
Vos traga alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

Bodo da Trindade

II Bodo 2016

Império da Serreta

Bodo do Pão

Bandeira hasteada
Do Espír'to Santo
Trindade Sagrada
Que partilha tanto.

Saudade apertada
Sentida portanto;
Há missa c'roada
Que doce é o canto.

O Bodo de pão
Na mão do carinho
E a prova do vinho.

Enche o canjirão
De cor e alegria
O resto Deus guia.

Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

Céu cinzento

Abro o céu da minha mão
À vista de novo dia
Quando o sol se escondia
No ventre da inspiração.

Entre gente, a solidão,
Do canto que a ave cria,
Na bruma que se estendia
Na ilha do meu refrão.

Eis que um golpe de sol
Faz nascer a obra-prima
Da canção de rouxinol.

Sentada de olhar atento,
Solfejando o sol na rima
Abro mão de um céu cinzento.

2016/05/20
Rosa Silva (“Azoriana”)

Paraíso alado

As aves cantam ao dia
E eu as ouço cantar
Absorvo sã melodia
E me deixo embalar.

Se soubesse eu queria
Suas cantigas pautar:
Belos hinos de alegria
Que gosto de escutar.

As aves da Região
A Autónoma dos Açores
Nunca mudam o refrão.

Dignificam nossos ares,
Com mestria de autores,
De hinos tão insulares.

Rosa Silva ("Azoriana")

Coroação de Luís Nunes - Porto Judeu de Cima

Meu "irmão", blogger amigo
O Divino está contigo
E com a família tua.
Hoje foi tão especial
Depois da chuva em caudal
O cortejo saiu à rua.

Tanta gente a ajudar
Com a Coroa a abençoar
De viva omnipotência;
Tudo estava perfeito
O que vi e por vós feito
Teve arte, fé e ciência.

Os filhos ao vosso lado
Aprendem que o Sagrado
É fruto da devoção.
Palavra, Fé e Partilha
Que se vê em toda a ilha
São a roda de união.

Lembro bem da tua mãe
Que contigo está também
Neste dia mais feliz;
Pentecostes te abençoa
Com a Divina Coroa...
Obrigada "irmão" Luís!

2016/05/15
Rosa Silva ("Azoriana")

99 anos hoje


Fonte da Imagem: Aparições de Fátima (Wikipédia)


"A treze de maio na Cova da Iria
Apareceu brilhando a Virgem Maria
"

Num domingo de dezassete
Há noventa e nove anos
Aparição quem promete
Marcar tantos seres humanos.

Porque hoje é sexta-feira
Tida por ser de azar
Nevoenta na Terceira
Com alvura sobre o mar.

Podem haver muitas formas
Da Senhora nos falar
Por Ela há puras normas
Só pede para a gente orar.

Minha oração ora se faz
Na rima do meu prazer
Pedindo que haja Paz
E que n'Ela possam crer.

Há quem ainda duvida
Das Aparições milagrosas
Nesse tempo não tinha vida
Depois lágrimas bondosas.

Li o que os Pastorinhos
Passaram naquela altura
Por eles tive carinhos
Por eles tive ternura.

De Fátima, a Mãe da Luz
De Portugal Padroeira
A Virgem Mãe de Jesus
E da humanidade inteira.

Sejamos unidos pela fé
Pela sua santidade
E quem vai por Ela a pé
Tenha solidariedade.



"A treze de maio na Cova da Iria
Apareceu brilhando a Virgem Maria.
"

Rosa Silva ("Azoriana")

Ilhas açorianas

S. Miguel vasta paisagem,
Santa Maria a Virgem Mãe,
Terceira a camaradagem
Pelas festas que ela tem,
Graciosa na miragem
S. Jorge e Pico também
Faial a boa viagem
Com veleiros fica bem
Flores e Corvo a passagem
Pró mimo de mais além.

Cada ilha açoriana
Nossa insularidade
Cada qual canta hosana
Cada qual tem santidade
Uma e outra flor humana
Com pétalas de amizade.


S. Miguel a verde ilha,
Santa Maria em dourado,
Terceira a maravilha
De lilases por todo o lado.
Graciosa alva partilha
S. Jorge e Pico em bordado
Faial de mar em quilha
Tanto desenho deixado
Flores e Corvo em sextilha
Podem tecer rico fado.

Cada canto tem valores
Que outros valores chama
Cada terra tem sabores
Que o nosso povo aclama
Cada ilha leque de cores
Conforme o que ela ama.


Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

Vinte e cinco, em maio

Foi num dia de alegria
O Papa por cá se via
Só não estive à sua beira
Aquando na ilha Terceira.

Grávida e quase no dia
Que a minha filha nascia
Estava eu numa cadeira
A ver a ilha romeira.

Veio à luz a doze de maio
E nascia como um raio
Na pressa do nascimento.

Este ano faz vinte e cinco
Em maio com muito afinco
Querida filha, meu rebento.

Rosa Silva ("Azoriana")

Santo Amaro do Pico

Quero rever Santo Amaro
Enquanto o sono se atrasa
Freguesia que eu reparo
Foi metade da minha casa.

Por lá fui eu muita vez
De barco entre alegrias
Tantas saudades me fez
De revê-lo nestes dias.

Dias do Espírito Santo,
Do Terra Alta e Santo Amaro,
Dias que agora são tanto
Do tempo que eu me reparo.

Ó Pico da minha alma
Paraíso de encantar
Terra negra que me acalma
Onda branda a balouçar.

Santo Amaro a conchinha
Do amor que me desperta
Tanta gente que lá tinha
Sempre com a porta aberta.

Já não tenho os meus avós
Nem o tio, nem as tias,
Só primos de viva voz
Que não vejo há tantos dias.

Dos barcos a capital
Do murmúrio das marés
Das ondas um festival
Da proa até ao convés.

Santo Amaro eu te adoro
Por tudo o que me ensinaste
Meu santo eu te imploro
Que de ti nunca me afaste.

2016/05/09
Rosa Silva ("Azoriana")

Quem me dera que assim fosse… (para RPUSA)

Fonte da imagem no link


Quem me dera que assim fosse
Debaixo do céu estrelado
Ter um pé de água doce
A bailar no mar salgado.


Sou do berço de Jesus
Sou da terra de bravura
Do Monte que tem a cruz
E a Baía da Cultura.
Angra é da ilha encanto
Traz o xaile de heroísmo
E balança o seu manto
No colo de patriotismo.

Quem me dera que assim fosse
Debaixo do céu estrelado
Ter um pé de água doce
A bailar no mar salgado.


Há ternura em cada rosto
Que passeia pela rua
Dourado pelo sol-posto
Que no dia assim atua.
Angra é casa de marés
De alegrias e cantares
Na proa e no convés
Há doçura nos olhares.

Quem me dera que assim fosse
Debaixo do céu estrelado
Ter um pé de água doce
A bailar no mar salgado.


Rosa Silva (“Azoriana”)


Gravado para Rádio Portugal USA.

10 anos de Santuário da Mãe dos Milagres!


Santuário que brindas o Povo
Com perfumes do Altar da Mãe,
Acudi ao velhinho e ao novo
E àqueles que imploram Teu bem!

Virgem Pura que hoje eu louvo
E venero conforme convém,
Com a rima que em verso movo
Inspirada no que de Ti vem.

Virgem linda dos poentes ares,
Verdejantes ou com nevoeiros,
Nada impede de sempre brilhares.

Virgem Santa que o Povo consagres
E aos Teus peregrinos romeiros,
Que Te amam, ó Mãe dos Milagres!

07/05/2016
Rosa Silva ("Azoriana")

Filomena Rocha Mendes e Cunha Mendes em "Duo Ilha"

"Duo ilha - Vem Amar A Tua Ilha", de Filomena Rocha & Cunha Mendes é um maravilhoso hino em cada poema, voz e melodia. Apetece ouvir até que a audição nunca se canse.


A Duo Ilha


Ouço, ouço e volto a ouvir
Cada canto, regaço d'ilha;
Ouço, ouço e volto a ouvir
Onze faixas... Maravilha!


"Trago notícias da ilha"
"Noite na ilha"
"Canção à Praia"
Canção a Vitorino Nemésio"
"Vira Vira"
"Esta ilha é uma Hortência"
"Canção ao Pico"
"O homem da ilha (declamado)"
"O Pastor da ilha (instrumental)"
"Canção a José da Lata"
"Vem Amar A Tua ilha"

De todas eu gosto tanto
Conheci-as neste maio
E vão ser o meu encanto
Nos bastidores ensaio.


2016/05/05

Rosa Silva ("Azoriana")