35 anos depois...

Janeiro, 01. 2015 (1980). Quem não se recordará do mesmo dia daquele ano serão apenas os que nasceram depois. Os que viviam nas ilhas Terceira, Graciosa e S. Jorge e que sentiram o enorme tremor debaixo dos pés é que podem dar testemunho duma realidade tirana que hoje conta trinta e cinco anos. Tenho cinquenta agora, quinze na altura. Ainda sinto o efeito das marcas que jamais esquecerei. Destruição, dor, lágrimas, fragilidade perante a movediça natureza. Lembro que o pico da Serreta, na minha frente, parecia papel a ondular; a sineira do atual Santuário de Nossa Senhora dos Milagres parecia vergar para que eu visse como nunca antes o vira tão inclinado para o mar... depois fui sabendo de perdas de vidas humanas de gente que conhecia e tinha grande estima. A Zita Meneses foi a que me chocou imenso, uma amiga querida que perdeu a vida. Não quero fechar os olhos agora porque mesmo abertos conseguem trazer-me aqueles momentos de um frio intenso sem hipótese de aquecimento... ainda o sinto como que a cortar-me a alma. Que nunca voltes a sentir o efeito da perda total de bens, todos.

1 comentário:

  1. Obrigada pelo poema há cinco anos sobre o terramoto terrível, querida amiga. Veja a republicação da tradução inglesa no blogue das Comunidades clicando em:
    http://tv3.rtp.pt/icmblogs/rtp/comunidades/?m=01&y=2015&d=02

    Abraços, Kathie.

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