Canto à Tribuna Portuguesa

Tribuna

Canto à Tribuna Portuguesa
[De José Ávila]

Tem o palco da Tribuna
Engenho de escritores
Encimado pelas flores
Que ao bem sempre nos una.

Não tem falha nem lacuna
Das letras faz seus amores
Numa tela lindas cores
Da diáspora a fortuna.

E eu faço o que posso
Divulgando o que é nosso
Dando asas à cortesia.

A Tribuna Portuguesa
É um palco de beleza
Que dá palma à poesia!

Rosa Silva ("Azoriana")

Saudade...

Maria, pais, Alexandrina


"O que fica de quem vai?" Ouvi a pergunta de Daniel Oliveira a Daniela Mercury, em Alta Definição, de 31/01/2015.


Eu respondo:


Fica a lembrança combinada com a saudade de quem se amou.


E aí dou comigo a pensar... Ai saudade que me matas em vida...


 


Saudade em vida mata
É um nó que não desata
E numa tristeza lança
Tenho saudades da filha
Que é minha maravilha
Um desejo de criança.

Saudade de outras eras
Quando as minhas primaveras
Eram vaivéns de atalho
Da infância quando eu ia
Na hora de qualquer dia
À visita que agora falho.

As "titias" que já não estão
Residem no coração
Alexandrina e a Maria
Aprendi que a saudade
Se constrói da amizade
Ao lado de quem nos cria.

Tive meu pai, minha mãe,
Que às filhas queriam bem
Foram meu berço sagrado;
E mesmo na outra banda,
Vizinhas da minha varanda,
Tive outro berço lembrado.

Rosa Silva ("Azoriana")

Lançamento do Livro - José Amaral - O Poeta Sentimental

José Amaral - O Poeta Sentimental


A apresentação da obra estará a cargo de Alvarino Pinheiro, no Etis-Bar, localizado na Rua de Jesus, na Praia da Vitória, dia 30 de Janeiro, pelas 20h00. (Continua em Jornal da Praia).


 


Fico hoje muito feliz
Como se fosse comigo
Que é como quem diz
Estarei hoje lá consigo.

José Fonseca e Liduino
Uma dupla em parceria
Estarão neste destino
Para honrar este dia.

É um dia glorioso
Para José Amaral
Cantador harmonioso
Poeta sentimental.

É bonito e acredito
Que haverá emoção
Mais um livro favorito
Que entra p'ra coleção.

Coleção Improvisadores
Cujo sétimo se lança
Na bel'ilha dos Açores
Mais um gosto que avança.

Amigo José Amaral
Quero lhe dar um abraço
Que será fundamental
Pra alegrar o novo passo.

Rosa Silva ("Azoriana")

FELIZ DIA DAS AMIGAS!

Feliz Dia Das Amigas!


A todas sem exceção
Um feliz dia de Amigas
As rosas da ocasião
São coro nestas cantigas.

Melhor dia da semana
Que hoje se comemora:
Um abraço da Azoriana
A quem me visita agora.

Haja sempre amizade
Hoje e sempre doravante
E haja felicidade
Um sorriso no semblante.

Celebremos alegrias
Sem causar nenhuma afronta;
Esta vida são dois dias
E este já vai na conta!

Rosa Silva ("Azoriana")

Boneca de trapos: “Joana Preciosa” - Agradecimento

Antes - Hoje deu-me para isto, em 06.12.2013;
Ver para crer: O Presépio da Jacinta Álamo, em 03.12.2014.

Depois - Boneca de trapos: “Joana Preciosa”, uma oferta criada por Jacinta Álamo, em 27.01.2015.


 


Antes - O MOTE:

Se não ficar muito feio
Eu até vou já pedir:
Pai Natal, no teu recheio,
Uma boneca pode vir?

***
Muito tempo nem demorou
Uma chamada me veio
Pedinchona sei que sou
Se não ficar muito feio.
***
Se quiserem conferir
Um pedido feito outrora
Eu até vou já pedir
Que lhe pague Deus agora.
***
Eu pedi ao Pai Natal:
Pai Natal, no teu recheio,
Foi pedido especial
Que veio com muito asseio.
***
Uma boneca pode vir?
E veio uma Joana linda
Preciosa, quero aplaudir,
Como ela não vi ainda.


Depois - AGRADECIMENTO

Mil vezes MUITO OBRIGADA,
À Jacinta Álamo, amiga,
Será por mim acarinhada
A boneca tem cantiga.

Pelo teu belo trabalho
Pelas horas a cozer,
Cada pedaço e retalho:
Bem-haja o teu afazer!

Fico à disposição
Da tua graça amorosa;
E seu nome em questão
É Joana Preciosa.

Joana tu é que deste
Preciosa eu completei;
Estou grata ao que fizeste
E tão pouco eu te dei.

Dou-te versos escancarados
Para o mundo inteiro ler
Artesã de bons bocados
Louvo e dou a conhecer.

Um beijinho desta Rosa
Que ficou deveras rica
A «Joana Preciosa»
Nossa amiga sempre fica.

Rosa Silva (“Azoriana”)


Joana Preciosa, a Boneca

Rádio Portugal USA: Um cheirinho da Terceira com Pré Carnaval

Bem-haja ao pessoal
Que virá ouvir a gente:
Bem-vindo ao Carnaval
A tradição repetente.

Que ninguém leve a mal
Aquilo que a gente sente
Porque o mais natural
É a rima andar com a gente.

A Terceira tem mais encanto
Em festas e carnavais;
No Divino Espírito Santo
E em tantos temas jograis.

Ó minha ilha de amores
Aos teus versos eu me rendo;
Aos verdes e lindas flores,
Lírios que estou escrevendo.

Que diga quem vem por bem
À catedral do lirismo
Porque são esses que têm
A força, graça e heroísmo.

Há lirismo cantador
Quando a festa é rimada
Vê-se o condão do Senhor
Em cada rima traçada.

Viva, viva a Terceira
Viva quem ri e quem canta
Viva quem tenho à beira
E tudo o que mais me espanta.

Que não se espante a alegria
A nossa força constante
Na transmissão de harmonia
A quem de nós está distante.

Mesmo que estejas ausente
Da festa do Carnaval…
Sei que sentirás presente
A tua terra natal.

Mas no meio disto tudo
Também há mal e tristeza
Muitas vezes no Entrudo
Parte alguém da natureza.

Porque a vida continua,
Seguindo o seu trajeto;
Temos o brilho da lua
Temos o sol como teto
E a visita quando é tua
Faz-se em laços de afeto.

Que o afeto nesta hora
Seja o elo de união
Entre quem está lá fora
E quem está na Região
Aos que estão chegando agora
E aos que já cá não estão.

S. Carlos, 24 de janeiro de 2015
Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para a Rádio Portugal USA.

2015: Penúltimo sábado de janeiro

DES Divino Espírito Santo

Vinde Ó Espírito Santo
Aliviar nossas dores;
Alegrai o nosso canto
E inspira os cantadores.

Ao lado, Nossa Senhora,
Feita por mãos de artesão,
Fazei que eu nesta hora
Transmita boa oração.

A oração em verso feita
Coloca santa magia
Nos contornos da alegria.

E a prece que se ajeita
Entre quatro das paredes
À Coroa que nelas vedes.

Rosa Silva ("Azoriana")

Às festas da ILHA

Ainda bem que há inverno
Para a gente descansar
Das festas que no externo
Fazem a gente trabalhar.

Ir ao mato buscar faias
Cedros e flores garridas;
Preparar nossas alfaias,
As alcatras e as bebidas.

De casa em casa com a saca
E uma lista na mão;
Há quem prefira dar uma vaca
Para esmolas e função.

É certo que o Carnaval
Já espreita com um sorriso,
Muito rente ao Natal
Faz-nos perder o juízo.

O que nos faz mais encanto
Como vinha a explicar
É enfeitar o Espírito Santo
Fazendo um alvo altar.

Pão, rosquilhas e "brindeiras",
Terço e alguns cantares,
No portal estão as bandeiras
Chamando gente aos lares.

Mas a festa continua
Na Terceira não se atrasa,
É ver o povo na rua
Ao toiro arrastando a asa.

Nas festas paroquiais
Que dão vista ao padroeiro
Enfeitam-se os arraiais
Com trabalho do ano inteiro.

Meus amigos podem crer
Que no meio disto tudo
O que na ilha faz mexer
É mesmo o nosso Entrudo.

Com os bailinhos e as danças,
Rimas, vozes e belos trajes,
Os que vão nestas andanças
Têm boa maquia das Lajes.

Porque as Lajes da Terceira
Pertencem ao Ramo Grande,
Ao redor da ilha inteira
É zona que mais se expande.

Não quero ofender amigos
Que são doutra localidade
Temos festivais antigos
Feitiço de Angra cidade.

As bravas festas de verão
Da saudade são calmantes
Trazem à ilha da Região
Os queridos emigrantes.

E agora vou descansar
De toda esta canseira...
Não vos canse festejar
As festas da ilha Terceira.

Rosa Silva ("Azoriana")

ESCRITA DE IMPROVISO (o que devo ser)

[Dedicatória ao blogue “Cantigas ao Desafio e Cantorias”)


 


Cumprimento satisfeita
Quem a escrita quiser ler
Porque ela só foi feita
Com aquilo que sei fazer.

«Cantigas ao Desafio»
É um blogue conhecido
Que mesmo sem dar um pio
Muito verso tem erguido.

Por mim gosto de cantar
Sobre as teclas do teclado
Elas não sabem falar
Mas dão-me verso rimado.

Não posso dizer que canto
O que cantiga já é:
Ao escrever dou um tanto
Da rima da minha fé.

A fé de um cantador
Que de rimas se batiza
É dá-las seja onde for
À maneira que improvisa.

Eu canto mesmo a escrever
Ora façam lá as contas;
Decerto vão conhecer
Vozes em todas as pontas.

Cantam dedos no teclado,
Canta a alma açoriana
No verso que é legado
Pela Rosa Azoriana.

E se alguém quiser colher
As folhas do meu ofício
Basta que as queiram ler
Como fogo-de-artifício.

Meus amores pela rima
Nasceram com uma morte
E quando vêm ao de cima
Dão-me versos sempre à sorte.

Queiram agora desculpar
Esta rima assoalhada
Foi só pra me ouvir cantar
Mesmo que não cante nada.

Mas se me ouvirem cantar
Nalgum palco ou terreiro
Foi Deus que me quis levar
A dar verso hospitaleiro.

Seja em ímpar ou em par
O verso que canto agora
Serve p’ra finalizar
A escrita que não tem hora.

Rosa Silva (“Azoriana”)


Leia mais aqui: Cantigas ao Desafio e Cantorias, de Júlio Dinis

Abraço de mãe

abraço de mãe


Que nunca um filho se cale
Ao amor da sua mãe
E mesmo que algo não fale
Sinta no sangue o seu bem.

Que a vida nunca acabe
Com o silêncio em refém
E que um abraço desabe
Alguma dor que se tem.

Porque Deus é quem ensina
Com sua Graça Divina
Os caminhos da amizade.

Do amor e da confiança
Que se aprende de criança
E vive em qualquer idade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Já saiu o Boletim Nr 67

OS CONFRADES DA POESIA
Boletim Nr 67
Janeiro / Fevereiro 2015
Página 11
«TEMPO DE POESIA»
Título: Bom Ano e melhor vida
Autora: Rosa Silva ("Azoriana")


A vida é uma laranja
Toda dividida em gomos
Se a sorte não esbanja
Só resta o que de bem somos.

A vida é como uma nuvem
Cuja água descarrega
Só se molha quem não tem
Abrigo por onde navega.

Por isso amigos meus
Vamos dar graças a Deus
À sorte que ainda temos...

De ter um gomo da vida
Sumarenta apetecida
No abrigo em que vivemos.

Fonte: Os Confrades da Poesia

Ano 2015 com Kathie Baker e o seu calendário

Calendário 2015


Muito obrigada, amiga Kathie Baker & husband!

Chegou a tua sempre bonita prenda anual. Já me habituei a ver os teus passeios pela ilha Terceira e outras ilhas, com a estima que lhes tens, e também a captação de imagens de encontros entre os descendentes de ilhéus, residentes e emigrantes.

Um abraço muito amistoso

Rosa Silva

CD de ANGEL K

Angel K


 ANGEL K

Uau! Chegou seu CD

Uma maravilha!
Estou ouvindo você
Na poderosa ilha.

Ilha Terceira, Açores,
Rainha de Portugal,
Você ganhou meus amores
Angel K é legal!

Tua banda estremece
Bamboleia o corpinho
Ai agora quem não esquece
Funk Funk no meu caminho.

Viva, viva a tua onda
Você é fenomenal
Vou fazer de novo a ronda
"Vem meu Sheik" coisa e tal!

Rosa Silva ("Azoriana")



A terceirense das rimas é fã de Angel K.
S. Carlos de Angra do Heroísmo
2015/01/12, 20:14
https://www.facebook.com/AngelKoficial?fref=ts

Dedicatória

Meu Amor

Próximo livro da Azoriana: «Matilde, nome de mãe!»

Matilde, o FADO


MATILDE, o FADO.

Quiseste dar-me a vida,
Fazer de mim o teu fado;
E da forma mais sentida
Eis-me aqui do teu lado.

Cada folha que é tecida
Tem verso do teu agrado
Que voa para ser lida
Como fado a ser cantado.

Matilde, nome de mãe,
Quem tem uma mãe tem tudo,
E jamais seu fado eu mudo.

Matilde só quis ver bem
As filhas que fez nascer
P'ra no seu FADO ambas ter.

Rosa Silva & Humberta Silva
2015/01/10. O FADO [do Amor de Mãe a cada filho(a) que tem]

Nota: Preciso de interprete com voz de fadista.


Mais fazer, menos (e bem) comer

O título podia servir de "slogan" para uma campanha de instrução ou sensibilização para uma refeição equilibrada tendo por base o conhecimento científico de cada corpo e seu respetivo funcionamento.

Podia-se ganhar mesmo que perdendo, inicialmente, alguma verba na realização de pesquisa de como funcionam os órgãos internos de cada indivíduo. Acredito que há muita gente que não sabe fazer bem o que comer. Podem incluir-me nessa listagem. Não tenho qualquer problema em afirmar que toda a vida gostei de comer e não gostei de fazer. Nunca me sabe bem o prato que cozinho porque vai recheado de "stress", sem o perfume ideal, sem a beleza que merecem certos produtos que surgem na mesa do pequeno almoço, almoço, jantar e ceia. Enfim, cada um é como é e a mais não é obrigado. Teria de ver para fazer, isto é, aprender com o/a mestre de culinária que tem (ou devia ter) a noção exata da conta, peso e medida, o mesmo que dizer as combinações corretas.

Podem dizer o que disserem mas há que ver para aprender. De teoria está o mundo cheio. A prática é que ensina.

Noutro tempo, o da minha juventude, até que via algumas tarefas culinárias a serem postas em prática mas tinha uma missão maior: estudar, estudar e estudar. Portanto, por muito boa vontade que tivesse em aprender a dominar a arte culinária ficou-se pela rama, ou melhor, pela teoria. Na prática foi o desastre quase total.

Mas, alto lá... Sou uma apreciadora de uma boa mesa, requintada e recheada de pratos que atraem os sentidos todos.

Com uma ação, levada a efeito por alguma entidade oficial (uma vez que estamos todos dependentes de pessoa de bem ou bens), teríamos o prato favorito com a tal conta, peso e medida para cada ser que se vê a braços com obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial e outras lamúrias que, por ora, nem precisam ser nomeadas.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sobre a Ação de sensibilização "Gestão de Resíduos no Concelho de Angra do Heroísmo"

Realizou-se no dia 6 de janeiro 2015, pelas 10:00, a ação de sensibilização sobre “Gestão de Resíduos no Concelho de Angra do Heroísmo”, promovida pelos Serviços Municipalizados. (...) 

Com a firmeza de que a comparência diminuta se possa dever a vários fatores importantes, nomeadamente de impossibilidade de interromper o trabalho, ou ausência ao serviço, ou deslocação, entre outros motivos, não deixou de ser útil a mensagem partilhada pelos presentes.

Confesso que aprendi coisas novas que desconhecia por, confesso, próprio desmazelo e por pensar que a recolha do lixo, mesmo que em recipientes identificados por cores distintas caía no mesmo carro de transporte. Só hoje soube que há um dia para o transporte dos verdes, outro para amarelos e outro para azuis. Só hoje soube que a porcaria que abundava junto aos contentores na minha zona de residência afinal melhorou graças à melhor acomodação dos mesmos, com a construção de divisórias firmes como uma rocha. Só hoje soube porque nem sempre vejo o que se diz nos meios de comunicação social, nomeadamente a televisão, que o lixo vale ouro indo da Região para o Continente. Vá lá que despejam a abundância que vai no aterro sanitário para mais longe dos avolumar de montes “falsos” que vão dando uma aparência, aos que voam nas alturas celestes, de que a ilha está ganhando novas serras povoadas por asas de aves famintas por apanharem as sobras dos que nos abunda no recinto doméstico (talvez seja na quantidade de lixo produzido que se avalia a forma estranha de vida que levamos).

Sinceramente gostei! Gostei da simplicidade da apresentadora, da meiguice, da humildade e da forma clara e oportuna na transmissão da mensagem. Gostei de saber que há gente que ainda assim “vasculha”, sabe-se com que estômago, o que nós não dávamos importância mas tem a MÁXIMA IMPORTÂNCIA, nos tempos que correm.

Acredito que a maioria dos “não recicladores” não o façam por maldade mas por comodismo acostumado a enfiar tudo no mesmo saco. Acredito que eu possa melhorar e juntar-me aos que zelam por um ambiente digno para nós e para os descendentes. Acredito que estes, os filhos e os netos, possam valer substancialmente aos progenitores com mais idade e menos aptidão para a aprendizagem moderna no sentido de ajudarem e/ou ensinarem a separação por cores e dos óleos domésticos serem úteis para novas situações.

Prometo que vou fazer daqui para a frente o meu melhor e quando tiver dúvidas ligarei para os números gratuitos para esclarecimento.

O meu problema, agora no final desta resenha, é convencer os que me rodeiam e que, mesmo que não seja por mal, estão habituados desde que abriram os olhos na ilha, a ensacar para seguir viagem para o aterro. Talvez… Aguardarei com fé.

Obrigada pelo convite e pela oportuna ação no âmbito da semana europeia de resíduos, com a visualização de um vídeo de aproximadamente 25 minutos.

Que se divulgue mais por esse mundo cibernauta ao ponto de sermos TODOS PELO AMBIENTE RECICLADINHO!

Rosa Silva

Formação



O meu blogue eu abraço
Como quem abraça o mundo
E do pouco que eu faço
Faço com amor profundo.

O meu blogue anda escasso
De um texto mais fecundo
Vou ocupando o espaço
Com o que vem do meu fundo.

Porque a escrita meus senhores
Já formou tantos doutores
Tantos reis e o nobre povo.

E mais gente formará
O abraço que se dá
Feito de um escrito novo.

Rosa Silva ("Azoriana")

Criação

Serei alma sonhadora
Na manjedoura do ser
Com a mente criadora
Criarei até morrer.

De silêncios detentora
Na planície os vou deter
Da canada da vassoura
Onde um dia os vi nascer.

Na raiz dos meus vazios
Encontrei negros e frios,
Verdes, azuis e cinzentos.

Na visão que o sol aquece
O meu verso então floresce
No canteiro dos talentos.

Rosa Silva ("Azoriana")

Desenhar parece fácil (para quem sabe)

Se eu soubesse desenhar o traço leve e acertado para definir o meu estado de espírito seria como que o desenho do ano. Seria assim um campo enorme e uma única ovelhinha ao centro de cabeça levantada e com um ar apático, sem rumo, inerte. Como é difícil começar após uma pausa entre outros afazeres que não os habituais, no que respeita à atividade laboral. Como é difícil tomar o pulso da situação após uma pausa para os “excessos” que desnorteiam o fim de um ciclo para começo de novo ciclo. Como é difícil despertar com os toques compassados de um despertador insistente que teima em nos tirar do quentinho da flanela que aconchega o corpo que digere a véspera de uma volta ao ativo de ir e voltar a um acerto de contas permanentes. Como é difícil prever o futuro num estado de moléstia presente. Só tenho fácil um pensamento: hoje é a primeira sexta-feira do ano, o primeiro dia de trabalho, a primeira rotina do trânsito casa-trabalho e vice-versa, o primeiro estacionamento num parque que me leva ao delírio matinal, o primeiro “picar” de presença, o primeiro toque de chaves que abrem as portas para o estado estatístico, o primeiro abrir de interruptores que me dá a claridade diária de uma sala e um monitor que talvez tivesse saudades de me ver quase em permanente fixação nele e no que me permite acionar durante oito horas quase seguidas, salvo a interrupção para outras necessidades físicas. Como é difícil parar de escrever após começar a seguir um raciocínio que nem sei se tem leitores a esta altura de um parágrafo sem ponto final imediato… Como é difícil arrancar o que pausou motivado por uma festa repetente que, supostamente, devia aproximar a gente das gentes… Como é difícil explicar resumidamente o que sinto neste “relâmpago” de me ligar a uma infinidade de tarefas acionadas por simples toques de um teclado cuja melodia é a única que ouço neste emaranhado de letras secas, sólidas e quase m-o-r-i-b-u-n-d-a-s… C-o-m-o—é—d-i-f-í-c-i-l—v-e-s-t-i-r—o—h-á-b-i-t-o—d-e—e-s-t-a-r—s-e-m—a—m-í-n-i-m-a—v……. Haja Deus!

35 anos depois...

Janeiro, 01. 2015 (1980). Quem não se recordará do mesmo dia daquele ano serão apenas os que nasceram depois. Os que viviam nas ilhas Terceira, Graciosa e S. Jorge e que sentiram o enorme tremor debaixo dos pés é que podem dar testemunho duma realidade tirana que hoje conta trinta e cinco anos. Tenho cinquenta agora, quinze na altura. Ainda sinto o efeito das marcas que jamais esquecerei. Destruição, dor, lágrimas, fragilidade perante a movediça natureza. Lembro que o pico da Serreta, na minha frente, parecia papel a ondular; a sineira do atual Santuário de Nossa Senhora dos Milagres parecia vergar para que eu visse como nunca antes o vira tão inclinado para o mar... depois fui sabendo de perdas de vidas humanas de gente que conhecia e tinha grande estima. A Zita Meneses foi a que me chocou imenso, uma amiga querida que perdeu a vida. Não quero fechar os olhos agora porque mesmo abertos conseguem trazer-me aqueles momentos de um frio intenso sem hipótese de aquecimento... ainda o sinto como que a cortar-me a alma. Que nunca voltes a sentir o efeito da perda total de bens, todos.

Primeiro de 2015

Boa noite Ano Novo!
Feliz seja o aconchego:
Dia de Paz, diz o povo,
Primeira folga no emprego.


Minha ilha, meu tesouro,
Meu presépio de rimar,
Neste dia vales ouro
Em cada casa e seu lar.


És o meu berço querido
Vale da pequena serra
Coro que fica no ouvido
Dos cantos da minha terra.


Ó ilha de versos tantos
Com brio por natureza
Dos profanos e dos santos
Amantes da boa mesa.


Rosa Silva ("Azoriana")