A minha campa não se quer vazia
Para adorná-la basta a poesia
Dos dias (in) findos do alvorecer
Duma vida feita de tanto perder.
A minha campa não se sinta fria,
Por ela voem pétalas de alegria…
[Sem pensamento andou a tecer
O que talvez não venha a perecer].
Não chorem ante a dor vespertina
Com mais fé se abraça a vela divina
E no meu caso tão cedo deturpada.
Um dia então chega a hora tão dura
Da terra fria que não dá cultura…
Só uma saudade… eterna morada…
Rosa Silva (“Azoriana”)
ResponderEliminarResposta a dfmaia:
ResponderEliminarTalvez mesmo pelo carinho
Que vou dando à minha vida
É que surgem no caminho
Os versos de despedida.
Tenho medo do vazio
Que a partida então nos deixa
Por detrás dum calafrio
Há sempre alguma queixa.
Tenho pena de verdade
De viver intensamente
Porque depois a saudade
É um vínculo presente.
O amor não é pequeno
Mas pode ser uma miséria
Se se agarra ao terreno
Deixando outra matéria.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Todos os versos foram escritos num dia que nem me sentia triste.