A propósito de um artigo publicado na “U”, revista semanal d’A União, de 8 de outubro de 2012, página 6, cujo título é: “Que mundo estamos a criar?”, de P. Dennis Clark – in Catholic Exchange trad, e adapt.: rm do Secretariado Nacional da NPC.
Retive-me na leitura e captei o seguinte texto: “dar os nossos dons é a única maneira possível de encontrar a felicidade”. Um texto enternecedor que faz pensar qualquer leitor. O que será que dou? O que será que damos?
Ainda hoje, pela manhã, aconteceu-me uma cena que me quedei a pensar nela até que outra me ocupe a mente: ao estacionar a minha viatura num lugar que avistara vago, no parque com cancela automática (pelo menos dou-lhe esse nome) chamaram-me a atenção que aquele lugar já havia sido avistado por outra pessoa, que entretanto, fazia marcha atrás para o ocupar. Eu, que não me havia apercebido da manobra da outra viatura, recuei, deixei que a pessoa ocupasse aquele lugar e fui direta para outro com vagatura. O que me fez ficar a pensar nisto o resto das horas matinais foi o facto de ter sido chamada à atenção de uma forma áspera, como se tivesse a cometer um crime. Será?! Por acaso fui eu que criei este mundo em que se vive? Com cancelas para tudo, com senhas para tudo, com policiamento para tudo, com parquímetros para quase todos os arruamentos citadinos, com legislação ao ponto de exaustão para toda e qualquer reação humana e animal?!
Meu Deus! Que mundo estamos a criar?
Deito-me acelerada;
Amanheço acelerada;
Tomo o pequeno-almoço acelerada (bem como os que me rodeiam);
Conduzo no limite possível de aceleração com respeito às normas e para evitar pagamento de multas;
E tudo isto para conseguir encontrar um lugar para arrumar a viatura para não ter de pagar parquímetro ou ir estacionar para “cascos de rolha” sempre a pensar no cumprimento dos objetivos laborais mesuráveis do dia. Será que vale a pena?! Andar-se a cumprir objetivos que depois vemos ultrapassados por uma maioria cujos objetivos não se regem como os nossos?!
Que mundo andamos a criar?
Eu tento criar o meu mundo de forma a não dever, a não perder, a não gastar em desperdícios, em … … … etc. e afinal devo, perco e nem consigo que os meus dons contribuam para a felicidade seja de quem for. O que me anima é que este pensamento e atitude são universais.
Pergunto-me, muita vez, porque algumas pessoas teimam em querer chegar ao pódio do poder governamental?! Se tudo está à beira de um poço sem fundo; se a calamidade é mais que muita; se não há maneira de reinventarem a conversão do escudo em euro... Porquê?! Para depois se verem obrigados a criar cancelas automáticas, senhas de posicionamento, parquímetros e tantas leis que podiam muito bem ser abolidas a favor de uma... Amar o próximo como a nós mesmos e todos poderem viver sem darem em doidos.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Se não fosse o facto de a considerar, porque o é, uma excelente poetisa, depois de ler estes últimos textos, diria que a cara amiga em prosa iguala se não suplanta, os seus dons em poesia. Assim aconselho-a a reunir estes textos mais outros que concerteza irá escrever, para, mais tarde,
ResponderEliminarrealize uma compilação pela qual, com certeza, lhe vamos atribuir o título de uma cronista e narradora de grande mérito.
José Fonseca
Lisboa
O FIM DA NOSSA TRIBULACAO
ResponderEliminarEstas criando um novo mundo
Elogio a tua boa intencao
Mas se me deres um segundo
Eu ja mude a tua opiniao
Nao precisas te cancar
Numa tarefa tao dura
Porque Deus esta a criar
Um mundo com lingua pura
Sera um mundo novo
Onde nao ha tribulacao
Aonde havera um povo
Que grita de exultacao
Neste mundo novo nao havera
Nenhum chore nem queixume
Porque o nosso rei vai governar
A sua maneira e ao seu costume
La ninguem vai morrer
Pelo pecado que agente traz
Até o idoso tambem correr
Como corre hoje um rapaz
La nos vamos construir
Casas para nos todos abitar
E para os mortos que hao-de vir
Terra nao ha-de faltar
Vamos plantar vinhedos
E todas as arvores de fruta
E segurar com nossos dedos
O fruto de toda nossa labuta
Nao vamos labutar em vao
Por sermos descendencia escolhida
E nao havera mais perturbacao
Em toda a nossa vida
E se a Deus nos clamarmos
Ele nos ira responder
Se a ele nos achegarmos
Para ele sera um prazer
Até mesmo os animais
Neste mundo vao viver
O lobo e o cordeiro sao dos tais
Que juntos palha vao comer
Até mesmo o senhor leao
Que a muitos rompe o couro
Nao causara tribulacao
Comera palha junto ao touro
Deus aqui é que é a fonte
Desta informacao que amofina
Mas no seu santo monte
Nao deixa ninguem causar ruina
A Rosa um mundo a construir esta
Um mundo que te ajudar nao posso
O melhor é para-res o teu ja
E ajudar-res a construir o nosso