Cenas da vida real

Houve tempo que uma galinha gorda, uma saca de batatas bem escolhidas, uns quilos de feijão amarelo (o meu preferido), ah… e umas dúzias de ovos frescos da melhor galinha poedeira regalavam as atenções dos (as) senhores (as) da cidade quando os (as) do campo vinham numa viagem de agradecimento ou pedinchice para que o(a) filho(a) tivesse forma de ter um futuro brilhante. Felizmente, não me lembro de ter precisado disso mas sei de quem precisou e hoje nem sei se tem o presente com muito brilho. Enfim, isto para vos revelar que se me aparecer ao portão (de baixo ou de cima) uma galinha gorda, uma saca de batatas bem escolhidas, uns quilos de feijão amarelo (e já agora umas cebolas jeitosas) e uma dúzia de ovos frescos da melhor galinha poedeira regalava-me a mesa para quatro bocas (à beira de um ataque de fome) e fazia-me correr para as cruzes de domingo.

A ver como a situação está, a ver pelas últimas letras em caixa alta de promessas que nem lembra ao diabo, a ver pelo atropelo de mãos em riste vociferando por atenções para as efetivas cruzes de domingo, dá-me como que uma vontade enorme de ficar, de papo para o ar, nos lençóis que tem uso suficiente para me conhecerem de ginjeira…

Amanhã é dia 13 de outubro: dia comemorativo do “Milagre do Sol” (há 95 anos) inserido nas aparições de Nossa Senhora do Rosário, de Fátima, a três crianças que traduzem a simplicidade, a honestidade, a sinceridade e a pureza de coração.

Amanhã ocorre a última tourada (julgo eu que seja a do Terreiro da Serreta) da temporada taurina da ilha Terceira que forçosamente tem de levantar os riscos a 15 de outubro.

Amanhã é a véspera do dia que muita boa gente já pensa estar sentada na cadeira de veludo vermelho a regalar-se pela vitória e a pensar: “Em que sarilho me fui meter… E agora como vou cumprir as falsas promessas perante as audiências?!”… Oxalá que eu me engane e vença o menos prometedor.

E pronto, por hoje é tudo. Não sou jornalista, não sou comentadora de rescaldos eleitorais mas dá-me um gozo danado escrever ao sabor da tecla que, neste dia, parece movida por velocidades extraordinárias.

Façam o favor de serem felizes e fazerem-nos felizes.

Rosa Silva (“Azoriana”)

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