Da outra natureza;
Dos campos de trigo ceifado;
Da panela de ferro ao lume de lenha;
Da chaleira com água a ferver para amolecer as penas do frango da capoeira;
Do torresmo derretido pela brasa de um fogo sério, mexido com um colherão de pau;
Da tripa lavada e esfregada com um punhado de salsa, de cebola em rama, de farinha e sabão “macaco” e água cristalina de fartura pelas arquinhas da nossa canada;
Do sarapatel feito pela mão da minha madrinha e da morcela a fumegar ainda;
Da feijoada com ingredientes do porco farto que se havia dependurado no tirante da casa, convidado a vizinhança para apreciar o bom naco de toucinho depois de muito bem lavado e posto a jeito de quem o quisesse ver (e comer numa refeição de bradar aos céus de satisfação);
Do pão lêvedo, estendido por riba da mesa da alegria, enfarinhada de esperança, para ir para o forno, de bordas escarlates, no ponto da boa cozedura, na pá da abundância…
E hoje que cheiros tenho?
Nem vos conto…
Nem vos conto…
Rosa Silva (“Azoriana”)
Saudade dos cheiros... (até de alguns que nem gostava)
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