SANJOANINAS 2011
A GRANDE CANTORIA NO PÁTIO DA ALFÂNDEGA
Liduino Borba
Realizou-se na sexta-feira, dia 17, pelas 22 horas, no Pátio da Alfândega, uma grande cantoria, organizada pela Comissão das Festas Sanjoaninas 2011, que teve como responsável nessa área o nosso muito conhecido José Joaquim, homem que tem dado uma contribuição assinalável às nossas tradições e etnografia.
Foram convidados 9 tocadores e 11 cantadores para este serão. Os tocadores foram: André Silveira, Jorge Rosa, Marta Rocha, Orivaldo Chaves, Osvaldinho Lima, Osvaldo Lima, Paulo Pires, Rui Armas e Rui Pires. Os cantadores foram: Adelino Toledo, António Isidro Brasil, António Mota, Carlos “Santa Maria”, Fábio Ourique, João Ângelo, João Leonel “Retornado”, José Fernando, Lupércio, Marcelo “Caneta” e Maria Clara.
As escolhas dos pares, feitas sabiamente por José Joaquim, permitiram uma grande noite de cantoria para todos os amantes desta arte de versejar.
O serão começou com Marcelo “Caneta” e José Fernando que enalteceram as festas, Angra do Heroísmo, Praia da Vitória e a ilha integrada no conjunto açoriano. Um do concelho de Angra e outro do da Praia.
A segunda dupla a cantar foi Adelino Toledo, convidado vindo de Hilmar, Califórnia, com João Ângelo o mestre das cantorias. Dois grandes amigos de longa data, que tive o privilégio de biografar, que se respeitam mutuamente, qual deles engrandecendo mais o outro. A mistura de um cantador “sério” com um “brincalhão”, com muitos anos de experiência, permitiu à assistência deliciar-se com versos de primeira linha, que só os grandes mestres sabem fazer.
O terceiro “round” da noite ficou a cargo da juventude com uma muito interessante cantoria entre a voz de oiro de Fábio Ourique, natural de São Mateus, e o estudante universitário António Isidro Brasil, natural de São Jorge, que se portaram muito bem até meio, mas que daí em diante superou todas as expetativas, com as rimas de valor elevado ali cantadas à nossa cidade, história, ilha e país.
A quarta actuação esteve a cargo de Carlos “Santa Maria” e João Leonel “Retornado” dois mestres do improviso, que iniciaram com um série de bem ajustadas críticas à situação política e social que vive o país, para acabarem a elevar as nossas festas e tradições.
A quinta dupla a actuar foi Lupércio, convidado vindo das Capelas, ilha de São Miguel, e António Mota, terceirense de gema a viver em São Sebastião, mas natural da Ribeirinha. Como quase sempre nestes casos, o bairrismo entre duas ilhas irmãs veio ao de cima, mais da parte do Mota, porque percebeu-se que Lupércio apenas se foi defendendo e, por várias vezes, tentou enaltecer o contributo dado pelas duas ao conjunto açórico, enquanto Mota continuou no mesmo caminho inicial, o que não deixou de ser engraçado com um final bonito de rimas trocadas entre eles.
O serão encerrou com o convidado da diáspora Adelino Toledo e a promissora Maria Clara. Era um dos momentos aguardados da noite. Para Adelino era mais uma cantoria, entre muitas, mas para Maria Clara era o coroar frente a um dos maiores improvisadores da actualidade, recentemente biografado por mim em livro. Ela própria declarou esse respeito no início da cantoria. Mas correu muito bem, porque para além de Adelino Toledo não costumar afrontar os seus pares, se para isso não for necessário, Maria Clara soube estar bem à altura do que esperavam dela nessa noite. Foi das melhores cantorias que já ouvi dela. Tratou, com o seu par, o tema do beijo duma forma tão sublime, doce e discreta que só os grandes improvisadores sabem fazer. Maria Clara começa a deixar, e muito bem, algum verso com uma métrica um pouco grande para trás. Valeu a pena esperar para ouvir estes dois cantadores.
O Pátio da Alfândega estava cheio para ver esta cantoria. Ao longo da noite algumas pessoas foram abandonando o cais, mas às duas horas da manhã, quando acabou a cantoria, ainda tinha muita gente, prova de que há muitos que gosta de boas cantorias.
A Comissão de Festas, e o seu organizador, José Joaquim estão de parabéns pelo sucesso.
Venham mais destas.
19 de Junho de 2011