Não se olhe para trás
Quando pela nossa frente
Vem um tempo que é capaz
De mudar o tempo à gente.
Rosa Silva ("Azoriana")
in «A poucos passos...» (confirme, por favor)
Angra do Heroísmo, 29/12/2011
Não se olhe para trás
Quando pela nossa frente
Vem um tempo que é capaz
De mudar o tempo à gente.
Rosa Silva ("Azoriana")
in «A poucos passos...» (confirme, por favor)
Angra do Heroísmo, 29/12/2011
O pai natal, que este ano até tinha a saca murcha de prendas, deixou ficar as barbas que se prenderam ao rosto do dia que alastra em Angra e, quiçá, arredores e mais além (diga-se um nevoeiro atroz que nem se vê um boi à frente). No além é que anda toda a gente porque as conversas trazem sempre um “Valha-nos Deus!” e, já agora, a santa Engrácia. Pena que as carteiras estejam a abarrotar de sonhos e vazias de realidades. Eu que o diga. E até que não me devia queixar, ou melhor, já me queixo desde que saí das saias da mãe e dos berros do pai perante coisas que não lhe enquadravam, na sua maneira de ver e de criação. Hoje não há nem maneiras nem criação que aguentem o que por aí vai ou vem. Não vale a pena é muitos queixumes porque o acordo ortográfico veio para os tirar. Quanto menos “se” (s) e “c” (s) houverem melhor. Contentemo-nos ou deitemos as barbas de molho, para quem as têm em boa medida, ou, ainda, rezemos para não se levantar uma revolução com arrotos de desespero. [Faço um aparte para revelar que não me apetece mudar de parágrafo. Se é para poupar que se poupe também nas linhas de escrita, no paleio, e, sobretudo, no papel. Nada melhor do que ligar um botão, acender um monitor, tocar numas teclas e deixar rolar o que a mente soltar…]. Mas, adiante que a hora de virar o texto já se aproxima bem como o viragem de ano. Dou-vos um conselho gratuito: Aproveitem, tal como eu costumo ser adepta, para deixar o ano arrumado, limpo, sem migalhas, roupa ou chinelos pelos cantos. Levantem a moral e pensamento positivo. Dêem-se graças pela saúde, pela paz, pela alegria, pelo amor e pela sã irmandade. Supliquem pelos doentes, pelos famintos e pelos desalojados do ser e do ter. Abracem o cônjuge, o amigo, o pai, a mãe, o irmão. Mimem o gato, o cão, o pássaro enjaulado, o porquinho-da-Índia, o periquito. Reguem a planta sequiosa por um carinho e um sorriso. Aparem a relva do queixume diário. Limpem a alma da desgraça e deem um pão a quem dele necessita para sobreviver. Lembrem-se que pior que nós está o outro, que tem de levantar cedo e seguir por caminhos e ruelas para tirar o leite à pobre da mimosa, digo a Vaca, açoriana. Que não nos falte o leite, o queijo, a manteiga e o fabuloso iogurte da tal Vaquinha simpática e acolhedora. Ao menos que esta seja a produção açoriana/ilhoa que agrada a gregos e troianos. Por este andar ainda apanho um raspanete por escrever nomes que não deviam vir à flor da tecla. Que não faltem é flores nos canteiros da vida. Que não faltem as rimas do amor. Que abunde a Vida! Desejo a todos, sem exceção, um virar de ano brilhante, abundante de ser e que o Novo Ano de 2012 sorria. Nascemos com pouco e contentemo-nos com «os poucos essenciais» para um dia de cada vez. Beijos e abraços: “à tout le monde”, “to all of you”, para TODOS… TODOS!
Angra do Heroísmo, 29 de Dezembro de 2011 (está quase, quase…)
Rosa Silva (“Azoriana”)
Na trova que ora espelho
A cada membro do povo:
Digo adeus ao ano velho
Quando, aceno ao Ano Novo.
Ano Novo, vida nova?!
Há quem diga que é verdade;
Por mim, que ando à prova,
Já vou sentindo a idade.
Não se olhe para trás
Quando pela nossa frente
Vem um tempo que é capaz
De mudar o tempo à gente.
Exame de (in) consciência
É tema de inspiração…
Ninguém culpe a Providência
Pla desordem que há então.
Vamos a toque de passos
Agoirando mau futuro;
Por agora vão abraços
Ao mais tenro e ao maduro.
A todos, sem exceção,
Meu abraço lisonjeiro.
Obrigada pela atenção;
Bem-vindo seja janeiro!
Rosa Silva (“Azoriana”)
Há pessoal na nossa terra
Que começa a criticar
Porque eu inverto a serra
No canto a improvisar.
O pico vem ao de cima
Em vez de virar para baixo
É assim a minha rima
Com ela não me rebaixo.
Toda a gente tem estilo
Cada qual à sua maneira
Com outros eu nem refilo
Para não sair asneira.
Com intuito de me ajudar
Vão dando opiniões
Todo o que não se enganar
Venha dar-me, então, lições.
Sofro muito p’la calada
Com meu peito a escaldar
Mais vale não dizerem nada
P’ra rima não se assustar.
O colo é para abraçar
A rima que vem altiva
O coração para amar
Quem gosta que ela viva.
Quero que fiquem cientes
Talvez um pouco pela rama
Os que forem inteligentes
Verão que o verso me chama.
Se ao contrário está meu juízo,
Temos pena, ninguém se iluda;
A cantar de improviso
Com regras, Deus me acuda!
Rosa Silva
Artigos anteriores que me causaram grande alegria misturada com a emoção. Na imagem, abaixo, encontra-se um livro feito de flores, da autoria de John Bettencourt, que me foi oferecido no dia do lançamento do meu primeiro livro intitulado Serreta na intimidade. Ao clicar na imagem que republico, irá encontrar um sonetilho modificado à luz do sonho transformado em realidade a 2 de Abril de 2011.
A rosa amarela, para mim, simboliza a presença, contente, de alguém que gostou desta efeméride para a freguesia da Serreta, para mim e para quem esteve presente no lançamento. De facto, na altura, chamou-me a atenção esta bela surpresa de amigos.
Estou perplexa comigo mesma. Desde o dia sete de dezembro que não postava uma linha, uma imagem, um bocejo sequer. Talvez nem tenham dado por isso. Anda tudo atarefado com os preparativos para o festejo do nascimento de mais um menino ou Menino. Será?! Confesso que esta época mexe sempre com o mais íntimo do meu cérebro e do meu coração. Dou mais pelo que nos faz lacrimejar, dou mais pelo que está sujo, dou mais pelo que está só e também ausente. Falta-me as vozes de outros tempos, os olhares quentes de quem nos queria bem de verdade. Hoje, qualquer coisita é coisa, qualquer palavra mais áspera é motivo de mudança de critério, qualquer bocejo é ventania ou tempestade. Sinto falta da casa quente de vozes com palavras mansas ou sobressaltadas. Está tudo nos seus lugares, tudo lavado e arrumado. Até as gavetas não se mostram queixosas. Nem os pratos permanecem no ancoradouro da serventia. Nem os gatos miam apenas se ouve o ronronar na cama humana. Nem a cadela e o novo cachorro padecem de abandono. Está tudo nos devidos lugares: os verdes planados; os azuis pasmados; as rosas-de-japão florescendo e caindo; as pedras são estatuetas da emoção; a casa é o nosso mundo de fim de semana. Quem ama sujeita-se a ser feliz com pequenas coisas e das mais simples.
Portanto, postar ou não postar é uma questão de dias. Os dias estão a ser ocupados com o ambiente familiar na simplicidade que me/nos resta. Até me deu para varrer a zona dos caixotes de lixo públicos. Acho que se esqueceram da zona dos Folhadais, nem os próprios moradores se incomodam com o aspeto da sujidade do caminho. Valha-me o que os antigos me ensinaram: casa limpa e rua limpa (para não dizer, textualmente, cag***ão à porta - transformando os asteriscos em letras - "alh").
Bom domingo para todos!
Se em tudo o que fizermos dermos um toque de Amor, será mais fácil. Amanhece dando um Bom Dia à vida! Aquece a água da bondade, coloca na chávena um pensamento feliz, bebe a doçura da paz e abençoa o porvir. Lembra-te que se cá estás é porque ainda tens muito para receber e dar. Aproxima-se uma época de Luz, Festa e Amor. Não a desperdices com futilidades. Lembra-te que o essencial está em ti, em mim, nas nossas mãos, nas palavras que proferimos, na nossa ação. Não esperes mais do que poderás dar. Apenas lembra-te que tudo o que fizerdes por Amor terá sucesso.
Não há lei melhor do que a do Amor, andes por onde andares. Os homens criam muitas leis que podem vir a ser revogadas, retificadas, reformuladas... mas a lei maior do Amor jamais será anulada. Portanto, vem aí, em primeira instância a natividade de Nossa Senhora. Mesmo que não creias, nem a adores pensa na tua própria mãe, que te deu à luz. Pensa nas noites e dias que ela passou ao teu redor, a tentar que o teu choro virasse riso, que a tua dor virasse alegria, que o teu mundo fosse semelhante a um céu na terra. Todos temos uma mãe, pelo menos. Quem crê, acredita que tem mais que uma: a Mãe de Jesus, dos Homens e a sua.
Estamos na véspera da Festa da Senhora da Conceição. O seu Santuário, em Angra do Heroísmo, está excelentemente ornamentado com a pureza das flores alvas. Bem-haja quem ornamentou o Altar de Maria. Está digno de ser apreciado e elogiado. Transmite uma paz e apetece lá ficar contemplando Maria e os novos santos dos altares laterais. Pena que não tenha descoberto de quem se trata mas julgo que serão os santos recentemente aclamados.
A oito de dezembro é o princípio da solenidade natalícia. Caminha-se para o nascimento do seu filho numa repetição que serve para lembrar que há que pausar os trabalhos rotineiros para festejar quem nos Ama. Com Ele tudo, sem Ele nada. Ele é o símbolo do Amor, disso não duvides.
Rosa Silva ("Azoriana")
Abro a janela aos jornais
Com notícias em fervura
E às letras capitais
Junta-se a dor em figura.
Apetece-me agradecer
A quem zelou pelo bem
De Angra e do seu viver
Mas que maior razão tem.
Ao perder-se um ente querido
Há um luto interior
Que carece ser vivido
Repensando a nova dor.
Todos temos ideais
Dores, penas e tristeza,
Mas também somos mortais
Não importa a natureza.
Drª Andreia Cardoso
Com toda a dedicação
Desde a criança ao idoso
Fez justa a sua ação.
Homenagem lhe é devida,
Dou-lha com sinceridade,
Pois dedicou uma vida
À nossa comunidade!
Aos que lhe seguem os passos
Em justa solidariedade
Mostram ao povo que há laços
De grande fidelidade.
Há que enfrentar com esperança
Desafios inesperados
O mundo está em mudança
Com crise por todos os lados.
Rosa Silva ("Azoriana")
Há uns anos a esta parte que enfeito a sala com uma árvore artificial para simbolizar a época de festa do nascimento do Menino Jesus, símbolo de tudo o que é puro, fresco e bom. Não é fácil, com este procedimento, atingir o verdadeiro perfume da quadra. Falta aquela essência que a árvore verdadeira traz para o lar, desde os campos que a criam. Tenho, sobretudo, saudades de ir ao campo, subindo veredas e canadas, para colher os “verdes” belos para construir uma espécie de representação do tempo bíblico. Já lá vão uns bons anos em que a pureza e inocência me enchiam os sentidos de alegria, fé e esperança. Hoje, tudo é relativo mas ainda subsiste aquele encanto pela simbologia criativa de um mundo exemplar para o homem: o Nascimento do Deus Menino.
Portanto, esta volta a um passado que aflora a mente nesta altura, venho solicitar a quem me ler algo especial: uma árvore verdadeira com aquele perfume do campo. Em troca (porque nada se faz, hoje em dia, sem recompensa) dou um dos meus livros autografado, se assim o desejarem, com a rima verdadeira e reconhecida.
Que o teu Natal seja
Verdadeira imitação
Do que se vê na igreja
Antes da ressurreição.
Porque Deus se fez pequeno
Para o homem ser maior
Por isso daqui aceno
Pra que o mundo seja melhor.
O perfume de Jesus
É feito da natureza
Que se enfeita de Luz
E de cores da beleza.
Não se negue tal processo
De festa humanitária
Seja feliz o regresso
De bênção comunitária.
Rosa Silva (“Azoriana”)
A ida aos «verdes» (uma história verdadeira do meu Natal)
Era uma vez… Não… não se trata de um conto infantil mas um conto verdadeiro da minha infância. Então era assim:
Na véspera de se construir o verdadeiro e perfumado presépio, minha prima (a quem chamava de titia), minha irmã e eu, íamos volta acima, por entre um frio de rachar, procurar nos valados campestres os tais «verdes» aveludados, musgos de várias tonalidades, alguns ramos das perfumadas árvores para enfeitar o nosso meio da casa, vulgarmente conhecido pela sala, o compartimento principal de receção das visitas. Era uma verdadeira euforia, sobretudo, para nós, «as pequenas» que eram o motivo principal de tanta azáfama.
Chegadas a casa com os cestos de vimes cheios do material campestre, era tempo de começar na busca das caixas que guardavam as figurinhas do presépio. A cabana do Menino tinha de ser construída de pedra leve e com algum volume, de cor de vinho. Armava-se a dita Gruta do Menino Jesus e colocava-se a vaca, o burro, algumas ovelhinhas, o Anjo na entrada, e, sem falta, S. José, Nossa Senhora e o Menino nas palhinhas, risonho e de braços abertos como que a agradecer o nosso feito.
Depois era o talhar de uma verdadeira aldeia com casas de madeira feitas pelo meu pai, ruelas de farelo da dita madeira, pedrinhas a marcar o território de passagem de figurinhas de pastores, reis Magos e uns tantos “bonecos” que tinham anos e anos de entusiasmo natalício.
Quando se concluía tal tarefa gratificante, ficávamos a olhar aquela maravilha. Um canto da sala estava ocupado com as coisas do Menino Jesus e ninguém ousasse mexer naquela fantasia. A árvore natural, sem pisca-piscas (naquele tempo ainda não havia essa modernidade), alegrava o ambiente com umas bolas reluzentes e uns postais que vinham dos familiares emigrados, uns chocolatinhos, laranjas, e o perfume da magia de Natal… Que saudades!
Depois, era uma visita frequente daquele canto até chegar o dia tão sonhado da missa do galo e das prendas no sapatinho que ficara junto ao fogão de lenha, na chaminé. Supostamente seria por ali a entrada do Menino Jesus (não se conhecia ainda o tão falado Pai Natal). Mas para tal acontecer tínhamos que cumprir uma ordem: dormir uma sesta para estarmos despertas à meia-noite para o beija-pé do Menino, no fim da missa do galo, com os magníficos cânticos de Glóoooria!
Confesso que achava uma missa linda mas muito demorada… O pensamento ficara no sapato e na surpresa que seria ao entrar porta dentro numa correria para a chaminé, logo seguida das titias risonhas, dos pais e da avó. Pudera! Eles todos sabiam o que lá estava, menos a gente. Não levaram muitos anos para descobrir essa marosca.
Numa dessas sestas recomendadas pela mãe, quando já sabia que o Menino tinha mais que fazer do que andar de chaminé-em-chaminé, pus-me à socapa com olho aberto, outro fechado, para ver se ninguém ouvia a minha saída da cama quente. Puxei muito devagar a cadeira que costumava estar perto da cama da minha mãe e subi, silenciosamente, para espreitar os embrulhinhos que estavam em cima do guarda-fato. Achei! Pensei eu… Pelo volume do embrulho só pode ser uns guarda-chuvas… Certo e sabido que no sapato lá estavam os ditos cujos presentes, que não surtiram tanto efeito como outros presentes dos anos da inocência. Que pena! Foi o Natal mais triste que eu podia ter. Afinal eram eles que nos presenteavam?! Que pena! Como gostava que fosse o próprio Menino que via tão sorridente naquela manjedoura, ladeado pelo bafo de animais submissos…
Daí para a frente tudo foi ficando menos brilhante… mas não revelei a minha descoberta porque temia acabarem-se as prendas. Sempre gostei de uma prenda fosse em que altura fosse. Depois senti na pele o que era dar prendas quando vi a alegria estampada no rosto dos meus filhos. Penso que descobriram tudo mais cedo que eu. Também não o revelaram e sei bem porquê.
Hoje, acho que se perdeu essa magia. Já tudo se sabe, tudo se tornou banal (ou talvez não…)
O que nunca se perderá é o PERFUME DE NATAL, porque esse é que nos envolve num regresso à magia do passado. Que nunca se destrua o perfume do amor, da partilha, da alegria e da amizade durante as quatro semanas do Advento.
Já cheira a desejos de FELIZ NATAL para todos!
Depois de um feriado
Limpo e ornamentado
Nada melhor que regressar
Para com gosto trabalhar.
Eis que o sábado espreita…
[Sexta-feira mais satisfeita.]
Não tarda irá aparecer
A festa do re(nascer).
Antes disso, nós teremos
O canto do «ADOREMOS!»
À Virgem da Conceição
Que nos ama de coração.
Portanto, o nosso papel
É ser imagem fiel
De toda a sua virtude…
De resto, Haja Saúde!
Rosa Silva ("Azoriana")
Enquanto quadras copio
Ocorreu-me então uma
Não foi dita em desafio
Nem em ocasião alguma.
Quando da terra me for
Peço lágrimas de rosas
Para fio condutor
Das faltas mais espinhosas.
E se a Deus não encontrar
Nesse caminho da luz
Que fiquem cá a orar
Fazendo o sinal da cruz.
A morte é uma dor
Que atinge os que cá ficam
Pra se transformar em flor
Dos que em Deus acreditam.
A dor e o sofrimento
Enquanto se vive cá
Vão trazer doce momento
Quando se for para lá.
Esse caminho não sei
E nem sei se alguém sabe
O que temos é uma Lei
Onde todo o Amor cabe.
Rosa Silva ("Azoriana")
Com Maria Clara, Bruno Oliveira, Carlos "Santa Maria" e Mota. Um elenco digno de registo e aplauso.
Certamente que estes ilustres cantadores irão atrair as atenções de muitos apreciadores das tradicionais cantorias ao desafio. Pressinto que as duplas se irão debater da melhor forma. Se fosse por seleção minha colocaria o Mota com o "Santa Maria" e a Maria Clara com o Bruno, mas acho que podiam cantar, cada um, da seguinte forma:
Mota com Maria Clara
Mota com Bruno
Mota com "Santa Maria"
Maria Clara com Bruno
Maria Clara com Mota
Maria Clara com "Santa Maria"
E, finalmente, Bruno com "Santa Maria". Esta sim, uma dupla que me abrasaria o coração. Um porque é uma atração recente e outro, respetivamente, porque adoro ouvir os seus encantadores poemas cantados.
Ultimamente, confesso, tenho andado um pouco "introvertida" nos meus artigos de blog, nas quadras da minha alegria, no prazer de escrever. Sinto que me falta algo para voltar freneticamente a este rosário de sentimentos rimados que brotam do coração de ilhoa. O que será que me fará ressuscitar do marasmo literário?!
Em primeiro lugar, vou tentar seguir as ordens do "novo" AO - Acordo Ortográfico que retira aquelas letras que não nos fazem falta e que não pronunciamos quando falamos. Agora imaginem as letras que terão de ser tiradas (ou acrescentadas) pelas pessoas cuja pronuncia é diferente do comum dos cidadãos. Francamente, não estou para me ralar com isso. O que me rala (e muito) é o facto de haver uma greve geral (amanhã) e não me apetecer sequer em perder um dia de salário. Ainda se me pagassem o dia de ausência e se, em vez do dia de greve ser numa quinta-feira, fosse numa sexta-feira (o dia seguinte), já fazia as minhas delícias e juntava ao fim de semana o prolongamento tão desejado (que no próximo ano será cortado, certamente).
Também quero informar-vos que não tenho tido paciência para escrever e nem me perguntem a razão. Ando com vontade de fugir à realidade noticiosa. Estou, sinceramente, cansada de algumas palavras e até tirava-lhes as letras todas: crise, cortes, cortes, crise, impostos, etc.
A inspiração anda pela valeta. Despovoa-me o cérebro. A penumbra é um esconderijo vistoso e a solidão já não apresenta os mesmos contornos de outrora. Quanto mais me tento esconder do que ouço, vejo e não digo, mais sou procurada. Sinto que o mundo está a uma unha negra de se meter no precipício e levar consigo tudo o que se mexa.
Não me digam que estou pessimista, derrotista, triste, depressiva... Eu afirmo que não! Estou bem, graças a Deus.
Estou talvez como o Grupo Central com períodos de céu muito nublado, mar cavado a grosso, neblinas matinais, chuvisco e ventanias que recomendam a estadia em lugar quente e agradável.
E não me falem em greve nem em roupa ou faixa preta para assinalar o descontentamento público com a situação portuguesa ou insular. Cuidemos é de preservar o nosso ordenado que vem por ordem de não sei quem e que garantidamente querem é que haja produção e não roupa preta... Hoje nem sequer se põe luto pelos familiares mais chegados que partem em definitivo fará por um melhoramento que não passa de uma utopia.
De quem é a culpa do estado da Nação?!
Rosa Silva
Não sei o que vos diga
Não sei o que vos conte
Para entrar na cantiga
Mais vale ir tudo a monte.
A dívida é imparável
O sonho é impossível
Já tudo é aceitável
E pouco é corrigível.
Sem ares de abundância
Vai o mundo cristão
Se de Deus há distância
Distância há do irmão.
Nesta disparidade
Anda o meu pensamento
P’ra dizer a verdade
Falha neste momento.
Enlaça a solidão
Das palavras escritas
E anda em contramão
Das que saem bonitas.
Sinto o Adamastor
Nas letras adiante
Onde está o Pastor
Do meu texto abundante?!
Rosa Silva (“Azoriana”)
Não sei como começar este artigo à luz de uma tentativa de seguir os primeiros ensinamentos relacionados com o AO - Acordo Ortográfico que se não é usado por todos, por enquanto, será necessariamente posto em prática por todos, quer queiram quer não. Pessoalmente, estava um pouco apreensiva com esta "nova" mudança, uma vez que sou uma mulher nascida em sessenta e quatro. Graças à generalização da formação, hoje estive presente na reaprendizagem de letras (26 do alfabeto) e palavras que suprimem as consoantes que não se ouvem, por serem mudas. As consoantes c juntas "cc", "cç", "ct" e p "pc", "pç" e "pt" irão ser supridas a favor do que se ouve: colecionador, ação, atual, rececionista, perceção, ótimo.
Depois da excelente explicação da formadora (valha-nos isso!), fiquei fã da alteração, nalguns casos. Acho que a mudança devia ser mais radical ao ponto de acabarem as exceções e opções, ao gosto de palavra tida como universal. Eu abolia muito dos hífens deixados, mantidos ou surgidos no novo AO. Mas quem sou eu, afinal? Uma mulher que sempre gostou de escrever sem erros e agora vê-se na eminência de escrever alguns, enquanto não ficar uma aluna perfeita. Perfeição não há, nem nunca há de haver. Pena que a língua portuguesa seja tão complicada de aprender, usar e transmitir a quem vem visitar-nos. Penso que o AO ainda será alvo de algo novo no futuro.
Eis o que resumi, em quadras, praticamente no fim do dia de estudo ortográfico:
Na pós-formação de um dia
Que corta os "c" (cês) e os "p" (pês)
Sinto que há uma magia
Com respostas sem porquês.
Tiro ao fim de semana
O hífen acostumado
E entro nesta gincana
De Acordo ao nosso lado.
Dói um pouco aos antigos
Ficarem hoje à mercê
Do batismo sem "p", de amigos,
Que há de vir no que se lê.
«O que não ouves não escreves»
É a regra principal.
Escrever mais do que deves
Pode, enfim, fazer-te mal.
O Lince vai-me ajudar
A sair desta enrascada
É livre para instalar
E usar não custa nada.
Nossa língua portuguesa
Acerta seu alfabeto
Vinte e seis letras na mesa
Com seleção do correto.
Venha daí o corretor
Auto/ultra-tecnológico
Para que o processador
Seja sempre o mais lógico.
Que não seja Adamastor
O rochedo da escrita
Pois enquanto houver amor
Teremos língua bonita.
Rosa Silva ("Azoriana")
A minha foi assim:
Eu tinha 15 anos. Estava na casa dos meus pais na Serreta. Pouco antes de ocorrer o sismo, ouvi o ruído de um trator na canada e corri para a janela para confirmar se eram os meus padrinhos que nos vinham visitar. Era dia de Ano Novo e era costume a visita da praxe. Com tamanha alegria corri e saí porta fora. Ao virar a esquina da casa começou um tamanho barulho, a natureza parecia ondas de papel e vi a sineira do atual Santuário de Nossa Senhora dos Milagres como nunca vira antes nem nunca mais vi, pois ficava oculta no lugar onde eu estava. Com tal ondulação tudo se mexia. As paredes da casa das minhas velhinhas primas caiu, eu gritava, gritava... Ninguém me ouvia tal o barulho que acompanhava o meu medo. Aconteceu-me algo estranho e fiquei com um frio horrendo. Não havia roupa que me tirasse aquele frio, nem o casaco grande da minha mãe.
A sensação que tinha era de último dia. Que prolongamento temeroso. Nunca mais parava aquela tremura...
Quando finalmente parou o maior, sim, porque depois vieram tantos tremores mais pequenos, as réplicas, que eu sentia todas. Parecia que as adivinhava.
Nunca mais houve sossego na nossa casa nem na dos vizinhos. Tudo queria saber em que estado estavam as casas.
Sei que alguém que vinha da banda das Doze Ribeiras deu uma triste notícia... Que morrera uma rapariga... Quando soube quem era chorei... Era a minha amiga predilecta: Zita Meneses. Tal desgraça!
Depois, depois tanta coisa... Vi todos (ou quase todos) os camiões que passavam para a limpeza da via e das casas, com pessoal vindo de fora...
Jamais irei esquecer a primeira viagem à cidade de Angra... Tudo perdido! Tudo derrubado... Uma tristeza.
Minha mãe tinha que voltar ao Hospital pois estava apenas a passar o Ano Novo com a família (sofria de esclerose múltipla) mas não foi possível ficar no Hospital... Não havia lugar para pessoas que não tivessem em perigo de vida. Foi para o Liceu mas não tardou a chegar a casa de táxi.
Dormíamos de olhos abertos numa sala todos juntos. Ninguém ousava deitar-se no seu quarto.
Eu não ia à casa de banho sozinha. Não ia sozinha a lado nenhum nem permitia que apagassem a vela que iluminava a escuridão infinita.
Ainda hoje fico gelada ao pensar naquele dia de Ano da destruição, morte e memória colectiva.
Estou disponível para o que for necessário porque a única coisa que o Sismo de 80 me trouxe foi a razão para ter o 1º emprego. Trabalhei no GAR - Gabinete de Apoio e Reconstrução de Junho de 1982 até Fevereiro de 1985.
O sismo de 80 acompanhou-me uma vida. Os meus 3 filhos são sobrinhos de uma tia que faleceu ao fim de 5 dias devido a ter caído junto com pedras da janela onde estava debruçada...
A minha filha até fez, recentemente, junto com as colegas uma Exposição na Escola Secundária de Angra do Heroísmo alusiva ao tema e com a presença de um fotógrafo que faleceu após essa efeméride.
E tanta, tanta coisa mais que é comum a tantas pessoas que viveram a tragédia que já conta com trinta e um anos.
Pessoas, animais, casas, cerrados e portais... Nada ficava impune à revolta da natureza que ninguém tinha poder ou mão.
Rosa Silva
Mas que dia interessante
Jamais se repetirá
Martinho é triunfante
E connosco brindará.
Com castanhas e bom vinho
Verdelho de preferência
Venha um gole de carinho
Cor lilás de excelência.
Bem mais que um agasalho
Agradeço a novidade
À Equipa de trabalho:
O SAPO hoje festeja
Capicua da amizade
Que São Martinho deseja.
Rosa Silva ("Azoriana")
Índice temático: Rosa e rimas do coração
Sou mulher de rima leve
Não quero ferir ninguém
Mas se algum nisso se atreve
Posso responder também.
Nas ondas do improviso
Solta-se a rima no ar
Se se ganha algum sorriso
Já valeu nosso cantar.
Por vezes o dom ressalta
Com enorme emoção
De certeza nos faz falta
É cantar de coração.
O coração da cantiga
Está no cerne da Terceira
A quadra é nossa amiga
Genuína e verdadeira.
Rosa Silva ("Azoriana")
2011/11/10
As ilhas tocam a alma
Porque da ilha eu sou
A paisagem me acalma
E a quem já a visitou.
Nosso mar leva a palma
E o céu nos abraçou
Penso que toda vivalma
Por ele se encantou.
As festas das freguesias
Touradas e romarias
São um mar de tradição.
Belo azul veste a gente
Que vive o Verão ardente
Com alma e coração.
Rosa Silva ("Azoriana")
Tudo passa veloz por este tempo que se vai mantendo, ora cinzento, ora dourado, conforme a graça do clima. Veloz também vão os nossos aniversários, sobretudo se olharmos de volta a um passado que já nos parece tão longínquo. Ainda lembro dela, a minha mana, pequenina e traquinas, a quem chamavam lá por casa "a pequena", e que hoje está mulher feita, esposa e mãe.
Um aniversário, na minha perspectiva, é uma festa. Trouxe este hábito desde miúda. Nos meus tempos de criança e jovem, lembro que se fazia muito caso do dia de anos, nem que fosse com um alarido diferente, um prato melhorado e tentava-se manter viva a alegria do lar festivo. Hoje, já nem se pode fazer muitos pratos melhorados mas basta uma palavra, um forte desejo de FELIZ ANIVERSÁRIO, HUMBERTA MARIA!
Se a escrita desse pão
Daquele que faz mais falta
Eu dobrava a inspiração
Pra ter “Luzes da Ribalta”.
[Estrela do filme mudo
Com brilho antepassado
Charles Chaplin vale tudo
E ficou sempre lembrado.]
Hoje a Rosa canta a rima
Pelos dedos num teclado
Se ganhar alguma estima
Tem o prazer redobrado.
E digo a toda a gente
Que a rima é uma terapia
É um dom que no presente
Me dá prazer e alegria.
Mas se fosse para escrever
À conta de ganhar pão
Acabava por morrer
Só a rima é que não.
Porque a rima essa fica
Nas ondas da blogosfera
Que ao mundo inteiro dedica
As luzes da nova era.
Rosa Silva ("Azoriana")
A ilha é...
Bordado lilás de marés na fachada,
Cantinho de versos, solar de cantigas,
Um céu de magia no peito aninhada,
Canção de amor que no sonho me abrigas.
A Ilha é o perfume da terra lavrada
Que cai no regaço das rimas amigas;
É mar que abraça uma pedra murada
No cais da saudade de vozes antigas.
A ilha é a alma dos bravos ilhéus,
Das festas, folguedos e da Romaria:
Eu creio que é bela e filha dos céus.
A linda Terceira é um manto de cores
De Cristo Jesus e da Virgem Maria...
Merece ser o coração dos Açores!
Rosa Silva ("Azoriana")
"Os Confrades da Poesia", Boletim nº 33/2011, de Fevereiro.
Maria Luisa Mourão
poetisa nascida em 01/11/1950, Ipu/CE.
Parabéns, Malu Mourão,
Por mais um ano de vida!
Que esta comemoração
Seja p’ra si tão querida.
Venham vales e colinas
Venham montes e ravinas
Venha a terra e venha o mar,
Todos num rio da escrita
Numa maré favorita
Para si hoje a cantar.
Desejo felicidade
Que redobre a amizade
No seio da Academia;
Parabéns, Malu Mourão!
Um abraço de coração
Da amiga Rosa Maria.
Rosa Silva (“Azoriana”)
Parabéns dou aos "Cânticos da Beira"
Com um assento pleno de cortesia
Rosa, madrinha da ilha Terceira
Louva todas as visitas da poesia.
Clarisse, sonetista com mestria,
Junta a melodia do seu belo Ceira
E vai-nos cativando no dia-a-dia
Para a cruzada muito à boa maneira.
Coimbra - Beira e Angra do Heroísmo
Marcaram alguns momentos da história
Abraçando novos ecos de lirismo.
Um hino se cria em elo verdadeiro,
Aos Cânticos que são nova glória
De Portugal e do mundo inteiro.
Rosa Silva ("Azoriana")
Índice temático: Rosa e rimas do coração
Angra do Heroísmo, Terceira, Açores
Dedicado ao Blogue de Clarisse Barata Sanches, de Góis - Coimbra, intitulado "Cânticos da Beira - Prosa e Poesia", pela comemoração das 50 mil visitas
Longe vão os tempos em que, no dia 1 de Novembro, era uma correria pela freguesia abaixo, por ruas e canadas, com uma saquinha de trapos, feita pelas mãos artesãs familiares, rumo ao peditório anual de alguma moedinha, ou umas castanhas, ou, ainda, umas socas de milho, de cor rubra. Era a tal cantilena: "soca vermelha, soca rajada, tranca no c-u a quem não dá nada". Era sempre assim a "reza" triste para quem não se aprontava a abrir a porta à criançada que ansiava por ter a saca cheia até não puder atar-lhe os fios cuja ponta tinha de ter uma bolota de lã, bem-feita e de boa aparência.
Longe vão todos os tempos do Pão-por-Deus! Cada guloseima que as crianças arrecadam agora não tem o mesmo sabor de um bolinho de escaldadas, que era aquele bolinho de massa doce com um tanto de farinha de trigo e de milho, que era escaldada com água a ferver e misturada àquela, para que o nosso paladar ficasse com apetite de mais um pouco de bolinho, acompanhado por um licor de vinho, um cálice de aguardente ou do tão desejado anis, ornamentado do funcho açucarado que mais parecia um ramalhete de "flores alvas de neve".
Que saudades! Que saudades, de chegar a casa radiante e mostrar o resultado do peditório por alma dos defuntos, que no dia seguinte, eram visitados na morada das ossadas, com o depósito de um ramo de flores, ou simplesmente, uma oração ou uma lágrima na lápide fria de uma terra ainda mais fria.
Que saudades, de ti, mãe! Eras a primeira a ensinar-nos o amor pelo que era nosso desde o primeiro choro do berço feito com o suor do rosto do pai e com a alegria da chegada de um novo ser para a freguesia que nem sei quanto tempo mais ficará com esse atributo, visto que ser freguesia hoje tem de reunir vários condicionalismos, e um deles é o número de habitantes satisfazer a existência de um Presidente de Junta, e seus auxiliares...
Resta-me enviar um abraço muito, muito apertado a todas as crianças que pedem a esmolinha de porta em porta por alma daqueles que já não lhes sorriem mas que são o motivo para que os seus descendentes continuem a sorrir, na medida das possibilidades, para o novo bando de amiguinhos do Pão-por-Deus.
Bom Pão-por-Deus para miúdos e graúdos!
Rosa Silva ("Azoriana")
SALVÉ OS CONFRADES DA POESIA
Três anos de poesia
Se festejam em triunfo
Para todos é um trunfo
Da partilha em cortesia.
As quadras da minha trova
Simbolizam a amizade
Lusa açorianidade
Nesta Confraria é prova.
Sãs unidades de amor
À cultura portuguesa
Com o perfil da natureza.
Seja poesia em flor!
No cortejo de amizades
Salvé todos os Confrades!
Para 30/10/2011
Rosa Silva (“Azoriana”)
“Hoje faz oito anos que a avó Matilde morreu!”. Foi esta a primeira mensagem que recebi via telemóvel. Foi a minha filha que me alertou para o que eu já sabia desde há muito. Graças a Deus que se lembrou. É muito difícil esquecer a partida daqueles que mais nos amaram e que amámos mesmo que sem se balbuciar tal palavra. Bastava um olhar, um sorriso, um sentimento de pertença para quem nos dá à luz…
Eu não queria chorar por ela mas, neste momento, caem-me algumas gotas de sal pelos olhos. Eu sei que ela, a Matilde, está bem! Ela ajuda quem se lembra dela. Eu sei! Já me ajudou imenso e continua a ajudar. Mesmo após já não estar no reino dos vivos, continua a habitar o meu coração e no coração de quem nutre a lembrança dela.
Matilde, ó minha Matilde!
Tiveste um grande coração
Plantaste-o nas tuas filhas
E nos teus quatro netos
Luís Carlos, Aida Alexandra,
Saulo Miguel e Paulo Filipe!
Matilde, ó minha Matilde!
A guardiã da Serreta
A amiga fiel da Virgem Maria
A fortaleza do Amor
A “santa” do novo céu!
Mãe, palavra pura de afeto
Risonha na descendência
Tristonha na ausência
Medonha no sofrimento
Mantida na voz do talento.
Matilde pelo bem fizeste
Descansa no trono celeste
Cornucópia do sorriso
Amante do improviso
Benditas sejas ó Mãe!
Rosa Silva ("Azoriana")
Muitos parabéns ao criador (Tibério Dinis) e colegas autores (João Cunha, Rui Ataíde e Tiago Gonçalves). 28 de Outubro é uma data que faz parte de outras lembranças também, embora menos felizes.
Desejo a continuação concreta de temas e conversas actuais e precisas.
Rosa Silva ("Azoriana")
Sem ti a minha noite é canto triste.
Falta-me o carinho do teu olhar;
Ainda bem que o sonho em mim existe,
Para contigo, meu amor, puder sonhar!
No vulto do sonho eu deposito
Toda a minha cristalina vontade;
É que eu ainda sinto e acredito
Que serás, um dia, meu de verdade.
Tal dia, quem sabe, enfim virás,
A pétala do amor, encontrarás,
Mais brilhante que o sol e que a lua.
Do meu canteiro, solto o coração
E deixo-me plantar com devoção:
Sou pétala que deseja ser tua!
Rosa Silva ("Azoriana")