Assim começam as Histórias para crianças: Era uma vez....

Um presépio. Nesse presépio tinha um Menino, uma Maria, um José, um Anjo, um burrinho e uma vaquinha. Tinha também umas ovelhinhas que aqueciam as palhinhas do Menino. Tinha um galo para chamar os pastores e visitantes do Menino que iria nascer dali a um mês, como era habitual festejar em todos os anos, em quase todos os lares e igrejas.


 


Estava na altura de "armar" o presépio na parte mais harmoniosa da casa. Com esta seria a terceira vez que tais criaturinhas vinham à luz do dia e ao luar da noite. Mas, de repente, houve um alvoroço. Uma ventania... turbulência... desassossego bastante e tudo virava, tudo tombava com a intempestiva chegada de uma bola de pêlo luzídio de negro... Mas quem será? Mas quem será o intromissor?


 


Era nem mais nem menos do que o "Faraó", o preto como lhe chamamos todos os dias. Ei-lo instalado no seu trono preferido. E onde estará o Menino?


 


O Menino acho que está confortavelmente aquecido por este bichinho de olhar esverdeado, cujo sorriso nem se vê... O nosso é que se viu estridente :)


 


 



Esta imagem tem direitos de autor: é única!


 

Alexandrina Cota e netos

 


Avó e netos

 


Vitorina, Laura, Natália, Rosa, Daniel


Manuel Marcelino, Alexandrina (minha avó) e Humberta


 


Olhando esta imagem, onde estão oito sorrisos radiantes e diferentes, com o mesmo sangue correndo nas veias, dá uma saudade inimaginável. Julgo que aqui teria treze anos (1977). Estava tão feliz ao lado dos meus cinco primos, irmã e avó materna. Qual dos primos é o mais parecido com a sua avó? Ela já não está entre nós há vinte e quatro anos. O neto mais velho era o Daniel Cota que partiu cedo, com meio século. Todos casaram, todos tiveram descendência. Apenas eu estou divorciada.



Acho que o meu filho mais novo é o retrato da tia, a neta mais nova de minha avó, que está do seu lado esquerdo. Dizem que ela é parecida com o pai e eu parecida com a mãe.




Alexandrina com sete netos
Estava radiante e feliz
Rodeada de afectos
Trilhando a sua raiz.

Vitorina, Laura e Natália,
Humberta e o Manuel,
(Só eu não fui Cidália),
Rosa e também o Daniel.

Neste dia de alegria
Sorrindo aos americanos
Que tiraram a fotografia
Que perdura há muitos anos.

Quem me dera reconstruir
Todo este enorme encanto
Continuar a sorrir
Lá naquele terno canto.

Ai tanto que já passei,
E outro tanto vivi,
Aquela sala limpei
E agora não moro ali.

Já tomou outra figura,
Há paredes derrubadas,
Na lembrança há a ternura
Destas horas bem passadas.

Rosa Maria

Quando estamos felizes abraçamos o mundo

Amei quando me disseste: (...) "a minha amiga "Azoriana" é um livro aberto! E universal a partir da ilha."


 


Quem, como eu, vive numa ilha é que sabe o sentir ilhéu. Quem, como eu, vai tendo acesso às novas tecnologias que nos põem em directo com o universo virtual, que certamente vai passando para o real através da impressão e/ou divulgação de mão em mão, é que sabe o impacto que se vai tendo nos diversos sentires.


 


Sou o retrato de alguém que me doou um dom, cuja apresentação só se deu quando me voltei para mim e vasculhei sentires que jamais me tinham fustigado antes do ano de dois mil e quatro, mais propriamente, o mês das flores: Abril.


 


O respigar das pétalas foi tomando o meu ser e abraçou-me de tal forma que nem deu para me afastar. Embrenhei-me por marés e ventos em escritos de apetecer, de prazer e de gratidão, de oblação. Não ousei disfarçar os sentires de quem me abraçava e me impelia a rascunhar, tecladamente, outra forma de vida. Uma forma, de tal forma, que me deu asas e voei, me deu sorrisos e sorri, me deu paz e fiz-me folha de miravento, o tesouro que desejo e acalento.


 


Graças a um punhado de heróis das letras, na língua mátria, percebi que, finalmente, os meus sentires são o que tenho de melhor - o amor de berço. O SAPO foi a ponte para avançar na fortaleza das ideias, o resto veio por acréscimo. Presentemente, descubro que sou uma mulher realizada e feliz. Agradeço a quem consolidou este sentir.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

"one more shoot" na Serreta

"A exposição de fotografia "Percursos de Esperança" será inaugurada no próximo dia 2 de Dezembro, pelas 18:00h, na Academia da Juventude da Ilha Terceira - Praia da Vitória, local onde poderá ser visitada durante todo o mês de Dezembro.

Esta é a fotografia que estará a representar-me. Dei-lhe o nome "Fé enquanto fonte de esperança" e foi captada no Santuário Diocesano de Nossa Senhora dos Milagres, localizado na freguesia da Serreta, ilha Terceira, na madrugada do dia 12 de Setembro de 2010. Foi a única fotografia que submeti à avaliação do júri. Foi uma das 20 seleccionadas de entre um total de 104 fotografias apresentadas a concurso."


 


Estes dois parágrafos, acima, fazem parte de um artigo publicado por Miguel Bettencourt, um blogger terceirense que conheci no I Jantar de Bloggers da Terceira. Fiquei com uma boa impressão dele e, sempre que nos encontramos, quer na vida virtual, quer na real, há uma cortesia amigável, uma palavra de simpatia e uma irmandade blogger. Fazemos parte deste novo mundo de escritos e imagens captadas com um olhar atento.


 


É precisamente por causa desse olhar atento que hoje dedico este artigo ao caríssimo Miguel Bettencourt. O Miguel gosta da Serreta e com a sua imagem submetida a concurso ficou num bonito patamar. Que maravilha! A Senhora dos Milagres faz milagres a quem dela se abeira. Acreditem que é verdade.


 


Estou muito feliz e mais feliz estaria a minha falecida mãe porque veria a "sua" Serreta como uma «fonte de esperança» de olhares peregrinos.


 


Obrigada Miguel, muitos parabéns!


 


Rosa Silva ("Azoriana")

O que pensam de ti...

"Terceira

Poderia chamar-te a ilha dos monumentos e dos cronistas, tu que és a mais histórica destas históricas ilhas... Poderia falar das tuas fortalezas, dos teus conventos, das fachadas das tuas casas renascentistas...



Poderia até chamar-te Angra do Heroísmo, cidade vaidosa do património mundial! Ou então Praia da Vitória, terra-mãe de Nemésio que ninguém leu.



Ah, sim, e poderia falar das tuas touradas e da euforia das tuas festas! Tanta coisa que eu poderia dizer do teu povo festivo e festeiro. Dos teus arraiais. Dos teus impérios. Das tuas alcatras suculentas. Da tua massa sovada de apetecer. Do teu alfenim conventual. Das tuas Danças de Entrudo. Da ternura que contigo partilhei no Jardim. Dos beijos que contigo troquei nas banquetas do Pátio da Alfândega. Das tuas quintas de S. Carlos e das tuas matas da Serreta...



Mas não. O que quero mesmo é repousar o meu olhar no teu Monte Brasil. E imaginar que vou partir por esse mar fora! E viver intensamente o bulício a bordo de paquetes iluminados. E respirar, no convés, a amplidão dos horizontes. E, depois, recolher ao camarote e adormecer. Com as vagas por travesseiro."


 


"Visões das ilhas", Victor Rui Dores *, in "Comunidades" da RTP-Açores.


 



Victor Rui Dores



 


* Victor Rui Ramalho Bettencourt Dores nasceu no dia 22 de Maio de 1958, na vila de Santa Cruz da ilha Graciosa, Açores. Licenciado em Germânicas, pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, é actualmente professor na Escola Secundária Manuel de Arriaga, e, na cidade da Horta, desenvolve apreciável actividade cultural. Com vários livros publicados, é poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, cronista, etnomusicólogo e linguista. Colabora regularmente nos jornais, na rádio e televisão dos Açores e está ligado à actividade teatral como actor e encenador.
Produção Literária: Poemas de Mar e de Fogo(poesia), 1978; Grimaneza, ou um Barco Chamado Desejo (contos), 1987; Entre o Cais e a Lanche (poesia), 1990; À Flor da Pele (poesia), 1991; Sobre Alguns Nomes Próprios Recolhidos na Ilha Graciosa (ensaio), 1991; Histórias em Peripécias, 1990; Bons Tempos (crônicas), 2000; Açores, as Ilhas Ocidentais - Azores, the Western Islands (albúm fotográfico), 2004; A Valsa do Silêncio (romance), 2006; A Graciosa Ilha (texto/fotos de José de Nascimento), 2009.

Olhos nos olhos

Bendito seja o teu olhar. Bendita seja a tua escrivaninha, onde te sentas e dilaceras, amigavelmente, com a tua pena as folhas de outrem. És o juiz cordial, o tutor magistral, o bálsamo da alma, que rima a paz de uma gaivota, o murmúrio das ondas temperadas de desejo, o cálice da aventura ilhoa, o caminho do sonho, a fluidez do canto, o sopro do verso estendido no corpo de uma quadra, a redondilha marcando o tempo que não volta mais.


 


Fixaste os meus olhos e absorveste as ideias da alma. De um trago possuiste a ideia germinada nas entranhas da vida, ora calma ora num turbilhão de pensamentos nus. E viste o meu berço talhado pelo suor de umas mãos que mimaram o corpo saído do ventre do amor. E ouviste o meu choro tonificado pela melodia angelical da clave rural. E tocaste o meu ser escrito nas dunas da alegria e nas escarpas da tristeza. E tingiste o teu olhar com as águas límpidas colhidas de um denso nevoeiro que enfeitiçou o teu coração peregrino...


 


Ai, como sou feliz sabendo que os teus olhos fitaram os meus sem ser preciso uma presença viva. Por isso, eu digo, basta um olhar interilhéu para se saber que as rimas são um doce da alma terceirense.


 


A felicidade não existe todo o tempo, não se faz a curto prazo, mas quando nos bate ao coração está na altura do grito: Estou feliz!


 


Rosa Silva ("Azoriana")


 


P.S. A propósito de um e-mail recebido que ficará como lembrete.

Canto ao Vinho!

 


Ó vinho delicioso
Que adoças a garganta
Para mim és glorioso
És do bago que me encanta.

És o néctar fabuloso
Que no paladar se planta
És o bom vinho, famoso,
Que até o humor levanta.

Cálice de tom divino
Maresia do lendário
De sabor puro e fino.

Casa Brum, Chico Maria,
Nobre Museu, Donatário,
Resistência mais Confraria.

Rosa Silva ("Azoriana")


 Índice temático: Desenho sonetos


 


Chico MariaDonatárioDa Resistência


Imagens de "Bagos d'Uva", blog biscoitense

Começaram os ensaios

Toda a ilha já festeja
O ensaio da sua dança
Espero que a tua seja
Temperada de bonança.

Escrever a saudação
Bem como a despedida
É uma boa missão
De alegria surtida.

Escrever o Carnaval
Com graça e riso a eito
Mesmo antes do Natal
Já começa a dar efeito.

A alma do nosso povo
Se veste da nova rima
Enfeita velho e novo
E o humor vem ao de cima.

Canta, canta, meu amigo,
Tuas rimas insulares
Preserva no teu artigo
Nossas artes populares.


Tenho certeza que a festa
Marca ponto na ocasião
Quando o dom se manifesta
Nas rimas do coração.

Rosa Silva ("Azoriana")

Palavras são sementes

Palavras são sementes

Um lindo agradecimento, recebido por email, de Malu Mourão

MEUS AGRADECIMENTOS
Malu Mourão

Uma Luz Divina veio me iluminar
E uma grande felicidade invadiu todo o meu ser.
A onda de alegria que me cobriu com o seu festejar,
É o tão sublime presente vindo de você.

E na data para mim assim tão especial,
Uma corrente miraculosa de amizade a me envolver
Numa gigantesca onda de calor humano sem igual,
Neste aniversário, de amor me fez renascer.

Senti-me amada e feliz no meu existir.
Cada mensagem recebida foi um gesto a florescer
Uma certeza absoluta que guardarei dentro de mim:
Dar amor é a melhor forma de se viver.

Hoje, com a glória de Deus a me guiar
E muito feliz de poder neste poema transcrever,
Todo carinho recebido de vocês num parabenizar,
Com todo meu afeto, venho AGRADECER!

Serreta - Imagens

Serreta

Momentos em imagem

Cantoria


 


Dias felizes...


 


Para além da imagem


 


Clique

Imagens que inspiram a Valsa das Cores

A Serreta no seu melhor

 


Imagem da autoria de Liduino Borba


In Serreta na intimidade, 2011. Página 103, figura 258 (de 2010)




A VALSA DAS CORES



Dançam verdes, azuis frescos,
Numa valsa acetinada
Nesses quadros pitorescos
De quem os vê da estrada.

Dançam palavras de sonho
Pela mente de um escritor;
Nas minhas eu sei que ponho
Com enlevo o meu amor.

Na linha do horizonte
Pasma o céu perante o mar
E o que vejo ali defronte
Entontece o  meu rimar.

Na rima que em mim dança
Num atalho de ternura
Há um tom de esperança
Frente ao azul da aventura.

Rosa Silva ("Azoriana")



Nota: Jamais esquecerei a expressão de contentamento de José Fonseca de Sousa quando me lembrou desta Valsa das Cores, ao ponto de voltar a reler o que tinha escrito em 2010. Confesso que também gostei de viajar nestas cores que nos tingem de alegrias.

Cantoria nas Doze Ribeiras: dedicatória no dia seguinte

Nas Doze Ribeiras cantei
Com o "vizinho" Valadão
Nossa amizade selei
Naquele bonito serão.

A Mãe foi o desafio
Feito de boas maneiras
E feliz de quem ouviu
O valor das Doze Ribeiras.

Pois só há um cantador
Na freguesia do Dragão
Peço a Deus Nosso Senhor
Que ampare o Valadão.

As rimas do coração
A São Jorge eu reponho
Padroeiro do torrão
Onde realizei um sonho.


 


2010/11/14
Rosa Silva ("Azoriana")





 

13 de Novembro: Cantoria nas Doze Ribeiras no Clube da Bola

Tenho pena, muito pena, de não lembrar as cantigas que trocámos num serão que perdurou até ao novo dia. Perante a assistência e seis cantadores masculinos - Fernando Alves Fernandes, José Medeiros; Ludgero Vieira, Isidro de São Bartolomeu; Valadão e eu (representando o sexo feminino); Fernando Alvarino e, novamente, Isidro de São Bartolomeu; sem esquecer os quatro tocadores - duas violas e dois violões, entusiasmei-me por dar o meu melhor contributo.


 


Ontem, nas Doze Ribeiras, tive a oportunidade de realizar novo sonho: cantar com o sobrinho do antigo vizinho Barbeiro, da Serreta. E, sem dúvida, que ele segue o cerne das cantigas ao desafio com garra. Belas cantigas honrando o nome: Mãe. As rimas soltaram-se à roda deste tema e sublimaram os laços de amizade.


 


Em 1975/1976 estive na Telescola das Doze Ribeiras e aprendi o valor da amizade. Perdi uma grande amiga por ocasião do sismo de oitenta e até hoje não esqueço a dor que senti. Ontem, pela minha mente, passou o filme do passado, mas não dei cavaco. Cantei o que me surgiu repentinamente sob a melodia que gosto tanto.


 


Na despedida conjunta lembro desta:


 


Se há flores no meu regaço


Deixo todas para vocês


E também deixo um abraço


De finura e tão cortês


Se me virem noutro espaço


Lembrem do dia deste mês.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Texto morno

Empurrei o pano da tristeza e alegrei-me na ventura do copo matinal. O dia amanheceu coroado da vontade de continuar tingindo as linhas da novidade próxima. Sequei as lágrimas de odes antigas e continuei o trajecto das rimas coloridas da pr.oximidade natalícia. Vesti o traje que obriga à rotina de mais um sábado. É o meu dia de excelência para nada ou coisa alguma. É o dia de esperar que a noite caia de mansinho no timbre de uma viola que ao avistar o companheiro violão, se apruma no "trin-trin-trin" de mais um "vício" de desafiar o desafiado, afinado.



E canta a minha alma repousada no beira da tarde. Escorregam os dedos na caminho das teclas, num ritmo atinado e escorrega o suco de mais uma semana de enxaqueca da palavra.




Os ares ainda não me consolaram nem à pele franzida de sono. Deixei-me ficar na pousada quente. A porta entreaberta trouxe-me o rescaldo da frieza campestre.


 


As castanhas deixaram o rasto de outono. As folhas teimam em alourar o chão que agradece, tingindo-se. Eu insisto em ficar retida nas delícias de um texto morno. Abraço mais uma palavra. Componho o verso que te dou, impune. E sonho... Sonho na volta do canto do improviso, na noite fria aquecida por olhares esguios, voltados para a viola, o violão e o seio da canção vestida de rima. A rima que deixo que me beije qual companheiro de insónias.



Casa da Azoriana
13 de Novembro de 2010
14:24

Dia de São Martinho (vai à Adega e... canta)


Doce espinho


 


O dinheiro é uma tortura


Para quem gosta da vida


Nem sequer nossa cultura


Brilha de forma querida.


 


Andamos a mendigar


Uns trocos pras algibeiras


Nem chegamos a ganhar


Coisa de ir além fronteiras.


 


A sorte é coisa pouca


Se não veio virada à lua


Há quem diga que sou louca


Por querer cantar na rua.


 


Na rua já fui cantar


E senti-me venturosa


Porque este dom de rimar


É doce espinho de rosa.



Dia de São Martinho


 


Ó querido São Martinho


Dá-me um pouco do teu sol


Com um bom copo de vinho


Cantas como um rouxinol.


 


A sardinha entra no canto


Assada em boa lenha


Bendito seja o Santo


Que aquece a castanha.


 


Castanhas, vinho e sardinhas,


Sol espalhando amizade


No solar das quadras minhas


Abraço a comunidade.


 


Ó querida ilha Terceira,


Fortaleza do magusto,


Feliz estou, à tua beira,


Neste momento augusto.



 


Rosa Silva ("Azoriana")


Magusto

Tradução de - O emigrante. Thank you so much: Kathie Baker & Dr. Bobby J. Chamberlain

A tradução de - O Emigrante

Bom dia!

A aurora floresceu sorrindo ao sol. O dia cantou tal qual um rouxinol. A vida correu na senda de iniciar mais uma tarefa de agenda. Mal sabia ela que iria encontrar uma união quase perfeita. O seu país não quisera, no passado, pertencer ao vizinho. Agora dá um aperto de mão a um mais distante e cuja língua é tão diferente da sua. São negócios. E negócios querem-se vantajosos.


 


Este acordo merecia uma nova disciplina escolar. Este aperto de mão liberta um pouco o sufoco em que a nação anda. Mas o que interessa é sair dele e ver uma luz ao fundo da fronteira. O dia está bonito. O sol também. A vida continua até que venha mais uma noite de insónias. Talvez se sonhe com uma aula chinesa, com uma palavra chinesa, com um sorriso chinês, com um cheiro chinês... e se acorde com a aurora florescendo num sorriso abafado por alguma nesga de nevoeiro... português.


 


Outrora, a estas horas, já meio mundo português tinha ido ordenhar as vacas, carregando latas cheias de alegria incontida; já meio mundo português tinha lavado uma pia de roupa e aproveitava o sorriso do sol para estender nas linhas da esperança; já meio mundo português tinha colocado o moinho a moer o trigo e o milho que, mais tarde, seria peneirado e posto num alguidar para amassar o pão que iria saciar as bocas de uma família recheada de membros festivos, cujo paladar cantava na côdea fresquinha acabada de sair do forno de lenha trazida pelos braços do trabalho feito por amor ao campo, onde crescia o tesouro de uma vida suada...


 


Outrora trabalhava-se de sol a sol, com suor, credos, lágrimas de felicidade porque nascia a aurora com o sol da fartura. Hoje tudo nasce, tudo vive e será que tudo gosta de ver passar a fartura de um negócio chinês? Talvez... Porque são as opções de vida do povo português...

O emigrante




Na mala do emigrante
Vão as rimas da saudade
São elas que, na verdade,
Mantém o elo constante.

As rimas deste torrão
São a alma da Terceira
Nas estrelas da Bandeira
Brilham além da Região.

Açores ninho sagrado
Por nove ilhas repartido
Estará mais no sentido
Do nosso povo emigrado.

O Açor no estandarte
Voa ao balanço do vento
Branco e azul por assento
Estrelas em alta parte.

Emigrante, emigrante,
Melhoraste a tua vida
Só tua alma é sofrida
Por estares tão distante.

Rosa Silva ("Azoriana")

São Carlos Borromeu e a «Porta do Céu»

Teto pintado por Johann Michael Rottmayr para Karlskirche, Viena

 


Foi São Carlos Borromeu
Que a «Porta do Céu» içou
Pela Mãe que Deus nos deu
E que para Deus nos voltou.


 


Oremos à Virgem Mãe
Que no Céu luz a morada;
Por São Carlos à porta vem
Quem nos zela a entrada.


 


Nos pedidos e orações
Tem São Carlos o Amor
Ao serviço das multidões. 




 




 


Com a fé e a caridade
É das almas o Pastor
Mensageiro da verdade!

Rosa Silva (“Azoriana”)


 


Índice temático: Desenho sonetos

Parabéns Malu!

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Parabéns Malu!



01/11/2010

O dia nasceu,
A tarde cresceu
E a noite chegou.
A festividade
Fez-se de verdade
Em nós se acertou.

E tarde cheguei
Neste dia rei
Para festejar
Com Malu Mourão
Na nova estação
Dourada a cantar.

As folhas nos prados
De tons tão dourados
Sua companhia
Alegria aos molhos
Sorrindo em seus olhos
Coroando o dia.

Muitos parabéns!
Na graça que tens
No seio da vida
Que seja entoada
De carinho ornada
A taça erguida.

Parabéns!
Rosa Maria

31 de Outubro de 2010 - "Pasodobles" serretenses

OUTROS AGENDAMENTOS:


 


20H00 - O Director Regional da Cultura, Jorge Bruno, está presente, em representação do Presidente do Governo, no lançamento do CD de Pasodobles da Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.


 


Local: sede da associação, na Serreta.


 


Fonte: Agenda do Governo Regional dos Açores para 30 e 31 de Outubro e 1, 2 e 3 de Novembro


  


Lançamento de CD de Pasodobles - Pavilhão Desportivo da Serreta - 31 de Outubro de 2010


Fonte: O Portal da Serreta



CD 2 Pasodobles taurinos


  


Nota pessoal sobre o Jantar Regional, levado a efeito pela Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.


  


Não tenho palavras que possam transmitir o que senti neste evento fenomenal. À chegada fiquei de queixo caído. Um mar de gente inundava o Pavilhão Desportivo que, graças ao trabalho dos abnegados músicos e demais organização, estava completo. Cerca de seiscentas pessoas reuniram-se para saborear o excelente manjar: sopa de pão caseiro, cozido, alcatra e arroz doce, sem esquecer as bebidas: vinho, sumo e água. Cerveja e outros sabores podiam ser adquiridos no bar improvisado neste local fabuloso.


 


Dou os meus sinceros parabéns a todos: entidades oficiais, entidades locais, emigrantes, imigrantes, mas sobretudo, aos residentes e amigos da Serreta. Depois da alocução, por parte do Reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, tivemos o prazer de escutar a actuação da Filarmónica, com algumas faixas do novo CD de Pasodobles, acompanhada pela exibição de dança de um casal jovem da freguesia de Santa Bárbara, que encantou os presentes. Eu sentia-me no céu. Juro-vos! Pela primeira vez, vi e ouvi, o que há muito devia ter visto e ouvido. Nunca é tarde para se ver e ouvir seja o que for mas, neste caso, é deveras gratificante e digno de louvores todo o trabalho levado a cabo pelos que amam a Filarmónica e dela fazem o seu cartão de exibição. PARABÉNS!


 


Ao longo da noite também houve ocasião para os interessados cantarem, a plenos pulmões, no Karaoke e para confraternização entre os resistentes, digo, aqueles cuja hora não os chama a dormir. Claro que eu não sou tão resistente e regressei ao meu novo lar a tempo de descansar o suficiente, com o pensamento voltado para a lembrança de minha mãe e antepassados: imagino a alegria que teria minha mãe numa noite destas. Ela que teve o seu pai na Filarmónica (e provam-no as fotografias lá expostas), que tem os seus netos na Filarmónica e que tem a filha mais velha numa das fotos na noite que foi convidada a festejar um dos aniversários da Filarmónica centenária.


 


Que mais posso escrever? Mais nada... Na altura, bastava olharem para mim... Devia ter um brilhozinho diferente no olhar... Um olhar com raízes serretenses sorrindo ao toque de um "OLÉ!!"


 


Rosa Silva ("Azoriana")