(De)pendências

Há mais de vinte e sete anos que trabalho em números. Não quero com isto dizer que esteja farta de fórmulas de cálculo. Há quem me peça para ajudar, para simplificar, para inovar. Isto resulta de uma nova classificação de serviço que, sinceramente, não me atrai. Mas há que me conformar com o rumo e com as novidades. Sonho com viagens, com férias ali à vizinha ilha do Pico, entre familiares e rostos conhecidos ou nem tanto…. Quando caio na real fico pelo sonho somente….

Moldar os números, caracterizá-los, ornamentá-los para "inglês" ver, não é muito difícil. O difícil é aguentar a rotina. A rotina dá cabo de qualquer ser humano. Levanta, lava, veste, come, bebe; contas e mais contas, bebe, come, despe, lava, deita. Levanta, lava, veste, come, bebe; contas e mais contas entre algum ruído: pingos de chuva a bater musicando algum instrumento que ainda não decifrei, bebe, come, despe, lava, deita…... Não posso reclamar. Há quem esteja pior do que eu.

Entre aqueles afazeres há alguma pausa para as necessidades essenciais, que até parecem cronometradas.

Há quem passe o mês a contar com 250 euros para as despesas mensais. Há quem tenha milhões e milhões para usar, brincar, gastar, comer e beber à farta, vestir e lavar-se até com águas perfumadas na melhor residência possível (e até se mostram perante as audiências televisivas)...… Há quem nem tenha um cêntimo a cair da algibeira quanto mais da carteira. E não reclamam...

Há quem tenha até perdido os tais 250 euros e continua à espera de um milagre que tarda em chegar. Bem que gostava de ajudar quem assim está mas como? Estou dependente disto, daquilo e daquele outro... Isto tudo para vos revelar (e a quem me estiver a ler por esse mundo fora) que estou a precisar solenemente de férias, de dormir, de parar para pensar, de ver outras gentes, outras paredes, outros ares. Mas como?!

Agora pergunto-vos: Como passar umas férias sem gastos e relaxadas?

Uma história real e impressionante

N'A União, jornal on-line, de hoje (Actualidade) lê-se:


EM ANGRA DO HEROÍSMO Solidão e abandono desesperam idoso.


E quantas mais histórias destas se poderão encontrar no silêncio de algumas paredes citadinas ou de algumas freguesias da ilha?


 


Há bem pouco tempo conheci um caso que também foi impressionante. Esse terminou em sete palmos de terra.


 


Também sei de outro caso que o que lhe vale é ter algumas ajudas nem que seja para ouvir os seus desabafos.

Sei de coisas que são impressionantes mas ninguém consegue demover feitios. Enfim, a crise económica que alastra também não ajuda nada. Mas a culpa é toda, toda da ganância e da moeda que levou tudo a dobrar. E agora já ninguém pode dar-lhe a volta.

Ouvi hoje um senhor, desesperado, falando alto e dizendo: no tempo do Salazar... havia um, agora existem muitos que se sobrepõe a outros.


 


Eu não me lembro muito bem desse tempo. O que sei é que se me sentia em crise antes de se iniciar a crise para muitos, imaginem agora...


 


Não me conformo é com o preço disto, daquilo e daquele outro... Tenho cá para mim que vai haver mais tentativas de ir desta para outra (será melhor?!)


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Atualização de sítios da minha amiga Kathie Baker que valem a pena visitar

I no longer like chocolates



http://www.janaogostodechocolates.com/index.htm

Graças a Katharine F. Baker estão online novas actualizações da biografia de Álamo de Oliveira, incluindo a homenagem do Dia da Região Autónoma dos Açores, o encontro em Ponta Delgada e a divulgação do recente livro de poesia que irá ser lançado a 4 de Junho p.f. no Terceira Mar Hotel.

http://www.inolongerlikechocolates.com/author_translators.htm



DEDICO A:

Álamo de Oliveira (José Henrique)

O poeta do Raminho
Outrora foi meu "vizinho"
E já muito o admirava.
Graças à Kathie amiga
Reencontro, sem fadiga,
A palavra que sonhava.

Parabéns, caro poeta,
Atingiste a tua meta,
E muito mais há-de vir.
És poeta insular,
Com vôos de além-mar,
Com futuro a sorrir.

És poeta de talento,
E grã reconhecimento
Numa douta homenagem.
Na ilha ocidental
Corvina de Portugal
Foste hino de coragem.

Festa de solenidade
Coro de felicidade
Na ilha açoriana:
Por ser ela a mais pequena
Parece uma açucena
Florindo nesta semana.

2010/05/27
Rosa Silva ("Azoriana")

Lusofonias: Publicados mais cadernos açorianos

Na resposta agradeço
A vossa divulgação
É certo que entristeço
Por não ter publicação.

Não sei como encontraram
Esta vossa Açoriana
Talvez não se enganaram
Porque um blog não engana.

Seis anos a escrever
Não é coisa muito nobre
Mas sou feliz, podem crer,
Pese embora a sina pobre.

Cada qual é pró que nasce
E nisso não há castigo
Não pretendo ser disfarce
E mando um abraço amigo.

Rosa Silva ("Azoriana")




Vejam:



Cadernos Açorianos e...

* Todos os colóquios: http://www.lusofonias.net

"Álamo Oliveira depura escrita com nova publicação de poesia" / Álamo homenageado com medalha no Dia da Região (ontem)

andancas.jpg

1. "'ANDANÇAS DE PEDRA E CAL' / Álamo Oliveira depura escrita com nova publicação de poesia":
<http://www.auniao.com/noticias/ver.php?id=20096>

O lançamento do novo livro de Álamo Oliveira "Andanças de Pedra e Cal", a decorrer no Terceira Mar Hotel, acontece às 21H00, do dia 4 de Junho.

2. "Ilha do Corvo e a Celebração do Dia da Região Autónoma dos Açores, na Segunda-feira do Espírito Santo, 24 de maio de 2010":
<http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/comunidades/index.php?k=ilha-do-corvo-e-a-celebracao-do-dia-da-regiao-autonoma-dos-acores-na-segunda-feira-do-espirito-santo24-de-maio-de-2010-lelia-pereira-nunes.rtp&post=23887>

"... Associando-se às comemorações do Dia da Região Autónoma dos Açores, na próxima Segunda-feira do Espírito Santo, na Ilha do Corvo, o Blog Comunidades da RTP-Açores, apresenta os efusivos cumprimentos as personalidades que, merecidamente, recebem as Insígnias Honoríficas Açorianas e presta particular homenagem aos escritores Álamo Oliveira, Daniel de Sá, Eduíno de Jesus e ao dramaturgo Norberto Ávila ícones da literatura açoriana."

A oito dias...

Das férias. A dez dias do lançamento do livro de Álamo de Oliveira, "andanças de pedra e cal". A catorze dias de voltar a abraçar uma amiga blogueira emigrante. A vinte e um dias de conhecer, ao vivo, uma serretense que segue a par e passo o meu blog, na senda de algo sobre a Serreta. A propósito disso, tenho a referir que passei no Domingo pela Serreta, após ter ido à freguesia da Ribeirinha. Faltava tanta gente. Faltavam familiares que gostavam e saboreavam o Bodo de vinho e pão bento com a fé total. Faltava o Daniel, o ti Manuel das Quatro Ribeiras e outros mais chegados….



Não consegui voltar à tarde para o festival do Espírito da partilha. Tive pena mas já não é a mesma coisa de outrora. Fazem-me falta os rostos de ontem. Os de hoje são escassos. O meu filho mais novo é que esteve presente desde o começo ao fim do Bodo. Estava na Filarmónica e até tocou um "solo" com a sua trompa nova em folha, disse-me todo satisfeito de que lhe saiu bem. Gosto que ele esteja lá com o primo (no trompete). A saudade aperta mais ainda. Eles seguem os acordes do bisavô (materno). São o sopro novo de uma freguesia minguada de gente. Alguns voltam mas outros estão apenas na memória….

Deixo um pensamento que anotei no dia 23 de Maio (Domingo):




Um mar de gente na Ribeirinha
Um povo ardente a desfilar
Na Serreta a alma minha
Que aquece o meu rimar.

Ribeirinha é um celeiro
Que dá pão à nossa ilha
Que alegra o seu terreiro
Na brindeira que partilha.

Vila Nova e as Fontinhas
Visitei só de passagem;
Vi os carros com sombrinhas
Valorizando a paisagem.

Vi o mar e os ilhéus,
Vi teatros do Divino,
Vi o encontro dos céus
Quando tocaram o Hino.

Ó Divino Espírito Santo
És a semente da fé
Às ilhas dás novo encanto
E a quem sabe o que isso é.

Na Terra-Chã, Victor Santos,
Cantou para o povo seu,
E no meio do seus cantos
Lá veio um que fora meu.

Alegrou-me nessa hora,
Meu nome então ouvi.
Acenei-lhe, sem demora,
Dizendo: "Estou aqui!"

São canções do emigrante
Que ama o seu torrão
São um sinal que garante
Saudades da tradição.

Rosa Silva ("Azoriana")

Dia da Região Autónoma dos Açores (republicado)

LOUVOR

Bem-haja o Nosso Povo
Nossa alma Açoriana:
Bendigamos velho e novo
Catedral de força humana!

Bem-haja o nosso Bodo,
Santa Festa e a Profana,
São espírito do todo
No eco de sempre: Hosana!

Valor, Reconhecimento,
Mérito e Dedicação,
Pro Dia da Região.

As Insígnias de talento,
São Relíquias de valores
Das nove ilhas dos Açores!

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Índice temático: Desenho sonetos

VIAGEM AOS AÇORES

ROSA SILVA %28AZ.jpg

Em Angra do Heroísmo (Açores) houve lugar para umas quadras ao gosto popular entre a conhecida Azoriana e o viageiro Armando Figueiredo [ (em baixo registo o fotograma de ambos, tirada no salão do sarau ao piano, do Hotel Terceira Mar, onde este se encontrava hospedado, e as 4 quadras (do género 'cantigas ao desafio') ]:

1

Na Serreta eu nasci
para hoje a louvar;
oxalá que para si
seja belo o recordar.
(Azoriana)

2

É belo o recordar
pra mim simples beirão,
na Serreta é estar
co'a Rosa no coração.
(AF)

3

Excelente seu registo
quando toca o coração
da Ilha de Jesus Cristo
leva a minha recordação.
(Azoriana)

4

Levo a sua recordação
das terras do Santo Cristo,
ela foi a grande bênção
nunca mais me esqueço disto.
(AF)

Parabéns, querida afilhada!

Querida afilhada,


 


 


Parabéns, afilhada!



Muitos parabéns por esta data
Do teu novo aniversário
Sempre ficarei muito grata
Com este dia no calendário.

Com idade de vinte anos
Fui contigo ao Baptistério
Foram os melhores planos
E os levei muito a sério.

Foi grande felicidade
Ter uma linda afilhada
Hoje se renova a idade
Com uma festa rimada.

Parabéns mais uma vez
Fica esta recordação:
A vinte e dois deste mês
Um abraço de coração.

Rosa Maria
2010/05/22


 

A Jorge Gonçalves, da Galeriacores

Muitos PARABÉNS

Com um ligeiro atraso
Venho dar-te os Parabéns!
Minha alegria extravaso
No melhor dia que tens.

És feliz, solene data,
Que agrada com saúde;
Nossa amizade é grata
Vai seguindo com virtude.

Parabéns caro amigo
Por um dia tão querido
Que o bem esteja contigo
E sejas reconhecido.

Que a data se repita
Sempre com felicidade
Estás na lista favorita
De quem tenho amizade.

Rosa Silva ("Azoriana")


2010/05/21

Ó Gente da Minha Alma!

srª d. rosa
ontem houve cantigas no medeiros; falou-se do "charrua"; nada feito por estas bandas dos "colegas"; se houvesse alguma coisa o canadiano mais novo disse que viria de propósito mesmo abdicando de dois dias de sono por causa de afazeres e viagens que tem nessa altura mas eu disse-lhe que até agora NADA!!!!!! e que o mais certo é ficar assim pois falta só um mês. cumprimentos deles todos.


 


In: Comentário em artigo anterior


 


Agora digam-me lá, caros leitores, amigos e simpatizantes, se não é de ficar com a alma a chorar? Alguém tem a amabilidade de dar o arranque para uma comemoração digna ao maior poeta popular de todos os tempos, a tempo? Que posso eu fazer mais?


 


Hoje completei uma colectânea com resultados de pesquisa "online" sobre o nosso cantador ao desafio, que partiu mas continua vivo na memória colectiva e enviei uma cópia a uma entidade oficial. Estou convicta de que será aceite. Não é pelo trabalho que tive nessa compilação mas pelo gosto que me deu em contribuir com algumas folhas de temas vários e criações minhas distribuídas por diversos artigos. Quem estiver interessado basta escrever-me ou deixar comentário com o pedido.



Caríssimo amigo, "anónimo" comentador, desde já fica o convite:


 


Reúna os seus amigos cantadores e tocadores e a minha casa fica à vossa disposição para uma cantoria intitulada - Pelo Charrua cantamos e por isso aqui estamos! (E nem precisa gastar um cêntimo. O que se faz por vontade, faz-se à luz da caridade).


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Desafiando

Rimar cantando



Que a distância não trave
O cantador de cantar
As cantigas não tem chave
Mas nem todos vão entrar.


 


Glosa



Que a distância não trave
Os amores pela cantoria
Sejam livres como a ave
Que voa com harmonia.



O cantador de cantar
Por aldeias e terreiros
Já ganhou forma de estar
Entre os bons e pioneiros.



As cantigas não tem chave
Nem as rimas chaves têm
Nem nunca terá entrave
Os que melhor dom contém.

Mas nem todos vão entrar
Na fama do improviso;
Alguns sei que têm lugar
Na rima e no paraíso.



Rosa Silva ("Azoriana")

As cantigas virtuais de uma quinta-feira

Azoriana
A festa pelas Fontinhas
É famosa e apetecida
Não há ervas daninhas
No Espírito da vida.
JFERNANDO
A erva foi arrancada
E arrumada num canto
E em seu lugar plantada
A graça do Espírito Santo.
Azoriana
A divina inspiração
Dá-te asas de cultura;
A erva se faz canção
Beijada pela ventura.
JFERNANDO
A divina inspiração
É que nos mantém de pé
E semeia no coração
A raiz da nossa fé.
Azoriana
A fé te dá a resposta
E te inspira o desafio
Da forma que a gente gosta
E nos faz perder o pio.
JFERNANDO
Por teres quadra bem rimada
Com brio e com poesia
Aqui estás convidada
Para cantares na folia.
Azoriana
Um dia se Deus quiser
Entrarei nessa folia
Porque hoje a mulher
Quer-se pela cantoria.
JFERNANDO
Há o mordomo para organizar
O bodo para toda gente
Nós só vamos animar
À moda de antigamente.
Azoriana
Se eu der a volta à ilha
Para visitar os Bodos
Farei disso a partilha
Com alegria a rodos.
JFERNANDO
Até carros com cobertura
De uma forma diferente
Vão recordar a cultura
Dos tempos de antigamente.
Azoriana
A cultura açoriana
Ficará na nossa mente
E durante esta semana
Vem para a rua c'a gente.
JFERNANDO
Vais ir toda asseada
Pela ilha em que caminhas
E já estás convidada
Para o Bodo das Fontinhas.
Azoriana
Obrigada caro amigo
Pelo convite que aceito
Oxalá esteja contigo
A fé que levo no peito.
JFERNANDO
Vais provar o nosso vinho
Num gesto de simpatia
E receber o carinho
Do povo da freguesia.
Azoriana
O povo não me conhece
E nem me fará reparo
O vinho é que aquece
A rima do meu amparo.
JFERNANDO
Não te conhece podes querer
Vais lá pela vez primeira
Mas vou estar lá para dizer
Eis aqui uma cantadeira.
Azoriana
Cantadeira da Saudade
É o que já me chamaram
Podes crer que é verdade
E a mim mais se juntaram.
JFERNANDO
Isso já percebi
Sei que a coisa é assim
Se já se juntaram a ti
Porque não te juntas a mim?
Azoriana
Canto mais pela escrita
Do que na via oral
Se para ti sou favorita
Talvez cante no real.
...
Agora faço uma pausa
Porque urge que assim seja
Cantarei por boa causa
E na fé da Madre Igreja.
JFERNANDO
Então que assim se faça
Findas assim o teu canto
Desejo que fiques na graça
Do Divino Espírito Santo.
Azoriana
Mais uma vez obrigada
Fique o Divino com a gente
Nesta última rodada
Fico deveras contente.

20 de Maio de 2010

Veja-se:
http://bagosdeuva.blogspot.com/2010/05/25-aniversario-do-gffni-8.html

E viva as Fontinhas e o seu cantador de improviso José Fernando.
http://bagosdeuva.blogspot.com/2010/05/fontinhas-na-fonte-do-verdelho.html

Daniel Cristal e esposa com "Bagos d'Uva", biscoitense

Daniel_Cristal.jpg

É bom visitar a ilha, a cidade e as freguesias de um e outro concelho. "Bagos d'Uva" deu-lhes atenção e aqui fica a recordação.


 


Depois rumaram para a freguesia da Serreta. Aproveitei para lhes mandar uma quadra que teve resposta.


 


Na Serreta eu nasci
Para hoje a louvar;
Oxalá que para si
Seja belo o recordar.

(…...)

E assim se passa mais um dia com um sol deslumbrante convidando ao passeio numa quinta-feira do Vinho, vésperas do Domingo de Bodo e de uma Segunda-feira com feriado regional, da pombinha e do Espírito Santo.

Daniel Cristal em Angra do Heroísmo

Sempre nos calha bem quem de nós fala também. Escrevo "nós" porque a ilha é nossa e de todos aqueles que a visitam com um olhar que perdurará e na lembrança nos levará. Esta referência introdutória para vos dar a conhecer que está de visita à nossa fantástica ilha, de Jesus Cristo, Terceira do Grupo Central, o poeta Daniel Cristal, i. é., Prof. Armando Figueiredo e sua esposa, D. Preciosa Figueiredo.

Como já era do meu conhecimento esta visita, correspondi ao convite e fui cumprimentá-los com muito gosto. E mais gosto ainda me deu quando me ofereceu um soneto distinto, específico, técnico e muito bonito, cujo título é: PEREGRINAÇÃO. Foi-me dedicado com simpatia e com um sorriso de agradecimento exponho-o abaixo, acompanhado pela imagem que o inspirou. Devo alertar a nossa edilidade angrense para esta oferta que também é de Angra do Heroísmo, mais concretamente da Igreja da Misericórdia e seu Brasão das Armas Reais.

Magnífica oferta, maravilhoso soneto que ficará como selo distinto da passagem destes residentes de Gaia pela ilha do arquipélago açoriano. As minhas palavras são poucas para o elogiar mas o sentimento é grande. Todos temos o verso e o inverso e, aos poucos, deixamos momentos únicos que marcam pela positiva.

Desejo-lhes a continuação de uma boa estadia.




PEREGRINAÇÃO



à Rosa Maria (Azoreana)


Também já fui pequeno ilhéu de jade
Num chão selvagem onde havia o medo
De alguns fantasmas; foram a saudade
Duma conquista feita ao mar azedo.

Depois fui arquipélago num mundo
Globalizado; deste Portugal
Me ficou a coroa com um fundo
De cinco quinas no seu historial.

Fui pequeno ilhéu na aprendizagem
Duma grandeza quista tão divina
Que me tornei o mundo numa imagem.

Pois que se tornou grande o pequenino
À custa da vontade da grandeza
E esta foi sim, a força portuguesa.


Daniel Cristal



Brasão das Armas Reais
Brasão com as Armas Reais

Igreja da Misericórdia
de Angra do Heroísmo



Imagem in Wikipédia




2010. Angra do Heroísmo




 


[Daniel Cristal - Nascido em Ovar (S.Vicente) e residente em Gaia (Francelos), Portugal. Licenciado em Letras (Filologia Românica) pela Faculdade de Letras do Porto. Professor efectivo de Liceus no Porto (onde residiu alguns anos) e Formador de Professores da Direcção-Geral de Educação de Adultos no início da década de 80. Actualmente aposentado. Colaborou em revistas, páginas literárias e culturais (Comércio do Porto), antologias e jornais portugueses e estrangeiros. Foi correspondente de guerra do vespertino Diário do Norte (Porto) em 1967/8, enquanto Oficial Miliciano em Moçambique. Vítor Nobre seleccionou e disse poemas seus na RÁDIO CLÁSSICA, ANTENA 2 (RDP), com muita frequência em 1996/97. Algumas publicações acontecidas: DOR E AMOR, 1961, Ed. Autor, Porto; Antologias: CORMORAN Y DELFIN, 1963, Buenus Aires; MÁKUA, Imbondeiro, 1963, Luanda; SOL XXI, Carcavelos, 1996/00, Lisboa; ESCRITORES DE GAIA, Boletim da Associação de Escritores de Gaia, 1998/01, Gaia, POETAS NOTÍVAGOS, 2002, Ed. Scortecci, S. Paulo, Participações: TRATOS DE AMOR E OUTROS TRATOS, Manoel Virgílio, 2008, All print Editora, São Paulo.] - in "Poesia Portuguesa".

Pico nos últimos dias de 2009

pico2009.jpg(Desconheço o/a autor/a das imagens. Adaptei para encimar o artigo)

FESTIVAL DE VIRTUDE
Pico nos últimos dias de 2009

A ilha de alta miragem
É de nos tirar o ar:
Embeleza a viagem
Feita pelo nosso olhar.

Ilha bela, alvo manto,
Abençoando a paisagem,
Faz nascer este meu canto
Numa rima de passagem.

Pico ilha, branco véu,
Que de formas se coroa:
Às vezes será chapéu
Outras parece pessoa.

Me cativo e me espanto
Com a tamanha altitude
Desse Pico que é santo
Num festival de virtude.

Rosa Silva ("Azoriana")

Portugal não está para muito mais...

E a fome está chegando
Ao nosso belo país
E connosco vai ficando
É o que toda a gente diz.

Não se revê o mercado,
O euro é só dobrar,
Fica tudo mal amanhado
E vai ser um tal clamar.

A crise já me chegou
Ela não será de agora
A quem ela já tombou
Muito mais nos tomba agora.

Despesas de representação?!
Viagens com regalias?!
Dá cabo desta Nação
E dão-nos piores dias.

Há um medo de viver,
Há uma tal incerteza,
Como vai sobreviver
Nossa casa portuguesa?

Se isto te faz pensar
Caro amigo ou leitor
Como se vai contornar
O euro que nos faz dor?

No alto do campanário
Os sinos irão tocar
Anunciando o novenário
Que urge então rezar.

Mas a reza, meus senhores,
Anda perdida no mundo,
E na ilha dos Açores
Tenho meu ser moribundo.

Rosa Silva ("Azoriana")

Âncoras de beijos

ancora.jpg

Nas ondas do teu rosto há madrugadas
Nos beijos que trocamos em surdina
E leio no teu olhar a minha sina
Que de amor se faz com as baladas.

Nas ondas, do meu corpo, alvoradas
As noites dão lugar à vespertina
Aurora que do sol é a menina
Que dança adornada pelas geadas.

E olhas para mim para me afagar
A doçura dos lábios de romã
Nas pálpebras risonhas da manhã.

No teu peito me deixo naufragar
Em dunas pinceladas de desejos
Onde caem as âncoras dos meus beijos.

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=16149


Índice temático: Desenho sonetos

Canto da Saudade

O fim-de-semana fez-me reflectir no seguinte:

Os pais nunca partem, ficam dentro de nós. O coração é o elo que nos une. Os sonhos são a permanente companhia.

Os padrinhos são a promessa do amor paternal/filial.

Um filho não esquece a paternidade mesmo que a morte os separe. Não há separação dos laços do amor que são inquebráveis.

A fé faz-nos acreditar que assim é. Quem realmente se encontra com o passado é o sonho. Muitas vezes, o passado transparece no canto da saudade.


Cantadeira da Saudade

Fico feliz, de verdade,
Cantadeira da Saudade,
Como Clarisse me chamou;
Nesta ilha dos Açores
Vou cantando meus amores
Mesmo quem de mim voou.

O voo pra eternidade
Faz-me cantar a saudade
De quem sorria para mim.
Foram meus antecedentes
E tantos dos meus parentes
Canteiros do meu jardim.

A roseira que já fui
O cato que ainda flui
São as minhas preferidas;
Folhas do encantamento
São sonhos de miravento
Das minhas flores queridas.

Saudade é um sentimento
Que traduz mais que um momento
Desta vida passageira.
Na alma a entoar
No silêncio a marulhar
Canta a rima da Terceira.

Rosa Silva ("Azoriana")

A Mário Costa, sobrinho de Charrua

Quem me dera abraçá-lo
Nesta Ilha de Jesus.
De quadras eu me regalo
São elas a minha luz.

Charrua foi noutra era
O poeta dos Açores;
E, hoje, ai quem me dera
Celebrar os seus valores.

Seu sobrinho, Mário Costa,
É um elo principal
Certa de que também gosta
Deste tema regional.

As cantigas tão airosas
Testemunhas da cultura:
São como bonitas rosas,
Lilás jardim de ternura.

16 de Maio de 2010

Rosa Silva ("Azoriana")

Qual o evento digno para celebrar o "Centenário do Nascimento de Charrua"?

Alguém faz o favor de me informar qual o evento digno para celebrar o "Centenário do Nascimento de Charrua"? É que o dia está a aproximar-se (24 de Junho) e não ouço falar de comemorações.

Sei que não sou alta individualidade nem entidade oficial da Região Autónoma dos Açores mas sou uma cidadã que tem badalado a todos os ventos sobre este assunto sem receber "feed-back" certo e convincente. Um blog é um blog mas tem visões diversas e é uma marca, neste caso, regional, local e individual. São os Açores, região a que pertenço, Angra do Heroísmo, o concelho onde resido, e sou Açoriana (Azoriana) de alma e coração. Terceirense de rimas e pouca prosa com um olhar à sua localidade de origem - Serreta.

A freguesia da Serreta é vizinha da freguesia das Cinco Ribeiras, onde nasceu José de Sousa Brasil "Charrua", que não conheci ao vivo mas muito dele ouvi e li. O sobrinho, Mário Costa, autor do livro "Turlu e Charrua - Confidências" também me afirma que:

"Olá Rosa.
O centenário do nascimento do Charrua merece ser celebrado.
O Charrua deve ser lembrado como maior poeta popular de sempre dos Açores. Como autor do livro Turlu e Charrua, penso que já é tempo da Junta de freguesia das 5 Ribeiras fazer algo pelo nome de um dos seus mais famosos filhos. Se precisarem de livros para essa homenagem entrem em contato comigo."

No Facebook há um grupo que criei para o efeito que já tem um número jeitoso de simpatizantes. Espero contar com mais gente e, por gentileza, indicarem a melhor forma de o homenagear.

Os jornais, a rádio, a televisão, as revistas, isto é, toda a comunicação social pode intervir nesta vontade que não é só minha mas de um punhado de amigos e cantadores do improviso que bem o conheceram e foram companheiros das cantigas ao desafio. Muitos sabem de cor as suas melhores quadras.

Bem-haja o homem que levou os Açores, a ilha e as Cinco Ribeiras no coração e nem um epitáfio tem na sua última morada (ou já terá?):



Os ossos não valem nada
E em pó se transformaram
Mas da pessoa amada
Os ossos nunca abalaram.

Quem canta de coração
E deixa em nós lembrança
Numa póstuma ovação
É cenário de esperança.

Um dia vamos cantar
Juntos noutra dimensão
Charrua irá saudar
As quadras que ora lhe dão.

Quinta-feira do Pezinho
Em Angra do Heroísmo
Virão todos com carinho
Dar-lhe a graça do lirismo?

Rosa Silva ("Azoriana")

Parabéns, filha!

Flor de Maio

Parabéns, querida filha,
Neste dia especial
De novo a estrela brilha
Com teu sorriso ideal.

Dezanove anos passaram
Da prima vinda Papal
E hoje se renovaram:
Novo Papa em Portugal.

Há um busto na Terceira
Que relembra a linda data
Quando esteve à nossa beira
Uma visita tão grata.

É bonito e memorável
Este dia vespertino
Com nossa Mãe adorável
Na doçura de um hino.

Salvé Nossa Mãe querida,
E nos dê felicidade
Pra vivermos esta vida
Com saúde e amizade.

Salvé, salvé minha flor,
Aida, o hino que ensaio:
Deus te guarde com amor
No jardim do mês de Maio.

Rosa Silva ("Azoriana")
2010/05/12

Dedicatória a Autores Editora

Quem sabe, um dia talvez,
Eu me veja como autora;
Um livro que o blog fez
Será de Autores Editora?!

Minha presença rimando,
Em linhas de coração,
Faz-se de versos criando
As teias da emoção.

O que penso, o que sou,
O que escrevo de quem é?
É de quem hoje me dou
É um mar da minha fé.

Serei pouco ou quase nada,
Serei tudo até mais nã...o,
Em cada linha rimada
Vai um sonho sem edição.

Dos Milagres, Santo Cristo,
E sua Mãe, Nossa Senhora:
Desse sonho não desisto
Está comigo a toda a hora!

Porque a fé é companheira
Duma alma pecadora
Peço à querida padroeira
Não me deixe ir embora.

Que um sorriso decore
A nova realidade
E meu sonho não demore
A ser livro de verdade.

Sou do campo, sou da ilha,
Terceira de Jesus Cristo,
Sou aquela que partilha
O verso que agora visto.

Rosa Silva ("Azoriana")

Destaques ao que vou lendo por aí...

Já saiu o jornal de Jorge Vicente - Fri-Luso nr. 51, deste mês;

Também já podemos ler a Tribuna Portuguesa de José Ávila;

Li que Victor C. Santos volta à sua terra natal para actuar na freguesia da Terra-Chã (bela surpresa, sem dúvida);

E o SAPO blogs já está no Facebook. Parece que esta moda veio para nos levar para lá. Ok, tudo bem. Eu é que ando um bocado "parada" em termos de escrita. Penso que tem a ver com a vontade de chegarem as férias que chegarão ao virar deste mês, se Deus quiser.

A visita do Papa a Portugal e a Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres ocupam as conversas e afazeres destes dias. Lembro que Jesus Cristo era tão simples, tão humilde e sem vaidades ou luxos. Sofreu imenso para salvar os maiores pecadores e o seu povo . Hoje diz-se que não se pode adaptar as Sagradas Escrituras a nosso belo prazer e de acordo com os tempos modernos mas noto que tem-se adaptado alguns actos relacionados com a actualidade com recurso a grandes e aparatosos luxos. Acho que se estão a misturar conceitos e atitudes que podem levar-nos a pensar torto. Insisto que Jesus deu-nos um conceito de que a humildade é a maior das virtudes e que urge acabar com um certo luxo desnecessário nos actos religiosos. Esta é a minha opinião pois a crise económica está a atacar tudo e todos. Quer queiramos, quer não, há que conter tudo o que sejam despesas desnecessárias em tudo e todos.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Quadra feliz

Sou do campo, sou da ilha,
Trago o mar todo no peito,
Trago o sabor da rosquilha
Que nos dá gostoso efeito.

GLOSA

Sou do campo, sou da ilha
E meu canto se estende
No voo da redondilha
Que, por ti, feliz se rende.

Trago o mar todo no peito,
Sem queixume e sem lamento,
Rendo-me a ele de bom jeito
No marulhar do momento.

Trago o sabor da rosquilha
No paladar do afecto
No abraço da partilha
De recheio predilecto.

Que nos dá gostoso efeito
É fonte da Caridade
Do Espírito perfeito
Santuário da Trindade.

Rosa Silva ("Azoriana")

A propósito deste artigo.

Parabéns a «Frases e Poemas»

Penso que ninguém deu pela minha falta e se deu não se pronunciou, por escrito, nos comentários. [Lembrete: Tenho que responder ao poeta Daniel Cristal mas será por outra via; No mês de Maio não vou participar no blogagem colectiva por opção - peço desculpa à Lena; Preciso de descanso ou sujeito-me a uma quebra maior].

Os afazeres domésticos, profissionais e pessoais estão no pelotão da frente. Pausei a marcha e voltei-me para o croché. Estou quase com uma camilha de renda pronta. Alguns serões com a farpa em punho (até fazer calo) para que a obra fique quase perfeita.

E desta vez os Folhadais cheiram a terra lavrada e a Canada está quase requalificada para que se possa circular e andar à vontade no piso novo.

Tinha que voltar ao meu blog para deixar uma mensagem a um amigo distante mas não ausente da blogagem de um quotidiano dotado de poesia:

«Frases e Poemas» são a magia de uma vida: a tua!

Parabéns pelo sexto aniversário do teu blog recheado de preciosidades e por mais um aninho que também tu contas.

Os amigos estão sempre perto do coração mesmo que a distância seja longa. És um "menino de ouro".

Parabéns, parabéns!