Portugal não está para muito mais...

E a fome está chegando
Ao nosso belo país
E connosco vai ficando
É o que toda a gente diz.

Não se revê o mercado,
O euro é só dobrar,
Fica tudo mal amanhado
E vai ser um tal clamar.

A crise já me chegou
Ela não será de agora
A quem ela já tombou
Muito mais nos tomba agora.

Despesas de representação?!
Viagens com regalias?!
Dá cabo desta Nação
E dão-nos piores dias.

Há um medo de viver,
Há uma tal incerteza,
Como vai sobreviver
Nossa casa portuguesa?

Se isto te faz pensar
Caro amigo ou leitor
Como se vai contornar
O euro que nos faz dor?

No alto do campanário
Os sinos irão tocar
Anunciando o novenário
Que urge então rezar.

Mas a reza, meus senhores,
Anda perdida no mundo,
E na ilha dos Açores
Tenho meu ser moribundo.

Rosa Silva ("Azoriana")

1 comentário:

  1. E o cinto que já sem furos
    Em tempos não provisórios
    Por causa do dias duros
    Vou comprar uns suspensórios

    Nos tempos que vão correndo
    E já sem grão nesta espiga
    Capitalismo...roendo
    Tem mais olhos que barriga
     
    Esta força do dinheiro
    Que nos empurra prá miséria
    De uma forma nada séria
    Actua no mundo inteiro

    Compra até o mais "sabido"
    Com um processo discreto
    Quando acorda está falido
    E tem a fome por decreto

    E a culpa que está solteira
    E o  sistema não enguiça
    Já compraram a justiça
    Estamos sem eira nem beira

    Lá vamos cantando e rindo
    De quando em quando eleição
    Tantas promessas fluindo
    Não passam de uma ilusão

    Pais de Guerra Junqueiro
    Que ao lê-lo, parou no tempo
    Semelhante o Parlamento
    E o mesmo "Povo Cordeiro"~

    E estes "papa reformas"
    Que dominam a jagada
    Editam as suas normas
    O que deixam...é quase nada!








     

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