A oito dias...

Das férias. A dez dias do lançamento do livro de Álamo de Oliveira, "andanças de pedra e cal". A catorze dias de voltar a abraçar uma amiga blogueira emigrante. A vinte e um dias de conhecer, ao vivo, uma serretense que segue a par e passo o meu blog, na senda de algo sobre a Serreta. A propósito disso, tenho a referir que passei no Domingo pela Serreta, após ter ido à freguesia da Ribeirinha. Faltava tanta gente. Faltavam familiares que gostavam e saboreavam o Bodo de vinho e pão bento com a fé total. Faltava o Daniel, o ti Manuel das Quatro Ribeiras e outros mais chegados….



Não consegui voltar à tarde para o festival do Espírito da partilha. Tive pena mas já não é a mesma coisa de outrora. Fazem-me falta os rostos de ontem. Os de hoje são escassos. O meu filho mais novo é que esteve presente desde o começo ao fim do Bodo. Estava na Filarmónica e até tocou um "solo" com a sua trompa nova em folha, disse-me todo satisfeito de que lhe saiu bem. Gosto que ele esteja lá com o primo (no trompete). A saudade aperta mais ainda. Eles seguem os acordes do bisavô (materno). São o sopro novo de uma freguesia minguada de gente. Alguns voltam mas outros estão apenas na memória….

Deixo um pensamento que anotei no dia 23 de Maio (Domingo):




Um mar de gente na Ribeirinha
Um povo ardente a desfilar
Na Serreta a alma minha
Que aquece o meu rimar.

Ribeirinha é um celeiro
Que dá pão à nossa ilha
Que alegra o seu terreiro
Na brindeira que partilha.

Vila Nova e as Fontinhas
Visitei só de passagem;
Vi os carros com sombrinhas
Valorizando a paisagem.

Vi o mar e os ilhéus,
Vi teatros do Divino,
Vi o encontro dos céus
Quando tocaram o Hino.

Ó Divino Espírito Santo
És a semente da fé
Às ilhas dás novo encanto
E a quem sabe o que isso é.

Na Terra-Chã, Victor Santos,
Cantou para o povo seu,
E no meio do seus cantos
Lá veio um que fora meu.

Alegrou-me nessa hora,
Meu nome então ouvi.
Acenei-lhe, sem demora,
Dizendo: "Estou aqui!"

São canções do emigrante
Que ama o seu torrão
São um sinal que garante
Saudades da tradição.

Rosa Silva ("Azoriana")

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