Em tempos maus, cenas bonitas...

(...)



Cheguei-me perto dele e perguntei: - O senhor sabe quem eu sou? Ele, como eu já esperava, respondeu serenamente, olhando bem para mim: - Não...



Abri o livro e mostrei-lhe o lugar onde estavam quatro quadras e indiquei-lhe: - Sou quem escreveu estas quadras ao seu toiro... E gostava que o senhor escrevesse aqui (apontei a folha em branco) qualquer coisa...



Ele, sem hesitar, escreveu o que entendeu e eu não tirava os olhos daquelas mãos. As mãos que desde criança lutaram por ter e serem o que hoje são. Mãos calejadas e abençoadas por uma vida de trabalhos penosos, debaixo de chuva, frio ou banhadas pelo suor de um sol escaldante quando a única protecção era a terra e o céu. Ultimamente, digo desde 2009, que o palco da felicidade tem sido a freguesia das Cinco Ribeiras. Desta vez não fui ao palco mas da outra, com a vinda de Victor C. Santos à Festa de Verão, nas Cinco Ribeiras, fui. Victor Santos, emigrante dos E.U.A. tinha um motivo para me chamar, se assim posso escrever. Ontem, 14 de Março, a comemoração era outra.



Ontem, foi o primeiro cumprimento ao Sr. Humberto Filipe, homem humilde, honrado e de alma popular do agrado de toda a gente e, também, foi o primeiro abraço a Paulo Almeida, que só conheci pessoalmente à chegada ao centro daquela freguesia.



Voltando ao autógrafo do Sr. Humberto Filipe. Na ocasião que ele o completou, olhei para ele e questionei: - Posso dar-lhe um beijinho? Ele prontamente ofereceu o seu rosto e eu dei-lhe dois beijinhos, ora num lado ora no outro. Não me saía da mente isto: Que felicidade! Que felicidade deve estar a sentir este homem do povo. Vivam as homenagens em vida. Viva o brilho dos olhos e a riqueza de um sorriso.



Depois com o livro nas mãos pensei... E eu? E eu terei algum dia a felicidade de abraçar o meu livro, com lágrimas de felicidade? Será egoismo este pensamento? Será que mereço?



Perguntaram-me: - Quando teremos o teu livro? Eu retorqui: - Tenho uma pena enorme mas não sei. Só gostava de o ver na apresentação do meu livro, no palco da freguesia da Serreta em que o Sr. (...) falava e eu só chorava abraçada ao livro... Se há pessoa nesta ilha que gostava disso sou eu mesma. Mas quem? Quem me dará esse gosto? Quem?!



Um livro é sempre um sonho enquanto não vira realidade à vista de quem o cria. O Ti Humberto, como carinhosamente o chamam, é um homem feliz: Vive um momento real com uma graça especial.



Rosa Silva ("Azoriana")

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