A hora da fruta

Cada vez mais gosto de bananas. É a minha fruta de eleição. Raramente a trago comigo para o local de trabalho. Vez por outra, lá me lembro da banana. É como se a sentisse na boca, sem tempero a mais ou de menos. É macia quando madura e quando verde é muito dura e não tem sabor. Prefiro sempre as bananas, laranjas, ameixas (raramente as vejo), tomates de capucho (idem), amoras silvestres, framboesas (lembro delas quando as tinha no valado de silvas no corredor para a casa das "titias" Maria e Alexandrina, e dos "titios" Francisco e Manuel). Estas framboesas eram propícias para um manjar dos deuses, a sobremesa mais gostosa. Enchia uma taça de framboesas, coroadas com açúcar q.b., às vezes repousavam um pouco no frigorífico, para depois serem saboreadas até à última gota do líquido rosado e delicioso. Hoje, raramente vejo framboesas como aquelas das "titias". Chamava-lhes "titias" porque eram as primas de idade mais avançada. Eram sobrinhas da minha avó, primas da minha mãe, em primeiro grau, e comigo e com a minha única irmã, eram as "titias".



Adorava ir para casa delas, ali ao lado da nossa, passar tardes inteiras, ou, alguns bocadinhos da sobra de tantos dias calmos. Hoje, resta-nos apenas uma das "titias" e quase não consigo falar-lhe porque dói muito vê-la com o passado abraçado a ela e mais nada... Ela é feliz assim, sempre foi feliz ao seu jeito, num mundo aparte, isolado e intransmissível. Algumas vezes me fez chorar. Tinha (e tenho) muito respeito a ela. No entanto, foi a escolhida para minha madrinha do Crisma. E ficou feliz com isso. Eu também. Era a ocasião de lhe chamar madrinha. É que madrinha funciona, quase sempre, como uma segunda mãe. Fazem muita falta as mães... Sonhei com a minha esta noite. Disse-me uma frase que gostei: "Ele é um bom rapaz!". Sei a quem se referia, no sonho e na minha realidade.



Voltando à fruta... Tenho de comer maçãs. É a única fruta que já enjoo. É que o trincar de maçã altera-me o sistema nervoso... Tramm, tramm. tramm... é um barulho dentífrico que me dilacera as manhãs e algumas tardes de saudade. Lembro perfeitamente do pomar do mestre Carlos, meu pai, que o tinha que se podia ver. Trincavam-se maçãs lindas de uma rubra cor luzidia, no alto do Pico da Serreta, durante a tradicional tourada da segunda-feira, da segunda semana de Setembro, sem preguiça. Hoje estou cá com uma preguiça... portanto, ponto final.



Rosa Silva ("Azoriana")

1 comentário:

  1. No dia 15 lembrei-me da minha madrinha Alexandrina... No dia 19 já cá não está... Sinto muito.

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