Costuma-se dizer que "até ao lavar dos cestos é vindima" e que "até à meia-noite é deste dia" mas nem que seja apenas por este momento, sinto-me feliz pelo seguinte:
No calor da votação, sinto que a ilha Terceira é a vencedora pelo seu Carnaval que, além da beleza e originalidade, ganha aplausos por movimentar os ilhéus de uma ilha inteira, e mais recentemente, outros locais do mundo através da possibilidade de ser visto pela internet. Os emigrantes terceirenses, com a balada da saudade nos seus corações, aguardam os três dias do Carnaval da Terceira, porque sabem que, aqui, todos (ou quase), desde o mais novo até àquele que ainda tem pernas boas para dançar os passos da coreografia, ou para ser o porta-voz eloquente de uma Dança ou Bailinho, ainda permanece e permanecerá uma alegria diferente, um festejo que merece os maiores louvores, sobretudo por parte de quem vive esta festa da arte popular em cima dos palcos dos Salões das Sociedades Filarmónicas da ilha Terceira, ou nos lares da terceira idade, ou, ainda, em locais que prendem a atenção dos assistentes que não arredam pé dos lugares para assistir ao seu Carnaval favorito.
Um louvor às costureiras,
Aos cantores e bailarinos,
Aos músicos e às carreiras
Que transportam tantos hinos.
Quanto a mim, e porque a escrevi, esta será a quadra que melhor traduz a minha participação na Blogagem de Fevereiro a convite da Lena. Ganhou o aplauso às costureiras que fazem milhares e belos trajes carnavalescos durante meses a fio, ganharam os cantores e bailarinos que levam meses a ensaiar num convívio alegre, risonho e de camaradagem, ganharam os músicos que também estudam as pautas e as sabem de cor, os condutores das carreiras e dos carros pessoais, que em três dias não tem descanso e transportam verdadeiros hinos de alegria, felicidade e que originam gargalhadas, fazendo esquecer as calamidades da vida no resto dos dias do ano.
Bravo, Lena! Perante este meu desabafo tens a liberdade de fazer dele o que melhor entenderes, porque eu vou publicá-lo no meu blogue mesmo antes das vinte e quatro badaladas porque a ilha Terceira merece e os autores e poetas das cantigas de saudação, despedidas e dos enredos que são os assuntos do riso ou casos da vida real feitos arte do nosso Carnaval.
Não desfazendo dos outros participantes, que também apresentam os seus melhores trabalhos e merecem o meu/nosso maior elogio, quero deixar vincado que o que quer que seja a surpresa será colectiva. Agradeço a quem votou nas quadras do Carnaval na Terceira e a quem até me telefonou a perguntar se havia maneira de dar mais um voto que fosse. Isto só prova que, quando se fala do nosso Carnaval, ninguém leva a mal qualquer tentativa de o fazer brilhar.
Beijos e abraços a todos!
Rosa Silva ("Azoriana")
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Blogagem de Fevereiro: No calor da votação
Estou a votos de 24 a 28 de Fevereiro na "Aldeia da Minha Vida"
Se achas que mereço algum voto com o artigo - O Carnaval na Terceira, então, clica na barra lateral esquerda onde está o meu nome e título do artigo, aqui, de hoje até ao dia 28 de Fevereiro.
Fico, ansiosa, à espera da tua simpatia. :-)
Os melhores e cordiais agradecimentos
Rosa Silva ("Azoriana")
Ao poema de Euclides Cavaco - TRAGÉDIA NA MADEIRA
Dedicatória a Euclides Cavaco e seu poema "Tragédia na Madeira"
Olá amigo verdadeiro
Destas ilhas portuguesas:
Madeira em Fevereiro
É tragédia, incertezas.
É uma dor, sofrimento,
Um nada perante tudo,
Tremida por água e vento,
Perante o grito desnudo.
Euclides é solidário
Com os ilhéus lá da ilha
Fazendo do semanário
Um poema de partilha.
Louvo a alma gentil
Poética de amor inteiro;
Venha Março e Abril
Apagar o mau Fevereiro.
Rosa Silva ("Azoriana")
À Tribuna Portuguesa e seu director: Se eu usasse chapéu...
E não estou muito fora de o vir a usar porque a cabeleira não é farta, nem o foi depois duma época. Isto vem a propósito de que, hoje, eu atirava o meu chapéu bem alto, tal como o faz José Ávila a bons acontecimentos, e rodava-o várias vezes nas alturas, para lhe agradecer a gentileza que me fez em proporcionar a visão real e palpável de seis dos quinzenários do segundo semestre de 2009. quot;Tribuna Portuguesa" vista através do monitor do computador e vista no papel tem outro gosto, outra sensação.
Acredite, caro amigo José Ávila, que já os folheei (e terei tempo de ler na calma da residência) e reconheci rostos com quem nunca falei pessoalmente mas que já me impulsionam o olhar para ler o que escrevem, mesmo que falte o acesso às tecnologias. Fico feliz com esta chegada, no último dia útil de Fevereiro de 2010, numa sexta-feira (considero este dia da semana sempre um dia "santo").
Não sei mais o que lhe escrever que mostre a tamanha gratidão e sei que fico com mais esta dívida para consigo.
Esta visão fez-me sonhar, sonhar... Com uma realidade que jamais poderei alcançar: Imaginei-me na América, imaginei-me (eu pobre criatura que apenas foi bafejada por um dom que até há bem pouco tempo desconhecia e se surgiu foi porque a vida se alterou de tal forma que a rima foi e é uma boa terapia), mas escrevia eu, imaginei-me a distribuir abraços, beijos e quadras de improviso por esses magníficos caminhos de sucesso para tantos, graças ao esforço pessoal, dedicação e uma "réstia" de saudade dos seus bons costumes ilhéus. Fico com a certeza que os E.U.A. nos recebem e aceitam com o que levamos de melhor: a nossa cultura e tradições. São lágrimas que se espelham no olhar da saudade...
Que Deus e Nossa Senhora dos Milagres (ou do Rosário), o proteja sempre e lhe recompense por tudo o que por mim tem feito, divulgando em papel e via tecnológica os pensamentos de uma ilhoa.
Um jornal é o registo da nossa passagem pelo mundo, é a história de um povo que, aos poucos, constrói um universo de letras bordadas pelo pensamento seja ele qual for.
Bem haja!
Tribuna Portuguesa
Rosa Maria Silva ("Azoriana")
Ai, este mar...
Ai, este mar que nos canta,
Num mexe-mexe marulhado;
Ai, este mar que me encanta
Com hinos por todo o lado.
Ai, este mar da saudade
Para quem já não o ouve;
Ai, este mar de amizade
Do sal que bem nos soube.
Ai, saudade marinheira
Numa onda que nos rasga...
E que vem ser companheira
Duma dor que nos engasga.
Queria ser onda e mar,
Um imenso oceano
Para sempre te cantar
Um hino açoriano!
Rosa Silva ("Azoriana")
Palavras claras, como água
Todos sabem da má sorte
Que é vir depois da morte
Homenagens e afins;
Na minha opinião
Não deixem chegar então
Boas falas só nos fins.
Por isso, tenho um propósito
Que se faça um depósito
De palavras bem reais
Para eu reter em memória
Nesta fraca trajectória
Mas com fortes vendavais.
Ser amigo é ser fiel
É cumprir o seu papel
Nas horas boas e más;
É ter muita atenção
A quem passa solidão
E sorrir não é capaz.
Há sorrisos amarelos
Que se parecem tão belos
Numa fase ou num momento;
Repeti-los com pujança,
Num leque de esperança,
Dá-nos, logo, outro alento.
Rosa Silva ("Azoriana")
O forno
Não é saudade isto que sinto
Por te ver fornalha ardente
Doutras eras que pressinto
Estarem dormindo somente.
Não é vontade de retorno
Do calor tão abrasivo
Que à boca desse forno
Mantinha meu ser activo.
Não é tristeza anilada
Por não mais ter o pão alvo
É simplesmente a toada
Que na mente ponho a salvo.
A lenha cantarolava
Sua queimada agonia
Mas ao povo ilhéu dava
O pão-nosso de cada dia.
Há o forno duma vida
Que arde por todo o ser
Em saudade adormecida
Por quem já não posso ver.
Suas mãos tão calejadas,
Junto à chama, tão quente,
Cozendo as escaldadas
Da Quaresma repetente.
Pela Páscoa: os folares,
Pela Festa: massa sovada;
Outros pães em alguidares,
P'lo tempo da desfolhada.
O milho vai rareando,
O trigo é importado;
O forno, de vez em quando,
Traz ao presente o passado.
Rosa Silva ("Azoriana")
Actualidade insegura
Há males que vêm por bem
Mas coitado do tal vintém
Que anda tão procurado;
É ver as Seguradoras
Que dele são detentoras
E, no fim, não dão fiado.
A tragédia da Madeira
Que ouço à minha beira
É disso o testemunho:
Não cobrem a maioria
Dos desastres dum só dia
Nem abrem todo o seu punho.
Tantos meses a descontar
Para se amealhar
Um futuro prometido,
Mas, na hora da aflição,
Quebram as linhas, então,
Do "tesouro" adormecido.
São as linhas miudinhas
Do contrato, andorinhas,
Que só de lupa se lêem;
Depois é o que se vê,
É um tal "não sei o quê"
E desânimos a crescerem.
Rosa Silva ("Azoriana")
A propósito de:
http://economico.sapo.pt/noticias/seguradoras-nao-vao-cobrir-maioria-dos-prejuizos-na-madeira_82515.html
"Jantar de Bloggers da ilha Terceira" na media?! Porque não...
Não quero fazer reboliço
Nem "à bulha" me meter
Seria um bonito serviço
A media se envolver
E talvez por monde disso
Ao grande ecrã ires ter.
O que p'los blogs se faz,
Nesta nossa Região?
Todo o blogger é capaz
De merecer certa atenção;
Em artigos se apraz
Cada um com seu quinhão.
Há "Estação de Serviço",
Há o "Bom Dia Açores",
Cada um puxa o caniço
P'ro peixe de suas cores;
Eu já fui e nem por isso
Volto com mais escritores.
"Causa Pública" regional,
Com boa apresentação,
Numa mesa cordial
Discutindo qualquer acção:
Só falta o nosso canal
Chamar os bloggers então.
Discutir em mesa cheia
De quem quiser dar a cara
À verdadeira assembleia
Que melhor se nos depara:
Somos como grãos de areia
Mas não somos cousa rara.
Os blogues têm tal poder
Com sua interactividade
Que não se devem esquecer
Nem dar-lhes leviandade.
Pois, por mim, podem crer,
Deles sou fã de verdade.
Um lustro já se passou
Caminho para novo Abril;
O meu blog se fundou
E contempla meu perfil
Com o dom que revelou
O meu chão e o mar anil.
Modéstia e humildade
São linhas recomendadas;
Que não haja falsidade
Nas rimas que vos são dadas...
Tenho gosto na amizade
Do SAPO e páginas içadas.
Rosa Silva ("Azoriana")
2010/02/24
Artigo dedicado a Miguel Bettencourt e a todos os bloggers convictos e inscritos.
E vem aí o "Jantar de Bloggers da ilha Terceira"
É com grande satisfação que divulgo o que Miguel Bettencourt está a organizar.
Leiam tudo aqui.
Louvo a iniciativa porque passados três anos, já fazia falta uma confraternização de bloggers (ou bloguistas), desta feita, num animado jantar em data praticamente definitiva.
Já me inscrevi e tu?
Rosa Silva ("Azoriana")
Agradecimento e um louvor
Louvo os Altares!
Alta falésia de ares
Bonitos, também ventosos,
Conhecida por Altares
E de mestres engenhosos.
A noroeste seus lagares
Com vizinhos amistosos;
De Presas e bons lugares,
Retalhos harmoniosos.
Pico Matias Simão,
O altar da beira-mar
Voando p'la minha mão...
No desnorte duma vida
Foi gaivota a espreitar
Meu adeus... na despedida.
Rosa Silva ("Azoriana")
Oferta a M. Moisés
A Noroeste
Em http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=16154
Índice temático: Desenho sonetos
O dom da partilha. Dedicado a Armando Sousa e "Pequenina"
Lindas são as palavras que me dás
Com a ternura fresca de um irmão
Que vive longe mas sempre ficarás
Vivendo e brilhando no meu coração.
São estas as delícias partilhadas
Em horas que reina o improviso
São momentos de vozes semeadas
Nas vias que parecem um paraíso.
Comungo de tanta felicidade
Por ter a Biblioteca Virtual
Que será sempre uma realidade
Da criação que chega a Portugal.
Abraços lhe devolvo nesta hora
Com a graça e doçura da lilás ilha
Com a virtude de Nossa Senhora
Que permite o dom que ora me partilha.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Pequenina Poesias"
O terror da Madeira
Depois de ver imagens de casas tombadas pela força das águas tempestuosas nalgumas zonas da ilha da Madeira fico aterrorizada. Imagino o sofrimento e o medo que paira nos habitantes que se viram isolados e incapacitados de qualquer reacção.
Ninguém está livre desses perigos. Deus tenha misericórdia de todos e dê forças para a recuperação e reconstrução do que for possível reparar e reconstruir.
Lembranças de há nove (e outros) anos
Completam-se, hoje, nove anos da partida de quem era trabalhador honrado, de quem sabia fazer tudo a que se propunha mesmo que, por vezes, tivesse que refazer algo que necessitasse melhor apuro, de quem gostava do mar e que foi criado num berço à beira-mar plantado, na freguesia de Santo Amaro da ilha do Pico, de quem se mudou definitivamente para a ilha dos cantares e festas tradicionais, para junto de uma pequena serra a que chamaram de Serreta, na ilha Terceira, e onde ficou para sempre o resto da sua ossada, de quem colhia da terra o produto que semeava ou plantava com força de vontade, após as horas laborais, de quem tinha um génio q.b. mas quem o soubesse contornar obtinha dádivas de bom coração; ele não era de mostrar emoções mas quem o conhecia, sabia que se emocionava e muito só que não era para se dar a conhecer facilmente esse lado mais frágil, porque, naquele tempo, um homem não devia chorar... Contam-se as vezes que o vi emocionado e mais as vezes que o vi de humor alterado.
Levou uma vida inteira de luta, trabalho e sacrifício para que a família tivesse o bem-estar recomendado para uma época. Nasceu numa segunda-feira, dia 2 de Dezembro de 1929, de lua nova, e faleceu numa sexta-feira, dia 23 de Fevereiro de 2001, também de lua nova. A chegada, no fim de ano, e a partida, no início de ano, deram-se numa estação fria. Lembro que chorei no "adeus". Já era mãe de três filhos, na altura. O primeiro tinha quinze anos (neto e afilhado do baptismo), a única neta tinha dez anos, o mais novo tinha cinco anos. Todos deliravam por um chocolate de creme no interior que o avô lhes ofertava após a missa dominical na sua visita fiel à Sociedade Filarmónica Recreio Serretense, no regresso à Canada da Vassoura, onde fixara residência permanente.
Hoje, passados nove anos da sua morte, terça-feira, a lua em quarto crescente, num dia que surgiu calmo e com o sol a despontar relíquias de esperança como que a dizer-me que para lá da partida fica sempre em alguém a lembrança da passagem terrena. É o testemunho da descendência que permanece enquanto a há.
Ainda lembro da burra de milho e de eu o ajudar a embelezá-la, de ir à frente da vaca com uma corda para que o rego ficasse direito, enquanto ele ia a comandá-la com o arado firme fazendo o percurso pautado do cerrado do seu empenho... Ainda lembro do meu rosto quase rebentar de vermelhidão pelo esforço de subir a canada que nos levava de volta à sopa de feijão, abóbora ou outra novidade que a terra nos dava após os trabalhos efectuados com o suor do nosso rosto... Era assim que se criavam os laços de pai para filha mesmo que a minha boca não se abrisse num queixume ou cansaço, pois nem ia adiantar nada. Tudo era uma mais-valia e não havia leis proibitivas deste bem-estar agrícola quando se enchiam as panelas e pratos do produto das nossas tarefas diárias.
Onde quer que ele esteja, peço a Deus, que zele pelas suas duas filhas e que esteja ao lado de quem o amou ao ponto de suportar as turbulências de uma vida de trabalhos, doenças e algumas (poucas) alegrias. Passados nove anos, ainda dou por mim a ter saudades do meu pai, Carlos Cândido (da Silva) - Nunca cheguei a perceber porque lhe retiraram o verdadeiro apelido. Afinal, nem precisava dele porque ele ficou no meu apelido, no da minha irmã e nos seus netos e neta. O meu avô paterno se chamava João Inácio da Silva, portanto, tudo me faz crer que deviam ter mantido esse apelido nos seus descendentes.
Ainda guardo, as suas recordações para os netos e neta, artesanato feito após ter perdido os dedos da mão numa serra eléctrica, na sua actividade laboral. E lembro da saudade que ele tinha do seu torrão natal que chegou a visitar algumas vezes e nos ensinou, também, a amar aquela "conchinha de amor" - Santo Amaro!
E mais... No dia do seu aniversário não podia faltar a festa comemorativa com um bolo. Hoje, a saudade aperta-me o coração e sinto dor de não lhe ter dado um beijo à partida. Contam-se os abraços e beijos que partilhámos... Outros tempos, outras eras, recheadas por uma educação severa.
Não sei se lhe cheguei a dizer que não gostava de muitas das tarefas que tinha de fazer por obediência a ele, mas hoje penso que não me fizeram mal nenhum e recomendo que os filhos respeitem os seus pais e ajudem em tudo o que puderem para que o remorso não seja a sua almofada no declínio das horas, na quietude do lar.
Resta-me finalizar com a ideia que ele adorava o Carnaval da ilha Terceira e faleceu pelo Carnaval de 2001... Não mais se ouvirá, à boquinha do Salão, o seu grito alegre e contagiante: "Olh'á Dança, rapazes!"
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Quem sabe um dia alguém se prontifica a cantar as cantigas da Azoriana em memória daquele que amou os costumes e tradições da sua última morada terrena.
Uma excelente ideia oriunda de mb|Weblog
"(...) juntar os bloggers oriundos da ilha Terceira (quem sabe também de outras, caso tenham disponibilidade) num jantar de confraternização, onde podemos sobretudo trocar impressões sobre a realidade da blogosfera insular e da esfera no seu todo a nível global, entre tantos outros temas e assuntos que certamente surgirão naturalmente, e, não menos importante, conhecermos pessoalmente aqueles que apenas conhecemos virtualmente." (...) Continua em http://mbweblogv2.wordpress.com/2010/02/12/sugestao-jantar-blogs/
O modelo é outro mas a intenção é semelhante à de três anos a esta parte. É de louvar a iniciativa e não esqueçam de participar revendo conhecidos bloguistas e os que, entretanto, foram entrando para o mundo blogosférico.
Rosa Silva ("Azoriana")</font>
Prenúncio de algo
Bom dia a todos.
Não sou propriamente vidente nem profeta mas sinto que algo está para acontecer. Os tempos mudaram, tudo vai mudando e há provas disso. É o caso da forças das natureza a manifestarem-se umas atrás das outras: terramotos (o Haiti), dilúvios em locais pontuais (lembro a freguesia da Agualva e outras das redondezas, e a Madeira - Funchal e redondezas). Por muito que o seu presidente queira "esconder" o problema, ele já está na boca do mundo. Julgo que toda a gente já sabe da tragédia... Sim, é uma tragédia acordar com ruas carregadas de pedregulho e outras completamente quebradas, com lojas completamente destroçadas, com viaturas num monte de chapa quebrada e sem recuperação possível.
Atitude(s):
Há uma coisa que me impressionou e bastante: a atitude do senhor presidente madeirense em não querer dar a conhecer "lá fora" o que se passou na Madeira. Como é isso possível? Desanimou-me essa atitude. É de louvar sim, a atitude de quem quer contribuir para a recuperação da baixa da Madeira, e, de todas as entidades nacionais que avançaram logo para colaborar com tal recuperação. O senhor presidente madeirense tinha mais era que agradecer e louvar quem lhes quer bem pese embora estarmos todos na eminência de precisar de ajuda e de dar outras ajudas. Talvez tenha sido o choque do momento e o receio de perder a fonte de rendimento da Madeira: o turismo. Mas quanto mais depressa recuperarem o que ruiu mais depressa voltará a normalidade, nem que para isso leve muitos meses.
Prenúncio de algo:
Tive um sonho terrível. Estamos todos sujeitos a ventanias, dilúvios, terramotos, incêndios. Todos temos que estar preparados. Hoje teu, amanhã meu e vice-versa. Há que validar habitações que estão junto a zonas problemáticas, há que fazer estudos ambientais preventivos (junto à orla marítima e junto ao percurso das ribeiras, é arriscado construir seja o que for, a ver pelo que tem acontecido nos últimos tempos).
A realidade/criação de emprego:
As nossas paredes, sobretudo junto a estradas onde transitam muitas viaturas, estão a desabar com a abundância de pluviosidade. O criar emprego, passa por aí, também, em que as pessoas seriam uma mais valia para evitar males maiores.
Exemplo pessoal:
Chove dentro da minha casa, em alguns sítios, como se fosse na rua... O que fazer se não tenho meios de recuperar o telhado? Será que a Junta de Freguesia têm pessoal especializado para socorrer situações como esta, bastando para isso provar que não se têm meios suficientes para arcar com a manutenção periódica obrigatória?
Vêm aí grandes tormentas e antes que o mal aconteça deve-se pugnar pela PREVENÇÃO. Aceito sugestões porque a caridade já não é o que era.
Rosa Silva ("Azoriana")
"DEUS PERDOA SEMPRE, O HOMEM PERDOA ÀS VEZES, A NATUREZA NUNCA PERDOA"
Deus perdoa sempre e a palavra chave é arrependimento.
O homem perdoa às vezes. A palavra chave é compreensão.
A natureza nunca perdoa. A sua fúria é avassaladora e não dá hipótese de tréguas. Viver em ilhas tem tanto de belo como de trágico, quando a natureza se revolta e estraga o que o homem construiu, por vezes, com alguma incúria, o que leva a ter de reconstruir com melhor ordenamento.
Portugal tem sido fustigado por algumas forças da natureza que atingem sobretudo as ilhas dos Açores e, ontem, a Madeira. Por muito que se tente não dramatizar o drama, ele está patente perante os olhares do mundo. A multimédia é outra das forças invencíveis, desde que esteja ao alcance da população mundial. Depois é só uma questão de passar a palavra e o lamento toma proporções alastradoras.
É a natureza a falar mais alto que a vontade do próprio homem. É a dor, o luto, as lágrimas que se juntam às lamas que levam tudo à sua frente e deixam um rasto de destruição. Há que ter esperança e arregaçar as mangas porque todos já sabemos que perante uma tragédia há que começar de novo para os que cá ficam... Começar de novo é a palavra chave para as zonas afectadas da ilha da Madeira.
Um dilúvio tempestuoso sem aviso prévio é sempre uma desgraça porque somos pequenos seres no meio de um punhado de terra rodeada de mar.
"Carnaval Solidário", cada vez mais necessário...
Mesmo que fora da data,
O "Carnaval Solidário"
Volta ao palco e nos cata
Alertando NIB bancário.
É por uma causa justa:
Os doentes deslocados
Porque a doença custa
Muito mais que uns trocados.
Coitado de quem vai doente
Com uma doença fatal
E se vê no Continente
Sem família local.
Cada qual faz sua ação
Na medida que puder
Eu faço a divulgação
Como bloguista e mulher.
João Mendonça convocou
Alguns Salões cá da ilha;
Em São Mateus eu estou
Comungando da partilha.
No próximo fim-de-semana,
A São Carlos pensam ir;
A mensagem é soberana:
Nossa ajuda faz-se a rir!
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. A Serreta está em peso na Casa do Povo de São Mateus e é o primeiro Bailinho a atuar com o enredo "Uma briga no salão", que merece grandes aplausos.
Seis anos de "Arte por um canudo"
Náo sei que te ofereça
Nesta data primorosa,
Tudo de bom aconteça
E Parabéns te dá a Rosa.
Da Terceira para Parada
De Gonta, no Continente,
Canto agora animada
Neste dia alegremente.
Venham sempre mais artigos
De Educação Visual
Convívio de bons amigos
Nesse blogue especial.
Um abraço fraternal
Festivo e lisongeiro
Marcando o ideal:
Dezanove de Fevereiro!
Rosa Silva ("Azoriana")
A propósito do poema de Euclides Cavaco desta semana: "VIDA, CINZAS E NADA"
Dedicatória ao ilustre poeta Euclides Cavaco no poema da semana em:
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Vida_Cinzas_e_Nada/index.htm
Canto-lhe assim:
Com as Cinzas, foi-se o riso
Do rosto de cada humano
Mas às vezes é preciso
Lembrar o lado profano.
Hoje, refletir nos traz
As maiores desavenças:
Não podemos voltar atrás
Nem se mudam as sentenças.
Quaresma de solidão,
Pergaminho de nostalgia,
Incentivo à oração
Que por bem, melhor seria.
Seu poema vale tudo
Mesmo que acabe “em nada”:
O poeta é, sobretudo,
Vida na obra deixada.
Rosa Silva (“Azoriana”)
"A Noroeste" de MM - 12 de Fevereiro de 2010
Sigo "Noroeste" amiúde
Por via do improviso
Deus lhe dê muita saúde
Porque é o mais preciso.
Nos Altares não cantei
Talvez cantasse agora
Nessa onda não entrei
Pena que fiquei de fora.
José de Sousa, o Charrua,
Julgo ser o Cantador,
Que em toda a mente atua
Sempre com melhor louvor.
Poética arte popular
Que ciranda pela ilha
Nunca devia acabar
Porque é uma maravilha.
O dom do improvisador
Não se compra nem se vende
É dado pelo Criador
Que a todos bem defende.
Rosa Silva ("Azoriana")
In
http://anoroeste.blogspot.com/2010/02/i
Nota: Agradeço muito a MM o comentário - resposta dado que me comoveu.
Após as Cinzas, a volta é necessária...
O que me aflige bastante é já não se ter um cêntimo para matar a fome das bocas, fora as bocas dos irracionais; é ver os filhos aflitos que ainda não veem forma de auto-sustento; e contra isto não há conversão possível, a não ser esperar pelo dia de São Vapor, que também julgo não faltar muito para aportar no meu porto. Até lá havemos de sobreviver à conta da negatividade. Enquanto "a parede" tiver retorno em notas, após se meter o cartão na ranhura, os impostos devidos hão-de surgir para se pagar. Ninguém quer perder e muito menos os donos da tal caixa em "boa parede". Só mesmo a morte é que acaba com tudo... Será que acaba mesmo? E os que ficam por cá e dependem de nós? Para eles a morte do progenitor será, à partida, uma tragédia... Ou tudo se resolve?!
O que me anima neste tempo quaresmal é que a freguesia da Serreta e o seu Bailinho foi um sucesso, pelo que me contaram. Este ano não a vi. Tive pena e muito mais quando o sucesso foi evidente. "Uma briga no salão" fez os aplausos ecoarem e os risos aumentarem. O que nos faz falta mesmo é rir. Rir espanta qualquer mal por uns momentos e encobre o muro das lamentações.
Hoje é dia de aniversário de uma prima muito querida. Oxalá que ela passasse os olhos por aqui e lesse que lhe desejo muitos parabéns e se não lhe ligo é porque não tenho possibilidades. O que importa é que os nossos familiares estão sempre no coração, quer estejam perto ou longe. Há datas que são importantes e o aniversário é uma delas.
Outra coisa que me ocorre, quando reflito, é que os nossos Bailinhos e Danças de Pandeiro trouxeram algumas verdades na sua crítica social e política. Este ano esteve na moda as sepulturas, os ladrões, o casamento "gay", etc. E a religião também não precisa nenhuma chamada de atenção? Apregoam a humildade, a simplicidade, o amor ao próximo, e no entanto não se mudam "os trajes" e a riqueza que apresentam em certos utensílios... Jesus foi tão simples, tão humilde, tão sofredor e tudo para que fossemos como Ele... Eu também não sou como Ele mas penso mais nos outros que me rodeiam para que nada lhes falte mesmo que "a parede" esteja lisa e tesa.
Com muita pena minha não participei no "Carnaval Solidário" e até ouvi que haviam roubado uma das caixas existentes para esse efeito. Isto só prova que há muita pobreza a alastrar no nosso meio. Como travar isso? Bastava pensar, por exemplo, que se uma queijada custa 90 cêntimos, que convertidos aos antigos escudos correspondem a 180 escudos... Onde é que vamos parar e onde é que já se viu uma coisa destas? Fizeram umas contas mal feitas em que a conversão foi para o dobro. Na minha opinião, uma queijada devia custar metade porque 1 euro corresponde a 200 escudos e não a 100. Quando resolverem acertar melhor as contas das despesas, a receita terá mais vida porque, da forma que está, desaparece num ápice.
Afinal até que refleti nas Cinzas que abundam pelo mundo... Por mim, acho bem que congelem os vencimentos mas mexam nas tabelas de preços dos bens essenciais para todos sobreviverem. As cruzes estão difíceis de suportar e estamos a cair muita vez. O Calvário deste mundo está a atingir muita gente. Deus ensinou os Homens a suportar a cruz mas só Ele é que morreu na Cruz para dar o exemplo e libertar os pecadores do mal.
Oração, Penitência e Caridade - uma trempe desnivelada e uma acção que bem poucos levam com rigor.
Carnaval 2010, tendo em conta o suplemento do jornal "A União"
Muito boa tarde, senhoras, senhores
Cá na minha terra há bons cantadores
Há bons cantadores,
Boas cantadeiras
Danças, Bailinhos
De muitas maneiras.
Ao todo são 56 as Danças, Bailinhos e uma Comédia, sendo 22 Danças de
Pandeiro (10 do concelho de Angra do Heroísmo e 12 do concelho da
Praia da Vitória), 30 Bailinhos (13 de Angra do Heroísmo, 16 da Praia
da Vitória e 1 de Portuguese American Center), 3 Danças de Espada (1
de Angra do Heroísmo e 2 da Praia da Vitória) e 1 Comédia com 4 pessoas.
Fazem parte desta manifestação de teatro popular 1317 elementos, numa
média de 24, cujo máximo conta 45 elementos, numa Dança de Espada, e o
mínimo 4 elementos, na Comédia.
O concelho de Angra do Heroísmo apresenta um total de 25 Danças,
Bailinhos e Comédia; o concelho da Praia da Vitória apresenta 30
Danças e Bailinhos.
As freguesias do concelho de Angra do Heroísmo:
Com 2 Danças ou Bailinhos temos Altares, Cantinho de São Mateus, Cinco
Ribeiras, Doze Ribeiras, São Bento, São Sebastião e Terra Chã;
Com 1 Dança ou Bailinho temos Casa de Saúde, Casa do Hospital,
Feteira, Porto Judeu, Posto Santo, Raminho, Ribeirinha, Santa Bárbara,
São Bartolomeu e São Mateus.
As freguesias do concelho da Praia da Vitória:
Com 6 Danças ou Bailinhos temos as Fontinhas;
Com 5 temos as Lajes;
Com 3 temos Biscoitos, Fonte do Bastardo e Vila Nova;
Com 2 temos Casa da Ribeira, Santa Cruz e Santa Luzia;
Com 1 Dança ou Bailinho temos Cabo da Praia, Porto Martins, Ramo
Grande e São Brás.
Dos autores da letra:
Hélio Costa com 20 temas (7 para Angra do Heroísmo e 13 para a Praia
da Vitória);
João Mendonça com 7 temas (3 para Angra do Heroísmo e 4 para a Praia
da Vitória);
Ricardo Martins com 6 (2 para Angra do Heroísmo e 4 para a Praia da
Vitória, em que 1 destes teve também letra do Grupo);
Os restantes autores regraram-se entre 2 (Brito Fraga, Grupo) e 1 tema
(Agostinho Simões, Alberto Correia, António Mendes, António Mota,
Emanuel Coelho, Fernando Alvarino; João Alcino Ornelas, João Fagundes,
João Leonel, João Martins, Jorge Rocha, José Contente/Emanuel Reis,
José Fernandes, José Mendes, Paulo Homem, Raul Gregório, Rui Pereira,
Rui Silveira e Vitor Pereira).
Dos autores da música:
Arranjos do Grupo para 20 Danças ou Bailinhos;
Evandro Machado para 8;
João Dutra e Sérgio Melo para 3;
Os restantes para 1 música são: Agostinho Simões, Albano/Belmiro/Nuno,
Bruno Gores, Duarte Rosa, Durval Festa, Durval Festa/Paulo Azevedo,
Durval Festa/José Martins, Francisco Godinho/José Fernandes, Francisco
Valadão, Jorge Oliveira, Jorge Rocha, José Borges, José Dutra/Arranjos
do Grupo; José Eugénio, José Fernandes/David Lourenço, José João, José
Martins/Grupo, Luís Vidinha, Medina/Frederico Rocha, Paulo
Borges/Arranjos do Grupo, Paulo Martins e Paulo Valadão.
A organização está a cargo de:
Amigos do Carnaval (1);
Amigos do Teatro (1);
António Ivo (1);
Casa de Saúde (1);
Casa do Hospital (1);
Casa do Povo (4);
Centro Cultural do Cantinho (1);
D. Edite (1);
Freguesia (6);
Graxinha (1);
Grupo de Amigos (24);
Junta de Freguesia (2);
Portuguese American Center (1);
Salão (3);
Salão e Junta de Freguesia (1);
Sociedade (7).
Os enredos andam à volta de crítica social e política, caso verídico,
ladrões, polícias, família, namoro, casamento, empregadas e patrões,
emigrantes, promessas, discussões, super heróis, ídolos, aventuras,
comissão de festas, traição, enganos, professor/alunos, feitiços e
enriços, desejos, drama, peripécias e confusões, campanhas, assaltos,
doença, trabalho, touro e vida social.
Os títulos completos, por freguesia/elementos, são:
Altares
"Forcada dos Açores" - 32;
"Trabalhar para quê?" - 21
Biscoitos
"Ídolos da Terceira" - 24;
"Operação Stop 2010" - 24
Cabo da Praia
"Todos a Bordo" - 19
Cantinho de São Mateus
"Casos verídicos dos Açores" - 31;
"Manequim em apuros" - 25
Casa da Ribeira
"A Cisma é uma doença" - 18;
"Polícias em acção" - 24
Casa de Saúde do Espírito Santo
"Duas indiscretas" - 32
Casa do Hospital de Angra do Heroísmo
"Ernestino ao tacho" - 26
Cinco Ribeiras
"Centro de emprego à moderna" - 25;
"Escola Superior de Ladrões" - 22
Doze Ribeiras
"A tabela dos pecados" - 24;
"Doidos à solta" - 26
Feteira
"Quem ri por último, ri melhor" - 28
Fonte do Bastardo
"Doutor Frederico e sua medicina" - 24;
"Um velho em desespero" - 19;
"Uma estranha criança" - 25
Fontinhas
"Dança da vida" - 24;
"Telerural" - 33;
"Turismo de curral" - 26;
"Um dia de escola" - 8;
"Uma família enfeitiçada" - 24;
"Verdadeiramente arrependido" - 43
Lajes
"Desejos atribulados" - 27;
"Hino à vida" - 45;
"Madrasta de palmo e meio" - 18;
"O Casamento do ano" - 24;
"Paixões em turbulência" - 23
Porto Judeu
"O assunto tem tema" - 6
Porto Martins
"Três investigadores" - 5
Portuguese American Center
"Super Heróis" - 21
Posto Santo
"As peripécias de uma função" - 26
Raminho
"Titanic dos Açores" - 25
Ramo Grande
"Os Piratas" - 14
Ribeirinha
"José do Telhado" - 18
Santa Bárbara
"Namoro colorido" - 30
Santa Cruz da Praia da Vitória
"Autarquias 2010" - 24;
"Terra de palhaços" - 17
Santa Luzia da Praia da Vitória
"Assalto a um banco" - 24;
"Vizinhas em demanda" - 28
São Bartolomeu
"Bad Boys - Os homens ruins" - 17
São Bento
"Os amigos do morto" - 16;
"Trair e coçar é só começar" - 30
São Brás
"O carteiro" - 22
São Mateus
"O preto do Jardim já fala" - 23
São Pedro dos Biscoitos
"Doença da Tia Xica" - 27
São Sebastião
"Uma promessa à Serreta" - 19;
"Visita inesperada" - 32
Serreta
"Uma briga no salão" - 27
Terra Chã
"Malhar em ferro frio" - 4
"Terceira idade activa" - 32
Vila Nova
"A sepultura 31" - 23;
"Ladrões e confusões" - 21;
"Tourada celestial" - 22
Bom Carnaval e deem palmas ao pessoal que, com afinco, anda à volta da
ilha neste imenso FESTIVAL.
Rosa Silva ("Azoriana")
Quadras e rimas à Ilha Terceira NET
Ilha Terceira, rainha bela
De Heroísmo e Vitória
Com hortenses na lapela
Com rimas na trajetória.
Cantigas e quadras tantas
Preenchem cada serão
E com tua voz encantas
As belas festas de Verão.
Minha ilha, meu encanto,
Meu jardim abençoado,
O Divino Espírito Santo
E São João ao meu lado.
Carnaval tens mais beleza
E junta todos os tons
Nesta ilha a fortaleza
Ancorada em lindos sons.
Viva a nossa ilha Terceira,
Com suas quadras douradas,
Uma ilha hospitaleira
No Carnaval e plas touradas.
Minha ilha, meu Amor,
Terra linda de fartura,
Hoje te damos valor
Pela popular cultura!
Rosa Silva
Danças e Bailinhos de Carnaval 2010 online
A primeira comédia vai começar:
Em São Carlos - Ilha Terceira - Açores
Também pode ver, em directo, no Azoresglobal TV. nos seguintes locais:
São Bento
Juncal
Pawtucket (USA)
E ainda no Salão do Raminho
DESTAQUE: "folkosfera", de Vieira Brito
Que grande alegria
Eu vi num lugar
A Virgem Maria
No seu novo altar.
Milagres Senhora
De Amor peregrino
Nossa protetora
Flor de novo Hino.
E quem fala Dela
E da freguesia
Compõe aguarela
Sua Estrela guia:
Serreta convida
À fé toda a gente;
Romaria é vida
De um povo crente.
Rosa Silva ("Azoriana")
FOLKOSFERA
o blogue do Folclore e tanta cousa mais...
"O Carnaval e as suas Tradições" - a minha participação
A partir do dia 12 de Fevereiro ficou disponível para leitura o meu artigo participante na ideia do blogue de blogagem colectiva, o livro virtual, "Aldeia da Minha vida", cujo convite me foi endereçado recentemente.
Achei a ideia interessante e não quis deixar de participar, levando o que me ditou o coração sobre o Carnaval na Terceira.
O que vos peço é o seguinte: se gostarem da minha participação façam favor de votar segundo o regulamento e deixem o vosso comentário, porque também ele está a votação e prémio.
Reproduzo, agora, a minha intervenção com a rima da minha afeição:
Sai a Festa radiante:
"As Quadras da Quinzena", intituladas por José Ávila, na "Tribuna Portuguesa" - 15 Fev 2010
Depois que conheci o director do quinzenário independente ao serviço das comunidades de língua portuguesa, José Ávila, confesso que não se passa uma só quinzena que não vasculhe o dito quinzenário de ponta a ponta.
Entre as várias pontas da 2ª quinzena de Fevereiro de 2010, encontram-se artigos/crónicas de Colaboradores, uma Entrevista (Steve Junqueiro), temas da Comunidade (Carnaval), Desporto, Tauromaquia, Artes & Letras (com a Maré Cheia), English Section, Patrocinadores e a última página que traz o número 32.
Desta sorte, o meu olhar travou na página número 6 (seis), encimada pela querida santamarense Margarida Silva e as minhas quadras (feitas a pensar naqueles que nesta altura carnavalesca se encontram com o sentimento: SAUDADE)... O título colocado é que me cativou o pensamento, também. Além do agradecimento que devo a José Ávila junto, igualmente, o título dado por ele... As Quadras da Quinzena. Isto levou-me a pensar... Quem me dera que Deus e a Virgem Maria me inspirassem, enquanto viva, com mais Quadras de Quinzena para ofertar à comunidade que, ainda, ama a língua portuguesa e se encontra fora das nove ilhas dos Açores, mas continua cá em mente...
Pelo Carnaval as quadras são ritual mas noutras quinzenas há que haver temática propícia... Mas temas não faltarão daqui até ao Verão. Um dos temas que me anda a cirandar o pensamento é o Espírito Santo de São José, na Califórnia, em Junho... Queria eu exprimir as Quadras da Quinzena frente a um público ávido de uma voz açoriana... Ai, quem me dera!
Caríssimo José Ávila, como conseguir tal alegria junto com quem me apoia 100% nesta coisa de cantar as letras do meu pensamento? Um sonho é sempre um sonho até não se tornar realidade...
Bem-haja José Ávila e todos os leitores de além-mar que nutrem alguma simpatia pelas quadras da terceirense das rimas.
Feliz Carnaval para todos!
Rosa Silva ("Azoriana")
The IV International Conference on the Holy Spirit - San Jose, California, USA
Rosa Silva ("Azoriana")
Tenho amor à Pátria - Mãe
Ilha Terceira - Açores
E, tenho, por vós também
Outro dos grandes amores.
Na América do Norte
A fé no Espírito Santo
Traz consigo muita sorte
E apaga choro ou pranto.
Basta olharem para o Céu,
Na imensa claridade,
Pra verem que o Povo Ilhéu
Vos relembra com Saudade.
Nossa terra, nossa flor,
Nosso encanto e natureza,
Nosso lema é o Açor
E a Trindade em realeza.
Sóis a Nação da Irmandade,
Da geração emigrada
Tendes a nossa Trindade,
Nos Estados celebrada.
No vosso olhar saudoso,
Vejo as estrelas brilhando,
Vejo o Espírito bondoso
No coração triunfando.
Celebrado em Conferência
O tema de Honra e Fé,
Com o Culto de Excelência
Que todos sabem qual é:
A Divina Providência
Santo Espírito em São José!
Nota: O meu contributo imediato ao saber do evento de 24 a 27 de Junho de 2010
Página Oficial: Holy Ghost Festival conference in San Jose - http://www.ConferenceHS2010.com/
Especial: Holy Ghost Festival conference in San Jose, June 24-27, 2010
"Caros Amigos/Dear Friends:
Depois de se ter realizado duas vezes no Brasil, e na ilha Terceira, Açores, a Califórnia foi o local escolhido para receber o IV Congresso Internacional sobre o Espírito Santo, que decorrerá nas cidades de San José-Santa Clara de 24-27 de Junho de 2010.
Estes encontros têm como propósitos:
1. aprofundar os conhecimentos dos interessados neste vasto movimento do culto ao Espírito Santo, contando por isso, com a participação de peritos e estudiosos sobre o assunto;
2. Oferecer uma ocasião privilegiada para os representantes de organizações do E.S. partilharem as suas experiências e a evolução das celebrações locais através dos tempos;
3. Proporcionar à comunidade local a oportunidade de dar a conhecer aos participantes-visitantes as diversas manifestações associadas às celebrações, através da participação numa festa típica em honra ao Espírito Santo, neste caso, a celebração da festa promovida pela Irmandade do Espírito Santo (I.E.S) de S. José.
Sendo a primeira vez que este Congresso terá lugar na América do Norte, pretende-se estender a participação a representações dos Açores e do Brasil, bem como às comunidades e irmandades do Espórito Santo do Canadá, Bermuda, Costa Leste dos EUA, Nevada, Utah, Colorado e Hawaii.
From June 24-27, 2010, the Portuguese community of California is hosting the IV International Conference on the Holy Spirit, an exceptional opportunity to showcase these with our brethren from across the US (California, Hawaii, Nevada, Colorado, Massachusetts, Rhode Island, and Idaho), Canada, Brazil, Bermuda, Azores and other areas where these festas, now in its many variations, still take place. This four-day conference will provide participants with a unique blend of academic reflection and practical experience, including the preparation for and the incorporation in the many events of an actual and typical California Holy Ghost festa, the I.E.S. (Irmandade do Espírito Santo) of San Jose celebration.
We would like to invite everyone to: VISIT THE CONFERENCE WEBSITE: http://www.ConferenceHS2010.com
SPREAD THE WORD TO YOUR FRIENDS AND AQUAINTANCES
CONSIDER PARTICIPATING
Convidamo-lo a: VISITAR O WEBSITE DA CONFERENCIA: http://www.ConferenceHS2010.com
PASSE A PALAVRA AOS SEUS AMIGOS, FAMILIARES OU INTERESSADOS NO ASSUNTO
CONSIDERE PARTICIPAR
Desculpem a natureza impessoal desta mensagem, mas necessitamos de divulgar a informação da página da internet
We apologize for the impersonal nature of this message, but we needed to publicize the information on our new webpage.
Regards
Tony Goulart and José do Couto Rodrgiues - Committee Co-Chairs."
Trilogia
Trilogia domingueira:
Vale tudo na Terceira
Com festejos e tourada.
Vem aí os Estudantes
Com quadros hilariantes
Em desfile na calçada.
Fantasias e "arranhão"
[Sumo da ocasião]
Acompanham a euforia,
Que quando chegam à Praça
Não há bem que se lhes faça...
Só mesmo gaitadaria!
(= gargalhada)
Andam todos em alvoroço
Seja "moça" ou seja "moço"
Em trocas habituais;
E ficarão na memória
Estudantes com história
De rir a não poder mais.
No ano dois mil e dez
Trilogia sem revés
A catorze domingueiro:
O Dia dos Namorados,
Carnaval por todos os lados,
E Tourada de fevereiro.
É a Festa do Amor ,
Da Alegria e do Ator,
Das Marradas e afins,
Das piadas de bom gosto
Desde Aurora ao Sol posto
Nas cores destes jardins.
Nos Açores, ilha Terceira,
Entre todas pioneira
Em festas e diversão:
Há amor p'lo Carnaval
Compêndio dum festival
Que brinda qualquer Salão.
Só a febre da alegria,
Que a todos contagia,
Faz ferver rimas a eito;
Nossas Danças e Bailinhos
Embelezam pergaminhos
Deste amor que arde no peito.
Ai, Amor como vai ser,
Trilogia do querer
Teu amor, tua paixão
Juntando a euforia
Que grassa por este dia
Ao toque do "arranhão"...
Não te importes, deixa andar,
Juntos vamos festejar
O dia à nossa maneira;
Só importa a cor da vida
Que nos seja bem sortida
Pelas RIMAS DA TERCEIRA.
As minhas vão para ti
E p'ra quem me lê aqui
Na assinalável data:
Viva, viva o Carnaval
Da galhofa mundial
E da ilha que lhe é grata!
Rosa Silva ("Azoriana")
Para 14 de Fevereiro de 2010
Carnaval 2010: Hélio Costa e João Mendonça, dois nomes inconfundíveis do Teatro Popular Terceirense
O primeiro conheço melhor, porque cedo ouvi a sua peculiar forma de fazer rir plateias e porque publicou uma colectânea que guardo com muito carinho e admiração. É contagiante a sua forma de amar o Carnaval e de o levar até onde a saudade implora pelo retorno ao berço que viu nascer e, depois, partir para terras de além-mar, alguns que também amavam o Carnaval Terceirense e acabaram por nunca mais voltar porque a terra fria os recebeu e lhe fechou qualquer fronteira para sempre. Lembro de Daniel Arruda que nos deixou com a saudade da sua ilha Terceira.
O segundo nome também é-nos familiar. Tem uma forma muito peculiar de se apresentar pelos palcos da Terceira e além dela. Confesso que não assisti a muitas das suas Danças ou Bailinhos (não conseguia chegar à freguesia da Serreta ou era eu que já não estava lá) mas o seu nome ecoa em qualquer ponto próximo ou distante. Há coisas que ficaram por dizer na entrevista levada a cabo por Marta Silva, na "Estação de Serviço" de 10 de Fevereiro de 2010. Telefonei e questionei dois pontos mas ainda não estou satisfeita e queria indagar mais sobre este actor, autor e poeta do Carnaval ilhéu. A primeira reacção quando passo perto dele é olhar, olhar e calar. Mil perguntas acodem ao meu pensamento mas calo-me e não chego à fala com o próprio. Não o conheço bem, por isso, intimido-me. O que sei é que já participei numas cantigas de saudação e despedida para os Estados Unidos, cujo enredo foi criado por ele. Isso me levou a esta vontade de o cumprimentar para elogiar, sinceramente, o seu trabalho.
Uma coisa é certa, há que conjugar a letra com a boa interpretação e isso, com ele, é fácil e provoca o riso geral.
Um dia, quem sabe, ele próprio sentirá o apelo e me contactará. Assim espero. Será uma honra.
E viva o nosso pitoresco Carnaval.
****************************************
Entretanto, fiquem atentos ao dia 12 de Fevereiro (amanhã, o melhor dia da semana - sexta-feira) porque sairá um artigo meu sujeito a votação no blogue http://aldeiadaminhavida.blogspot.c
De "Mountain View "quem será que me segue sem deixar rasto? Não tenha receio e escreva-me para o contacto na barra lateral direita. Obrigada e voltem sempre OS SAUDOSOS DO TORRÃO NATAL QUE BRINDA A TODOS COM SEU CARNAVAL.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Carnaval Solidário" ideia de João Mendonça, poeta e escritor de Danças de Carnaval da Terceira
No programa televisivo "Estação de Serviço" cuja pergunta é: "Qual a mais valia do Carnaval da Terceira?" fez-me participar por dois motivos:
1º Saber se João Mendonça tinha alguma colectânea do seu trabalho poético? Ele respondeu que possui vários CD's mas que propriamente uma colectânea ainda não. Suponho que irá seguir esta ideia pois as tecnologias favorecem isso.
2º Se as Danças e Bailinhos seguem algum calendário para puderem actuar naquelas freguesias que raramente as veem? Ele respondeu que seria bom haver mais organização e dividir-se a ilha em quatro partes, por exemplo, para que todas as danças pudessem atuar nos Salões da ilha.
Foi pena eu não me ter identificado melhor pois João Mendonça não me conhece. Já estive bem perto dele mas não tive coragem de lhe falar. Aproveito para elogiar a atitude ilustre deste Senhor das Danças: Graças a ele vai surgir uma forma de ajudar os doentes deslocados dos Açores para Hospitais do Continente - uma Associação que angariará fundos para auxílio desses doentes que carecem de maiores apoios. Chamou-lhe, assim, Carnaval Solidário. Bem-haja por esta ideia que surgiu por ter visitado o irmão que faleceu por doença e por ter visto necessidades.
Peço a quem conhecer o contacto do Sr. João Mendonça o favor de me avisar via comentário ou email. Por acaso já tive ocasião de ler algumas das letras de assuntos de Bailinhos para a América das quais também fiz parte na criação das cantigas de Saudação e Despedida.
Viva o Carnaval da Terceira
E todos os seus colaboradores
Divertida e tão hospitaleira
Com destaque para os escritores.
Louvo também os bailarinos,
Tocadores e outros participantes;
Festa de sorrisos junta hinos
Rimas de alegria contagiantes.
Esta é a vez primeira
Que louvo João da Agualva
Um poeta da Terceira
Com o riso ele nos salva.
Sou a Rosa, sonhadora,
Cantadeira por escrito,
De rimas sou detentora
E nele muito acredito.
O Mendonça tem tal graça
Que merece nossa ovação,
Em qualquer palco que passa
Tem forte aceitação.
Rosa Silva ("Azoriana")
Saudades... do Carnaval
Pra quem vive longe, distante,
Tem Saudades do Carnaval;
O nosso povo emigrante
Do Entrudo faz Festival.
Tem saudades dos foguetes,
Que brilham como estrelas;
Das Danças e dos lembretes
Que era correr para vê-las.
Pelos palcos engalanados
Com sorrisos e fantasias
Os Bailinhos alinhados
Rimando as cantorias.
Na frente, a Saudação,
O assunto faz-nos rir,
Despedida encerra então
O que voltará a vir.
Ó meu bem se tu te fores
E pra cá não voltares mais
Escreve essas tuas dores
Enfeita teus carnavais
A Terceira dos Açores
Abraça os seus jograis.
E se dela tens Saudades
Numa dor fria e picante
Antes que dobrem Trindades
Vem daí ó Emigrante
Recorda as amizades
Com um verso radiante.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Para quem me visita dos Estados Unidos da América e Canadá. Quem me dera que deixassem um comentário neste artigo com o que lhe vai na alma saudosa mesmo que alguma gota de água escorra dos seus olhos de saudade...
De que é bom andar a pé...
SUBI O ALTO DAS COVAS
DESCI A RUA DA SÉ
E ASSIM VOU DANDO PROVAS
DE QUE É BOM ANDAR A PÉ.
Glosa
Vinha eu dos Folhadais
E passei por zonas novas
Que inspiram os jograis.
SUBI O ALTO DAS COVAS
.
Senti umas dores picantes
Mas agora isto o que é?
Já sentira isso antes...
DESCI A RUA DA SÉ
..
O martírio destas sovas
Os mindinhos não aguentaram
E ASSIM VOU DANDO PROVAS
Do tormento que levaram.
...
Frente à Catedral da fé
A toada anunciava
DE QUE É BOM ANDAR A PÉ
Para quem pouco andava.
Rosa Silva ("Azoriana")
"Ondas de Amor"
Imagem encontrada na net:
(Segredos do Sexo, Michelle Pauli)
| O fogo que nos embala a paixão nos incendeia num gemido de fulgor há lua cheia... Há o cheiro do teu cio na maresia do teu beijo que me cala e extasia... [O fogo de apaixonados É uma chama promissora De beijos rosados Em lábios incendiados Pela paixão sedutora.] Ao redor do teu calor Ressaltam "ondas de amor"! Rosa Silva ("Azoriana") |
Na Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo
Rimas da Terceira
Cantigas... dou-as ao vento
Que m'as leve mais além
Com um terno sentimento
Para quem lhes queira bem.
Voam letras pelos ares
Unidas pela razão
Quando chegam aos lugares
Mostram o meu coração.
Baila na boca do povo
A destreza das cantigas
É pena que o mais novo
Não goste dessas amigas.
Canta a minh' alma inteira,
Com vontade de aparecer
Com as «Rimas da Terceira»
Em Cantos de bem-dizer.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Escrito no dia que fui à Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo (http://www.bparah.azores.gov.pt/html/index.html) na senda dos livros de Gervásio Lima sobre "Poetas e Cantadores" e "As Festas do Espírito Santo". Acabei lendo umas páginas do jornal "A União" do dia 2 de Junho de 1931, que referiam os festejos do Império de São João de Deus, pela Trindade. Foi nesta data (30 ou 31 de Maio de 1931) que a "Turlu" (Maria Angelina Sousa) encontrou o grande improvisador, conhecido por "Charrua" (José de Sousa Brasil). Só não sei se realmente foi neste ou no ano seguinte que estrearam o seu cantar ao desafio. No referido jornal não encontrei menção a esta efeméride. No livro de "Confidências" escrito por Mário Pereira da Costa fica-se com a impressão de que possa ter sido no ano seguinte mas é um facto que em 1931, a Turlu ouviu o Charrua cantar e gostou muito.
Enquanto isso, saltou-me ao pensamento as rimas expostas acima. Mesmo que eu não cante nos Arraiais ou Terreiros, podem crer que canto onde me leva o pensamento. Com o apoio das tecnologias e o serviço da equipa do SAPO as cantigas ganham um voo gigantesco, para quem delas gosta.
Ave na gaiola
O amor pela Cantoria
Veio sem eu esperar
Quer de noite quer de dia
Apanho-me a cantar.
É um canto abafado
Pelo silêncio da voz
Vai comigo pra todo o lado
De uma forma veloz.
Sem a viola da terra
E o violão audaz
Mais o silêncio aterra
E voar não sou capaz.
Uma ave na gaiola
Não canta tanto à vontade
Se se abrir a portinhola
Terá outra liberdade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bem-haja ao pessoal que trabalha na Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo. Uma Biblioteca foi, é e será a guardiã de muitas criações e merece os maiores elogios pela boa preservação dos documentos de uma vida.
Termo de pesquisa: Cantadores
"Poetas populares que, nos arraiais, folias e demais festejos,
improvisam cantigas para um público que os ouve e aplaude com
entusiasmo. Ainda hoje a cantoria, expressão que o açoriano designa
por "desafio", constitui uma das solicitações do povo das freguesias
rurais, praticado nas ilhas do arquipélago, especialmente na Terceira
e em S. Miguel.
A cantoria é um autêntico torneio poético em que dois ou mais
improvisadores cantam ao ritmo estimulante da viola da terra, usando
como única arma ofensiva a redondilha maior. Durante horas seguidas, o
par de cantadores defronta-se com um tema que surge de momento. Esta é
a principal razão por que não estudam os seus versos, dada a
impossibilidade evidente de prever o assunto, condicionado por um dito
ou uma referência.
De facto, muitas vezes os cantadores provocam-se, descobrindo
mutuamente as suas fraquezas e defeitos, de tal modo que o público
menos habituado a esses debates, receia desfechos violentos como, por
exemplo, aconteceu quando o Chico da Vila se dirigiu ao Manuel Borges
Pêcego: «Já te vi um dia, Borges, / De tal forma embriagado / Deitado
numa valeta / E pelos porcos fossado», ao que este respondeu: «Ó
homem, andaste mal, / Porque bem não me fizeste; / Foste tu o
principal, / Até dentadas me deste.»
Mas no mesmo instante, o clima de tensão desaparece e os cantadores
elogiam-se mutuamente, amigos como sempre. E o desafio termina em paz,
com um sincero aperto de mãos. BORGES MARTINS"
Fonte: Centro de Conhecimento dos Açores no endereço:
http://pg.azores.gov.pt/drac/cca/encicl
Poetas e Cantadores
A cantar colado à rima
Anda sempre o cantador
Cujo tema vem acima
Do ventrículo do amor.
O amor pela cantoria
Nas ilhas açorianas
É querido noite e dia
No Verão dumas semanas.
O Divino Espírito Santo
É mote glorificado
Que nos dá um tanto ou quanto
Um timbre mais inspirado.
B. Martins e G. Lima (*)
Elevaram cantadores
Por monde da dita rima
Património dos Açores.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Alguém sabe exactamente em que dia foi o Domingo da Trindade do
ano de 1931 (na ilha Terceira, em São João de Deus - Santa Luzia -
Angra do Heroísmo?
Foi em 31 de Maio de 1931, conforme jornal "A União", de 2 de Junho de 1931.
(*) J. H. Borges Martins e Gervásio Lima
