Na Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo

Rimas da Terceira

 


Cantigas... dou-as ao vento

Que m'as leve mais além

Com um terno sentimento

Para quem lhes queira bem.



Voam letras pelos ares

Unidas pela razão

Quando chegam aos lugares

Mostram o meu coração.



Baila na boca do povo

A destreza das cantigas

É pena que o mais novo

Não goste dessas amigas.



Canta a minh' alma inteira,

Com vontade de aparecer

Com as «Rimas da Terceira»

Em Cantos de bem-dizer.



Rosa Silva ("Azoriana")



P.S. Escrito no dia que fui à Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo (http://www.bparah.azores.gov.pt/html/index.html) na senda dos livros de Gervásio Lima sobre "Poetas e Cantadores" e "As Festas do Espírito Santo". Acabei lendo umas páginas do jornal "A União" do dia 2 de Junho de 1931, que referiam os festejos do Império de São João de Deus, pela Trindade. Foi nesta data (30 ou 31 de Maio de 1931) que a "Turlu" (Maria Angelina Sousa) encontrou o grande improvisador, conhecido por "Charrua" (José de Sousa Brasil). Só não sei se realmente foi neste ou no ano seguinte que estrearam o seu cantar ao desafio. No referido jornal não encontrei menção a esta efeméride. No livro de "Confidências" escrito por Mário Pereira da Costa fica-se com a impressão de que possa ter sido no ano seguinte mas é um facto que em 1931, a Turlu ouviu o Charrua cantar e gostou muito.



Enquanto isso, saltou-me ao pensamento as rimas expostas acima. Mesmo que eu não cante nos Arraiais ou Terreiros, podem crer que canto onde me leva o pensamento. Com o apoio das tecnologias e o serviço da equipa do SAPO as cantigas ganham um voo gigantesco, para quem delas gosta.


 


Ave na gaiola





O amor pela Cantoria

Veio sem eu esperar

Quer de noite quer de dia

Apanho-me a cantar.



É um canto abafado

Pelo silêncio da voz

Vai comigo pra todo o lado

De uma forma veloz.



Sem a viola da terra

E o violão audaz

Mais o silêncio aterra

E voar não sou capaz.



Uma ave na gaiola

Não canta tanto à vontade

Se se abrir a portinhola

Terá outra liberdade.



Rosa Silva ("Azoriana")



Bem-haja ao pessoal que trabalha na Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo. Uma Biblioteca foi, é e será a guardiã de muitas criações e merece os maiores elogios pela boa preservação dos documentos de uma vida.

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