Quadras à solta

Se é pouco o que eu faço

Tenta fazê-lo melhor

Se falares do meu espaço

Não o sangres... porque há dor.



E se a tua fatia

For muito melhor que a minha,

Não desprezes o meu dia

Porque o teu p'ra lá caminha.



O humor quando é negro

E no branco vai cair

Fica logo alvinegro

E pode até denegrir.



Nunca leves tanto a peito

A espada que fuzila

Porque há sempre o direito

De contrapor quem refila.



Há quem diga que desprezo

É o melhor na má hora

Quando o corte nos é leso,

Nos fere e nos devora.



Mas desprezo não te tenho     /Tudo é fruto do engenho

Garantido está o humor         /  Que cada alma até tem

E se lês algum desdenho       /   Há também quem tenha empenho

Tenta encontrar-lhe valor.  /    De querer sair-se bem!





Rosa Silva ("Azoriana")





P.S. A propósito de umas coisas que ando lendo. Há uma melodia que se adapta a estas quadras quase na perfeição mas não vou revelar pois podem não gostar.

1 comentário:

  1. Oh amiga, eu não sei o que e que te inspirou para fazeres estas quadras, mas seja lá o que tenha sido, ao menos deu algum fruto!!! E fruto do bom!!! Adorei estas quadras!!! Agora ate me estavas a parecer uma "Antónia Aleixa "!! :)))
    Bj da Jo

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