Do espinho tirei a rosa

Já fui livre, já fui verso,

Já fui quadra, sou cantiga;

Se sou má, volto amiga,

Já fui um texto disperso.



Já fui vil, já fui bondosa,

Já fui tudo sem querer;

Bonina ou malmequer,

Do espinho tirei a rosa.







Mas o que eu gosto mesmo

É do vento que me voga;

Não aprovo quem me roga

O que não tenho a esmo.



O que fui e já não sou?!

Fui triste e sou feliz.

Tive amor pela raiz

E agora no que te dou.



Rosa Silva ("Azoriana")




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