Novo és, velho serás...

Peço que leias até ao fim
O meu verso irritado
Não o escrevo por mim
Mas plo povo reformado.

Ouço os velhinhos coitados
Com cortes na sua pensão
Foram eles os culpados
De nos dar o berço então.

Foram eles que cuidaram
Dos filhos que hoje são
Os tais que muito cortaram
Da sua parca refeição.

Peço com mais compaixão
A todos os governantes
Que não tirem a ração
Dos que bem lha deram antes.

Não sejam tão radicais
E pensem que velhos serão
Lembrem-se que hoje são pais
E amanhã vão no caixão.

Ao chegar junto ao Juiz
Justo e Omnipotente
Perguntará e logo se diz:
- Tirei o pão de muita gente!

Depois não haverá remédio
Do mal que agora se faz
E se achas que isto é tédio
Faz melhor se fores capaz.

Rosa Silva ("Azoriana")
2013/05/10

Por terra dentro...

O título do artigo de hoje pode levar qualquer mente a pensar que estou de viagem nem que seja cá dentro... Não! Não fui viajar à exceção da rotina do ir e vir de casa para o local de trabalho e vice-versa. Pouco mais tenho viajado sobre quatro rodas. Com os pés também não tenho andado muito. Se o clima arrebitar e se se mantiver airoso talvez seja bom motivo para espantar o mofo do corpo e alma. Mas adiante... com o que é mais importante.


 


Por terra dentro podia ser o título a atribuir a alguns dias de vida dedicados ao amanho da terra. Para variar, pego num sacho de três dentes e revolvo alguns vultos de terra impregnada de inutilidade. Cavo rente à parede, dou a volta, cavo mais ou menos a meio do cerradinho e encontro-me, depois, com o início, o local de partida. Na tarde seguinte e, novamente, munida de luvas e mais outro utensílio agrícola, repasso a zona cavada para sacudir a terra das ervas que coloco num monte. Enquanto me ocupo desta tarefa sinto o suor cair-me pelo rosto, no corpo e uma magia que me liberta dos amontoados da mente.


 


Por terra dentro vou buscar a solução para espantar raiva, tédio e desânimo com os solavancos duma sociedade que continua a fugir ao natural. Ponto final.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Mãe (Terra)

Sentei-me na rua da alma
Com céu cinza anilado
Abracei a brisa calma
Que me trazia o passado.

Ao longe o toque metal
No coração da aldeia
Com a festa regional
Onde a Coroa passeia.

Por ser o dia da Mãe
E do filho que a estima
De todo aquele que tem
O amor que a sublima.

Por ser palavra pequena
Fácil é balbuciá-la
Na sua face serena
Basta que possa beijá-la.

Sem a ter, sentei-me fora
À procura no vazio
Do que fui e sou agora...
E um foguete se ouviu.

Entre os verdes à tardinha
De um maio maternal
Deu-me saudade da minha
Que ao Cetro foi leal.

Tanta mãe que há na terra
E a terra também é mãe
E é nela que se enterra
Todo o que à terra vem.

Rosa Silva ("Azoriana")

Tribuna do 1º de maio

 



 


Viva, viva José Ávila & Cª.

É verdade, sim senhor:
Lindo quinzenal Tribuna!
Feita uma edição louvor
A quem bem o coaduna.

Mês de maio, mariano,
Santo Cristo e sua Mãe
E de todo o açoriano
Que se lembra donde vem.

A Tribuna Portuguesa
É lenço erguido aos céus
Numa mão de gentileza.

Que se torna mais bonita
Quando atira os chapéus...
Tribuna é sol da escrita!

Rosa Silva ("Azoriana")

Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres





5º Domingo depois da Páscoa (05-05-2013)

Ilha de S. Miguel - Açores


 


Da "catedral" religiosa
À imensidão profana
Vem a imagem gloriosa
Que marca a dor humana.

Jesus, nosso Santo Cristo
Dos Milagres anunciado
Com sacrifício em misto
De espinhos coroado.

Olhai todos o injustiçado
Ilustrando a maior dor
Por nós foi crucificado
Deu-nos a lição do AMOR.

Vamos todos agradecer-Lhe
Com palavras de alegria
Que em retorno irão ver-Lhe
O Amor que irradia.

Quando alguém se vê aflito
Entranhado na desgraça
Solta o eco ao seu grito
De joelhos dá a volta à Praça.

Mas Deus não quer nossas dores
Nem tão pouco nosso lamento
Deus quer as alegres flores
Dos humanos do evento.

Mesmo que não possas ir
Em presença à sua Festa
Sempre Lhe podes sorrir
E dar palavra modesta.

Nem tudo o que luz é ouro
Nem o ouro é tudo, então,
Sinto que o maior tesouro
É o Amor da devoção.

Cada lágrima mais sentida
Vale por tudo o que é
Numa alma agradecida
Mostrando crença na fé.

A fé se vê no olhar
Traz a voz do coração
Santo Cristo vai abraçar,
No silêncio, a multidão.

A fé se une num coro
Às graças juntam-se as preces
Vai aumentando o tesouro
Na hora que Lhe agradeces.

Resplendor, Cetro e Coroa
Cordas, Capa e Relicário
Marcam o olhar da pessoa
Que visita o Santuário.

São peças de joalharia
São ofertas gloriosas;
As Dores que teve um dia,
Se fizeram preciosas.

Santo Cristo, justo Senhor,
Dai ao mundo discernimento;
Santo Cristo! Aliviai a dor
Que vai além do sofrimento.

Rosa Silva (“Azoriana”)