Recordação da desgarrada - Serreta 2024

Desgarrada Serreta 2024


O farol e o archote
Fazem noite iluminada
A brindeira deu o mote
À noite da desgarrada.

Rosa Silva ("Azoriana")

Achas que sou vaidosa?! (3º aniversário da neta de Rosa Silva)

Achas que sou vaidosa?!


Eu aqui nem tinha três
Anos que cheguei ao mundo
Mas olha para o que vês
Nem que seja um segundo.

Gosto muito de vestidos,
Saias, blusas e bandoletes,
Óculos de tons garridos,
Elsa's, Minnie's em cassetes.

Malas, brincos e cordões,
Pulseiras e bugigangas,
Também gosto de calções,
E podem até ser de gangas.

Mas a música para mim,
É toda a minha herança,
Oxalá que toque assim
Quando houver outra festança.

Foi minha avó que cantou
A escrita que me deu
Se ela desafinou
Não será problema meu.

Agora vou-me prezar
Com algo extraordinário,
Para mais logo festejar
Meu terceiro aniversário.

Rosa Silva ("Azoriana")


para Matilde Alexandra Borges Ormonde, sua mãe Aida Borges e toda a família materna e paterna. 

O negrume

Negrume
Há um céu tão encardido
De negrume, escuridão,
E o trovão, por mim, temido,
Alastra esse algodão.

Os "bordões" são tão valentes,
Que molham a nossa pele,
Depois dos sons estridentes
Que Deus pela gente zele.

Mas para quê agonia
Se o vento amainou?!
Só o negrume do dia
Ainda não terminou.

Esta é a realidade,
O Verão já foi embora,
Dá lugar à tempestade
Que despe as árvores agora.

Rosa Silva ("Azoriana")

A moradia de Fernando & Ana Marques. Dedicatória

Parece a casa do barco
Com vista de maravilha
Um verdadeiro arco
De amor e sã partilha.

Que Jesus e a Virgem Mãe
Protetores infinitos
Vos concedam todo o bem
E os dons favoritos.

São da ilha, são do mar,
De uma terra festivaleira,
Que possam sempre animar
Os amigos da Terceira.

Terceira, ilha de fé,
De festas e romarias,
E de quem sabe o que é
O trabalho nesses dias.

Parabéns e muita saúde
Para tudo bem gozar
E à bonita atitude
De quem vos quis ajudar.

O vosso lar tem à proa
A grandeza da janela
E do alto já ressoa
Uma mensagem tão bela.

Rosa Silva ("Azoriana")

Um amigo das Tradições Açorianas

Fernando Ferreira Machado Neto


O Ti' Talhinha, do Posto Santo, ilha Terceira
Descansa Em Paz!

A caixinha de rapé (boceta)

I
Para bem me distrair
Dos males que atormentam
Pensei que podia rir
De outros que bem assentam.
II
No tempo da minha avó
Em amena cavaqueira
Que não se tivesse dó
Da caixa na borralheira.
III
A caixinha de rapé,
Do tabaco de cheirar,
Andava sempre ao pé
Do nariz e do nosso lar.
IV
Era vício tão comum,
Nas horas de uma pausa,
Não se compara a nenhum (?)
Que hoje seja uma causa.
V
A pitada era bem fina,
Na pontinha de dois dedos,
Essa "arte" nem se ensina
Para se evitarem enredos.
VI
As vizinhas e conhecidas
E quem até se visitasse
Narinas mal coloridas
Se acaso se derramasse.
VII
O rapé era uma festa,
Entre avó e a "Raimunda",
Se dissesse que não presta,
O sorriso logo inunda.
VIII
Agora vejo fumar
Seja homem ou mulher
Sem boceta a cirandar
Cada qual faz como quer.

Rosa Silva ("Azoriana")

Eu também sou de mudanças (... e gosto de catos)

catos

Mudo de lado para lado,
Desde os meus tempos finitos,
Por não querer tudo selado,
E não me causar atritos.
*
Gosto de grande mudança,
Das peças do dia-a-dia,
Sem manchar a confiança,
Nem perder a cortesia.
*
Gosto de ver a limpeza,
A ordem, de bom preceito,
Vou moldando a natureza
Quando me dá algum jeito.
*
Quando eu for a sepultar,
Só se muda a terra fria,
Com os catos a enfeitar
A ossada tão vazia.
*
E se escreverem de mim,
Só quero que haja respeito...
Digam apenas assim:
«O bom também tem defeito».
*
E os defeitos que tive,
Não lhes dei muita guarida,
Em alguns nem me detive
Ao longo da minha vida.
*
Rosa Silva ("Azoriana")

Saudade (JAOV. 24/06/2022; e 26/09/2024)

Ti João Ângelo


Ti'João Ângelo Vieira
Está em festejo no Céu
Uma Palma à sua beira
E palmas do povo ilhéu.

Continuo com afinco,
Zelando o que me compete:
Foste com oitenta e cinco
Farias oitenta e sete.

Até na conta é dif'rente,
Há um ano que partiste;
Dois sem estares c'a gente...
Ó que saudade mais triste.

E por bem te canto eu,
Com a minha inspiração;
E que o São Bartolomeu
Cante com teu São João.

24/06/2022

Rosa Silva ("Azoriana")

Ti'João Ângelo Vieira
Que bom festejo no Céu
Uma Palma à tua beira
E palmas do povo ilhéu.

Continuo com afinco,
Zelando o que me comove:
Foste com oitenta e cinco
Farias oitenta e nove.

Até na conta é dif'rente,
Há três anos que partiste;
Quatro sem estares c'a gente...
Ó que saudade mais triste.

E por bem te canto eu,
Com a minha inspiração;
E que o São Bartolomeu
Cante com teu São João.

26/09/2024

Rosa Silva ("Azoriana")

Homenagem (Festas de São Carlos 2024)


Ei-lo com Cetro na mão,
Que Homenagem não dispensa:
Hoje pelo Ti'João
Seja dada recompensa...
Chora, em pranto, o coração,
Numa saudade imensa.

Tal imagem nos comove,
Com misto de alegria,
Se vivo, os oitenta e nove,
Feitos em junho, teria,
Que haja alguém que nos prove
Melhor dom p'ra Cantoria.

Nas "Velhas" foi o herói,
Décimas de rico humor,
Sarcástico também foi,
Refinado observador,
A saudade até nos dói
Pelo excelso Cantador.

Elogio a Comissão,
Que tem a boa atitude,
De elevar a União
De Zelo e também Virtude,
De louvar o Ti' João
Com tamanha amplitude.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ti João Ângelo (na foto de Carlos Aguiar) e quadra minha (12/01/2022, às 05:19)

Ti João Ângelo

Carta a um filho "ressuscitado"

Olá filho!
Tudo bem contigo? Acho que sim. Tu gozas de um humor nato que te faz dizer coisas que fazem os outros rir até quase às lágrimas felizes. Que o diga a tua irmã, após a saída da escola do Alto das Covas. Lembras?
Hoje é o dia de 37 + 1. Isto porquê? Porque "ressuscitaste" de um susto grande. Como diz a tua sobrinha, minha neta, "Já passou!".
Agora relembro pequenos "grandes" episódios como se fosse em revista. Brincadeiras do "faz-de-conta", festas além das horas, momentos em família festivaleira, carnavais, "acampamentos" sem licenciamento, infância na companhia de animais de estimação de outrem (familiares) e a "continência" sem autoridade, com alguma curvatura de rosto 🙂
Que tudo isto somado te deixe muito feliz hoje e para todo o sempre. É isso que sempre desejei quando quis ser tua mãe. Oxalá tenhas gostado (e gostes) da mãe que tiveste com preocupação desmedida para que tudo fosse certinho e direitinho. Não sei da avaliação global, mas fiz o que podia e sabia. Mais do que isso, foi o amor pelos meus descendentes naturais e legítimos.
Beijinhos aos molhos de
Rosa Maria C. Silva

Debruçada no Queimado (analogia)

Ponta do Queimado, SerretaPonta da Serreta ou Ponta do Queimado | Angra do Heroísmo, 25/09/2024.
No dia de aniversário do primogénito, Luís Borges


Não te debruces no mar
Sem medires o azedume
Pode até te encantar
Mas é lesto desde o cume.

Na ilha há um lugar
Que venero loucamente
Que se pode naufragar
Se em debruço tangente.

No entanto, sem desconto,
É um local adorado,
Adoro ponto-por-ponto
Bela Ponta do Queimado!

Mais aquém, nas tardes minhas,
Sem dureza, nem vinagres,
Vou à Canada das Vinhas,
À Capela dos Milagres.

Outrora um homem deixou
Ermida, por suas mãos,
Que tanto me cativou
E cativa alguns cristãos.

Ide lá, sem pressa alguma,
Visitar o que vos digo,
Enquanto a vida é só uma
E se fora de perigo.

Rosa Silva ("Azoriana")

Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo

Cheguei. Entrei. Sentei. Espero o 7.2 que vivi intensamente, até hoje. Não é fácil esquecer escombros, feridos e mortos. Não é fácil perder o frio gélido no corpo e alma. Onde estarão as almas dos corpos caídos entre pedras, ombreiras, pilares de pedra talhada à mão? Tudo ruía sem dó nem piedade. E o relógio maior fechou-se em si, às 20 para as quatro de uma tarde amena, sem chuva. Depois restaram apenas casacos (o grande e amarelo da minha mãe), mantas, cobertores e roupas tristes. O que será que vou ver hoje, pelas 21 horas de uma terça-feira, do mês de setembro/2024, passados 44 anos da catástrofe... tinha os meus 15 (em abril fazia os 16) anos e hoje 60.

[Pausa]

Dez para as 23 horas. Regresso ao lar. Dei os parabéns. Batemos palmas. Excelência de obra. Jorge Silveira Monjardino merece os maiores louvores e agradecimentos. Todos os intervenientes foram maravilhosos.

Uma tragédia que arrepia e, no entanto, fez-me viver tudo de novo, como se fosse o primeiro de janeiro de 1980, 15:40.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ser cantadeira


Rua dos Moinhos, freguesia da Agualva, ilha Terceira. Setembro de 2011


A cantiga não é da voz
Vem da mente a galope
Por isso ela é veloz
Nem precisa de xarope.

O xarope é o amuleto
Para quando a branca surge
E se a branca cometo
Contorná-la também urge.

Há a branca da memória,
Há a branca do momento,
Fazem parte da história
Mesmo em torno do talento.

O talento não se faz,
Nem se cria obrigação,
É saber se é capaz
De colher a inspiração.

Há dias bem inspirados,
Outros que há uma falha,
Porém ficarão lembrados
Sobretudo aos que lhes calha.

Só não calha a quem não canta,
Nem sequer experimenta,
Só tenho alegria tanta
Na voz que a escrita aguenta.

Rosa Silva ("Azoriana")

Discurso direto... com afeto (a João Mendonça)

Em conversa de almoço
À beira de um prato meio
Fiz então o meu esboço
De falar de peito cheio.

João Mendonça um valor
Património cultural
Que faz tudo com Amor
Para qualquer festival.

Ele sabe bem fazer
Com o dom que Deus lhe deu
Falar, ler e escrever
Mais cada obra que nasceu.

Dispenso dizer-lhe mais
Mas fica bem dar a nota;
E a Rosa, nos Folhadais,
Dá sempre o que dela brota.

Da mente e do coração
Brotam asas repentinas
Pra voarem em ovação
A outras mais cristalinas.

E outras conversas temos
Por este ilhéu movediço
E no fim até dizemos:
Bem-haja e bom serviço!

Rosa Silva ("Azoriana")

Rosas da Coroa (Festas de São Carlos 2024)

Começa a solenidade
Da Coroa do Divino
E as rosas de irmandade
São um ramo cristalino.

Lindas as flores humanas
Que ora se inauguram
Dando a mão pelas Hosanas
Que na semana figuram.

Vinde todos, eis a Festa
De São Carlos, do Império,
Que por Bem se manifesta
Na cor que não é mistério.

O Mistério, esse sim,
É de honra, em plenitude,
Como se fosse o Jardim
P'ra reinar Paz e Saúde!

Rosa Silva ("Azoriana")

O Verso

♡Mote♡
O tempero adequado
Para o verso sair bem
Não pode passar ao lado
Da inspiração que vem.
♡Glosa♡
Não há que pôr nem tirar
Do verso que é doado
Sempre nele há de estar
O tempero adequado.

Venha o verso com prazer,
À mente é que ele vem,
Pouco mais há que fazer
Para o verso sair bem.

O verso de qualidade
Não é tido nem achado
Porém se diga a verdade
Não pode passar ao lado.

Quem ao verso se ajeita,
E dele não faz desdém,
Segue a conduta perfeita
Da inspiração que vem.

Rosa Silva ("Azoriana")

A propósito de um texto que li (da vivência atual)

O oposto do passado
Que vigora no presente
Quem está ao nosso lado
É que partilha o que sente
Quanto mais está isolado
Que nem mostra o dente.

Uma mudança atroz
Que impera atualmente
É ninguém ligar a nós
Nem sequer mostrar o dente
Talvez por ser tão veloz
O dia e noite igualmente.

Se perguntarem por mim (¿)
Se acaso estou doente (?)
Podem responder assim:
Não está, e felizmente!
Agora vai ser ruim
O que virá daqui p'ra frente.

A doença que eu tenho
Alastra no mundo inteiro
É fazer com mais empenho
O trabalho em primeiro...
Se falho neste desenho?!
Não se cave o cativeiro.

Minha gente, se amiga,
Na verdadeira acepção,
Por muito que hoje diga,
Não serve de mutação,
O mundo vai na intriga
Menos vai na salvação.

E quem seguir ignorante
Dos males que a terra têm
Vive talvez radiante
Sem perder muito vintém
E se do mal distante
Muito melhor vida advém.

Abraço aquele e aquela
Que de mim é favorito
Não importa qual sequela
No que foi hoje escrito;
Viva (ou não) em "vida bela"
Não diga é dito por não dito.

Há muita aranha na teia
Que não se vê à primeira;
Há muito grão de areia
Que não passa na joeira,
Mas há a falha que ateia
Muito "fogo" na Terceira.

Rosa Silva ("Azoriana")

Mãe das marés

Num dia de calmaria
Ou de acesa tempestade
Há terço de Ave Maria
Que trava a dificuldade.

Está velando a Senhora
Pla calma boa viagem
E no alto vê lá fora
A montanha da coragem.

Virgem Santa, Virgem Mãe,
Virgem da terra e do mar
E de todo aquele que vem
Ao seu cais desembarcar.

Olha o Pico de frente
Com o manto da maresia
Pra que se faça em repente
Maré-cheia de poesia.

Rosa Silva ("Azoriana")

São Carlos vem aí

São Carlos já se sujeita
E pela janela espreita
O que vai passar por ela:
Gente boa e lilás
E outra que vem atrás
Juntar-se à festa bela!

Por mim, na retaguarda,
Não vou ficar de guarda,
Mas na frente se puder;
Vira-volta, volta-e-meia,
Sempre com a rua cheia,
Posso ser o que quiser.

São Carlos é evidente,
Que impera sorridente,
Oração da Irmandade;
E o povo da Terceira,
Vê içada a Bandeira,
Prós "meninos" da Cidade.

Viva, viva a nossa Festa,
Deste nobre e belo chão,
Que por Bem a Deus empresta
O que dá por gratidão.

Rosa Silva ("Azoriana")

Que seja Amor

Tens tua mão estendida
E junta também a minha
Pouco se leva desta vida
Mas há que manter a vinha.

A vinha que Deus nos deu
Pode até ter muita parra
Não sei o que aconteceu
Porém é o que se agarra.

Agarramos a modéstia
Humildade quanto baste
E se sobra alguma réstia
Que dela não me afaste.

A réstia (que seja Amor)
Muito bem entrelaçada
Valha-nos Nosso Senhor
No resto da caminhada.

Rosa Silva ("Azoriana")

A Rosa Fortuna Sá Pereira (em aniversário)

Obrigada, Senhor!

Por mais um ano que dá
A quem o merece e bem
Para amparar quem está cá
Ao cuidado da sua mãe.

Obrigada, também se diga,
Nesta hora, em movimento,
Um verso, numa cantiga
No dia de nascimento.

A cantiga mais formosa,
Vem dar voz ao coração,
À minha querida Rosa
Sá Pereira, com ovação.

E vamos todos, em festa,
Para bem comemorar,
Amizade que se presta
Homenagem a dobrar.

Rosa Silva ("Azoriana")

Visita ao Museu de Carlos Tomas, nas Amoreiras, Santa Cruz - Praia da Vitória


Neste dia, já meados,
De setembro tão festivo,
Rumei para outros lados
Onde o toiro é motivo.

Vi com meu simples olhar,
Um lugar muito pacato,
Onde posso vasculhar,
Um museu que tem bom trato.

Foi pastor, andou à corda,
E no mato trabalhou;
Agora está à borda
Das peças que bem salvou.

Carlos, mulher e a filha,
Amigos são da tourada,
Sabem que na nossa ilha
É por muitos estimada.

Rosa Silva ("Azoriana")

Agradecimento plural

Na Serreta eu deixei
Levedar meu pensamento
E na volta nem tentei
Esquecer cada momento.

Momento de me isolar
No quarto da doação
Momento de naufragar
Na queda que dei no chão.

Momento de andar à chuva,
Fugindo dos grandes pingos,
De saborear a uva
E de levar uns respingos.

Da lembrança do passado,
Da cantiga ao Pescador,
E do santo pão beijado
Para dar ao cantador.

Da Neves e da Sofia
Da Beatriz e da Helena
De quem há muito não via
E fez tudo valer a pena.

Da Humberta e do José,
Do Rui e do João,
E quem me fez o café
Na primeira refeição.

Do Zé Nandes, Só Forró,
Do Rocha e do Elias
Dos meus filhos e não só,
Neta e outras alegrias.

Da nossa Terceira idade,
Triunfante a bom cantar,
Do feijão da Sociedade
Que alguém quis ofertar.

Da Senhora em beleza,
De brancas rosas tão puras,
Dando paz à natureza,
E saúde às criaturas.

E lembrei de tanta gente,
Que connosco queria estar,
Pedi tanto Bem somente
Porque o resto Ela há de dar.


Imagem de Fernando Pereira



Rosa Silva ("Azoriana")

Serreta, até para o ano!

E termina hoje a Festa
Que dá sempre mui trabalho
Mas quem faz mais p'ró bem desta
Vai lembrar cada retalho.

Há o retalho bondoso
E o que se faz ao caminho
E há o mais trabalhoso
Para quem anda sozinho.

Sábado dos peregrinos,
Domingo da Procissão,
Segunda, bravos taurinos,
Terça, o Bodo em tradição.

Quarta é da nobre tourada
Que reúne aficionados
Quinta é para a vacada
P'rós novos serem treinados.

E a quem me acolheu
Com o seu ar bem disposto
Muito mais estará no meu
Coração, com muito gosto.

Nesta espécie de diário
Bem-haja por tantos bens
A quem 'tá de aniversário
Beatriz Costa Parabéns!



Rosa Silva ("Azoriana")

Orgulho e simpatia

Imagem de Fernando Pereira


A Serreta se orgulha
De ver um Homem dos grandes
E a gente até mergulha
No dom que tem o Zé Nandes.

Sua mente faz furor
Com a voz de emoção
Nos seus versos o louvor
Constante à população.

Está atento ao que se passa
No distinto arraial
Volta e meia uma graça
Que faz rir o pessoal.

O ex-grupo Só Forró
Foi uma linda invenção
E agora ele volta só
Em boa recordação.

Bons rapazes que amais
Brindar-nos com melodia,
A Rosa, dos Folhadais,
Vos brinda com simpatia.

Adeus Zé Nandes, o primo,
Por boa afinidade,
Abraço o verso que rimo
Para ti com amizade.

E agora p'ra não maçar
Faço terna ovação
A quem veio p'ra encantar
O dia, tarde e serão.

Depois desta euforia
Que se viu e até dá
A saudade que amplia
Ao voltares ao Canadá!

Rosa Silva ("Azoriana")

In Serreta (férias)

Bom dia!

A quem está a trabalhar
E a quem está em lazer
Espero não vir a falhar
Naquilo que vou dizer.

Anda o sol intermitente
Pois não me quer bronzeada
E oxalá que venha gente
Para animar a tourada.

À corda pelo arraial
Espero que o terceiro
Seja um bonito animal
Para enfeitar o terreiro.

Tenha gente no coreto
Mas com um certo cuidado
Se o toiro é grande e preto
Pode bem ter-te ao lado.

Da janela vejo o mar
Que ao longe se aproxima
E aceita que a cantar
Eu lhe ofereça a rima.




A rima não tem barreira
Nem preguiça ela tem
Porque a rima da Terceira
A muita gente faz bem.

Bjs e abraços.

Rosa Silva ("Azoriana")

Natividade de Nossa Senhora

Eu não te vou convidar
Para comigo festejares
O dia que é de louvar
A Mãe de muitos altares.

Seja feita a vontade
Na Terra como no Céu
Da linda Natividade
Da Mãe do povo ilhéu.

Dos ilhéus e continentes
Do nosso mundo inteiro
Estejam felizes, contentes,
Num festejo pioneiro.

A Serreta hoje está
Voltada para a Padroeira
E a todos que vem cá
Ao Altar da ilha Terceira.

Bondosa Mãe, acredito,
Que é grande a doçura,
Até o Sol está bonito
Iluminando a verdura.

Arcos, colchas e tapetes,
Flores, sírios e as Bandas,
Opas, sino e foguetes,
Gente na rua e varandas.



E eu, louvo comovida,
Este dia Universal,
A quem deu à minha vida
Este verso capital.

Senhora minha, ó nossa Mãe!
Virgem Santa Imaculada,
Protegei quem faz o Bem,
Mãe da Vida, Mãe Amada!

08/09/2024

Rosa Silva ("Azoriana")

Serreta é União

O pessoal do Arco da Sociedade, para a procissão de N. S. Milagres, da Serreta


Com a gente é assim
Tudo se une em trabalho
E quando chega o fim
Até molha o agasalho.

O arco da Sociedade
É prémio da juventude
Que uniu a mocidade
Aos caminhos da virtude.

Jovens meninas bondosas
Girassóis arrecadaram
São as cores majestosas
Que a todos animaram.

Agradeço à Direção
E a quem nos franquiou
Uma bela refeição
Onde a alegria soou.

Viva o Arco já erguido,
Viva quem esteve ao pé,
Jamais será esquecido
Quem trabalha pela Fé.

Rosa Silva ("Azoriana")

As crianças, a escola e o Santuário

Demos a primazia às crianças
São elas que vão caminhar
Com o traje das heranças
Que de nós vão encaminhar.

Lembrem que antes fomos
Nos braços das nossas mães
E hoje, ainda bem que somos,
Os braços que portam os bens.

A escola informa sabedoria
Para o comum ser humano
Mas a catequese é que trazia
O modelo de ser Açoriano.

Açoriano que tem os pés
Sempre no verbo balançar
E que perante vagas e marés
Sabe se vai ou não avançar.

Se quiseres florescer esperança
Se quiseres colher abundância
Olha para o olhar da criança
Olha para a pureza da infância.

Veste o brilho da alegria
Rejeita a manta de uma tristeza,
No Santuário vai ver Maria
Que te sorri, tenho certeza!

Rosa Silva ("Azoriana")

Programa das Festas de Nossa Senhora dos Milagres, Serreta 2024

Pode ser uma imagem de texto

"Passos no Arquivo | Serreta dos Milagres", da BPARLSR

02/09/2024
Tomei conhecimento da nobreza deste ato - << Passos no Arquivo | Serreta dos Milagres >>, dirigido e coordenado pelo Dr. Avelino Santos, selecionado e organizado por Marina Arruda (Dr.ª?) e bem musicado pela obra de Francisco Santos (o nosso Chico), "A Vós, Serretenses!"


Com o coração em brasa,
E uma admiração profunda,
É lindo ver "nossa casa"
Ter granjeio que lhe abunda.

Serreta meu berço foi,
E continua 'inda a sê-lo,
Ter saído dali me dói
Mas volto sempre p'ra vê-lo.

A Biblioteca de Angra
Ilustra o mês de setembro,
E o coração me sangra
Por tudo o que ora lembro.

Viva, viva a Serreta,
E viva quem dela gosta,
Hoje tiro da gaveta,
A gratidão, sempre, exposta.

Rosa Silva ("Azoriana")

A Baía de Angra

Da banda que se descerra,
A baía é um navio
Sempre ancorado à terra,
Lindo assim, hoje se viu.

E quem vê Angra agora,
Com o valor que foi dado,
Vai lembrar p'la vida fora
O trabalho realizado.

Devemos sempre fazer
O que engrandece a cidade
Bem como agradecer
Quem comanda a edilidade.

É montra de patriotismo,
É o palco de veleiros,
É glória, é heroísmo,
É trono dos marinheiros.

É perfume de maresia,
Abraço de amor salgado,
Um poema de harmonia,
Com o título gravado.

Ó Angra do meu espanto,
Que voltas a ser do mar,
Que direito a cada canto,
É canção de Poemar!

Rosa Silva ("Azoriana")