Há pão!

Há pão!

Rosa Silva, da Serreta

Meu presépio de menina,
Minha faia de incenso,
Minha flor, graça divina,
Meu amor de grau intenso.

Hinos, glória, neblina,
Saudades de tom mais denso,
Nas voltas de cada esquina
Onde havia o xaile e lenço.

Ó meu berço já graúdo,
De alegria saudoso,
Bravo atalho amoroso.

Da praça, igreja e tudo,
Que a Serreta me moldou...
E o Mar e Terra beijou.

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: Em agradecimento ao amigo Luís Sousa que nos mostra a freguesia da Serreta, de lés-a-lés e me colocou a saudade dos tempos que fui feliz e não sabia, ou melhor, sei... Grande abraço pela valiosa reportagem para residentes e emigrantes. 

Vento, ventanias!

Primeiro é o assobio
Que o vento hoje nos traz
Quem será que o descobriu
E pará-lo não sou capaz.

Mas porquê parar o vento
Se o mar o ama tanto
Porque põe em desalento
A sua onda de espanto?!

Mas porquê parar a onda
Que entranha o pensamento
E numa força redonda
Dá asas ao que invento?!

Vem ventania por mim
Leva o que achares mal
Só não leves meu jardim
Nem as peças do quintal.

Leva algumas arrelias
E a pobreza enfadonha
Vem renovar nossos dias
Com a "vinda da cegonha".

Só mesmo a vida é completa,
Com os ventos d'esperança:
Seja um neto ou neta,
Que seja linda a mudança.

Rosa Silva ("Azoriana")

Proteja-se a TERRA (no Dia da Terra)

earth day 2021 in google


Imagem do motor de pesquisa Google.

MOTE
Hoje um dia diferente,
Quando muito, sempre igual,
Porque a Terra é para a gente,
Se a gente não fizer mal.

GLOSA
Viva a Terra à-vontade;
Há chuva que é frequente,
Vento com velocidade...
Hoje um dia diferente.

Diferente não é maldade...
Terra é tema mundial;
Haja universalidade,
Quando muito, sempre igual.

Terra é bem que produz,
Quando se lança a semente;
Ela ensina e nos conduz...
Porque a Terra é para a gente.

Há maneiras de a tratar,
Essa Terra que, afinal,
Merece ser salutar
Se a gente não fizer mal.

Rosa Silva ("Azoriana")

BANDEIRAS UNIDAS

foto de José Freitas (Pastor)


Foto de José Freitas (Pastor) - meu cunhado

Tens o coração "partido"
Por amares duas mães
Uma onde foste nascido
E a outra dos teus bens.

A Bandeira faz-se unida
Para jamais esquecer
A tua Pátria querida
E a que sabe receber.

Portugal tem os Açores
Como ilhas de valor
E nos perdemos de amores
Pelo que nos dá Amor.

Seja aqui ou mais além
Interessa olhar o céu
Em muito lado há quem
Tenha nascido ilhéu.

Nesta hora que a rima
Brota com velocidade
Um abraço com estima
E também muita saudade.

Que os nossos emigrantes
Possam cá voltar um dia
Para sermos como dantes
Um solar de alegria.

Seja grande ou pequena
Seja mais ou menos boa
A nossa vida terrena
É o palco da pessoa.

Se se aproveita o bem
Porque o mal é coisa má
E se mal a gente tem
O perdão que venha já.

Quero cantar no teclado
Como canta o rouxinol
Louvar o Povo amado
Louvar a Lua e o Sol.

Louvar com profundeza
Quem ajuda ao progresso
E quem nos deu a beleza
Do canteiro que atravesso.

Meu canteiro é de abril
E floresce de repente
Como as ondas de anil
Beijando a terra da gente!

Se isto que eu vos lego
For digno de admiração...
É a luz que sai do ego
E contorna o coração.

Rosa Silva ("Azoriana")

João Ângelo Oliveira Vieira - Até sempre meu Amigo!

João Ângelo


Ó Deus tira-me esta dor
Uma tristeza inteira
Dá descanso ao cantador
João Ângelo Vieira.

Era um humilde senhor
Filósofo de primeira
Um grande animador
Da Cultura da Terceira.

Seus olhos sempre a sorrir,
Lembro bem, não vou mentir,
Lindos no anil de cores.

Sei que vai p'ra bom lugar
E a saudade vai deixar
No coração dos Açores.

18/04/2021

Rosa Silva ("Azoriana")

O Amigo das Cantorias e Cantadores (José Franco, da ilha de São Miguel)

O Pezinho da Terceira
Está em "banho-maria"
Voltar da mesma maneira
Só depois da pandemia.

São Miguel está "fechado"
Com o perigo ativo
Que o Anjo seja amado
Para manter o povo vivo.

Minha prece nesta hora
Vai p'ra todos igualmente
E junto Nossa Senhora
Para proteger a gente.

Jose Franco é fiel
Às ilhas da Cantoria
Até vem de S. Miguel
À Terceira com alegria.

Digo com todo o respeito
Que merece meus louvores
Leva a cantiga a preceito
Dos amigos cantadores.

Não esqueço mais seu rosto
José Franco acredite
Quando o vejo, vejo o gosto
Do que lhe dá apetite.

O Pezinho e a Cantoria,
Desgarrada e as "Velhinhas"
No coração eu as poria
Junto às quadras que são minhas.

Eu escrevo a cantar
Para a quadra ser certeira
Um abraço vai voar
P'ró Amigo da Terceira.

Rosa Silva ("Azoriana")

1° Aniversário de "Simples Melodias", de Joe Fagundes

Perto de Nossa Senhora
No mesmo lugar que eu
No coração ele mora.
Longe e noutro país
De ouvido a brindar
A melodia feliz
Para a todos encantar.

José Fagundes
Dou-te os meus parabéns
Não me confundes
No belo dom que tu tens.
Da sancarlense
Recebe um doce abraço
Ao serretense
É com rima que enlaço.

Tua ilha sempre espera,
Para uma atuação,
Vires cá, ó quem me dera,
Trazes o acordeão.
Vens louvar o teu cunhado,
No reino celestial,
Com tua irmã ao lado,
Pais e irmão por igual.

Rosa Silva ("Azoriana")

Império glorioso (Dos Quatro Cantos - Angra do Heroísmo)

Festas dos Quatro Cantos
Como Quatro Evangelhos
Festa de lugares Santos
Para novos e mais velhos.

As melhores da Cidade
Património Mundial
Bênção da Comunidade
Da Coroa ideal.

Viva quem da Festa é
Do Império e Fortaleza
Dos desígnios da Fé
De Pão e Vinho na mesa.

Quatro Cantos é da Sé
Freguesia Diocesana
S. Salvador também é
Grande força Açoriana.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ilha

Ilha és maresia do olhar
És palco de emoções
És cantinho do luar
Minha fada de canções.

Ilha és o meu cais de alegria
Minha pétala ao peito
És altar da Mãe Maria
Que o povo venera a eito.

Ilha és um pedaço de mim,
Um coração a lutar,
O corpo do meu jardim,
A ação de terra e mar.

Ó ilha
Eu te amo tanto, tanto!
Ó ilha
És meu berço natural.
Ó ilha
Passagem de verde manto
Ó ilha
Lilás refrão de moral...
Ilha Terceira amada
Matriarca adorada!

Rosa Silva ("Azoriana")

Décimo sétimo blogue aniversário

Entre a folha verde, a bruma,
Entre choro, riso e saudade,
Foge o entrave, há vontade,
Há zelo por cousa alguma.

Dezassete faz em suma,
O blogue de jovem idade,
Com a bênção d'Amizade,
O carinho que se apruma.

[Não deu por isso que triste...]
Fico eu nas margens minhas
Como o ninho de andorinhas...

Quero que fique... ora existe,
Faz-se em sol do meu querer...
Se vivo... faz-me viver!

Rosa Silva ("Azoriana")


17azoriana_blog.jpg


Nota: Sexta-feira de 09/04/2004 e de 09/04/2021.

As águas puras

As águas nunca se calam
Rolam perdidas de riso
São cantares de improviso
Que nas pedras se regalam.

As águas mansas embalam
As graças de um sorriso:
Um sonho que é preciso
Ver no que as ribeiras falam.

Maria leva-me ao canto
Da ribeira que visitas
E nessa alegria acreditas.

E tudo o que vês é santo,
Porque santa é a natureza
De águas puras e beleza!

Rosa Silva ("Azoriana")

O Madeiro

"Filho" - "Mãe"... Nada Temas!
Tudo já estava escrito
Tudo já havia dito
Nas obras e grandes lemas.

Foi feito um réu de algemas
E em dor se viu aflito
Até ao seu último grito...
Tão vis os estratagemas...

E Pilatos lava as mãos
Como eu e tantos irmãos
No pecado e na loucura.

- João, tens aí tua Mãe!
E Deus Pai nosso também
Quando abre a sepultura!

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: A ver o filme "A Bíblia" com Diogo Morgado no papel de "Jesus".
Ver artigo relacionado aqui.

Diogo Morgado

Diogo lindo "Jesus"
Um ator especial
Podia haver um igual
Mas não tinha a mesma luz.

O filme até faz jus
À história ideal
Entre o Bem e o mal
E à tristeza da Cruz.

Tanta guerra sanguinária...
Série extraordinária,
[Que até me faz revolta].

...Sempre houve e haverá
Grande mal que andará
Por um Jesus que não volta.

Rosa Silva ("Azoriana")


Ver artigo relacionado aqui.

A rima de opinião

Cada jornal devia ter
A rima de opinião
Alguém ia gostar de ler
A quadra na edição.

Um cantinho a versar
Temas da atualidade
Era quase como cantar
Na escrita à comunidade.

Que seja esta ideia
Seguida por quem quiser
Ver uma coluna cheia
De odes homem/mulher.

Não me vou alongar mais
Digo isto com franqueza
A poesia nos jornais
É folar doce na mesa.

Rosa Silva ("Azoriana")