Tempo sem tempo

03-02-2021


Tanto que se faz à pressa
E parece uma eternidade
Há trabalho que começa
Com amor e com vontade.

Seja lento ou apressado
O trabalho que nos cabe
Pode ser mais apreciado
Para quem entende e sabe.

Dentro e ou fora de portas:
Gabinete, quarto ou cozinha,
Vale é como te comportas
Mesmo que fales sozinha.

Isto tudo para apontar
No caderno do pensamento
Que amo tanto trabalhar
No quarto onde me assento.

Os dias são como o mar
Tingido de azul e branco
As noites dão que sonhar
Mas o sonho já é manco.

Foi-se embora a juventude
O riso que de mim saía;
A alegria é virtude
E com saúde vivia.

O pior que pode haver
Mesmo que a gente não veja
É o riso escurecer
Se alguém tiver inveja.

A inveja é quando sentes
O coração apertado
Quando queres mostrar os dentes
E o riso sai calado.

Virando o disco em dó
120 vou contar
Amanhã a minha avó
Se viva ia celebrar.

Rosa Silva ("Azoriana")

2 comentários:

  1. Palavras para quê? Foi tempo (com tempo) de visitar este cantinho, de rimas e não só, banhado pelo oceano e pela escrita da Azoriana

    Tudo de bom.

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  2. Obrigada amigo meu
    De longe mas sempre perto
    Tens graça no que é teu
    Ó querido amigo Berto!


    Bom Carnaval (em casa)

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