Coisas (o mote)

Às coisas já não me prendo,
Como prende a juventude,
Na idade que vou tendo
Já me basta ter saúde!


Glosa

Quão bela é a natureza,
Seus beijos vou recebendo,
Mas quando há safadeza
Às coisas já não me prendo.

Quão belo foi eu nascer
Com beijos de plenitude...
E depois me fui "prender"
Como prende a juventude.

Libertei meu coração
Porque a ele não me vendo;
Bem-querer é a função
Na idade que vou tendo.

Portanto dou o conselho
A quem se agarra amiúde...
Ao olhar o meu espelho:
Já me basta ter saúde!

Rosa Silva ("Azoriana")

Poema (o mote)

À terra é que vou descer
No lugar onde se cabe
Eu não sei nem vou saber
A hora que ninguém sabe.


Glosa

Que eu deixe a desavença
Que me pode acometer
Não mudo qualquer sentença
À terra é que vou descer.

Por muito que a gente faça
Por muito que a gente gabe
Há de vir alguma traça
No lugar onde se cabe.

Que se deixe a ilusão
Da vida nunca perder...
É nosso destino então?!
Eu não sei nem vou saber.

Meu amparo é o perdão
Que eu nele me desabe...
Que adianta ter à mão
A hora que ninguém sabe.

Rosa Silva ("Azoriana")

"Os AÇORES nos versos dos seus poetas" - Coletânea - Olegário Paz

Caro professor, doutor, amigo!

Saúdo com alegria
Pela linda Antologia
E pelo bem que lhe fez!
É deveras promissor
O empenho do senhor
E louvo mais uma vez.

Digo que não o li todo
Mas vou ler, sem ser a rodo,
Para bem apreciar;
Quatrocentos escritores,
Nativos nestes Açores,
Que me vão deliciar.

Lembro que me alertaram
Outrora então chamaram
Por email minha atenção:
Fiquei deveras feliz
Com o livro que bem quis
Pertinho do coração.

Serreta na intimidade
Atraiu sua amizade
Na leitura ideal.
Dando voz a um poema
Abriu a vida ao tema
Do Outono triunfal.

Na mesa de cabeceira
Ou qualquer lugar à beira
Fico a olhar de encanto;
Quero que fique a saber
Que enquanto eu viver
O louvo por tudo e tanto.

Remato na derradeira
Sextilha "made in" Terceira
Tão apressada e sem pausa...
Vai direta e assim se faz
A Olegário Paz
A nobreza de uma causa.

Abraço de
Rosa Silva ("Azoriana")

27/09/2020. Domingo...

Obrigada Senhora nossa
Obrigada Senhora minha
Faz com que eu sempre possa
Visitar-Te... Avé Rainha!

Obrigada ó gente boa,
Obrigada a quem me vale,
Nossa Senhora abençoa
E livra de maior mal.

Obrigada! Ainda lembro
Desta manhã diferente,
Um domingo de setembro
De cenas na minha frente.

Cenas de vida amparada
Pela Santa Teresinha,
Menino e Senhora amada
Nos altares da terra minha.

Rosa Silva ("Azoriana")

Império de S. Carlos - 2020

No que a Festa se tornou
Devido à pandemia
Que o medo acorrentou
Cada ser à moradia.

S. Carlos reza somente
E somente se isola
Está no coração presente
Como pão numa sacola.

Pão, carne e alfenim,
E o Sagrado Mistério
Jamais poderão ter fim
Bem como o seu Império.

Abre a porta para o Povo
Cada qual por sua vez...
A Comissão também louvo
No reforço que então fez.

Pai, Filho, Esp'irto Santo
Unidos na Santidade
Os olhos ao Céu levanto
Orando com humildade
Para que se salve um tanto
De fé, esp'rança e caridade.

Rosa Silva ("Azoriana")

Oferta de Inês Zimbron

Um sábado especial é quando se recebe um mimo especial de uma fã das minhas crónicas no DI (posso escrever Diário Insular?), que até deu conta da minha "pausa" porque o vício agora voltou-se para as férias.

Mas vejam só que rica oferta recebi da minha nova amiga:


"Uma Rosa Especial

Encontrei uma pessoa,
Nas crónicas de um jornal
Gente linda, gente boa…
Algo fora do normal.
Não fiz mais que o meu dever,
O de boa cidadã,
Os escritos reconhecer,
Da qual já era e sou fã.
Não fiz nada que mereça
Oferta desta grandeza,
Gosto é que o povo reconheça
A obra que tem beleza.
“Serreta na intimidade”
Uma oferta graciosa
Início duma amizade
P’ra mim muito preciosa.
A Rosa duma roseira
Muito, muito especial
Eu reconheci o perfume
Nas crónicas de um jornal.
Esta mulher talentosa
Merece consideração
A ela muito agradeço
Do fundo do coração.
Uma das suas fãs:

Inês Zimbron"
Os meus sinceros agradecimentos.

"Dá-lhe corda" amiga Diana Silva

De repente

De repente uma saudade
Invadiu a minha mente
De falar da amizade
Que nos leva mais à frente.

Da rádio do estrangeiro
Que elege os escritores
Cujo tema verdadeiro
Vem nos poetas criadores.

Valorizo historiadores
E outras áreas e artes
Que levam nossos Açores
Divulgados noutras partes.

Euclides Alvares assim é
Bem como outros amigos
Que nasceram onde a fé
Recordam tempos antigos.

Em S. Carlos, da Terceira,
No seu sábado da morcela,
Está uma pasmaceira
Porque se está sem ela.

Nos Biscoitos, era a seguir,
Sua tourada do porto,
A ela não podem ir,
A pandemia deu pró torto.

Beijos e abraços
Rosa Silva ("Azoriana")

Gratidão - para Efigenia Coutinho Mallemont (poetisa)

É feliz ser-se poesia
Eternidade
Não há anos
Há o dia
Para darmos gratidão
Com um poema na mão.

Efigenia é brilho
No olhar de simpatia
Segue com amor o trilho
De ser "Dama da Poesia"

Catorze anos depois
Ela e eu
Em amizade virtual
Mas de verdade!

Rosa Silva ("Azoriana")

Bendito seja...

Bendito seja Deus!
Bendita a sua Mãe!
E benditos os olhos teus
E as mãos de quem faz BEM!

Bendito seja o Sacrário,
O trono do seu Altar,
Bendito o Santuário
Da Mãe que nos quer salvar!

E bendita seja a Festa
Que ora não se manifesta
Como o nosso Povo queria...

Bendito seja o Amor,
A graça de Nosso Senhor
No Jardim da Mãe Maria!

Rosa Silva para Conceição Silveira

Que beleza é a Serreta!

Que beleza é a Serreta
E sua Nossa Senhora,
Que não deixa na gaveta
A tolerância de agora,
Que sempre foi a vedeta
Desde os tempos de outrora.
O que digo não é treta:
Vamos rezar sem demora.

Que se cumpra bem a norma
Na pandemia atual
Bendigo de alguma forma
Ao estímulo regional;
Sem a profana se informa
Que a Mãe é maternal
E o povo se conforma
Ao perfume natural.

Meu berço ali se fez
E vinte anos lá estive
Sempre adorei este mês
E as férias não contive
Deixei tudo para esta vez
Noutro lar eu me detive
Bem-haja quem não desfez
O que sempre ali se vive.

Meu amor é bem-querer
Meu amor é coração
Meu amor é gosto ter
Meu amor pelo quinhão
Meu amor é aqui sem ver
Meu amor os que lá estão
Meu amor é não sofrer
Meu amor é meu torrão!

Rosa Silva ("Azoriana")

À Senhora do Jardim

São as Flores de Maria
Aquela que mais adoro...
E a Ela tanto imploro
Na rima de cada dia.

São as Flores da Alegria...
Bela imagem que decoro
Pena que seja inodoro
O perfume que irradia.

Ó Virgem imaculada
Pelo mundo tão amada
Em dias de novenário.

Fica sendo sempre assim
A Senhora do Jardim
De tão nobre Santuário.

Rosa Silva ("Azoriana")

O(s) se(s)

Todos (ou quase) sabem do meu gosto pela minha sempre querida freguesia da Serreta.
Todos (ou quase) sabem que a Festa de Nossa Senhora dos Milagres, padroeira da freguesia, realiza-se na segunda semana de setembro, começando, na sexta-feira antecedente, o novenário temático.
Todos (ou quase) percebem que a fé move montanhas e, neste caso, move a ilha toda e até a emigração (ir para o esttangeiro) que costuma imigrar (voltar para a ilha).
No caso que estamos atravessando de PANDEMIA COVID-19 sou a favor de se cumprirem com as REGRAS da Autoridade de Saúde Regional.
Não VIAGEM por imigração porque a VITEC vai levar a imagem até ao quarto ou sala em vossas casas.
Não haverá ajuntamentos, abraços, beijos, almoços e demais refeições familiares, n perfumes variados, nem flores, nem arcos, nem tapetes no caminho (não há procissão), nem festa profana noturna, nem alegrias, nem foguetada, só sino e apenas...


UM VAZIO

O vazio da una fé
É tamanho e medonho:
Não puder estar ao pé
Do Santuário risonho.

O vazio sei bem que é...
Não regar a luz do sonho,
Nem remar nessa maré,
Do valor que hoje deponho.

Dos Milagres, Mãe Maria,
Seja bonito o Teu dia,
Conforme a Tua vontade!

Perdoa a quem não tem
O Amor que de Ti vem
Ao vazio de verdade.

Véspera da 1a Novena
Rosa Silva ("Azoriana")