Pezinho na casa de Luís Bretão - 21/09/2017

Partindo da realidade
Que o Pezinho descerra
A Santíssima Trindade
Desce em Espírito à terra.

Reúnem os cantadores
Por S. Carlos Borromeu
E em casa dos criadores
Brindam com o verso seu.

Dividem-se em duas partes
E vão alegres cantando
O melhor das suas artes
Só no fim se vão juntando.

À Igreja e ao Império
Unem em quadras velozes
Em tom alegre ou sério
O sortilégio das vozes.

Eu não fui na caminhada
Não sou dessa "procissão"
Só respondi à chamada
Do amigo Luís Bretão.

À sua casa voltei
Para lhe fazer companhia
Há nove anos estreei
O Pezinho de alegria.

Quando se canta o Pezinho
A moda inspira à ternura
E a dar nosso carinho
À tradição e à Cultura.

Luís Bretão é dos tais
Que abre a sua porta
E nunca acha de mais
Quem lá vai e se importa.

Ninguém rejeita a oferta
De sacos bem recheados
E a sua mão aperta
Com sorrisos espelhados.

A rádio e outros canais
Gravam esta ocasião
Não sendo oficiais
Dão ao mundo a visão.

A sua esposa e filho
E família ajudante
Fazem a casa ter brilho
E uma alegria constante.

Tem sempre a casa cheia
De senhores e doutores
Mais a cantiga que recheia
O "Museu dos Cantadores".

Este ano o José Eliseu,
Ti João, Fábio e o Marcelo,
Não deram o verso seu
Não fizeram o paralelo.

O grupo foi para outra banda
O tempo ia adiantado;
Antes de irem pra varanda
Juntaram-se aos deste lado.

Mota, Samuel e o "Retornado",
E José Esteves da Praia,
Roberto e Valentim ao lado
E a Rosa que não ensaia.

Antes de tudo acabado
Houve a Banda a tocar
O Pezinho de bom grado
Pró discurso começar.

Não deu para fazer contas
De todos os homenageados:
Suas falas foram prontas
Para os amigos lembrados.

Vários agradecimentos
Deram mote cordial,
E em todos os momentos
Luís é excecional.

Rosa Silva ("Azoriana")

2017/09/21.

Minha 1ª quadra na moda do Pezinho:

Há 9 anos, fiz a soma,
Que cantei aqui neste dia;
Luís eu trago o diploma
Da tua grande simpatia.

2ª quadra:

Esta casa hoje tem brilho,
Tem ternura e tradição;
Tens tua esposa e teu filho
Que te amparam o coração.

Sou tua de corpo e alma

Sou tua de corpo e alma


E não te quero perder


Tens a cor que me acalma


Tens o dom do meu viver.


 


És basalto, cinza e palma,


Bravura de bem querer,


A saudade não dá calma


A quem te mantém no ser.


 


És o sol da minha escrita,


Candeia do meu rimar,


Altar da minha oração.


 


'Tás cada vez mais bonita,


Ilha linda em alto mar:


Terceira do coração!


 


Rosa Silva ("Azoriana")

De alma cheia

De alma cheia
Na terra santa
Onde se canta
À luz da candeia.

Touro se ateia
A cor espanta
E outra tanta
É chamateia.

Ares solenes
Cores perenes
À nossa beira.

Sou tão feliz
E sou quem diz:
Viva a Terceira!

Rosa Silva ("Azoriana")

Viva nossa Mãe do Amor

Viva nossa Mãe do Amor,
Dos Milagres e da Vida,
Bendito seja o Senhor
E a Serreta querida.

E viva seja o que for
Que mantenha a fé erguida,
Nem que seja a linda flor
No Altar, santa guarida.

Viva a bel'ilha Terceira,
A alma da nossa gente
Que em festa está contente.

Viva a Mãe padroeira
Que nos junta em setembro
Muito antes do que lembro.

Rosa Silva ("Azoriana")

Recordando os primórdios da festa serretense

(...) O historiador terceirense Ferreira Drumond, baseado numa tradição oral, refere que a ida da imagem de Nossa Senhora dos Milagres para a Serreta se deve a um sacerdote de nome Isidro Machado que se refugiou neste extremo ocidental da ilha e construiu uma pequena ermida colocando lá a imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo. Por morte do padre, a imagem foi recolhida na igreja paroquial de então, a Igreja das Doze Ribeiras. A devoção popular pela Nossa Senhora dos Milagres está ligada a fases cruciais da história terceirense. Por exemplo o século XVIII, quando Portugal se viu envolvido na guerra entre a França e a Espanha contra Inglaterra. Encontrando-se a ilha Terceira “desprovida de fortificações e pouco defensável”, as autoridades militares e civis ao depararem com a imagem de Nossa Senhora dos Milagres, na Igreja das Doze Ribeiras, formularam um voto de se “tornarem seus escravos e promoverem-lhe festa anual se a ilha não sofresse qualquer investida inimiga. E porque assim sucedeu se firmou o voto, subscrito pelos principais cavalheiros militares e eclesiásticos, autoridades e algumas damas de fé”.

A primeira festa foi celebrada a 11 de setembro de 1764, altura da fundação da Irmandade dos Escravos de Nossa Senhora, mas a sua realização não foi continua. Só a partir de 1842, altura em que foi construída a igreja paroquial da Serreta e elevada a paróquia 20 anos depois
(1/1/1862), a Festa foi ganhando novos contornos atraindo muitos angrenses. Desde então a festa realiza-se todos os anos.

Em apenas três dias chegam ao santuário cerca de oito mil peregrinos, fora os que anualmente visitam este templo, elevado há 10 anos anos,
(7/5/2006) ao estatuto de Santuário Diocesano, por D. António de Sousa Braga.

O primeiro desafio é acolher e escutar os peregrinos; depois evangelizar e disponibilizar os sacramentos confiados por Cristo à Igreja aos que os procuram.

Esta festa está também associada a outra de cariz mais popular conhecida como a Segunda Feira da Serreta
(10/9/1849), que atrai centenas de famílias para um pic nic. À semelhança de outros anos, o Governo Regional dos Açores concede tolerância de ponto aos funcionários da Administração Pública Regional, cujos serviços estão sediados na Terceira, por ocasião da tradicional festa da Segunda-feira da Serreta.

O despacho assinado por Vasco Cordeiro salienta “a importância de que o evento se reveste para a população da ilha Terceira e que se traduz numa grande adesão e participação nas manifestações que se realizam naquela data”.


Fonte: AzoresToday.

Um artigo digno de se ler e assimilar - João Rocha escreve...

Transcrevo na íntegra o conteúdo do artigo de João Rocha, in Diário Insular de 5/9/2017:

DIVAGAR DEVAGAR

João Rocha

Pelos trilhos da fé

"Crença absoluta na existência de certo facto; convicção íntima; fidelidade à palavra dada; lealdade; primeira das virtudes teologais, graça à qual acreditamos nas verdades reveladas por Deus; crédito; confiança; prova; religião; adesão aos dogmas de uma doutrina religiosa considerada revelada". A definição é retirada do dicionário e retrata, fielmente, a amplitude de significados que o substantivo feminino fé representa. A palavra, de duas letras e uma só sílaba, é tudo o que vem no dicionário e todo o mais que não se pode reproduzir em...palavras.

A fé não se lê. Vive-se. Como é que se prova isso em palavras? Não se prova.

Escrever sobre fé é entrar num labirinto de emoções que jamais encontrariam eco nas páginas de um jornal.

Mas este labirinto não acarreta nada de negativo consigo. O labirinto, aliás, está cheio de trilhos de fé. Pode-se ir pela direita, esquerda, centro ou fazer inversão de marcha que a bússola da fé acabará sempre por nos dar os pontos cardeais de que necessitamos. Os suportes da crença ou os justificativos para apelar à fé devem ficar, sempre, no reduto exclusivo da nossa intimidade. Não há fés mais fracas ou fortes - há a fé.

As manifestações da fé tanto podem ser pessoais ou coletivas.

Se não fosse a fé, como viveríamos? É melhor nem fazer o exercício especulativo. É a fé que nos transmite as forças suficientes para movermos as montanhas que dão guarida aos vales que servem de âncora à paz almejada por todos.

A fé faz-se em silêncio, caminhando, orando e, acima de tudo, vivendo.

Não se explica, porque nem deve ser questionável.

A Nossa Senhora dos Milagres representa a maior peregrinação terceirense - a segunda mais importante diz respeito a Santo Amaro, que se celebra a 15 de Janeiro.

Os devotos são oriundos de todos os pontos da ilha, caminhando rumo à Serreta isoladamente ou em grupo a qualquer hora do dia ou da noite.

Como habitualmente, irei na próxima 6ª feira como peregrino à Serreta. Os motivos ficam entre mim e a Nossa Senhora dos Milagres. Uma questão de fé. Graças a Deus!

Caminhando

A princípio custa, custa muito. À medida que o corpo se habitua, e ao percebermos os primeiros resultados satisfatórios, torna-se habitual e compensatório todo o "esforço" dispendido a pé. Até a natureza reconhece o tom dos nossos passos apressados (ou não) e nós sentimos o perfume da beleza natural, que de outra forma nos passa despercebido, muitas das vezes.

Aprender a comer, mudar os hábitos alimentares e andar, andar por esses caminhos (1 hora de manhã + 1 hora à tarde, por dia, sensivelmente) faz tudo parecer saudável, mesmo que algum transtorno físico possa ocorrer. O sedentarismo é sinónimo de corpo menos sadio. Tomei consciência disso e tornei-me adepta do caminhar. Até quando?! Não sei! Até onde a vida me deixar.

Boa terça-feira para todos!

Rosa Silva ("Azoriana") 

Tradicional tolerância de ponto na segunda-feira da Serreta (11/09)

II SÉRIE Nº 164 SEXTA-FEIRA, 1 DE SETEMBRO DE 2017

PRESIDÊNCIA DO GOVERNO REGIONAL DOS AÇORES GABINETE DE EDIÇÃO DO JORNAL OFICIAL HTTP://JO.AZORES.GOV.PT GEJO@AZORES.GOV.PT

Presidência do Governo

Despacho n.º 1769/2017 de 1 de setembro de 2017

Considerando que, no próximo dia 11 de setembro, tem lugar a tradicional festa da segunda-feira da Serreta, no Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira;

Considerando a importância de que aquele evento se reveste para a população local, que se traduz numa grande adesão e participação nas manifestações que naquela data se realizam;

Considerando, ainda, que é habitual a concessão de tolerância de ponto no referido dia, para os trabalhadores dos serviços públicos regionais da Ilha Terceira.

Assim, nos termos das alíneas b) e j) do n.º 1 do artigo 90.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, e ao abrigo das competências conferidas pelo n.º 4 do artigo 5.º do Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2016/A, de 21 de novembro, determino o seguinte:

1 - É concedida tolerância de ponto, no dia 11 de setembro de 2017, segunda-feira da Serreta, aos trabalhadores da Administração Pública Regional dos Açores cujos serviços estejam sediados na Ilha Terceira.

2 - O presente despacho produz efeitos à data da sua assinatura.

31 de agosto de 2017. - O Presidente do Governo Regional, Vasco Ilídio Alves Cordeiro.

Tradicional tolerância de ponto na segunda-feira da Serreta (11/09)

II SÉRIE Nº 164 SEXTA-FEIRA, 1 DE SETEMBRO DE 2017

PRESIDÊNCIA DO GOVERNO REGIONAL DOS AÇORES GABINETE DE EDIÇÃO DO JORNAL OFICIAL HTTP://JO.AZORES.GOV.PT GEJO@AZORES.GOV.PT

Presidência do Governo

Despacho n.º 1769/2017 de 1 de setembro de 2017

Considerando que, no próximo dia 11 de setembro, tem lugar a tradicional festa da segunda-feira da Serreta, no Concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira;

Considerando a importância de que aquele evento se reveste para a população local, que se traduz numa grande adesão e participação nas manifestações que naquela data se realizam;

Considerando, ainda, que é habitual a concessão de tolerância de ponto no referido dia, para os trabalhadores dos serviços públicos regionais da Ilha Terceira.

Assim, nos termos das alíneas b) e j) do n.º 1 do artigo 90.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, e ao abrigo das competências conferidas pelo n.º 4 do artigo 5.º do Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2016/A, de 21 de novembro, determino o seguinte:

1 - É concedida tolerância de ponto, no dia 11 de setembro de 2017, segunda-feira da Serreta, aos trabalhadores da Administração Pública Regional dos Açores cujos serviços estejam sediados na Ilha Terceira.

2 - O presente despacho produz efeitos à data da sua assinatura.

31 de agosto de 2017. - O Presidente do Governo Regional, Vasco Ilídio Alves Cordeiro.

Mãe querida

Visitei a Mãe querida...
Vi nela um belo sorriso;
Foi tudo o que preciso
Para renovar a vida.

No altar estava florida,
Qual jardim do paraíso,
Que inspira o improviso
Do verso em cor garrida.

Tão felizes que estamos
Pela Mãe que tanto amamos
Brilhante no altar da fé.

'Inda bem que fomos ver
Aquela que nos faz crer
Numa oração a pé.

3/9/2017. Domingo.

Rosa Silva ("Azoriana")

A Margarida Almeida

Tuas quadras e sextilhas
Li com gosto e admiração
Serão ricas maravilhas
Por teu primo e cada irmão.

Peço para ti ajuda
E sempre melhor saúde
Prima de Daniel Arruda
Que a versar tinha virtude.

Fizeste bem recordar
Das coisas que ambas gostamos
Entre a terra e o mar
A rima é o que mais amamos.

Fico com tuas lembranças,
Teu carinho e amizade,
Já não somos mais crianças
Somos maduras na idade.

Aceita o meu abraço
Depois de uma caminhada
Que me fez ter no regaço
O sorriso da Mãe amada.

Ela estava tão bonita
Quando lá cheguei, a pé,
Seu sorriso, acredita,
Fez aumentar minha fé.

Rezei por quem gosto tanto
E por quem tenho amizade
Junto daquele Altar Santo
Da Serreta claridade.

Obrigada amiga minha
Mesmo sem nos termos visto
Viva a Salve Rainha,
Viva a Mãe de Jesus Cristo!

3/9/2017
17:18

Rosa Silva ("Azoriana")


Nota: A propósito do meu artigo - Linda ilha (ver aqui)

De Margarida Almeida (sobre o meu artigo - Linda ilha)

Boa tarde também te quero dar
Oh minha linda e querida amiga!
Pedindo para sempre Deus ficar
Na tua e minha cantiga.

Lindos versos acabei de ler
Sobre a nossa querida ilha;
Eu alguma coisa vou escrever,
Talvez até faça uma sextilha.

Tudo escreves com encanto
E se transforma em magia;
Amiga eu de ti gosto tanto
E não é só pela cantoria.

Falas nas nossas tradições
Até nas festas e nos bodos;
Que até aquece os corações
Dos familiares e amigos todos.

Falaste no porco em se matar,
Eu também ficava contente,
Amigos lá íamos convidar
Para fazer uma visita à gente.

O porco era enfeitado
Com as rosas de Japão,
Depois era visitado
Pelos amigos no serão.

Lá se juntava muita gente
Convidados e amigos,
Bebiam anis e aguardente,
Com queijo, bolachas e figos.

Chegamos a ter cantoria
Com cantadores afamados;
Era sempre uma alegria
Quando eram convidados.

Guardo na minha lembrança
E vou escrever aqui no papel,
Que no dia da matança
Cantava o meu primo Daniel.

Ele não cantava sozinho
Outros eram convidados,
Recebidos com carinho
Pelos meus pais adorados.

Meus falecidos irmãos
Para a cantoria eram danados,
Assim se animavam os serões
Com todos os convidados.

Até que chegou um dia
Que esta alegria acabou.
Acabou-se logo a cantoria,
Porquê Deus os levou.

Ainda guardo na memória
Os tempos que já lá vão,
Mas ficou para a história
Meu primo e meu irmão.

Nunca mais houve alegria
Em festas se tornar a fazer,
Sinto tristeza em todo o dia
De nunca mais os tornar a ver.

Eles também foram convidados
Para fazer parte do Carnaval,
Danças e bailes foram puxados,
Nunca me esquecerei de tal.

Eles todos foram puxadores
De danças e muitos bailinhos,
Receberam todos louvores
Andaram nos nossos caminhos,
Mostraram os seus valores
Para os amigos e todos vizinhos.

Agora ficou a triste sorte
De na memória os recordar:
Tenho um na América do Norte
Que ainda continua a cantar.

Estes versos que escrevi
A eles foram dedicados,
Amiga eu também vejo em ti
Saudades dos tempos passados.

Somos uma ilha de festa,
Por ti amiga aqui recordada,
Não há nenhuma como esta
No mundo é sempre lembrada.

Terceira de Hortênsia formosa,
De amor, alegria e muita paz,
Cor de branco e de uma Rosa
E do perfume de um lilás.

Terceira é a ilha mais bela
Das nove é a que tem mais luz,
Para sempre és e serás aquela
Que tem o nome de Cristo Jesus.

Estas quadras vou terminar
Com muito amor e dedicação,
Para ti e amigos vou deixar
Beijinhos do meu coração,
E se alguém não gostar
Desde já a todos peço perdão.

Eu poetisa não quero ser,
E te digo do meu coração,
No meu corpo ficou a correr
Sangue do meu primo e irmão,
Por isso gosto de quadras fazer
Para Deus lhes entregar com sua mão.

Margarida Almeida


Nota: Continuação no próximo artigo.

Parabéns Hildeberto Franco

Desafio o bom rapaz
Para duelo amistoso
Por ser ele tão bondoso
E fazer tanto que faz.

Meio século lhe apraz
Aniversário (*) jeitoso;
Sendo assim faço amoroso
O verso que sou capaz.

Parabéns ao bom amigo
Alegria esteja contigo
Neste momento acertado.

És presente de setembro
De um tempo que bem lembro
Num regresso ao passado.

(*) 1/9/2017

Rosa Silva ("Azoriana")

Linda ilha

No frio aquecia a gente
Não digo nada de novo:
Figos passados e aguardente
Iam na mesa pró povo.

Quando se dava a matança
Do porco bem sustentado
Até se dava à criança
A bexiga do pobre coitado.

Lembro bem do tempo velho
Em que as tripas lavava
Agora só vos aconselho
A lembrança que se grava.

Na memória da brava gente
Há muito divertimento
E quem rima num repente
Também na ilha tem assento.

Fica assim meu contributo
Para esta ocasião
Já não se vê andar de luto
Pelo tempo da Paixão.

Só se veem os girassóis
Nas passadeiras do chão,
E vozes como rouxinóis
No coro da mor missão.

Há beleza nas janelas
Com colchas de quadradinhos
E as mais lindas donzelas
Nos cortejos dos caminhos.

Os rapazes são pastores,
Capinhas e bons toureiros,
E outros dão seus valores
Nas cantigas dos terreiros.

Há quem tire o seu chapéu
E atire para o ar
Para louvar o ilhéu
Que gosta de cá voltar.

Adivinhem qual a ilha
Que agora estou louvando...
Onde se faz a partilha
Em Bodo de vez em quando?

Adivinhem sem vinagres
E sem dar nenhum queixume,
Há Senhora dos Milagres
E a do Facho lá no cume.

Adivinha se quiseres
Porque adivinhar eu preciso:
Onde se ouvem mulheres
A cantar de improviso?

E para não mais faltar
Acreditem que é verdade:
Há S. Mateus frente ao mar
E S. João na Cidade.

Há pescadores bastantes,
Há negrito e há pesqueiro,
Há saudade de emigrantes
E um abraço por inteiro.

Há um Monte insular,
Em decúbito dorsal,
E há tanto para falar:
Património mundial!

Há os "maios" e as danças,
Há assaltos e arraiais,
Há velhinhos e crianças,
Jovens mães e jovens pais.

Somos um jardim de cores
Em que o lilás é mais forte
E só ligamos às dores
Quando à beira da morte.

Porque a vida continua
Na alegria de quem fica;
Há de vir sempre à rua
Uma quadra fresca e rica.

03/09/2017

Rosa Silva ("Azoriana")

No Diário dos Açores o escrito de Miguel Rosa Costa, em 2011

Serreta – Peregrinação e Partilha


Detalhes


Publicado em 11-10-2011


Escrito por Miguel Rosa Costa


Miguel-Rosa-Costa1 Serreta, pequena freguesia no extremo ocidental da ilha Terceira, com aproximadamente 400 habitantes, com um clima fresco, ambiente saudável e uma grande carga mística.
Não sou natural da Serreta, embora desde criança tenha uma relação pessoal e familiar, que se cimentou nos últimos anos. Até o começar a pensar que lá vou passar uns dias, entre família e amigos, em festa ou em reflexão, me entusiasma, demonstrando já aqui o seu significado e importância.
Sentado a meio da tarde de sexta-feira, olhando para rua, ainda antes da grande movimentação de gentes em torno do santuário ou da mata, escrevo algumas notas num pequeno caderno que me ofereceram de Nova Iorque. Penso logo na distância geográfica e cultural entre estes dois pontos, passando por conceitos como localismo e globalização. Era já sinal da referida reflexão…
Seria extremamente imprudente num simples artigo de opinião “falar” sobre a Serreta, a peregrinação, o santuário, as festas e a sua gente, mas, como muitos, pelo facto de me impressionar imenso, desejo partilhá-la.
E como passar a mensagem do peso ou da importância que estes dias têm? Como explicar a magnitude de sentimentos e o orgulho que sentimos? É de facto algo muito poderoso.
Segundo reza a história, no fim do século XVII, um padre chamado Isidro Fagundes Machado, em choque com a vida em sociedade, procurou refúgio na Serreta, associando o seu desejo de isolamento com os saudáveis ares de montanha que o local oferecia. Terá construído uma pequena ermida onde colocou uma imagem de Nossa Senhora, numa localização diferente de onde hoje se situa o Santuário.
Já em 1842, o local é elevado a curato, sendo transferida para a nova igreja uma imagem de Nossa Senhora dos Milagres, e dando-se início às peregrinações, tendo vindo a tornar-se ao longo dos anos um dos mais populares cultos religiosos nos Açores, reunindo milhares de peregrinos, que a pé percorrem os caminhos da ilha.
Se para muitos é um ato de fé, numa espécie de oração em formato de promessa e demonstração de devoção, para outros será um processo de introspeção, não necessariamente de cariz religioso, mas pessoal. Para outros é o passeio e o convívio, não menos importante para a nossa robustez mental.
Alguns peregrinos optam por fazer o trajeto descalços ou carregando um número ou peso simbólico de velas, por pagamento de promessas específicas, com um forte sentimento de dádiva e gratidão, chegando por vezes a alcançarem os 40 ou 50 quilómetros de distância.
Se olharmos para cada rosto vermelho e cansado que chega ao Santuário, é difícil não pensar no peso das histórias que carregam, na importância de cumprir determinada promessa, por amor e por devoção.
Li algures que serão cerca de 20 mil pessoas a passarem pela Serreta nestes dias de festa, desde os peregrinos, às touradas e ao famoso piquenique.
Aliás, a dimensão profana das festas tem vindo a aumentar, como é disso exemplo a proliferação de tasquinhas ao longo do percurso, onde as “donetes” e as socas de milho se tornaram parte da festa, assim como a imagem de algumas famílias sentadas à frente de casa observando os peregrinos.
Na segunda-feira realiza-se a famosa toirada da praça do Pico da Serreta, tão concorrida que o dia é considerado feriado não oficial em toda a ilha, com tolerância de ponto concedida nas escolas e ao funcionalismo público.
Na quarta-feira, também a toirada de corda reúne muitas pessoas na freguesia, seja visitando antigos amigos, reconhecendo rostos com mais de 40 anos de intervalo, ou apenas para ver os toiros. Este ano ligeiramente prejudicada por jogar o Benfica…
Mas o elemento emocional e espiritual continua a ser o mais importante e significativo para as pessoas, como se presenciou após o fim da procissão de Domingo, onde centenas cantaram a Glória, ao som das sete magníficas filarmónicas presentes.
A incrível sensação de partilha, de pertença a uma comunidade, sendo ou não serretense, a um conjunto de pessoas que têm problemas, alegrias e emoções como nós, foi de facto o clímax espiritual destes dias.

Ai a Serreta...

Serreta que nos atrai
Como atrai flores formosas,
Tanta gente que lá vai
E leva as melhores rosas.

Serreta de mim não sai
Nem das rimas saborosas,
Na doçura que se extrai
Da Mãe que benze as ditosas.

E eu que de lá parti
Só volto quando Ela chama
Num apelo de quem ama…

Tanto amor eu já senti
Por ver tal divina Luz
Da Mãe de Cristo Jesus!

Rosa Silva (“Azoriana”)