Três filhos que Deus me deu
São meus tesouros de capa;
E o querido amor meu
Também entra nesta chapa.
Há sorrisos e há cautelas,
Há semblantes parecidos:
Nas pontas lá estão elas,
No centro, todos queridos.
Da Amizade os principais.
Do Amor bem melhor são
Como dedos de uma mão.
São os cinco desiguais,
Mas onde quer que estejam
Merecem o que desejam.
Rosa Silva ("Azoriana")
Etiquetas
Família
Sabendo que a vida é dura
Sabendo que a vida é dura
Em novelos de amargura
Vai-se tentando coser:
Cose-se a esperança
De haver uma mudança
No pano de entardecer.
Houve o pano da nascença
Foi traçada a sentença
Numa linha multicor;
Ao pouco vamos bordando
A sorte que vez em quando
Temos se houver amor.
O amor pela escrita
Torna a linha bonita
Encruzilhada do ser:
Há momentos infelizes
Como há linhas matizes
Que alegram o viver.
Quem não sente uma dor,
Um remendo indolor,
Na passagem em corrida;
Somente quem está a zero
E num pano mais severo
Já desbotado de vida.
Rosa Silva ("Azoriana")
P.S. Inspirada no escrito de Liska Azevedo e comentário de Fernando Mendonça in Facebook
Brava Terceira
Guarda-sol decerto trava
A bravura ao animal
Bravo é o seu natural
Tanto como a Festa Brava.
O capinha por si grava
A cultura original
Da bravura capital
Que atiça e não encrava.
Na ilha é mesmo assim
Uma cena sem ter fim
Cada vez que vem Verão.
Terceira na ode minha
Dá louvores ao capinha
E aos de corda na mão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Mata da Serreta - Pulmão de afetos
Pulmão fresco e verdejante
Altamente cativante
Na Mata em realeza.
É assim que quero ver-te
E ao mundo estender-te
Com o verso de firmeza.
Neste último de julho
Num domingo com orgulho
Festejamos a freguesia;
Vemos chegar residentes
E também outros ausentes
Que à festa dão alegria.
Na Serreta, sua Mata,
Que se faz de ouro e prata,
E de verdes salutares:
Há festejo em abundância,
Recordações da infância
E de sonhos invulgares.
Viva, viva a melodia
No concerto de magia,
Viva a Banda e João Costa:
É maestro predileto
E segue heroico afeto
À terra que também gosta.
Marco Alves e sua gente,
Que da Junta é presidente,
Dão vida à ocorrência;
Faz tudo pelo que é seu,
Pelo berço onde nasceu
Com a régua da prudência.
No verso não me baralho
E louvo todo o trabalho
Que se faz de engenho e arte;
Também não posso esquecer
Os que já não podem ver
Mas dele fizeram parte.
30/07/2017
Rosa Silva (“Azoriana”)
Azul d'ilha
Bela imensidão azul
Onde navega o olhar
Nesta cidade a sul
Com vista de céu e mar.
Que beleza estonteante
Na aurora que me cerca
Sou apenas caminhante
E o azul não me dá perca.
Oito horas toca o sino,
Em S. Pedro, o chaveiro,
Sinto a paz daquele hino,
Do Papa que foi primeiro.
Quinze minutos decorrem,
Até passar junto à Sé,
Penso que os minutos correm
Ou sou eu que alongo o pé?!
Absorvo toda a beleza
No sadio caminhar;
Como é linda a natureza
E alegria de ver mar.
O cheiro, sempre o cheiro,
Da minha querida ilha,
Corre o ar de marinheiro
E dele me sinto filha.
Rosa Silva ("Azoriana")
Ao passar na Silveira...
Ao passar na Silveira
É tão bom ver o mar!
Ao passar na Silveira
Apetece ficar...
O coração não sangra
De modo habitual
Na Silveira de Angra
Ele não bate igual.
Ele bate salgado
Pelo cheiro a maresia
E o mar lado a lado
Inspira simpatia.
Angra do Heroísmo
Tem Prainha e Silveira
Tem o mar de lirismo
Que abraça a Terceira.
Terceira venturosa
Ilha do Salvador
Do mar é flor mimosa
Nas asas do Açor.
Rosa Silva ("Azoriana")
Rima d'ilha...
Ilha Terceira querida
Que me embalas a rima
Dela farei minha vida
Com o verso da estima.
Ilha Terceira florida
Centro, em baixo e acima,
De versos seria lida
Nas paredes obra-prima
Meus versos de estimação
Sentidos e com razão
Enfeitam o meu mural.
Se dos meus versos gostares
E também deles falares
Gostas da Terceira igual.
Rosa Silva ("Azoriana")
Escreve...
Escreve... Fala-me do Pico!
Que contente fico
Dele mais saber...
Tenho uma saudade
Tão grande que invade
Todo o meu ser.
Escreve... O teu verso rico
Que identifico
Com facilidade...
Traz-me o cheiro do mar
Pra nele mergulhar
Eterna saudade...
Escreve...
Do "meu" Pico!
Rosa Silva ("Azoriana")
Julho em Angra do Heroísmo
Por uma boa causa
Tirei as férias cedo…
Não pode haver mais pausa
O que me mete medo.
Pelo tempo a passar,
Na certa que fico agora,
Com a mente a pensar
Andando por rua fora.
Vou-me deliciando
Vendo Angra florida,
Não sei bem até quando
Vou manter esta vida.
O céu abre de azul
Com sol madrugador;
Silveira dá ao sul
Cenário encantador.
Quando regresso a casa,
Na volta habitual,
Vejo à cunha e à rasa
Gente naquele local.
Apetece ir também
O corpo mergulhar
Mas vou ficando aquém
Porque não sei nadar.
Então paro uma pisca
Asfixiando o cheiro,
E vou seguindo “à risca”
O meu passo certeiro.
Mais uma pausa fiz
Ao meio da semana,
P’ra rima que vos diz:
Sou Rosa “Azoriana”!
19/07/2017
Verão calmo
Fim de tarde em meu sossego
Ouvindo o rumo das aves;
Sinto por isto um apego
Embora com fecho a chaves.
Na minha espreguiçadeira
Rodeada de animais,
À sombra e na brincadeira
No quintal dos Folhadais.
As aves se vão deitar
Cantando seus belos hinos,
É um prazer aqui estar
Em retalhos pequeninos.
Trabalho desde miúda
E o trabalho fortalece...
Pouco ou nada já me muda
Só descanso favorece.
Venha daí quem quiser
À minha porta bater
E venha cá quem vier
Saberei bem receber
Se em casa não estiver
Mais tarde hei de aparecer.
À tarde uma hora fina
Para repousar a mente,
Para quem o nome assina
"Azoriana" em repente;
A rima é que ora destina
Meu abraço a toda a gente.
Rosa Silva ("Azoriana")
Não é publicidade... é a verdade!
Qual a diferença entre FOME
E VONTADE DE COMER
Se tudo o que se COME
Acaba por se DESFAZER?
“Fome o estômago ronca e dói
Vontade de comer vem da cabeça.
Desfaz-se o que não é aproveitado
Embora muitos tenham m***a na cabeça.”
Ah então não tenho FOME,
Tenho é muita VONTADE DE COMER
Uma camada preta,
Uma camada amarela,
E outra cor que se meta
Para dentro duma tijela.
Com um líquido regar
Até que faça humidade
E depois se regalar
Comendo tudo à-vontade!
Esta quadra só por si
Tem duas conotações
Cada uma já senti
Em qualquer das refeições.
Haja pudim “boca-doce”
Regado de caramelo
Comia como se fosse
Um lanche cremoso e belo.
Rosa Silva ("Azoriana")
A uma imagem baleeira (de Paulo Almeida)
Dócil, meiga curvatura
Que apaixona só de olhar;
Linda fizeste a figura
Com as pérolas do mar.
Assim só, bela moldura,
Que me põe a imaginar,
O encanto da ternura
Que uma imagem pode dar.
Seja a dádiva dos mares
A beleza dos olhares
Pela visão de um amigo.
Seja banco de imagens
A ternura das miragens
Da paixão que tens contigo.
Rosa Silva ("Azoriana")
Da Terceira, ilha tua... (a Paulo Almeida)
És da ilha doce filho,
Vejo no olhar o brilho,
Um momento de nobreza
Ser da ilha portuguesa.
És do verso que partilho
És maior que grão de milho
Da ilha que tem beleza
Florida por natureza.
Paulo Almeida eu te digo
Da ilha és bom amigo
E da sua grã cultura.
Recebe abraço apertado
Da mulher que deste lado
Sabe que a saudade é dura.
Rosa Silva ("Azoriana")
Dedicatória a José Maria Botelho
Há lugares escondidos
Que vistos a olho nu
Ficam sendo conhecidos
E isso bem fazes tu.
Esse eu não tinha visto
E vejo agora tão belo
Tem por certo a mão de Cristo
E por Ele sempre apelo.
À roda da nossa ilha,
Que teve o nome dele,
Há sempre uma estampilha...
E mui louvado seja Ele!
Cada vez que eu admiro
Uma imagem singular
Do meu coração retiro
Uma rima para lhe dar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Grande amigo (Euclides Álvares)
Se ouço a "Voz dos Açores"
Sinto em mim o dilema:
Recordo o velho poema
Com o timbre de mil cores.
Quando recordo os valores,
Sonoridade do tema,
Aliança em diadema
Na doação de seus autores.
É por isso que hoje digo,
Há saudade meu amigo
Do eco que algo seduz.
Tive sorte, amigo meu,
Do tanto que Deus me deu,
Deu à ilha de Jesus!
Rosa Silva ("Azoriana")
Paulo Jorge, o cantador
Ao teu lado eu cantei
Julgo que ainda sei
Como sente o coração
No momento da criação.
Louvar-te também pensei
E disso faço uma lei?!
Uma lei p’la minha mão
Somente por boa ação.
És cantador que tem brio,
De Pezinho e Desafio,
De Festas e sociedade.
És da ilha mais formosa,
És canteiro de uma rosa,
Na pétala da amizade.
Rosa Silva ("Azoriana")
Bravo João Mendonça!
Conheces a cor da lava,
O cheiro do tal incenso...
Ai saudade que se trava
Tão à beira do que penso?!
No peitoril da ilha brava
Pões o teu amor imenso;
Nova palavra te dava
A voar como alvo lenço...
Teu rosto em tudo se vê
E na saudade se crê,
Certo que não chega à toa.
Com o coração em gancho
És do teu soneto um rancho
Na saudade que ressoa.
Rosa Silva ("Azoriana")
A uma gaivota
Uma gaivota em Angra
Numa pose de princesa
Leve pluma de beleza
Que de alegria nos sangra.
Gaivota de heroísmo
No coração da cidade
Onde se chama à-vontade
Porto de abrigo e civismo.
Tem a visão encantada,
Portanto ela não voou,
Deixou-se ficar pousada.
À espera de alimento,
Porventura alguém deixou,
Para erguer meu verso atento.
Rosa Silva ("Azoriana")
Senhora do Carmo, de Santo Amaro
Linda Senhora do Carmo
Contigo eu não desarmo
E apetece brindar
Com minhas rimas de mar.
Santo Amaro te venera
Numa Festa tão austera
Que reúne a freguesia
E as gentes com alegria.
Bendita e louvada seja
Tua bela, linda igreja
Única na posição.
Que a Festa então prossiga
Com uma doce cantiga
No adro e na procissão.
Rosa Silva ("Azoriana")
Dedicatória ao poeta Fernando Mendonça, do Juncal - Praia da Vitória
Vem aí o grande dia
Porque grande deve ser
Comemorar a poesia
Que em ti vi florescer.
O que dita o coração
Ilumina a caminhada
Do livro que tem na mão
Da poesia amada.
Estou feliz por ti amigo
Por te ver sorrir agora
E podes contar comigo
Sempre pela vida fora.
A mulher, filhos e netas
Amigos e convidados
As pessoas prediletas
De aplausos acarinhados.
Grande abraço!
Rosa Silva ("Azoriana")
Santo António dos perdidos
Riem-se de mim milhões de vezes
Das rezas que decoro sem pensar
Na bruma ou na aurora dos meses
Que vejo e deixo por mim passa
Eu creio na infinita bondade
Do Santo que venera a grã Lisboa,
Por ser tanta a Santidade,
E risos que a cada pessoa.
António, de tantos o preferido
Por via do que faz aparecer,
Seja o que for que desaparecido
Acaba por nos dar a fé de ver.
Responsos esses que aqui vos deixo
De rima pura em sã lealdade;
Dessa reza nunca me queixo
Nela vejo alva flor da caridade:
“Se milagre desejais
Recorrei a Santo António.
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.
E por sua intercessão
Foge a peste, o erro e a morte,
O fraco torna-se forte,
Torna-se o enfermo são.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão,
E não auge do furacão
Cede o mar embravecido.
De todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
Digam-no os Paduanos.
Glória ao Pai,
Glória ao Filho,
Glória ao Espírito Santo!
Rogai por nós, bem-aventurado António,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amen!”
Confia nesta oração
Pela tua vida fora
Agradece cada quinhão
Que obteres dele agora!
E que os Responsos deslizem
Pelos lábios que os ouvi…
Adoro quando me dizem:
Lembrei-me agora de ti!
2017/07/14
Angra do Heroísmo
Rosa Silva (“Azoriana”)
Nota: Ver aqui também.
Estátua em vida - Comendador Manuel Eduardo Vieira
Uma Estátua em vida
Porque sua vida é Bem
Por todos é conhecida
Por vídeo a vi também.
Permita Deus que a veja
E toque mui admirada
Antes que minha vida seja
Outra partida e morada.
Liduino Borba entrevista
E segue esta maravilha
Dá-nos também a vista
Da grandeza dessa ilha.
Ilha do Pico, a Maior,
De onde tenho uma costela,
E do Comendador melhor
Que tem direito a uma tela.
Uma tela de amizade,
Amor e dedicação,
E com a emoção que há de
Tocar nosso coração.
Façam chegar estas linhas
Da forma que eu as canto
Para lhe dar odes minhas
Ao Homem que já faz tanto.
Manuel Eduardo Vieira
Emigrante açoriano
Que tem valor na Silveira
Das Lajes o soberano.
Ato heroico e virtuoso
Que é visto e vivido:
Picaroto tão bondoso
Que amei ter conhecido.
4/7/2017
Rosa Silva ("Azoriana")
Destino
A Serreta é a viva onda
De verdes a céu aberto;
E mesmo que alguns esconda
Não lhes chamarei deserto.
Quando vou na minha ronda
Sinto o seu cheiro de perto;
Porque a ilha se arredonda
Serreta é destino certo.
Só que a onda da partida
Nas marés da nossa vida
Nunca deixa de ser crença...
Quero ao menos ser lembrada
À verde onda dedicada
Muito mais do que se pensa.
Rosa Silva ("Azoriana")