Doem-me as palavras...

... As faladas e as escritas
E tantas que nem são ditas
Numa era de vendavais
Chuvas, sóis e pouco mais.

Doem-me as palavras [mudas]
Entre vírgulas sisudas
Com o vento das escolhas
Esvoaçam tantas folhas.

Tenho o cérebro contrito
Feito medo, sem o grito,
No balaio eu me ponho
A pensar no que eu sonho.

Nos outros eu também penso
Se voltarem a ter senso
Que não voltem ao rochedo
Da saudade... Que tenho medo.

Rosa Silva ("Azoriana")

Último sábado de maio

Não sei o que dizer
Que não tenha dito
Basta aparecer
Um verso bonito.

Um verso enfeitado
De muita alegria
Pra ser declamado
No mês de Maria.

Está quase no fim
O mês que casei
Um lustro é assim
O quanto somei.

Foi a vinte e sete
Que unimos a mão
Agora compete
Manter a união.

A quem me ouvir
Lá longe, distante,
Faça por sorrir
Sorriso emigrante.

Porque um sorriso
Com sinceridade
É o mais preciso
À dor da saudade.

Saudade, ai saudade
Que o tempo não mata
Nem traz na verdade
Nada que a empata.

Por agora saio
Desta cortesia
Sábado de maio
Vos traga alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

Bodo da Trindade

II Bodo 2016

Império da Serreta

Bodo do Pão

Bandeira hasteada
Do Espír'to Santo
Trindade Sagrada
Que partilha tanto.

Saudade apertada
Sentida portanto;
Há missa c'roada
Que doce é o canto.

O Bodo de pão
Na mão do carinho
E a prova do vinho.

Enche o canjirão
De cor e alegria
O resto Deus guia.

Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

Céu cinzento

Abro o céu da minha mão
À vista de novo dia
Quando o sol se escondia
No ventre da inspiração.

Entre gente, a solidão,
Do canto que a ave cria,
Na bruma que se estendia
Na ilha do meu refrão.

Eis que um golpe de sol
Faz nascer a obra-prima
Da canção de rouxinol.

Sentada de olhar atento,
Solfejando o sol na rima
Abro mão de um céu cinzento.

2016/05/20
Rosa Silva (“Azoriana”)

Paraíso alado

As aves cantam ao dia
E eu as ouço cantar
Absorvo sã melodia
E me deixo embalar.

Se soubesse eu queria
Suas cantigas pautar:
Belos hinos de alegria
Que gosto de escutar.

As aves da Região
A Autónoma dos Açores
Nunca mudam o refrão.

Dignificam nossos ares,
Com mestria de autores,
De hinos tão insulares.

Rosa Silva ("Azoriana")

Coroação de Luís Nunes - Porto Judeu de Cima

Meu "irmão", blogger amigo
O Divino está contigo
E com a família tua.
Hoje foi tão especial
Depois da chuva em caudal
O cortejo saiu à rua.

Tanta gente a ajudar
Com a Coroa a abençoar
De viva omnipotência;
Tudo estava perfeito
O que vi e por vós feito
Teve arte, fé e ciência.

Os filhos ao vosso lado
Aprendem que o Sagrado
É fruto da devoção.
Palavra, Fé e Partilha
Que se vê em toda a ilha
São a roda de união.

Lembro bem da tua mãe
Que contigo está também
Neste dia mais feliz;
Pentecostes te abençoa
Com a Divina Coroa...
Obrigada "irmão" Luís!

2016/05/15
Rosa Silva ("Azoriana")

99 anos hoje


Fonte da Imagem: Aparições de Fátima (Wikipédia)


"A treze de maio na Cova da Iria
Apareceu brilhando a Virgem Maria
"

Num domingo de dezassete
Há noventa e nove anos
Aparição quem promete
Marcar tantos seres humanos.

Porque hoje é sexta-feira
Tida por ser de azar
Nevoenta na Terceira
Com alvura sobre o mar.

Podem haver muitas formas
Da Senhora nos falar
Por Ela há puras normas
Só pede para a gente orar.

Minha oração ora se faz
Na rima do meu prazer
Pedindo que haja Paz
E que n'Ela possam crer.

Há quem ainda duvida
Das Aparições milagrosas
Nesse tempo não tinha vida
Depois lágrimas bondosas.

Li o que os Pastorinhos
Passaram naquela altura
Por eles tive carinhos
Por eles tive ternura.

De Fátima, a Mãe da Luz
De Portugal Padroeira
A Virgem Mãe de Jesus
E da humanidade inteira.

Sejamos unidos pela fé
Pela sua santidade
E quem vai por Ela a pé
Tenha solidariedade.



"A treze de maio na Cova da Iria
Apareceu brilhando a Virgem Maria.
"

Rosa Silva ("Azoriana")

Ilhas açorianas

S. Miguel vasta paisagem,
Santa Maria a Virgem Mãe,
Terceira a camaradagem
Pelas festas que ela tem,
Graciosa na miragem
S. Jorge e Pico também
Faial a boa viagem
Com veleiros fica bem
Flores e Corvo a passagem
Pró mimo de mais além.

Cada ilha açoriana
Nossa insularidade
Cada qual canta hosana
Cada qual tem santidade
Uma e outra flor humana
Com pétalas de amizade.


S. Miguel a verde ilha,
Santa Maria em dourado,
Terceira a maravilha
De lilases por todo o lado.
Graciosa alva partilha
S. Jorge e Pico em bordado
Faial de mar em quilha
Tanto desenho deixado
Flores e Corvo em sextilha
Podem tecer rico fado.

Cada canto tem valores
Que outros valores chama
Cada terra tem sabores
Que o nosso povo aclama
Cada ilha leque de cores
Conforme o que ela ama.


Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

Vinte e cinco, em maio

Foi num dia de alegria
O Papa por cá se via
Só não estive à sua beira
Aquando na ilha Terceira.

Grávida e quase no dia
Que a minha filha nascia
Estava eu numa cadeira
A ver a ilha romeira.

Veio à luz a doze de maio
E nascia como um raio
Na pressa do nascimento.

Este ano faz vinte e cinco
Em maio com muito afinco
Querida filha, meu rebento.

Rosa Silva ("Azoriana")

Santo Amaro do Pico

Quero rever Santo Amaro
Enquanto o sono se atrasa
Freguesia que eu reparo
Foi metade da minha casa.

Por lá fui eu muita vez
De barco entre alegrias
Tantas saudades me fez
De revê-lo nestes dias.

Dias do Espírito Santo,
Do Terra Alta e Santo Amaro,
Dias que agora são tanto
Do tempo que eu me reparo.

Ó Pico da minha alma
Paraíso de encantar
Terra negra que me acalma
Onda branda a balouçar.

Santo Amaro a conchinha
Do amor que me desperta
Tanta gente que lá tinha
Sempre com a porta aberta.

Já não tenho os meus avós
Nem o tio, nem as tias,
Só primos de viva voz
Que não vejo há tantos dias.

Dos barcos a capital
Do murmúrio das marés
Das ondas um festival
Da proa até ao convés.

Santo Amaro eu te adoro
Por tudo o que me ensinaste
Meu santo eu te imploro
Que de ti nunca me afaste.

2016/05/09
Rosa Silva ("Azoriana")

Quem me dera que assim fosse… (para RPUSA)

Fonte da imagem no link


Quem me dera que assim fosse
Debaixo do céu estrelado
Ter um pé de água doce
A bailar no mar salgado.


Sou do berço de Jesus
Sou da terra de bravura
Do Monte que tem a cruz
E a Baía da Cultura.
Angra é da ilha encanto
Traz o xaile de heroísmo
E balança o seu manto
No colo de patriotismo.

Quem me dera que assim fosse
Debaixo do céu estrelado
Ter um pé de água doce
A bailar no mar salgado.


Há ternura em cada rosto
Que passeia pela rua
Dourado pelo sol-posto
Que no dia assim atua.
Angra é casa de marés
De alegrias e cantares
Na proa e no convés
Há doçura nos olhares.

Quem me dera que assim fosse
Debaixo do céu estrelado
Ter um pé de água doce
A bailar no mar salgado.


Rosa Silva (“Azoriana”)


Gravado para Rádio Portugal USA.

10 anos de Santuário da Mãe dos Milagres!


Santuário que brindas o Povo
Com perfumes do Altar da Mãe,
Acudi ao velhinho e ao novo
E àqueles que imploram Teu bem!

Virgem Pura que hoje eu louvo
E venero conforme convém,
Com a rima que em verso movo
Inspirada no que de Ti vem.

Virgem linda dos poentes ares,
Verdejantes ou com nevoeiros,
Nada impede de sempre brilhares.

Virgem Santa que o Povo consagres
E aos Teus peregrinos romeiros,
Que Te amam, ó Mãe dos Milagres!

07/05/2016
Rosa Silva ("Azoriana")

Filomena Rocha Mendes e Cunha Mendes em "Duo Ilha"

"Duo ilha - Vem Amar A Tua Ilha", de Filomena Rocha & Cunha Mendes é um maravilhoso hino em cada poema, voz e melodia. Apetece ouvir até que a audição nunca se canse.


A Duo Ilha


Ouço, ouço e volto a ouvir
Cada canto, regaço d'ilha;
Ouço, ouço e volto a ouvir
Onze faixas... Maravilha!


"Trago notícias da ilha"
"Noite na ilha"
"Canção à Praia"
Canção a Vitorino Nemésio"
"Vira Vira"
"Esta ilha é uma Hortência"
"Canção ao Pico"
"O homem da ilha (declamado)"
"O Pastor da ilha (instrumental)"
"Canção a José da Lata"
"Vem Amar A Tua ilha"

De todas eu gosto tanto
Conheci-as neste maio
E vão ser o meu encanto
Nos bastidores ensaio.


2016/05/05

Rosa Silva ("Azoriana")

Duas notícias de maio....

Depois de um dia (1 de maio de 2016), cheio de andanças pelo mais conhecido lado da ilha Terceira, até à Serreta, apresentei-me, pelas 21 horas, ao lançamento do livro da autoria de Liduíno Borba e José Fonseca de Sousa (a ordem na capa do livro) - José Domingos - O TOCADOR, coleção Improvisadores 17, no salão da Sociedade de S. Bartolomeu de Regatos.

Quando tomou a palavra o Diretor Regional da Cultura e referiu a partida do Dr. Marcolino Candeias fiquei perplexa. Veio-me à mente o seu rosto e a lembrança de algumas vezes que troquei umas palavras com ele sobre temas açorianos.

E agora?! É sempre assim… Quando há uma partida inesperada de alguém conhecido faz-nos ficar, durante uns tempos, a pensar sem dar pelas horas correrem. É sempre assim… Levamos dias seguidos com um nome a povoar a mente enquanto não houver outro choque que amorne este. A notícia fez-me um rescaldo. Todos temos na linha da frente para o fim, mas saber que parte alguém que tinha tantas capacidades e utilidade pública para os açorianos (e não só) custa muito, muito mesmo.

Lembro da reciprocidade amorosa de um casal (Dr. Marcolino Candeias e Drª Valdeci Purim) e pressinto a ferida que se abriu no coração da esposa… e restante família, amigos, companheiros literários, vizinhos, conhecidos e funcionários da Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo…

Apenas soube num milésimo de segundo e ocupou-me os tempos seguintes. Fez-me lembrar outros tantos que partiram (de surpresa) e que me preencheram o pensamento, sem limite. Decididamente, nunca gostei de despedidas nem de partidas (últimas).

Que descanse em paz o Dr. Marcolino Candeias que partiu com a mesma idade da minha mãe (63 anos) e precisamente no dia da Mãe, primeiro de maio de 2016. Nascido em agosto de 1952, viveu deixando bons frutos, e poemas de maravilhar.

Até um dia… Sim, porque todos temos esse dia… pesarosamente…

2/5/2016

Rosa Silva (“Azoriana”)



Esta foto tirei-a a pedido da amiga Kathie Baker, em 2008

Marcolino Candeias (1952 - 2016)

MARCOLINO CANDEIAS
1952 - 2016


Escritor, poeta, ensaísta, crítico literário, professor... Marcolino Candeias faleceu hoje (1/5/2016) vítima de doença oncológica. Foi diretor regional da cultura e exercia atualmente o cargo de diretor da biblioteca pública de Angra do Heroísmo. Recordo aqui a mais longa entrevista que concedeu no passado recente à televisão, sobre o seu percurso de vida. Era natural da Terceira, onde nasceu em 1952 na freguesia das Cinco Ribeiras.


Texto de Victor Alves, da RTP Açores



 E também no Blog Comunidades.

À Praça da Serreta (01/02/2016)

Praça da Serreta


Esta Praça é colorida
Brava e tradicional
Quem dera vê-la vestida
Este ano de pessoal.

Façam isso, por favor,
Honrem nossa tradição,
Por mim, que tenho fervor
Para vos dar atenção.

A Festa é pra quem possa
Dar um tanto de alegria
Para que se chame nossa.

Na Serreta é mais feliz
Por ser prima freguesia
Com uma Praça de raiz.

Rosa Silva ("Azoriana")

Palavras vivas

Praça da Serreta 01_05_2016


Estes são lugares cimeiros
Junto à pequena serra
Outrora entre nevoeiros
E hoje dão brilho à terra.

Neste lugar pitoresco
Que gosto de visitar
Há sempre algo de fresco
Para a rima me acertar.

Cada passo que eu dei
Neste primeiro de maio
Foi como novo ensaio.

Vi datas que confirmei
Na Despensa e no Império
Tapa-vento e cemitério.

Rosa Silva ("Azoriana")