Dedicatória aos cantadores

Aos cantadores que me conhecem (e a cantadeira Maria Clara Costa, madrinha da cantoria em S. Carlos)


Antes que a vida se feche
Devo dar-vos meu louvor;
Porque mesmo que vos deixe
Fica a minha rima em flor.

Rima que é minha memória
Feita por ordem suprema
P'ra ser a dedicatória
Uma flor feita poema.

Não serei a poetisa,
Quem me chama agradeço,
Sou aquela que improvisa
A inspiração que conheço.

Minha mãe a minha musa,
Doze anos quase feitos,
Se da rima ela abusa
É p'ra me dar bons efeitos.

Por isso amigos meus,
Da arte do improviso,
Vos louvo, graças a Deus,
Que vos dê o que é preciso
E nos versos meus e teus
Haja o brilho de um sorriso.

Fazemos nossa cultura
Ser a arte popular,
Fazemos longa escritura
Para o povo acarinhar,
Quando descer à sepultura
Que de mim possam lembrar.

2016/02/28

Rosa Silva ("Azoriana")

Saudade de minha mãe

Tive um nó na garganta
Pela tarde deste dia:
Minha mãe é uma santa
Como Santa é Maria.

Há uma falta que me planta
Uma saudade tardia
Porque pra mim não levanta
O Pão da Eucaristia.

Compreendo e até sei
Que Deus fez a sua Lei
Que o Homem não a muda.

Mas porquê Deus vai negar
Que eu o queira tomar
E mais alguém que me ajuda...

Rosa Silva ("Azoriana")

2016/02/26 - As florinhas da Peregrina

As florinhas de Peregrina


As florinhas da Peregrina

Eram tantas as florinhas
Aos pés de Nossa Senhora
Que mais pareciam rainhas
Perfumando a missa agora.

Estas são ideias minhas
Que surgiram sem demora
Um registo em minhas linhas
Pra ficar pla vida fora.

De Fátima na Conceição
Duas flores em união
E a linda voz da Irmã.

Só por si fazia o Coro
Merece da Mãe o louro
Nesta viagem cristã.

2016/02/26
Rosa Silva ("Azoriana")

Carlos Alberto Furtado Andrade (*1960 + 2016) - 55 anos

Notícia da JF Biscoitos

O Santa Maria

Adeus amigo, até sempre!

23/02/2016. Duas tristezas e uma alegria

Precisamente no dia que meu falecido pai, Carlos Cândido, completa 15 anos da sua partida, chegou ao Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, da Serreta, a Virgem Peregrina de Fátima, com uma beleza santa a que ninguém consegue ficar alheio. Grande emoção foi participar da peregrinação, que teve início desde a Igreja de S. Jorge, das Doze Ribeiras, a partir das 19:00, sensivelmente, num cordão humano longo e devoto.

A chegada da Senhora de Fátima à Serreta foi emocionante também: a Filarmónica Recreio Serretense saudou a Senhora com o Hino e, logo de seguida, voltou a brindar com o "Salvé Nobre Padroeira", Rainha de Portugal.

Com muitas velas, reza do Terço meditado, e, finalmente, com fogo-de-artifício; crianças, jovens e adultos aglomeraram-se no percurso e encheram completamente o exterior e interior do Santuário, cujo brilho resplandeceu com a alvura da Imagem Peregrina iluminada e resguardada, à vista de todos. Eram duas (de Fátima e dos Milagres) e uma só Mãe em adoração.

Feliz de quem participou neste acontecimento que até a mim fez tremer na captação de imagens que não tem a melhor resolução mas tem o fervor do meu coração.







E o coração tremia também pelo choque que uma notícia (muito triste) que soube ainda nas Doze Ribeiras, sobre a partida repentina do cantador de improviso e poeta que eu admirava muito, o nosso Carlos Andrade, mais conhecido por "Santa Maria". (Repete-se o nome - Carlos).

Ainda não consegui desligar a alegria da tristeza. Ainda não consegui deitar para fora o que me faz o rosto dolente. Ainda não chorei porque o choro converteu-se em dor calada. Só eu sei (e todos os que o estimavam e que com ele partilharam palcos e terreiros da ilha e fora dela) a falta que me (nos) fará a sua poesia brilhando em quadras e sextilhas, em Pezinhos, Cantorias, Desgarradas e as "Velhas" que se ouviam com o olhar fixo e o coração em chama.

Fica-me uma pena de não ter realizado um sonho: cantar com ele... Felizmente tive a felicidade de o ver presente no lançamento do meu primeiro livro - Serreta na intimidade, que agora ficará na prateleira da saudade, saudade dele, o "Santa Maria"... precisamente no dia que partiu o meu pai há quinze anos, que chega a Virgem Santa Maria à Serreta, e parte o nosso "Santa Maria" improvisador... São emoções fortes e muito marcantes...




*****

Homenagem póstuma a
Carlos Andrade "Santa Maria"


Foste como rima em flor
Que dos lábios te pendia
Foste um bom cantador
De improviso e poesia.

Da sextilha um primor
Da linhagem que tecia
E foste seja o que for
Da inspiração magia.

Canta, amigo, lá no céu...
Numa estrela a brilhar
Quero ouvir o teu cantar...

Plantaste rima de ilhéu...
Tinha-te por grande amigo...
Pena... não cantei contigo...

Rosa Silva ("Azoriana")

Linda, linda Mãe! (21/02/2016) - Peregrina na ilha Terceira

Linda, linda Mãe (peregrina)


Linda, linda Mãe!

Um sorriso celestial
Paira na ilha Terceira
Avé Mãe de Portugal
De Fátima a padroeira.

Há uma paz sem igual
Comovente e sinaleira
Seu rosto é divinal
Bem-vindo à nossa beira.

Avé-Maria cheia de graça
Todo o bem se vos faça
Completa peregrinação.

Santa Maria, Mãe de Deus,
Rogai pelos filhos Teus,
Teu sorriso é doação.

21/06/2016
Rosa Silva ("Azoriana")

Dia de S. Valentim

Teu olhar em mim semeia
O amor que incendeia
Uma rima para te dar
Como a terra dá ao mar.

Ó meu bem que me recheia
O sorriso volta e meia
És o ser do meu cantar
A beleza do meu lar.

É dia dos namorados
Mesmo que sendo casados
Nada muda a ligação.

Por ti sempre apaixonada
Porque amar é a entrada
Na porta do coração.

Rosa Silva ("Azoriana")

Maria

Nascente
Verdade
Poente
Saudade

Crescente
Idade
Da gente
Bondade

Jesus
A Luz
Sorria

Pureza
Beleza
MARIA

Rosa Silva ("Azoriana")

Rosa alva e lírio branco

Minha terra é uma rosa
Porque Rosa também sou
Só que ela é mais ditosa
Sua água me batizou.

Deu-me mais rima que prosa
Deu-me a Mãe que tanto amou
Por isso é flor formosa
No largo onde também ficou.

Rosa alva e lírio branco
Merecem um verso franco
Com a musa inspiradora.

Há beleza na plaqueta
Santuário da Serreta
Da Mãe auxiliadora.

Rosa Silva ("Azoriana")

A debulhadora

Lembro bem desses fogueiros
No carro puxado a bois
E a seguir aos primeiros
Vinham sempre mais depois.

O trigo vinha emparelhado
Em molhos que eu bem via
Depois era enfiado
Pla "boca" da maquinaria.

Era a debulhadora
Que vinha para um cerrado
Máquina trabalhadora
Com um barulho afinado.

O molho entrava inteiro
O trigo a saca enchia
A palha em lugar certeiro
Um fardo então produzia.

Eu novinha admirava
Todo aquele trabalho
Mas dali me ausentava
"Cada macaco no seu galho".

Salvo seja a comparação
Que agora me saiu
Mulher naquela função
Acho que não se permitiu.

Só ia mesmo pra ver
O que por lá se passava
E também pra conhecer
O trabalho que o trigo dava.

Esta história é verdadeira
Andava eu na escola
Muito aprendi na Terceira
E ver isto até consola.

Pena que tudo acabou
Deu lugar ao modernismo
Mas para muitos ficou
Lembrança de heroísmo.

Para que se faça o pão
Pro manjar do dia-a-dia
Já não se vê tanta ação
Como noutro tempo havia.

Vem o trigo do exterior
Faz farinha num instante
Quem fazia tal labor
Agora já está distante.

Bravo povo da minha terra
Mereces o meu louvor
A debulhadora encerra
Mas teu fardo tinha valor.

Dava alimento aos animais
Para com força o transportar
Hoje nem sequer os pardais
Podem o trigo debicar.

Fica aqui este registo
Para quem o quiser guardar
Que a ilha de Jesus Cristo
Muito trigo soube debulhar.

Rosa Silva ("Azoriana")

À "Hora da Serra"

Bem alto, perto da serra
Tive o condão de nascer,
Vivi a luz de amanhecer
E o nevoeiro que cerra.

E quando a saudade berra
Por não voltar com meu ser
À razão do meu viver
Crio a paz da minha guerra.

"Hora da Serra" é consigo,
Que agora chamo de amigo,
E aceno quando em passeio.

Viva a serra de união
Ao povo da Região
Que faz dela o seu asseio.

Rosa Silva ("Azoriana")

Ais

Ai se eu pudesse ser rosa
Do meu peito a desfolhar
E ser pétala formosa
Para meu verso moldar.

Ai se eu pudesse da prosa
Ser folha a enfeitar
A rima nunca ociosa
Da minha mente a brotar.

Que pena não ser da idade
Que já passou, é de outrora,
Risonha de dentro e fora...

Que graça a mocidade
Quando a mesma é de flor
Feita pétala de amor.

Rosa Silva ("Azoriana"

Olé d’ilha (Terceira de Jesus)

Ao longo da estrada
Vai uma corrida
Se leva marrada
Na certa é renhida.

Por cada fachada
Há a cor sortida
Um rosto de fada
A dar gosto à vida.

É tal brincadeira
Com pelo no dorso
Touro da Terceira
Não mede o esforço.

Estala o foguete
Já o povo acorda
É como um lembrete
Pra esticar a corda.

E sai a bravura
De gozo na escolha
Enquanto ela dura
Se marca na folha.

A ilha ao rubro
Sem nenhum desmaio
Por findar outubro
O que nasce em maio.

Sonho maioral
Provoca enchente;
Olé de arraial
Já nasce c'a gente.

E mais não preciso
Pra fazer brilhar...
Verso de improviso
Toureia o olhar.

Rosa Silva (“Azoriana”)

Vai por mim o Carnaval

Digo que não sou famosa,
Mais da rima, menos prosa,
Sem os "gostos" aos milhares.
Eu juro que vos entendo
E enquanto for vivendo
Gosto dos vossos olhares.

Numa marcha eu já fui
Um livro também possui
Uma parte do meu carinho.
Falta agora acontecer
O que já fiz a escrever
Mas não entrei no bailinho.

Nos palcos da nossa ilha
Baila cada maravilha
Neste ano e igualmente
Mostram que o Carnaval
É heroico festival
Passado, futuro e presente.

Já vai longa a minha prosa
Porque o ano é cor-de-rosa
Na bela ilha lilás
Da América também veio
Os meus primos com asseio
E não ficam nada atrás.

Foi linda cada canção
Junto à linda atuação
Na Serreta eu os vi
Fernando Rocha abracei
E agora eu já sei
A saudade de estar aqui.

Caem lágrimas saudosas
Como pétalas de rosas
Para o altar da Senhora
Sei que agora vai custar
A ilha Terceira deixar
É sair sem ir embora...

Rosa Silva ("Azoriana")

Brinde carnavalesco



Quatro dias de festival
Salutar da nossa terra:
É mesmo o Carnaval
Que o riso nos descerra.

Venha o povo em geral,
Que em casa não se encerra:
Aproveite a rir do "mal"
E do bem do mar à serra.

Alegria, ai quem me dera,
Pra ajudar a grande Festa
Que o teu valor nos presta.

Ficamos à vossa espera,
Na Serreta, local fresco,
Com brinde carnavalesco!

Rosa Silva ("Azoriana")

Carnaval da lilás ilha (palco da Serreta)

Carnaval 2016


Abre o palco o Carnaval
Braço dado com folia
Popular e cultural
O teatro da alegria.

Na mesa o habitual
Sabor em boa iguaria
Pra quem ama o festival
Mais lindo da freguesia.

O Carnaval da Terceira
É baile e canto rimado
Com grande beleza ao lado.

Bailinhos à nossa maneira
São a melhor diversão
Únicos na Região.

Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

Máscara: Mascare a tristeza a rir!

Máscara


Plumas, cores, vestuário
Enfeitam tudo a rigor;
Seja qual for o cenário
Reina a dose de humor.

Tristeza vira ao contrário,
Transfigura-se o ator,
Cedo veio o calendário
Tecer alegria à dor.

Mascarado segue o lema:
Carnaval é mais que tudo
Por isso Viva o Entrudo!

No seio de algum problema
Se a dor deixar seguir
Mascare a tristeza a rir!

Rosa Silva ("Azoriana")


Gravado para Rádio Portugal USA.

"Falando do Carnaval"

"Falando do Carnaval"
Jorge Rocha autor prendado
Entrevista cultural
Pelas Doze convidado.

Parabéns ao Hildeberto
Pela ideia apresentada:
Jorge Rocha deixa aberto
Gosto pra Dança de Espada.

O Carnaval da Terceira
É uma onda de magia
Com cor, graça, fantasia.

Bailinhos à nossa maneira
São a melhor diversão
Únicos na Região.

Rosa Silva ("Azoriana")

A essência da notícia

Surpreendo-me com os meus próprios versos (1)

(...)

Cada pétala um sorriso,
Cada flor um beijo meu,
Para quem tem o improviso
Em tudo o que tem de seu.


mais aqui (siga a hiperligação)

Vais chorar por mim?!

2010_01_04

Será que um dia vais chorar por mim?!
Como se eu fosse o colo de uma raiz
Como se eu te tivesse feito mais feliz
Ou simplesmente partir, nos ares do fim?!

Será que um dia, a nuvem será alfenim,
Levar-me-á para o seio onde fui petiz
E dos teus braços partirei tão infeliz
Por não mais te ver, de perto, assim?!

Soam as trindades, soam os trinados,
Soam os vales, a flora do meu viver,
E ficarás perdido sem jamais me ver.

Choro por dentro, com olhos molhados,
Choro por fora... mas tenho a bandeira
Que me lavra o corpo da ilha Terceira.

Rosa Silva ("Azoriana")

FAZ HOJE 2 ANOS - Saudade

Do berço que te embalou
Da ilha que te amou
Do regaço da tua mãe.
Do mar que de sal tempera
E que bramindo espera
Que sempre lhe queiras bem.

Do altar que te descerra
Venturas de vale e serra
Numa balada de encanto.
Das aves juntas voando
Pelo céu azul cantando
Os hinos que gostas tanto.

Quando soam as Trindades
Parece que as saudades
Ganham uma força gigante.
Pedem-te para voltares
À ternura dos lugares
Que não te querem distante.

Dizem que um homem não chora
E que não se vê por fora
Uma lágrima cair,
Pode até que não se veja
Junto ao altar da Igreja
Não as podes impedir.

Quem te ampara é a Mãe
Que vai e contigo vem
Na concha da emoção.
Na chegada ou partida
É Ela que te dá vida
E agradeces em oração.

Agora vem o Carnaval
Uma festa sem igual
Com a máscara da alegria,
Mais uma vez a saudade
O teu coração invade
Por quereres essa folia.

Não chores, não vale a pena,
u não entras nesta cena
Que sempre espera por ti...
Fecha os olhos e sonha
Com esta raiz risonha
Que deseja ver-te aqui.

Rosa Silva ("Azoriana")

FAZ HOJE 1 ANO - Berço de arvoredos

Lembra-te de onde és
Com berço de arvoredos;
Um festival de marés
Dançando entre os rochedos.

A ilha tem no convés
As colinas e os penedos
O anil vai de lés-a-lés
No mar de tantos segredos.

E vemos do miradouro
Toda aquela imensidão
De silêncios intervalados.

Sentimos que vale ouro
A pacata vegetação
Com hinos por todos os lados.

Rosa Silva ("Azoriana")

O Rosto (que inspira a escrever-lhe)

O Rosto


Imagem adaptada da original de Ricardo Meneses, serretense.

Ver também aqui...