MERCÊS ALBINO
Mercês, menina de abril
Nasceu pra vos consolar
De uma maneira subtil
Antes de maio entrar.
Fechou a porta de um mês
Abre um sorriso à tourada;
Linda menina Mercês
É dos Bravos à chegada.
Uma bênção prós seus pais
Bem como prós seus avós
Dos Bravos sempre leais.
Venha a taça da alegria
Adocicar nossa voz:
Salvé Mercês, flor do dia!
Rosa Silva ("Azoriana")
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30-04-2014: Mercês Albino Ferreira de Melo
"A flor e a ave", de Saúl Dias
"A flor
e a ave!
Uma quieta,
a outra
esvoaçando em redor...
A flor é alacre,
de pétalas vermelhas!
E a ave
prende nas suas penas
irisadas centelhas...
Lembram dois namorados
que o amor
enleia em fina traça...
- Vede
como a ave esvoaça
em torno da flor!"
Saúl Dias
"Encomenda", de Cecília Meireles
"Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
como um vestido de eterna festa.
Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia."
Cecília Meireles
"Beijo", de João de Deus
"Beijo na face
Pede-se e dá-se:
Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
Vá!
Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
Vá!
Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
Vá!
Guardo segredo,
Não tenha medo...
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!
*
Como ele é doce!
Como ele trouxe,
Flor,
Paz a meu seio!
Saciar-me veio,
Amor!
Saciar-me? louco...
Um é tão pouco,
Flor!
Deixa, concede
Que eu mate a sede,
Amor!
Talvez te leve
O vento em breve,
Flor!
A vida foge,
A vida é hoje,
Amor!
Guardo segredo,
Não tenhas medo
Pois!
Um mais na face,
E a mais não passe!
Dois...
*
Oh! dois? piedade!
Coisas tão boas...
Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três!
Três é a conta
Certinho, e justa...
Vês?
E que te custa?
Não sejas tonta!
Três!
Três, sim: não cuides
Que te desgraças:
Vês?
Três são as Graças,
Três as Virtudes;
Três.
As folhas santas
Que o lírio fecham,
Vês?
E não o deixam
Manchar, são... quantas?
Três! "
João de Deus, in 'Campo de Flores'
"Vozes dos animais", de Pedro Dinis
"Palram pega e papagaio,
E cacareja a galinha;
Os ternos pombos arrulham,
Geme a rola inocentinha.
Muge a vaca, berra o touro,
Grasna a rã, ruge o leão
O gato mia, uiva o lobo,
Também uiva e ladra o cão.
Relincha o nobre cavalo,
Os elefantes dão urros,
A tímida ovelha bala,
Zurrar é próprio dos burros.
Regouga a sagaz raposa
(bichinho muito matreiro);
Nos ramos cantam as aves,
Mas pia o mocho agoureiro.
Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar;
Fazem gorjeios às vezes,
Às vezes põem-se a chilrar.
O pardal, daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar:
Como os ratos e as doninhas
Apenas sabe chiar.
O negro corvo crocita,
Zune o mosquito enfadonho;
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.
Chia a lebre, grasna o pato,
Ouvem-se os porcos grunhir;
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.
Bramem os tigres, as onças,
Pia, pia, o pintainho;
Cucurita e canta o galo,
Late e gane o cachorrinho.
A vitelinha dá berros;
O cordeirinho, balidos;
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha vagidos.
A fala foi dada ao homem,
Rei dos outros animais:
Nos versos lidos acima
Se encontram, em pobre rima,
As vozes dos principais."
Pedro Dinis
"Desenho de rapariga", de Saúl Dias
"Corpo suave,
de traços finos,
modelados trinos
ao entardecer...
A linha esguia
que delimita
e acaricia
o braço de ave
é tão bonita...
Suave mulher...
quase criança...
Toda pureza...
- Vede
a beleza
como se enlaça
na sua trança!"
Saúl Dias
"Chuva fina", de Cecília Meireles
"Chuva fina,
matutina,
manselinho orvalho quase:
névoa tênue sobre a selva,
pela relva,
desdobrada, etérea gaze.
Chuva fina,
matutina,
o pardal de úmidas penas,
a folhagem e a formosa
clara rosa,
sonham que és seu sonho, apenas.
Chuva fina,
matutina,
pelo sol evaporada,
como sonho pressentida
e esquecida
no clarão da madrugada.
Chuva fina,
matutina:
brilham flores, brilham asas
brilham as telhas das casas
em tuas águas velidas
e em teu silencio brunidas. . .
Chuva fina
matutina,
que te foste a outras paragens.
Invisível peregrina,
clara operaria divina,
entre límpidas viagens."
Cecília Meireles
Metal Rosicler (1960)
40 anos de sacerdócio. Pe. Francisco Dolores
Caridade e humildade rimam com o Padre
Era uma vez um senhor
Nascido em Santa Maria,
Que veio a ser prior
Porque a Santa assim o queria.
Conquistou sem qualquer luta
Outros ares da Região,
Levanta os braços, em labuta,
Com "armas" do coração.
Se encontra um irmão
Seja em que atitude for
Estende a sua mão
Com a benção do Senhor.
Se o pecado o procura
Recebe dele o perdão
Olha bem a criatura
Sabe ver o coração.
Se existir nos Açores
Um homem deste tamanho
Certamente não é Dolores
Nem terá o seu empenho.
Quando de frente o olhares
E te sentires tremer:
Abre a alma, é só falares,
Que ele vai compreender.
O amor que ele tem a Cristo
Não é feito por medida
E neste verso eu insisto
Que é feito p'la sua vida.
E quando daqui se for
Como vão todos os viventes
Tem a Graça do Senhor
O amor dos que são crentes.
Um doce beijo lhe mando
Neste dia especial
Se de mim se for lembrando
Lembro dele sempre igual.
Deus o proteja e ajude
E a todos à sua beira;
Humildade a maior virtude
Que ele tem quanta queira.
Bem-haja!
Angra do Heroísmo, 2014/04/24
Rosa Silva ("Azoriana")
O valor da vida...
Há males que causam dor,
E a dor mal se suporta;
Também só se dá valor
Quando fecha a última porta.
A vida é para ser gozada
Com bem ou com sofrimento
Mas se se dá má passada
Pode armar-se um pé-de-vento.
Há quem diga que a morte
Para alguns é prematura
Para outros até traz sorte
Nascem elogios em fartura.
O valor de uma vida
Em vida faz pouca vista
Quando chega a partida
A vida valor conquista.
Rosa Silva ("Azoriana")
Feliz Páscoa para todos (e desenho do rosto de Cristo)
Nota: Alusivo à pintura em acrílico s/tela, da autoria de Agostinho Silva, de "Arte por um Canudo" - Parada de Gonta.
Uma faceta
Meu amor teve uma faceta
Que foi minha capital
Ter nascido na Serreta
Foi um lírio especial.
Foi lá que me ri primeiro,
Foi lá que também chorei,
Entre o denso nevoeiro
Foi lá que ressuscitei.
Por isso a bela rosa
No bico de alva ave
No meu peito já repousa
Me fechará sem ter chave.
Adoro as nossas flores
Nas coroas ou nos ramos
São como versos de amores
Que, enfim, por cá deixamos.
Rosa Silva ("Azoriana")
2013/09/28
Abril 2004 - 2014 com o SAPO
Olá amigo "Sapinho"
Eu fui ali sem ofensa
Já não me dás um carinho
Um sorriso de recompensa?!
Olha que estou à espera
De uma visita tua
Já chegou a primavera
Tens mesmo de vir à rua.
Espreita os meus artigos,
Sou uma amiga que tu tens;
Ainda somos bons amigos
Tomas conta dos meus "bens".
Diz ao Pedro e à Equipa
Que te vim cumprimentar
E agarra numa pipa
Vem comigo celebrar.
10 anos é uma vida
A brincar com o "batráquio"
Estou muito agradecida
Por não seres um larápio.
Asseguras a edição,
Dás "template" vez em quando
E quando chegar o verão
Vais com o sol navegando.
Beijinhos te dou agora
Com um sorriso amistoso;
Só desculpo a demora
Se não fores preguiçoso :)
Para teres o nº par
Nesta coisa de cantigas:
Oitava quadra a rimar
Sem te picares nas ortigas.
Rosa Silva ("Azoriana")
Até me lembro dele... o Miguel Azevedo, do Porto das Pipas (10 anos)
É um "vício", sim senhor,
Amigo de longa data,
Parabéns e dou valor
Àquilo que a gente trata.
Tu de carros és famoso
Eu de rimas e afins
Cada um é generoso
Partilhando seus "querubins".
Enquanto a vida for tida
Não há que sair daqui
Se por poucos ela for lida
Uns tantos passam por aí.
Agora para terminar
A lenga-lenga de rimas
Faz favor de continuar
Para os amigos que estimas.
Abraços!
Rosa Silva
Obrigada amigo Fernando Mendonça pelo carinho
Celebra hoje dez primaveras o Blogue da nossa amiga Rosa Silva (Azoriana)! Ora em rima, ora em prosa, tem ido levando, não só às Ilhas, Continente e diáspora, como também a vários cantos do Universo, a beleza dos seus escritos e das suas rimas! Dele saiu um livro, herdeiro que, o há-de recordar e perpetuar ao longo dos séculos!
Parabéns Rosa Silva, parabéns à sua família, parabéns à Freguesia da Serreta por ter sido o berço de tão ilustre conterrânea, parabéns à Senhora dos Milagres por tão dedicada e abençoada paroquiana!
Fernando Mendonça
10° ANIVERSÁRIO DO BLOG AZORIANA
Eis o DIA do décimo aniversário do meu BLOGUE criado a 9 de abril de 2004. Com escritos em prosa e, por preferência, rima, de onde até já se fez livro, foi chegando ao conhecimento da família, amigos e outras paragens mais longínquas, desde que com acesso ao "berço" onde ele nasceu: o SAPO - Serviço de Apontadores Portugueses, com uma equipa sempre pronta a "embalar", digo, a ajudar, a aperfeiçoar e a estimar o que sendo meu/deles passa a ser comunitário.
Chegou o dia! Que a vossa presença, de boa vontade deixe um miminho, em comentário, ao aniversariante.
O agradecimento é a melhor recompensa. Muito obrigada e voltem sempre enquanto a escrita florir.
Abraços e beijos!
10° ANIVERSÁRIO DO AZORIANA BLOGUE
Dez anos duma escritura
Com alguma assiduidade
Deixa de ser aventura
Torna-se uma realidade,
Onde o amor e a cultura
Assumem a identidade.
Natural da ilha Terceira
Num leque açoriano,
Onde reside a padroeira
Da romagem ano-a-ano,
Com orgulho na bandeira
E no ilhéu soberano.
Residente noutro lugar
Que de S. Pedro é ainda
S. Carlos, de nobre altar,
Onde me vi ser bem-vinda,
Continua a inspirar
Uma redondilha infinda.
Venha um dia iluminado,
Venha uma tarde formosa,
Venha a noite pró meu lado
Sonhadora e amorosa
E venha o céu estrelado
Inspirar sempre a Rosa.
Bem-haja a quem quer bem
Ao que se faz por amor
Inspirado por alguém
Que nos faz trilhar valor
Por alma da minha mãe
Que está junto do Senhor!
Rosa Silva ("Azoriana")
Lembrança
No repouso da tarde que finda
Dou por mim a pensar lembrando
No que já foi a minha vinda
A este mundo onde vou passando.
Nas casas de cal tão alvas
Estrado de madeira à janela
Entre cortinas que foram salvas
Para esconder o que se via delas.
Lembro do talhão de águas paradas
Da pia de pedra de bom lavadoiro
E com avental, mangas arregaçadas
Lavando a roupa sem ficar em coiro.
Lembro da fornada de um pão caseiro
Da massa sovada e alcatra boa
De acender o lume para ter braseiro
Pra secar milho e roupa que o mofo apregoa.
Lembro da retrete com tampo em madeira
Lembro da canada cheia de buracos
E de correria naquela ladeira
Tantas vezes com joelho em cacos.
Lembro do Calçado, nosso cão fiel
Que seguia o dono até ao cerrado
E muitas vezes ficou sem farnel
Para guardar algo por lá deixado.
Lembro da vaca guiada por mim,
Para fazer o rego sempre a direito
E o meu pai atrás, sempre foi assim,
Cuidando para ter serviço bem feito.
Lembro da enxada na mão com calor
Para a sachadela que tinha de ser
E da desfolhada feita com rigor
Para galo e galinhas terem que comer.
Lembro do taleigo que ia ao quadril
Para o moinho movido a vento
Ou numa engrenagem que era subtil
Do milho a farinha para o sustento.
Lembro de ir à venda comprar a retalho
Sem carro a motor nem sequer carroça
De chegar a casa e ter mais trabalho
Nesse tempo as dores não faziam mossa.
Lembro de usar a boa forquilha
Dar milho para a "burra" alta,
Sempre achei aquilo uma maravilha
Mas hoje não lhe sinto a falta.
E tanto que não conto agora
Sei que o passado fica para trás
Hoje ninguém quer lembrar de outrora
Quer tudo feito sem ver como se faz.
Rosa Silva ("Azoriana")
Quero pintar...
O bom dia de amarelo
O amor de encarnado
E de verde mais singelo
Cada erva do meu prado.
A tarde de bom laranja
A noite algo cinzenta
De branco alguma franja
Que no cabelo rebenta.
O mundo de tom castanho
A terra de azul marinho
O mar no que desenho
É sempre com mais carinho.
A lua terá só brilho
O sol uma claridade
Uma estrela em cada filho
Da minha sensibilidade.
Dou o retoque final
Ao quadro de uma vida
Com lilás para mim igual
À minha ilha querida.
Penduro junto à cama
A pintura que eu sonhei
Para ver como quem ama
O sonho que desenhei.
Rendida à tela de calma
De cores frias e quentes
No fundo vejo uma palma
De cores que não disse antes.
A palma vejo como um lírio
Na moldura de uma graça,
Que não me causa martírio
No desenho que me abraça.
Rosa Silva ("Azoriana")
A melodia das águas
Ouvem-se à volta da ilha
Melodias de encanto
Com a clave da partilha
Semeia o verso que canto.
Meu amor p'la redondilha
Extravasa o meu espanto
Pelo verso que mais brilha
Se ao nascer dele gosto tanto.
Solfejo primaveril
De águas de ilhéu somente
Retalhos de lusa gente.
Correm doces águas de abril
Pelos campos a cantar
Unindo o refrão no mar.
Rosa Silva ("Azoriana")
Nota: Escrito enquanto via excertos de videos de Nuno Rocha, "Touros & Touradas", num canal televisivo.
2014/04/05
De José Fonseca de Sousa e esposa
Sinceros parabéns, meus e de minha esposa
para: Rosa Maria Silva “Azoriana” - 1 de Abril, dia de
aniversário
Meio século é passado
Na vida da Rosa Maria
Do melhor, ela tem dado
Ao “mundo” da Poesia.
Seus versos são alimento
P´rós famintos de cultura
Verseja com sentimento,
Amor, carinho e ternura.
A ela devemos estar gratos
Por ser Poetisa de primeira
Pois, em verso, faz belos “retratos”
Da sua ilha Terceira.
Parabéns lhe queremos dar
Por este dia especial
E também lhe desejar
Poesia: “colossal”.
José Fonseca de Sousa
e Guiomar Sousa
Lisboa, 1-4-2014
Petas & Emoções
Toda, ou quase toda a gente sabe que estou atenta aos aniversários. Apenas escapam os que eu não sei ou desconheço o dia. Hoje é o dia de Petas e do meu aniversário. Estou feliz por ter recebido um leque de parabéns dos parentes e amigos. Aos poucos irei partilhar o que me foram dando por mensagens maravilhosas. Agradeço do fundo do coração as vossas palavras amistosas.
Felizmente cheguei aos cinquenta. Uma proeza que tinha receio de tocar. Há quem não consiga esta faixa etária por isso dou-me por feliz.
E para já partilho uma quadra que me tocou a alma:
"Das coisas que fez mais giras,
A sua mãe, desejosa,
Quis no dia das mentiras
dar à luz bonita Rosa!"
Quadra da autoria da boa amiga, Clarisse Barata Sanches, que merece todo o meu carinho e amizade.
Brevemente destacarei outros versos recebidos. Parece que sabem como me emocionar.
Beijos
Rosa Silva ("Azoriana")
