"Chuva fina,
matutina,
manselinho orvalho quase:
névoa tênue sobre a selva,
pela relva,
desdobrada, etérea gaze.
Chuva fina,
matutina,
o pardal de úmidas penas,
a folhagem e a formosa
clara rosa,
sonham que és seu sonho, apenas.
Chuva fina,
matutina,
pelo sol evaporada,
como sonho pressentida
e esquecida
no clarão da madrugada.
Chuva fina,
matutina:
brilham flores, brilham asas
brilham as telhas das casas
em tuas águas velidas
e em teu silencio brunidas. . .
Chuva fina
matutina,
que te foste a outras paragens.
Invisível peregrina,
clara operaria divina,
entre límpidas viagens."
Cecília Meireles
Metal Rosicler (1960)
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"Chuva fina", de Cecília Meireles
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