Quero morrer descansada
Para não ser atormentada
Com as siglas do cardápio
Todos tem direito à vida
E à hora da partida
Parte o bom e o larápio.
Cada cama que se faz
De certeza a alguém traz
As contas do seu rosário
A balança pesa amor
O ódio, a paz e a dor
O bem e o adversário.
Há quem siga alegre, a vida
Seja curta ou comprida
Saltitando na doutrina;
E há quem se leve à risca
Nem se lesa ou arrisca
A sair da onda fina.
Todos tem o mesmo fim
Cobertos de erva ruim
No castelo de ossada
Se florir alma de ouro
Foi esse o maior tesouro
Da sua meta alcançada.
Haverá alguém pra me dizer
Se o outro lado foi ver
Em sonhos ou acordado?!
Minha sincera opinião
É no íntimo do coração
Que o tal lado é revelado.
E também na consciência
Que se alia à ciência
Para dar resposta e prova
No fundo ninguém cá fica
Seja pobre ou seja rica
Seja velha ou seja nova.
Veio a dúvida nesta hora
Que por vezes me devora
Traz-me alucinações
Porque o medo todos temos
Sem saber o que obtemos
Na esquina das aflições.
Desde já abraço o Perdão,
Para dar ao meu irmão
Ou a quem ofendi mais;
Podem crer que sinto medo
De entrar naquele enredo
Clave de ouro dos finais.
Que eu (e mais) ouça os sinos
Com os cânticos divinos
Em melodia suave;
Que eu (e mais) veja a Deus
Perdoando os erros meus
Salvos pela boa chave.
Se me achares enfadonha,
De lamúrias, sem vergonha,
Pensa e guarda para ti;
Sei que pensarás igual
Qual “pedra filosofal”
Que adoro e já ouvi.
Sou eterna sonhadora
Na vida de lutadora
Com os sonhos de criança;
Se não sonhas é uma pena
Não tenhas alma pequena
Não percas a esperança!
Se por vezes cabisbaixa
Com o rosto numa caixa
Fugindo da claridade
É por ser da raça humana
Cem por cento açoriana
De bruma e humidade.
Se as nuvens acinzentadas
Pincelaram as passadas
No basalto da ventura…
É por ser de carne e osso
De ter tido ao pescoço
Uma prenda de ternura.
Amei a Virgem Maria
Minha doce companhia
Que não tem fim nem idade;
Minha paixão é Seu rosto
Ora triste ou bem-disposto
Montra da comunidade.
Quase, quase a terminar
Só no fim eu vou contar
Quantas sextilhas inspira
O toque no coração
De quem não tenho visão
Mas está sempre na mira.
Seu nome não vou dizer
O respeito pode ser
Uma palavra dourada;
Quem parte deixa saudade
Mas com gosto me invade
Com doce rima adorada.
Angra do Heroísmo, 16-01-2014
Rosa Silva (“Azoriana”)
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