Viver a vida (feliz)


 


Eu já não fico contente
Com a mudança de ano
Ao crescer o ano à gente
Mais se avista o negro pano.

Tenho pena de assim ser
Mas este é nosso destino
Ir por anos a crescer
Até se dar o repentino.

Já sinto a nostalgia
Do fim que se aproxima
Da fuga para terra fria.

Onde vou ninguém me diz
Mas enquanto soprar a rima
Hei de assim viver feliz.

Rosa Silva ("Azoriana")

Retrospetivando

Sentada no mural duma palavra
Enquanto a nostalgia dilacera
Eis que a rima se me lavra
Sem que a deixe ficar à espera.

E a frase surge, se deslavra,
Como casta flor de primavera,
Na folha que aceita a palavra
Do cerne sem estrofe severa.

Rasgam-se os papéis amarfanhados
Para dar lugar a novas molduras
Sem conter rostos nem doutas figuras.

No timbre da palavra os costumados
Louvores à bravura de uns ilhéus
Lembrando dos seus dourados troféus.

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Nota: Talvez seja o último do ano que está mesmo a tocar o mural da mudança. That's almost the last one! [O penúltimo de dezembro de 2013]. Absorta em mil pensamentos, eis que acodi a um: vasculhar o que havia escrito nos princípios de cada mês, ao longo de 2013. Comecei por "estacionar" no artigo datado de 02-01-2013, cujo título apetece repetir: That's the first one! [O primeiro deste janeiro de 2013], onde entre prosa e rima, ressalta a listagem retrospetiva do ano de 2012.

Hoje, trinta de dezembro, apeteceu-me, como que numa imitação e viagem pessoal, e resolvo listar a publicação articulada na escrita mensal estendida pelos primeiros dias do ano que agora cumpre a sua meta. É difícil a escolha, sendo a própria. A ver vou e eis que surge um mapa/2013, de consulta, para lembrete futuro.


 



janeiro Jóia do mar, redondilha...
fevereiro Antevendo o Carnaval (sem vírgulas nem pontos); Graças a uma fotografia de José Sousa, de São Bento - Angra do Heroísmo
março 1 de Março (do Flores "grande");
Ma-til-de = mãe (o significado do nome é simplesmente mãe)
abril Carta ao meu 4º filho (o Blog) de 9 anos
maio Tribuna do 1º de maio;
Viver para Servir, um Amigo sem fronteiras
junho "Percurso de uma vida" - o dia seguinte
julho Aos meus amores;
Olavo Esteves Competições - Festa da Cantoria 2013
agosto 31-07-2013 Entrevista in Rádio Azoresglobal: "Um Abraço de Poesia" à quarta-feira
setembro Festas de NOSSA SENHORA DOS MILAGRES - SERRETA 2013;
Luís Bretão - UMA HOMENAGEM (em livro)
outubro Versos ilhéus;
Definição de Azoriana e LOBOS, na Serra da Ribeirinha;
Uma imagem (repetente) com palavras (repentistas)
novembro A OSIT no CCCAH e a orquestra alemã «Blaswerk Leipzig»
dezembro Recordar é lembrar do que é seu...;
29-12-2013: Recordações quem as não tem!?

29-12-2013: Recordações quem as não tem!?

Lembro o tempo de menina
São tempos que já lá vão
Quando eu era cristalina
Pura e simples de coração.

Os "titios", primos segundos,
Pla minha parte materna,
Quatro irmãos não fecundos,
Com uma bondade terna.

Um casou na dura idade
Sem filhos, só com sobrinhos,
Tive por ele muita amizade
Dele recebi carinhos.

Duas irmãs e outro irmão,
Por "Chico", a gente chamava,
Tímido de bom coração
Que tudo por nós ele dava.

A Maria era a mais bondosa
A Alexandrina a que findou
Uma geração silenciosa
Daquilo que se passou.

Órfãos de mãe muito cedo,
Aos cuidados do seu pai,
Mas nunca tiveram medo
Da sorte que a todos sai.

Trabalharam e ensinaram
Muita coisa que eu fixei
E com eles também levaram
Tudo aquilo que amei.

Lindas ameixas roxas,
Tinham numa ameixieira,
Framboesas pareciam trouxas
Num silvado à sua beira.

Fatias de pão caseiro
Com bom doce de amora
Bela casa com braseiro
Que a mente não ignora.

Um curral para as galinhas,
Com seu galo pra Matança;
Sempre um copo prás vaquinhas
Que na mesma hora avança.

Não havia outra fervura
Ia em direto para a boca
Tal leite era uma doçura
Que sabia sempre a pouca.

Passei tempos ao seu lado
Tardes longas de afeto
Até o pano remendado
Aprendi sob o seu teto.

Agulha e linha d'algodão
Alva naquele pano branco
Era a melhor lição
Que nem precisava de banco.

Na cama onde dormiam
As duas irmãs amigas
Que tanto me conheciam
Por mim tiveram fadigas.

Quando a noite tombava
As horas de maior brilho
Ao colo, coberta, voltava
Sempre pelo mesmo trilho.

A primeira a falecer
Plantou-me uma agonia
Mais eu não pude fazer
Pela bondosa Maria.

Dimas Lopes a visitou
Mas não houve cura então
Do Hospital só voltou
Para a frieza do chão.

Mais tarde foram os manos,
Já tinha eu outra morada,
Eram bons seres humanos
Que no céu deram entrada.

Alexandrina, mãe de Crisma,
Que me fazia chorar
Por no fim ter uma cisma
Do passado ressuscitar.

Foi-se sem me despedir
Nem lhe dar mesmo amor
Lembro dela a sorrir
E a dar-me tanto valor.

As "sobrinhas" para ela
Eram o seu património;
Tantas vezes à janela
A rezar a Santo António.

Talvez pedindo pra lhe dar
De volta as suas meninas
Que andavam a brincar
Rindo, rindo, cristalinas.

A saudade hoje perdura
Dos passeios feitos a pé
De ir buscar folhas e verdura
Pra Jesus, Maria e S. José.

O seu beijo era doce
Como doce é a lembrança
Quem dera que não se fosse
O tempo que não se alcança.

Digo com sinceridade
Que vivi a melhor parte
Do tempo de mocidade
Sem saber se tinha arte.

Hoje sei que eu a tinha
Bordada de letras de ouro
E que hoje ela vinha
Construir este tesouro.

A hora é especial
O minuto nos dá rigor
2013 no final
Pra louvar este AMOR.

Louvo a outra geração
Que me ensinou a trilhar
Toda a grande admiração
Que hoje estou a partilhar.

Amem muito os ascendentes
Mesmo os que já partiram
Raízes sempre diferentes
Que em suma nos construíram.

Se contares estas rimas
E te derem número par
Vais saber quem mais estimas
Quando saíres do teu lugar.

29 de dezembro de 2013
Rosa Silva ("Azoriana")

O fim do ano se aproxima...


 


Figuras do presépio

Menino Jesus, Maria, S. José, Anjo Gabriel, os reis magos: Baltazar, Belchior e Gaspar; a vaca, o burro e a ovelhinha.


Ontem (26-12-2013) pasmei a olhar uma montra de uma loja da nossa mui nobre e leal cidade de Angra do Heroísmo. O que vi?

As figuras tradicionais do presépio de Belém, em formato avantajado deslumbrante. Nem vasculhei o custo de tal série figurativa mas a ver por outras que a ladeavam e também animavam o olhar dos transeuntes, seria um valor impensável neste momento.

Sinceramente é de admirar profundamente estas figuras que de tão bem executadas, tão lindas, atraem a vontade de as levar para o lar e coloca-las em lugar privilegiado com direito a ser visitado regulamente. Mas como adquirir tal engenho e arte?! Como?! Fico pelo sonho e pelo desejo que são as manchetes do dia-a-dia.

Vou permanecer com esta pena o resto dos dias que me são doados para me entregar a coisas reais e palpáveis… Mas que é uma pena… é mesmo uma pena…

Limpezas e arrumações de fim de ano

Escusado será dizer (porque certamente é hábito de mais pessoas) que ao aproximar-se os últimos dias do ano sou dada a limpezas e arrumações para que nada fique desarrumado de ano para ano. Vejam lá se fica bem uma blusa suja de 2013 para 2014?! Uma toalha espalhada, um pano à revelia, um prato com alguns restos, uma gaveta revirada, um chão com migalhas, etc. Sou assim e tenho essa mania que tento cumprir nesta época para me sentir livre e feliz na abertura da janela a novo ano.

Votos meus

Que todos tenham boas entradas e que se aguentem sempre com quaisquer intempéries normais e as que nos surpreendem.
Há que dar as mãos e continuar com a solidariedade e partilha que nos são peculiares.
Há que conter os luxos e abrir mãos do que gostamos mas não faz falta.
Há que sorrir mesmo que por dentro haja uma sombra negra a provocar a caída de alguma lágrima teimosa.
Há que ser forte mesmo que a fraqueza paire no físico e no mental.
Há que amar… Amar é tão bom: dar e receber um abraço, um beijo, um aperto de mão, um aceno feliz mesmo que alguma dor seja persistente.
Há que aproximar mais dos que nos são queridos e precisam nem que seja do consolo de uma palavra amiga ou de um tempo para ouvir o que nos tem a dizer.
Há que ser tolerantes perante alguma adversidade maior.
Há que espreitar os gráficos da saúde e os remédios para alguma enfermidade permanente ou temporária.
Há que falar sincera e eficazmente com quem temos ao lado para evitar silêncios demasiado duradouros.
E, finalmente, sejam felizes o melhor que puderem. Entre o mal e o bem escolha-se sempre e ajuizadamente o BEM.

BOM ANO 2014 PARA TODOS!
Angra do Heroísmo, 27 de dezembro de 2013.
Rosa Silva (“Azoriana”)

Pai Natal muito generoso...


 


Foi um Tablet... Não esperava tal prenda, aliás nem contava com qualquer prenda... A felicidade deve ter brilhado bastante no meu olhar que se surpreendeu ao cubo.

Foi mesmo um gesto bonito e agradeço muito ao "Pai Natal" Pipoca... Como também agradeço muito aos irmãos e restante família pelas prendas que me deram.

Família, amigos e todos(as) os(as) que por aqui passarem...

Para uma amiga do Continente, de Góis - Coimbra

Boa amiga Clarisse Barata Sanches,

Esta carta que lhe escrevo
No dia da Consoada
É por achar que lhe devo
Uma palavra dedicada.

Querida amiga do bem,
Dos louvores e da virtude,
Seja esta data também
Para si de muita saúde.

Que o Menino de Belém
Lhe aqueça o coração
Sorria como convém
A todo o povo cristão.

Um abraço de amizade
Muito forte, apertado,
Para uma amiga que há de
Estar sempre do meu lado.

Feliz Natal e um Ano com melhores condições de subsistência.
Um beijinho para si e outro para a Judite.

Rosa Maria Silva

Presente de Luz



PRESENTE DE LUZ

O Natal seja dourado
Não de cousas, só de amor
De alegria iluminado
Pela Graça do Senhor!

Noite linda, céu estrelado,
Muito frio, luz, fervor:
Jesus, Maria e ao lado
S. José, seu protetor.

Nós vemos a grande fé
Que vem dos tempos d'além
Do presépio de Belém.

E a Estrela que bela é
Espelhando a claridade
No regaço da amizade!

Rosa Silva ("Azoriana")

O Natal é estar feliz

Meus amigos hoje fiz
Uma velha descoberta
O Natal é estar feliz
Mesmo se a "dor" aperta.

Digo "dor"porque a saudade
É a dor intermitente
Que se prende à amizade
Que se tem pelo ausente.

Para toda a família
Da parte de pai e mãe
Sejam felizes cada dia.

Mando um apertado abraço
A todos que quero bem
Os heróis do meu regaço.

Rosa Silva ("Azoriana")

Corrida

Da ilha Terceira, Açores
Prá Madeira e Continente
Um abraço de louvores
Extensivo a toda a gente.

Domingo quase no fim
Dezembro pra lá caminha
Uma correria assim
Noutra idade eu não tinha.

Na infância cada hora
Levava uma eternidade
Depois pela vida fora
Percebi a velocidade.

Quando enfim sou feliz
Há uma louca magia
Parar o tempo já quis
Ou então prender o dia.

Mas não dá, nem se engana
O rumo desta corrida
Vem aí nova semana
Que haja saúde e vida.

Porque a doença nos trava
A dor também nos atalha
Só a saúde desbrava
O valor pra quem trabalha.

Boa noite e boa semana!
Rosa Silva ("Azoriana")

Feliz Natal

O presépio universal
É um brilho de emoções.
Que a Santa Paz do Natal
Ilumine os corações.

A semana do Advento
Se partilhe com alegria
À Festa do Nascimento
Do Menino de Maria.

Único com pai depois
Porque antes foi só Deus
Que é Pai de tantos sóis.

Maria foi a Mãe pura
Virgem Mãe dos versos meus
E Rainha da ternura.

Rosa Silva ("Azoriana")

Sonho maternal

No leito da madrugada
De um domingo do Senhor
Acordo... estou inspirada
A louvá-lo com fervor.

Noite feliz... 'tou acordada
Plo sonho madrugador;
Mais uma folha virada
Mais uma linha de Amor.

Amor pelo que Deus dá
Sem ser preciso pedir
Como uma rosa a florir...

Amor ao amor que há
Ao melhor bem que se tem:
Que é o dom de ser Mãe!

Rosa Silva ("Azoriana")

P.S. Aos meus filhos que são o meu Natal. Beijos

Tempestade

Perdida em mim soluça a noite sem luar
O grito do vento castiga o sonho manso
A alma esvoaça sem nada alcançar
Perdida sem mim nem o corpo descanso.

Que a noite serene ante tanto amordaçar
Na palpebra fria que do frio alcanço;
Que a raiz se coloque no seu lugar
E deixe florir os caules do seu avanço.

É fria a brisa louca que não se cala
E faz-se ilha vã vestida de luto
Num casebre livre quase em absoluto.

Dançam as palavras que a voz embala
Cresce a solidão das verdades sãs
Cresce-me o tédio sem sol das manhãs.

Rosa Silva. ("Azoriana")

2013/12/08: Senhora da Conceição, rogai por nós!


 

Hoje dia da Imaculada Conceição
Uma vela azul acendemos
Símbolo do culto e devoção
Que nós cristãos por Ela temos!

 

Fernando Mendonça

 


Excelente o contributo
Que a sua quadra tem
Para a Mãe que deu o fruto
Que a todos quer tanto bem


 


Mãe querida imaculada
Símbolo da conceção
Padroeira tão adorada
Senhora da Conceição!


 


Nossos versos sejam flores
Para o Altar de Maria
Escrava das sete dores
E a nossa estrela-guia.


 


Rosa Silva ("Azoriana")


Filarmónica Recreio Serretense comemorou o 140º aniversário



 


DEDICATÓRIA DE ANIVERSÁRIO
Filarmónica Recreio Serretense

A Rosa Silva vos manda
Os sinceros parabéns!
És maravilhosa Banda
140 anos tens.

Foi a 4 de dezembro
De 1873
Essa data hoje relembro
Com louvores mais uma vez.

E hoje há comemoração
Na vossa Sociedade;
Bem-haja de coração
A toda a comunidade!

A família serretense
Honra a Virgem Maria
E a Banda que lhe pertence
Desde o seu primeiro dia.

Minha alma se inflama
Por da Serreta eu ser
E ser mãe de quem vos ama
E à Banda pertencer.

Homenagem eu vos faço
Pelo tempo já passado
Recebam forte abraço
Por cada antepassado.

Meu avô também tocou
Minha mãe vos adorava
E na geração legou
Tudo o que ela mais amava.

Viva, viva toda a gente
Que se empenha nessa ação
Dou louvores ao seu regente
P'lo valor e dedicação.

7 de dezembro de 2013
Rosa. Silva ("Azoriana")

Hoje deu-me para isto...

Boneca de trapos


 


Neste ano sou pequenina
Comi a sopa da panela
Bebi água cristalina...
Quero uma boneca bela.


 


De trapos e com um sorriso,
Que tenha a barriga cheia;
Mais fome não é preciso
Para não falhar a ideia.


 


Num embrulho todo em prata
Dentro talvez duma lata
Do leite de antigamente.


 


Juro que dela vou cuidar
E também vou estimar
O Natal do meu presente.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

Recordar é lembrar do que é seu...

Carlos Cândido e neto


Sempre que me lembro dele, e hoje em especial, vem-me à ideia o cheiro a mar, o peixe que fazia a delícia do seu paladar e as espinhas saíam da refeição todas limpinhas e nem uma migalha de peixe se perdia no prato dele. Meu pai! Carlos Cândido nasceu a 2 de dezembro de 1929. Hoje, se fosse vivo e estivesse entre nós, comemoraria os seus oitenta e quatro anos. Foi-se com apenas 71, em fevereiro de 2001. Tanta coisa ficou por dizer-lhe e outras tantas por fazer. Enfim, que nós, as descendentes e seus netos continuemos a lembrar das datas mais queridas e esta, do aniversário, sempre foi muito querida e lembrada com os festejos que se podiam.

Esteja onde estiver há de haver sempre quem se lembre deste dia e do homem de trabalho que ele era...