Caem-me letras esguias, quadradas, obtusas no parapeito da imaginação e deixo-me encantar por um punhado de estrofes que delineiam a minha escrita que, por vezes, me parece muda, cega e alheia a muitos e bons olhares.
A minha escrita retrata-se em embalagens de anti-qualquer-coisa que venha para amedrontar o percurso vivente. Não deixo crescer as unhas no sentido de evitar que os espaços, os riscos, os traços venham enfeitar a escrita que, por si só, já se enfeita de pensamentos imaginados e não praticados.
Há unhas que despedaçam a escrita de tal forma que o que devia ser tido como uno acaba por duplicar a existência de atos, medidas e contas. Há unhas que de tão belas e vistosas acabam por atrair olhares que se perdem ao fim do conhecimento intrínseco de quem as usa. Há unhas que são autênticos manequins ambulantes e que, ao serem confrontadas com a rudeza da vida, acabam por estalar o verniz.
Mas que falem as manicures, as pédicures e outras “cures” da escrita rasgada pelos timbales do desassossego. O que fazer da minha escrita desobrigada?! Talvez deixá-la voar por aí ao encontro de outras tantas linhas eruditas que, no meu fraco entender, pecam por oclusão, tal como alguns dos meus artigos prosaicos. A rima, quando me bateu à porta do cérebro, veio trazer-me o balsamo para a alma inquieta, sofrida e ressuscitada para o caderno das emoções.
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Uma pessoa que bem sabe ler
ResponderEliminarNao precisa virgula nem nada
É come aquela que quer comer
Mas nao quer comida mastigada
Me custa tanto para escrever
Para mim é uma massada
Deixo as virgulas para alguem fazer
Alguem que nao quer fazer nada
Porque aquele que sabe ler
Sabe onde deve ser colocada
Eu nao sei o que se passa
Corrigem-me se estou enganado
Mas ha aquele que nem de graca
Ele se esforca a dizer obrigado
Caro amigo ainda bem
ResponderEliminarQue voltaste sem temer
Pois a vírgula é pra quem tem
Pouco ou nada que fazer.
A vírgula quando manqueja
Ou falha nalgum lugar
Não quero que ninguém seja
Obrigado a se afastar.
A vírgula e mais o ponto
Dizem que mais abrilhanta
A escrita que aponto
Mas não prá voz que a canta.
O cantar vai a compasso
Não tem vírgulas e pontos
Tem o tom e o espaço
E esses não vão em contos.
Volte sempre, caro amigo,
Isto aqui é universo
Do novo e do antigo
Canto que se faz em verso.
Um abraço nesta hora
Que uma pausa se fez
Certamente não demora
Cá voltará outra vez.
Rosa Silva ("Azoriana")
O VALOR DE PONTOS E VIRGULAS
ResponderEliminarEu ja te disse o Dona Rosinha
Mas tu nao queres nisto crer
Que o meu nome é uma casinha
Onde bem me posso esconder
O meu verso ja esta pronto
E ja o estou a publicar
Sem virgula e sem ponto
O importante é consoar
Dizem que a virgula no lugar
Que a escrita abrilhanta
Mas quem para ela olhar
Perde a parte que encanta
Nao digo que virgulas e pontos
Nao sao coisas importantes
Sao como vales e montes
Com todos os seus encantes
Tu me chamas teu amigo
O rimar foi nosso berco
Aqui a rimar contigo
Até da gosto fazer verso
Uma coisa que nunca gostei
Foi fazer alguem esperar
Por isso a resposta ja te dei
Agora eu ja posso descancar
E tambem agora ja sei
Que tu é que vais voltar
Se estas quadras nao combinam
Com aquelas que tu fizes-te
Virgulas e pontos nao rimam
Mas nas tuas quadras puses-te
Ora cá estou então
ResponderEliminarSempre pronta a responder
Com a virgula no chão
O verso vem a correr.
O Mintoco tem rapidez
Na rima e no regresso
Por mim mais que uma vez
Pausei e não fiz sucesso.
Ao trabalho eu me reservo
Grande parte do meu dia
À noite então preservo
O lugar para a magia.
A magia da escrita
Com o canto investido
Torna a noite bonita
Torna o serão mais querido.
Mas se a minha resposta
Peca por seguir tardia
O que vês aqui exposta
É feita sem grande agonia.
Tuas quadras ou sextilhas
Agradeço de coração
São flores como as ilhas
Que nos dão a inspiração.
A VIRGULA QUE NAO TEM FIM
ResponderEliminarUma virgula e um ponto
As vezes é preciso fazer
Mas quando so faz monte
Meu tempo nao quero perder
Sei que na minha rapidez
Nao disse tudo o que queria
Mas fica para outra vez
Roma nao se fez num dia
Ha pessoas que fogem ao trabalho
E outras que o trabalho foge delas
E ha algumas que tomam um atalho
Quando sabem que vamos velas
Se cantas de coracao
Nao precisas usar magia
Porque isto é uma inspiracao
Que esta ligada a cantoria
Gosto de saber que nao tens pressas
Quando respondes as minhas quadras
So mostra que te interessas
Em saber se estao bem rimadas
E certamente que eu preciso
Pois ainda nao tenho madrinha
Mas qualquer dia eu te aviso
Se tu queres ser a minha
Eu ja tinha visto sestilhas de seis
Mas nunca sestilhas dobradas
Fizeste-as com as tuas leis
E com as tuas leis serao chamadas