O que dizer da minha escrita?!

Caem-me letras esguias, quadradas, obtusas no parapeito da imaginação e deixo-me encantar por um punhado de estrofes que delineiam a minha escrita que, por vezes, me parece muda, cega e alheia a muitos e bons olhares.

A minha escrita retrata-se em embalagens de anti-qualquer-coisa que venha para amedrontar o percurso vivente. Não deixo crescer as unhas no sentido de evitar que os espaços, os riscos, os traços venham enfeitar a escrita que, por si só, já se enfeita de pensamentos imaginados e não praticados.

Há unhas que despedaçam a escrita de tal forma que o que devia ser tido como uno acaba por duplicar a existência de atos, medidas e contas. Há unhas que de tão belas e vistosas acabam por atrair olhares que se perdem ao fim do conhecimento intrínseco de quem as usa. Há unhas que são autênticos manequins ambulantes e que, ao serem confrontadas com a rudeza da vida, acabam por estalar o verniz.

Mas que falem as manicures, as pédicures e outras “cures” da escrita rasgada pelos timbales do desassossego. O que fazer da minha escrita desobrigada?! Talvez deixá-la voar por aí ao encontro de outras tantas linhas eruditas que, no meu fraco entender, pecam por oclusão, tal como alguns dos meus artigos prosaicos. A rima, quando me bateu à porta do cérebro, veio trazer-me o balsamo para a alma inquieta, sofrida e ressuscitada para o caderno das emoções.


 




Caderno das emoções


Nas marés do meu viver
No rescaldo da paixão
Dei comigo a conviver
Com a rima da emoção.

Meia volta, volta e meia
Dou comigo marulhada
E se estou em maré cheia
A rima salta do nada.

E seu salto não me sai
Até me faz sentir bem
[Tenho o mar como meu pai
E a terra por minha mãe.]

Terra e Mar enamorados
Nas linhas da emoção
E em mim sempre ancorados
Rascunhos do coração.

Rosa Silva ("Azoriana")



5 comentários:

  1. Uma pessoa que bem sabe ler
    Nao precisa virgula nem nada
    É come aquela que quer comer
    Mas nao quer comida mastigada


    Me custa tanto para escrever
    Para mim é uma massada
    Deixo as virgulas para alguem fazer
    Alguem que nao quer fazer nada
    Porque aquele que sabe ler
     Sabe onde deve ser colocada


    Eu nao sei o que se passa
    Corrigem-me se estou enganado
    Mas ha aquele que nem de graca
    Ele se esforca a dizer obrigado

    ResponderEliminar
  2. Caro amigo ainda bem
    Que voltaste sem temer
    Pois a vírgula é pra quem tem
    Pouco ou nada que fazer.

    A vírgula quando manqueja
    Ou falha nalgum lugar
    Não quero que ninguém seja
    Obrigado a se afastar.

    A vírgula e mais o ponto
    Dizem que mais abrilhanta
    A escrita que aponto
    Mas não prá voz que a canta.

    O cantar vai a compasso
    Não tem vírgulas e pontos
    Tem o tom e o espaço
    E esses não vão em contos.

    Volte sempre, caro amigo,
    Isto aqui é universo
    Do novo e do antigo
    Canto que se faz em verso.

    Um abraço nesta hora
    Que uma pausa se fez
    Certamente não demora
    Cá voltará outra vez.

    Rosa Silva ("Azoriana")

    ResponderEliminar
  3. O VALOR DE PONTOS E VIRGULAS


    Eu ja te disse o Dona Rosinha
    Mas tu nao queres nisto crer
    Que o meu nome é uma casinha
    Onde bem me posso  esconder


    O meu verso ja esta pronto
    E ja o  estou a  publicar
    Sem virgula e sem ponto
    O importante é consoar


    Dizem que a virgula no lugar
    Que a escrita abrilhanta
    Mas quem para ela olhar
    Perde a parte que encanta


    Nao digo que virgulas e pontos
    Nao sao coisas importantes
    Sao como vales e montes
    Com todos os seus encantes


    Tu me chamas teu amigo
    O rimar foi nosso berco
    Aqui a rimar contigo
    Até da gosto fazer verso


    Uma coisa que nunca gostei
    Foi fazer alguem esperar
    Por isso a resposta ja te dei
    Agora eu ja posso descancar
    E tambem agora ja sei
    Que tu é que vais voltar


    Se estas quadras nao combinam
    Com aquelas que tu fizes-te
    Virgulas e pontos   nao rimam
    Mas nas tuas quadras puses-te


     







    ResponderEliminar
  4. Ora cá estou então
    Sempre pronta a responder
    Com a virgula no chão
    O verso vem a correr.

    O Mintoco tem rapidez
    Na rima e no regresso
    Por mim mais que uma vez
    Pausei e não fiz sucesso.

    Ao trabalho eu me reservo
    Grande parte do meu dia
    À noite então preservo
    O lugar para a magia.

    A magia da escrita
    Com o canto investido
    Torna a noite bonita
    Torna o serão mais querido.

    Mas se a minha resposta
    Peca por seguir tardia
    O que vês aqui exposta
    É feita sem grande agonia.

    Tuas quadras ou sextilhas
    Agradeço de coração
    São flores como as ilhas
    Que nos dão a inspiração.

    ResponderEliminar
  5.                  A VIRGULA QUE NAO TEM FIM


    Uma virgula e um ponto
    As vezes é preciso fazer
    Mas quando so faz monte
    Meu tempo nao quero perder


    Sei que na minha rapidez
    Nao disse tudo o que queria
    Mas fica para outra vez
    Roma nao se fez num dia


    Ha pessoas que fogem ao trabalho
    E outras que o trabalho foge delas
    E ha algumas que tomam um atalho
    Quando sabem que vamos velas


    Se cantas de coracao
    Nao precisas usar magia
    Porque isto é uma inspiracao
    Que esta ligada a cantoria


    Gosto de saber que nao tens pressas
    Quando respondes as minhas quadras
    So mostra que te interessas
    Em saber se estao bem rimadas


    E certamente que eu preciso
    Pois ainda nao tenho madrinha
    Mas qualquer dia eu te aviso
    Se tu queres ser a minha


    Eu ja tinha visto sestilhas de seis
    Mas nunca sestilhas dobradas
    Fizeste-as com as tuas leis
    E com as tuas leis serao chamadas

    ResponderEliminar

Obrigada pela visita! Volte sempre!