Não se olhe para trás
Quando pela nossa frente
Vem um tempo que é capaz
De mudar o tempo à gente.
Rosa Silva ("Azoriana")
in «A poucos passos...» (confirme, por favor)
Angra do Heroísmo, 29/12/2011
Não se olhe para trás
Quando pela nossa frente
Vem um tempo que é capaz
De mudar o tempo à gente.
Rosa Silva ("Azoriana")
in «A poucos passos...» (confirme, por favor)
Angra do Heroísmo, 29/12/2011
O pai natal, que este ano até tinha a saca murcha de prendas, deixou ficar as barbas que se prenderam ao rosto do dia que alastra em Angra e, quiçá, arredores e mais além (diga-se um nevoeiro atroz que nem se vê um boi à frente). No além é que anda toda a gente porque as conversas trazem sempre um “Valha-nos Deus!” e, já agora, a santa Engrácia. Pena que as carteiras estejam a abarrotar de sonhos e vazias de realidades. Eu que o diga. E até que não me devia queixar, ou melhor, já me queixo desde que saí das saias da mãe e dos berros do pai perante coisas que não lhe enquadravam, na sua maneira de ver e de criação. Hoje não há nem maneiras nem criação que aguentem o que por aí vai ou vem. Não vale a pena é muitos queixumes porque o acordo ortográfico veio para os tirar. Quanto menos “se” (s) e “c” (s) houverem melhor. Contentemo-nos ou deitemos as barbas de molho, para quem as têm em boa medida, ou, ainda, rezemos para não se levantar uma revolução com arrotos de desespero. [Faço um aparte para revelar que não me apetece mudar de parágrafo. Se é para poupar que se poupe também nas linhas de escrita, no paleio, e, sobretudo, no papel. Nada melhor do que ligar um botão, acender um monitor, tocar numas teclas e deixar rolar o que a mente soltar…]. Mas, adiante que a hora de virar o texto já se aproxima bem como o viragem de ano. Dou-vos um conselho gratuito: Aproveitem, tal como eu costumo ser adepta, para deixar o ano arrumado, limpo, sem migalhas, roupa ou chinelos pelos cantos. Levantem a moral e pensamento positivo. Dêem-se graças pela saúde, pela paz, pela alegria, pelo amor e pela sã irmandade. Supliquem pelos doentes, pelos famintos e pelos desalojados do ser e do ter. Abracem o cônjuge, o amigo, o pai, a mãe, o irmão. Mimem o gato, o cão, o pássaro enjaulado, o porquinho-da-Índia, o periquito. Reguem a planta sequiosa por um carinho e um sorriso. Aparem a relva do queixume diário. Limpem a alma da desgraça e deem um pão a quem dele necessita para sobreviver. Lembrem-se que pior que nós está o outro, que tem de levantar cedo e seguir por caminhos e ruelas para tirar o leite à pobre da mimosa, digo a Vaca, açoriana. Que não nos falte o leite, o queijo, a manteiga e o fabuloso iogurte da tal Vaquinha simpática e acolhedora. Ao menos que esta seja a produção açoriana/ilhoa que agrada a gregos e troianos. Por este andar ainda apanho um raspanete por escrever nomes que não deviam vir à flor da tecla. Que não faltem é flores nos canteiros da vida. Que não faltem as rimas do amor. Que abunde a Vida! Desejo a todos, sem exceção, um virar de ano brilhante, abundante de ser e que o Novo Ano de 2012 sorria. Nascemos com pouco e contentemo-nos com «os poucos essenciais» para um dia de cada vez. Beijos e abraços: “à tout le monde”, “to all of you”, para TODOS… TODOS!
Angra do Heroísmo, 29 de Dezembro de 2011 (está quase, quase…)
Rosa Silva (“Azoriana”)
Na trova que ora espelho
A cada membro do povo:
Digo adeus ao ano velho
Quando, aceno ao Ano Novo.
Ano Novo, vida nova?!
Há quem diga que é verdade;
Por mim, que ando à prova,
Já vou sentindo a idade.
Não se olhe para trás
Quando pela nossa frente
Vem um tempo que é capaz
De mudar o tempo à gente.
Exame de (in) consciência
É tema de inspiração…
Ninguém culpe a Providência
Pla desordem que há então.
Vamos a toque de passos
Agoirando mau futuro;
Por agora vão abraços
Ao mais tenro e ao maduro.
A todos, sem exceção,
Meu abraço lisonjeiro.
Obrigada pela atenção;
Bem-vindo seja janeiro!
Rosa Silva (“Azoriana”)
Há pessoal na nossa terra
Que começa a criticar
Porque eu inverto a serra
No canto a improvisar.
O pico vem ao de cima
Em vez de virar para baixo
É assim a minha rima
Com ela não me rebaixo.
Toda a gente tem estilo
Cada qual à sua maneira
Com outros eu nem refilo
Para não sair asneira.
Com intuito de me ajudar
Vão dando opiniões
Todo o que não se enganar
Venha dar-me, então, lições.
Sofro muito p’la calada
Com meu peito a escaldar
Mais vale não dizerem nada
P’ra rima não se assustar.
O colo é para abraçar
A rima que vem altiva
O coração para amar
Quem gosta que ela viva.
Quero que fiquem cientes
Talvez um pouco pela rama
Os que forem inteligentes
Verão que o verso me chama.
Se ao contrário está meu juízo,
Temos pena, ninguém se iluda;
A cantar de improviso
Com regras, Deus me acuda!
Rosa Silva
Artigos anteriores que me causaram grande alegria misturada com a emoção. Na imagem, abaixo, encontra-se um livro feito de flores, da autoria de John Bettencourt, que me foi oferecido no dia do lançamento do meu primeiro livro intitulado Serreta na intimidade. Ao clicar na imagem que republico, irá encontrar um sonetilho modificado à luz do sonho transformado em realidade a 2 de Abril de 2011.
A rosa amarela, para mim, simboliza a presença, contente, de alguém que gostou desta efeméride para a freguesia da Serreta, para mim e para quem esteve presente no lançamento. De facto, na altura, chamou-me a atenção esta bela surpresa de amigos.
Estou perplexa comigo mesma. Desde o dia sete de dezembro que não postava uma linha, uma imagem, um bocejo sequer. Talvez nem tenham dado por isso. Anda tudo atarefado com os preparativos para o festejo do nascimento de mais um menino ou Menino. Será?! Confesso que esta época mexe sempre com o mais íntimo do meu cérebro e do meu coração. Dou mais pelo que nos faz lacrimejar, dou mais pelo que está sujo, dou mais pelo que está só e também ausente. Falta-me as vozes de outros tempos, os olhares quentes de quem nos queria bem de verdade. Hoje, qualquer coisita é coisa, qualquer palavra mais áspera é motivo de mudança de critério, qualquer bocejo é ventania ou tempestade. Sinto falta da casa quente de vozes com palavras mansas ou sobressaltadas. Está tudo nos seus lugares, tudo lavado e arrumado. Até as gavetas não se mostram queixosas. Nem os pratos permanecem no ancoradouro da serventia. Nem os gatos miam apenas se ouve o ronronar na cama humana. Nem a cadela e o novo cachorro padecem de abandono. Está tudo nos devidos lugares: os verdes planados; os azuis pasmados; as rosas-de-japão florescendo e caindo; as pedras são estatuetas da emoção; a casa é o nosso mundo de fim de semana. Quem ama sujeita-se a ser feliz com pequenas coisas e das mais simples.
Portanto, postar ou não postar é uma questão de dias. Os dias estão a ser ocupados com o ambiente familiar na simplicidade que me/nos resta. Até me deu para varrer a zona dos caixotes de lixo públicos. Acho que se esqueceram da zona dos Folhadais, nem os próprios moradores se incomodam com o aspeto da sujidade do caminho. Valha-me o que os antigos me ensinaram: casa limpa e rua limpa (para não dizer, textualmente, cag***ão à porta - transformando os asteriscos em letras - "alh").
Bom domingo para todos!
Se em tudo o que fizermos dermos um toque de Amor, será mais fácil. Amanhece dando um Bom Dia à vida! Aquece a água da bondade, coloca na chávena um pensamento feliz, bebe a doçura da paz e abençoa o porvir. Lembra-te que se cá estás é porque ainda tens muito para receber e dar. Aproxima-se uma época de Luz, Festa e Amor. Não a desperdices com futilidades. Lembra-te que o essencial está em ti, em mim, nas nossas mãos, nas palavras que proferimos, na nossa ação. Não esperes mais do que poderás dar. Apenas lembra-te que tudo o que fizerdes por Amor terá sucesso.
Não há lei melhor do que a do Amor, andes por onde andares. Os homens criam muitas leis que podem vir a ser revogadas, retificadas, reformuladas... mas a lei maior do Amor jamais será anulada. Portanto, vem aí, em primeira instância a natividade de Nossa Senhora. Mesmo que não creias, nem a adores pensa na tua própria mãe, que te deu à luz. Pensa nas noites e dias que ela passou ao teu redor, a tentar que o teu choro virasse riso, que a tua dor virasse alegria, que o teu mundo fosse semelhante a um céu na terra. Todos temos uma mãe, pelo menos. Quem crê, acredita que tem mais que uma: a Mãe de Jesus, dos Homens e a sua.
Estamos na véspera da Festa da Senhora da Conceição. O seu Santuário, em Angra do Heroísmo, está excelentemente ornamentado com a pureza das flores alvas. Bem-haja quem ornamentou o Altar de Maria. Está digno de ser apreciado e elogiado. Transmite uma paz e apetece lá ficar contemplando Maria e os novos santos dos altares laterais. Pena que não tenha descoberto de quem se trata mas julgo que serão os santos recentemente aclamados.
A oito de dezembro é o princípio da solenidade natalícia. Caminha-se para o nascimento do seu filho numa repetição que serve para lembrar que há que pausar os trabalhos rotineiros para festejar quem nos Ama. Com Ele tudo, sem Ele nada. Ele é o símbolo do Amor, disso não duvides.
Rosa Silva ("Azoriana")
Abro a janela aos jornais
Com notícias em fervura
E às letras capitais
Junta-se a dor em figura.
Apetece-me agradecer
A quem zelou pelo bem
De Angra e do seu viver
Mas que maior razão tem.
Ao perder-se um ente querido
Há um luto interior
Que carece ser vivido
Repensando a nova dor.
Todos temos ideais
Dores, penas e tristeza,
Mas também somos mortais
Não importa a natureza.
Drª Andreia Cardoso
Com toda a dedicação
Desde a criança ao idoso
Fez justa a sua ação.
Homenagem lhe é devida,
Dou-lha com sinceridade,
Pois dedicou uma vida
À nossa comunidade!
Aos que lhe seguem os passos
Em justa solidariedade
Mostram ao povo que há laços
De grande fidelidade.
Há que enfrentar com esperança
Desafios inesperados
O mundo está em mudança
Com crise por todos os lados.
Rosa Silva ("Azoriana")
Há uns anos a esta parte que enfeito a sala com uma árvore artificial para simbolizar a época de festa do nascimento do Menino Jesus, símbolo de tudo o que é puro, fresco e bom. Não é fácil, com este procedimento, atingir o verdadeiro perfume da quadra. Falta aquela essência que a árvore verdadeira traz para o lar, desde os campos que a criam. Tenho, sobretudo, saudades de ir ao campo, subindo veredas e canadas, para colher os “verdes” belos para construir uma espécie de representação do tempo bíblico. Já lá vão uns bons anos em que a pureza e inocência me enchiam os sentidos de alegria, fé e esperança. Hoje, tudo é relativo mas ainda subsiste aquele encanto pela simbologia criativa de um mundo exemplar para o homem: o Nascimento do Deus Menino.
Portanto, esta volta a um passado que aflora a mente nesta altura, venho solicitar a quem me ler algo especial: uma árvore verdadeira com aquele perfume do campo. Em troca (porque nada se faz, hoje em dia, sem recompensa) dou um dos meus livros autografado, se assim o desejarem, com a rima verdadeira e reconhecida.
Que o teu Natal seja
Verdadeira imitação
Do que se vê na igreja
Antes da ressurreição.
Porque Deus se fez pequeno
Para o homem ser maior
Por isso daqui aceno
Pra que o mundo seja melhor.
O perfume de Jesus
É feito da natureza
Que se enfeita de Luz
E de cores da beleza.
Não se negue tal processo
De festa humanitária
Seja feliz o regresso
De bênção comunitária.
Rosa Silva (“Azoriana”)
A ida aos «verdes» (uma história verdadeira do meu Natal)
Era uma vez… Não… não se trata de um conto infantil mas um conto verdadeiro da minha infância. Então era assim:
Na véspera de se construir o verdadeiro e perfumado presépio, minha prima (a quem chamava de titia), minha irmã e eu, íamos volta acima, por entre um frio de rachar, procurar nos valados campestres os tais «verdes» aveludados, musgos de várias tonalidades, alguns ramos das perfumadas árvores para enfeitar o nosso meio da casa, vulgarmente conhecido pela sala, o compartimento principal de receção das visitas. Era uma verdadeira euforia, sobretudo, para nós, «as pequenas» que eram o motivo principal de tanta azáfama.
Chegadas a casa com os cestos de vimes cheios do material campestre, era tempo de começar na busca das caixas que guardavam as figurinhas do presépio. A cabana do Menino tinha de ser construída de pedra leve e com algum volume, de cor de vinho. Armava-se a dita Gruta do Menino Jesus e colocava-se a vaca, o burro, algumas ovelhinhas, o Anjo na entrada, e, sem falta, S. José, Nossa Senhora e o Menino nas palhinhas, risonho e de braços abertos como que a agradecer o nosso feito.
Depois era o talhar de uma verdadeira aldeia com casas de madeira feitas pelo meu pai, ruelas de farelo da dita madeira, pedrinhas a marcar o território de passagem de figurinhas de pastores, reis Magos e uns tantos “bonecos” que tinham anos e anos de entusiasmo natalício.
Quando se concluía tal tarefa gratificante, ficávamos a olhar aquela maravilha. Um canto da sala estava ocupado com as coisas do Menino Jesus e ninguém ousasse mexer naquela fantasia. A árvore natural, sem pisca-piscas (naquele tempo ainda não havia essa modernidade), alegrava o ambiente com umas bolas reluzentes e uns postais que vinham dos familiares emigrados, uns chocolatinhos, laranjas, e o perfume da magia de Natal… Que saudades!
Depois, era uma visita frequente daquele canto até chegar o dia tão sonhado da missa do galo e das prendas no sapatinho que ficara junto ao fogão de lenha, na chaminé. Supostamente seria por ali a entrada do Menino Jesus (não se conhecia ainda o tão falado Pai Natal). Mas para tal acontecer tínhamos que cumprir uma ordem: dormir uma sesta para estarmos despertas à meia-noite para o beija-pé do Menino, no fim da missa do galo, com os magníficos cânticos de Glóoooria!
Confesso que achava uma missa linda mas muito demorada… O pensamento ficara no sapato e na surpresa que seria ao entrar porta dentro numa correria para a chaminé, logo seguida das titias risonhas, dos pais e da avó. Pudera! Eles todos sabiam o que lá estava, menos a gente. Não levaram muitos anos para descobrir essa marosca.
Numa dessas sestas recomendadas pela mãe, quando já sabia que o Menino tinha mais que fazer do que andar de chaminé-em-chaminé, pus-me à socapa com olho aberto, outro fechado, para ver se ninguém ouvia a minha saída da cama quente. Puxei muito devagar a cadeira que costumava estar perto da cama da minha mãe e subi, silenciosamente, para espreitar os embrulhinhos que estavam em cima do guarda-fato. Achei! Pensei eu… Pelo volume do embrulho só pode ser uns guarda-chuvas… Certo e sabido que no sapato lá estavam os ditos cujos presentes, que não surtiram tanto efeito como outros presentes dos anos da inocência. Que pena! Foi o Natal mais triste que eu podia ter. Afinal eram eles que nos presenteavam?! Que pena! Como gostava que fosse o próprio Menino que via tão sorridente naquela manjedoura, ladeado pelo bafo de animais submissos…
Daí para a frente tudo foi ficando menos brilhante… mas não revelei a minha descoberta porque temia acabarem-se as prendas. Sempre gostei de uma prenda fosse em que altura fosse. Depois senti na pele o que era dar prendas quando vi a alegria estampada no rosto dos meus filhos. Penso que descobriram tudo mais cedo que eu. Também não o revelaram e sei bem porquê.
Hoje, acho que se perdeu essa magia. Já tudo se sabe, tudo se tornou banal (ou talvez não…)
O que nunca se perderá é o PERFUME DE NATAL, porque esse é que nos envolve num regresso à magia do passado. Que nunca se destrua o perfume do amor, da partilha, da alegria e da amizade durante as quatro semanas do Advento.
Já cheira a desejos de FELIZ NATAL para todos!
Depois de um feriado
Limpo e ornamentado
Nada melhor que regressar
Para com gosto trabalhar.
Eis que o sábado espreita…
[Sexta-feira mais satisfeita.]
Não tarda irá aparecer
A festa do re(nascer).
Antes disso, nós teremos
O canto do «ADOREMOS!»
À Virgem da Conceição
Que nos ama de coração.
Portanto, o nosso papel
É ser imagem fiel
De toda a sua virtude…
De resto, Haja Saúde!
Rosa Silva ("Azoriana")
Enquanto quadras copio
Ocorreu-me então uma
Não foi dita em desafio
Nem em ocasião alguma.
Quando da terra me for
Peço lágrimas de rosas
Para fio condutor
Das faltas mais espinhosas.
E se a Deus não encontrar
Nesse caminho da luz
Que fiquem cá a orar
Fazendo o sinal da cruz.
A morte é uma dor
Que atinge os que cá ficam
Pra se transformar em flor
Dos que em Deus acreditam.
A dor e o sofrimento
Enquanto se vive cá
Vão trazer doce momento
Quando se for para lá.
Esse caminho não sei
E nem sei se alguém sabe
O que temos é uma Lei
Onde todo o Amor cabe.
Rosa Silva ("Azoriana")