Notícia fresquinha: sábado há cantoria no edifício cultural de S. Bento

Com Maria Clara, Bruno Oliveira, Carlos "Santa Maria" e Mota. Um elenco digno de registo e aplauso.


 


Certamente que estes ilustres cantadores irão atrair as atenções de muitos apreciadores das tradicionais cantorias ao desafio. Pressinto que as duplas se irão debater da melhor forma. Se fosse por seleção minha colocaria o Mota com o "Santa Maria" e a Maria Clara com o Bruno, mas acho que podiam cantar, cada um, da seguinte forma:



Mota com Maria Clara
Mota com Bruno
Mota com "Santa Maria"

Maria Clara com Bruno


Maria Clara com Mota
Maria Clara com "Santa Maria"

E, finalmente, Bruno com "Santa Maria". Esta sim, uma dupla que me abrasaria o coração. Um porque é uma atração recente e outro, respetivamente, porque adoro ouvir os seus encantadores poemas cantados.


 


Ultimamente, confesso, tenho andado um pouco "introvertida" nos meus artigos de blog, nas quadras da minha alegria, no prazer de escrever. Sinto que me falta algo para voltar freneticamente a este rosário de sentimentos rimados que brotam do coração de ilhoa. O que será que me fará ressuscitar do marasmo literário?!


 


Cantoria famosa

 


 

 

 


Em que estou a pensar?

Em primeiro lugar, vou tentar seguir as ordens do "novo" AO - Acordo Ortográfico que retira aquelas letras que não nos fazem falta e que não pronunciamos quando falamos. Agora imaginem as letras que terão de ser tiradas (ou acrescentadas) pelas pessoas cuja pronuncia é diferente do comum dos cidadãos. Francamente, não estou para me ralar com isso. O que me rala (e muito) é o facto de haver uma greve geral (amanhã) e não me apetecer sequer em perder um dia de salário. Ainda se me pagassem o dia de ausência e se, em vez do dia de greve ser numa quinta-feira, fosse numa sexta-feira (o dia seguinte), já fazia as minhas delícias e juntava ao fim de semana o prolongamento tão desejado (que no próximo ano será cortado, certamente).

Também quero informar-vos que não tenho tido paciência para escrever e nem me perguntem a razão. Ando com vontade de fugir à realidade noticiosa. Estou, sinceramente, cansada de algumas palavras e até tirava-lhes as letras todas: crise, cortes, cortes, crise, impostos, etc.

A inspiração anda pela valeta. Despovoa-me o cérebro. A penumbra é um esconderijo vistoso e a solidão já não apresenta os mesmos contornos de outrora. Quanto mais me tento esconder do que ouço, vejo e não digo, mais sou procurada. Sinto que o mundo está a uma unha negra de se meter no precipício e levar consigo tudo o que se mexa.

Não me digam que estou pessimista, derrotista, triste, depressiva... Eu afirmo que não! Estou bem, graças a Deus.

Estou talvez como o Grupo Central com períodos de céu muito nublado, mar cavado a grosso, neblinas matinais, chuvisco e ventanias que recomendam a estadia em lugar quente e agradável.

E não me falem em greve nem em roupa ou faixa preta para assinalar o descontentamento público com a situação portuguesa ou insular. Cuidemos é de preservar o nosso ordenado que vem por ordem de não sei quem e que garantidamente querem é que haja produção e não roupa preta... Hoje nem sequer se põe luto pelos familiares mais chegados que partem em definitivo fará por um melhoramento que não passa de uma utopia.

De quem é a culpa do estado da Nação?!

Rosa Silva

Nas letras adiante...

Não sei o que vos diga
Não sei o que vos conte
Para entrar na cantiga
Mais vale ir tudo a monte.


 


A dívida é imparável
O sonho é impossível
Já tudo é aceitável
E pouco é corrigível.


 


Sem ares de abundância
Vai o mundo cristão
Se de Deus há distância
Distância há do irmão.


 


Nesta disparidade
Anda o meu pensamento
P’ra dizer a verdade
Falha neste momento.


 


Enlaça a solidão
Das palavras escritas
E anda em contramão
Das que saem bonitas.


 


Sinto o Adamastor
Nas letras adiante
Onde está o Pastor
Do meu texto abundante?!


 


Rosa Silva (“Azoriana”)

As letras caídas (AO, uma nova era)

Não sei como começar este artigo à luz de uma tentativa de seguir os primeiros ensinamentos relacionados com o AO - Acordo Ortográfico que se não é usado por todos, por enquanto, será necessariamente posto em prática por todos, quer queiram quer não. Pessoalmente, estava um pouco apreensiva com esta "nova" mudança, uma vez que sou uma mulher nascida em sessenta e quatro. Graças à generalização da formação, hoje estive presente na reaprendizagem de letras (26 do alfabeto) e palavras que suprimem as consoantes que não se ouvem, por serem mudas. As consoantes c juntas "cc", "cç",  "ct" e p "pc", "pç" e "pt" irão ser supridas a favor do que se ouve: colecionador, ação, atual, rececionista, perceção, ótimo.


 


Depois da excelente explicação da formadora (valha-nos isso!), fiquei fã da alteração, nalguns casos. Acho que a mudança devia ser mais radical ao ponto de acabarem as exceções e opções, ao gosto de palavra tida como universal. Eu abolia muito dos hífens deixados, mantidos ou surgidos no novo AO. Mas quem sou eu, afinal? Uma mulher que sempre gostou de escrever sem erros e agora vê-se na eminência de escrever alguns, enquanto não ficar uma aluna perfeita. Perfeição não há, nem nunca há de haver. Pena que a língua portuguesa seja tão complicada de aprender, usar e transmitir a quem vem visitar-nos. Penso que o AO ainda será alvo de algo novo no futuro.


 


Eis o que resumi, em quadras, praticamente no fim do dia de estudo ortográfico:


 


Na pós-formação de um dia
Que corta os "c" (cês) e os "p" (pês)
Sinto que há uma magia
Com respostas sem porquês.


 


Tiro ao fim de semana
O hífen acostumado
E entro nesta gincana
De Acordo ao nosso lado.


 


Dói um pouco aos antigos
Ficarem hoje à mercê
Do batismo sem "p", de amigos,
Que há de vir no que se lê.


 


«O que não ouves não escreves»
É a regra principal.
Escrever mais do que deves
Pode, enfim, fazer-te mal.


 


O Lince vai-me ajudar
A sair desta enrascada
É livre para instalar
E usar não custa nada.


 


Nossa língua portuguesa
Acerta seu alfabeto
Vinte e seis letras na mesa
Com seleção do correto.

Venha daí o corretor
Auto/ultra-tecnológico
Para que o processador
Seja sempre o mais lógico.


 


Que não seja Adamastor
O rochedo da escrita
Pois enquanto houver amor
Teremos língua bonita.

Rosa Silva ("Azoriana")

"Filme Um Ano Novo"

 


da Burra de Milho



A minha foi assim:



Eu tinha 15 anos. Estava na casa dos meus pais na Serreta. Pouco antes de ocorrer o sismo, ouvi o ruído de um trator na canada e corri para a janela para confirmar se eram os meus padrinhos que nos vinham visitar. Era dia de Ano Novo e era costume a visita da praxe. Com tamanha alegria corri e saí porta fora. Ao virar a esquina da casa começou um tamanho barulho, a natureza parecia ondas de papel e vi a sineira do atual Santuário de Nossa Senhora dos Milagres como nunca vira antes nem nunca mais vi, pois ficava oculta no lugar onde eu estava. Com tal ondulação tudo se mexia. As paredes da casa das minhas velhinhas primas caiu, eu gritava, gritava... Ninguém me ouvia tal o barulho que acompanhava o meu medo. Aconteceu-me algo estranho e fiquei com um frio horrendo. Não havia roupa que me tirasse aquele frio, nem o casaco grande da minha mãe.

A sensação que tinha era de último dia. Que prolongamento temeroso. Nunca mais parava aquela tremura...
Quando finalmente parou o maior, sim, porque depois vieram tantos tremores mais pequenos, as réplicas, que eu sentia todas. Parecia que as adivinhava.


Nunca mais houve sossego na nossa casa nem na dos vizinhos. Tudo queria saber em que estado estavam as casas.
Sei que alguém que vinha da banda das Doze Ribeiras deu uma triste notícia... Que morrera uma rapariga... Quando soube quem era chorei... Era a minha amiga predilecta: Zita Meneses. Tal desgraça!
Depois, depois tanta coisa... Vi todos (ou quase todos) os camiões que passavam para a limpeza da via e das casas, com pessoal vindo de fora...
Jamais irei esquecer a primeira viagem à cidade de Angra... Tudo perdido! Tudo derrubado... Uma tristeza.
Minha mãe tinha que voltar ao Hospital pois estava apenas a passar o Ano Novo com a família (sofria de esclerose múltipla) mas não foi possível ficar no Hospital... Não havia lugar para pessoas que não tivessem em perigo de vida. Foi para o Liceu mas não tardou a chegar a casa de táxi.
Dormíamos de olhos abertos numa sala todos juntos. Ninguém ousava deitar-se no seu quarto.
Eu não ia à casa de banho sozinha. Não ia sozinha a lado nenhum nem permitia que apagassem a vela que iluminava a escuridão infinita.
Ainda hoje fico gelada ao pensar naquele dia de Ano da destruição, morte e memória colectiva.
Estou disponível para o que for necessário porque a única coisa que o Sismo de 80 me trouxe foi a razão para ter o 1º emprego. Trabalhei no GAR - Gabinete de Apoio e Reconstrução de Junho de 1982 até Fevereiro de 1985.
O sismo de 80 acompanhou-me uma vida. Os meus 3 filhos são sobrinhos de uma tia que faleceu ao fim de 5 dias devido a ter caído junto com pedras da janela onde estava debruçada...
A minha filha até fez, recentemente, junto com as colegas uma Exposição na Escola Secundária de Angra do Heroísmo alusiva ao tema e com a presença de um fotógrafo que faleceu após essa efeméride.
E tanta, tanta coisa mais que é comum a tantas pessoas que viveram a tragédia que já conta com trinta e um anos.
Pessoas, animais, casas, cerrados e portais... Nada ficava impune à revolta da natureza que ninguém tinha poder ou mão.
Rosa Silva



 

Dia de São Valentim

11-11-11 / Capicua de São Martinho!

Imagem de hoje do SAPO

 


 

(Imagem de hoje 11-11-11 no www.sapo.pt)

 

Mas que dia interessante
Jamais se repetirá
Martinho é triunfante
E connosco brindará.

Com castanhas e bom vinho
Verdelho de preferência
Venha um gole de carinho
Cor lilás de excelência.

Bem mais que um agasalho
Agradeço a novidade
À Equipa de trabalho:

O SAPO hoje festeja
Capicua da amizade
Que São Martinho deseja.

Rosa Silva ("Azoriana")


 


Índice temático: Rosa e rimas do coração


 


Ver também: aqui e ali e acolá...

Quadras instantâneas (lembrando da Cantoria)

Sou mulher de rima leve
Não quero ferir ninguém
Mas se algum nisso se atreve
Posso responder também.

Nas ondas do improviso
Solta-se a rima no ar
Se se ganha algum sorriso
Já valeu nosso cantar.

Por vezes o dom ressalta
Com enorme emoção
De certeza nos faz falta
É cantar de coração.

O coração da cantiga
Está no cerne da Terceira
A quadra é nossa amiga
Genuína e verdadeira.


 



 


 



Rosa Silva ("Azoriana")
2011/11/10

A alma da ilha (A propósito das "Ilhas Açorianas" de Maria Fonseca)

As ilhas tocam a alma
Porque da ilha eu sou
A paisagem me acalma
E a quem já a visitou.

Nosso mar leva a palma
E o céu nos abraçou
Penso que toda vivalma
Por ele se encantou.


 


As festas das freguesias
Touradas e romarias
São um mar de tradição.

Belo azul veste a gente
Que vive o Verão ardente
Com alma e coração.


 


Rosa Silva ("Azoriana")


A alma da ilha

Parabéns, maninha!

Tudo passa veloz por este tempo que se vai mantendo, ora cinzento, ora dourado, conforme a graça do clima. Veloz também vão os nossos aniversários, sobretudo se olharmos de volta a um passado que já nos parece tão longínquo. Ainda lembro dela, a minha mana, pequenina e traquinas, a quem chamavam lá por casa "a pequena", e que hoje está mulher feita, esposa e mãe.


 


Um aniversário, na minha perspectiva, é uma festa. Trouxe este hábito desde miúda. Nos meus tempos de criança e jovem, lembro que se fazia muito caso do dia de anos, nem que fosse com um alarido diferente, um prato melhorado e tentava-se manter viva a alegria do lar festivo. Hoje, já nem se pode fazer muitos pratos melhorados mas basta uma palavra, um forte desejo de FELIZ ANIVERSÁRIO, HUMBERTA MARIA!


 


Parabéns!

Se a escrita desse pão

Se a escrita desse pão
Daquele que faz mais falta
Eu dobrava a inspiração
Pra ter “Luzes da Ribalta”.


 


[Estrela do filme mudo
Com brilho antepassado
Charles Chaplin vale tudo
E ficou sempre lembrado.]


 


Hoje a Rosa canta a rima
Pelos dedos num teclado
Se ganhar alguma estima
Tem o prazer redobrado.


 


E digo a toda a gente


Que a rima é uma terapia


É um dom que no presente
Me dá prazer e alegria.


 


Mas se fosse para escrever
À conta de ganhar pão
Acabava por morrer
Só a rima é que não.


 


Porque a rima essa fica
Nas ondas da blogosfera
Que ao mundo inteiro dedica
As luzes da nova era.


 


Rosa Silva ("Azoriana")

A ilha é... (in "Os Confrades da Poesia". Bol. 33/2011, Fev.)

A ilha é...



Bordado lilás de marés na fachada,
Cantinho de versos, solar de cantigas,
Um céu de magia no peito aninhada,
Canção de amor que no sonho me abrigas.



A Ilha é o perfume da terra lavrada
Que cai no regaço das rimas amigas;
É mar que abraça uma pedra murada
No cais da saudade de vozes antigas.



A ilha é a alma dos bravos ilhéus,
Das festas, folguedos e da Romaria:
Eu creio que é bela e filha dos céus.



A linda Terceira é um manto de cores
De Cristo Jesus e da Virgem Maria...
Merece ser o coração dos Açores!



Rosa Silva ("Azoriana")


Ponta do Queimado na Serreta


"Os Confrades da Poesia", Boletim nº 33/2011, de Fevereiro.