Jorge Morais respondeu ao meu pedido, que muito agradeço.

 Jorge Morais


Rosa ao teu pedido
Não podia ter fugido
Vou tentar começar
Hoje falo da rua direita
Que o mar sempre espreita
E nela vou relembrar

Tínhamos o Café Atlântico
Que a todos causava espanto
Com sua esplanada a rigor
Era uma enorme alegria
Quando ela se enchia
Em dia de São Vapor

A bela pensão Lisboa
Casa Chinesa casa boa
O famoso chá Barrosa
O Snack-bar Dino
A Lusa com trato fino
Casa Pinheiro muito formosa

A Solução, Loja das Chitas
Sapataria da Moda com chinelitas
E a loja Espírito Santo
De seguida Chico Rita
Era uma loja catita
Que assim fechava o canto

E por fim eu deixei
Loja dos Linhos onde trabalhei
E aí perco a calma
Não sei porque o faço
Mas sempre que por lá passo
Corta-me fundo na alma

Húmidos ficaram os olhos meus
Mas Rosa sabes que em S. Mateus
Tens a minha habitação
E Rosa também estás marcada
E sabes que bem guardada
Dentro do meu coração.







 E se entrarmos na Praça Velha
Que de todas é a mais bela
São tantas as recordações
Voltar aos tempos de rapaz
Talvez seja capaz
De mexer com tantas emoções

Se enumerar só os engraxadores
São tantos meus senhores
Que na praça trabalhava
Tantos eram os desacatos
Por um par de sapatos
Para ver quem engraxava

Tínhamos o Evaristo
O José Cagão que só visto
O manel com óculos na ponta do nariz
Ti António cauteleiro
O Moisés derradeiro
E um qualquer Diniz

E tínhamos o Cornélio da Purificação
Que tinha a mesma profissão
Só engraxava nos cafés
Era um engraxador meus senhores
Que só engraxava doutores
Não ponha a escova em quaisquer pés

E tantos outros mais
E tantos outros tais
Cujos nomes não me lembro
Mas que me fizeram voltar
E de novo recuar
Quando era pequeno

E até o engraxa
Tinha um banco e uma caixa
Mas não tinha dinheiro
Era um trabalho honrado
Trabalhando sempre dobrado
Mas desapareceram por inteiro

E assim se vai perdendo
E aos poucos esquecendo
As nossas tradições
O que ontem era verdade
Agora está bem guardado
Hoje são só recordações

 


Jorge Morais




(em resposta ao artigo anterior)


Eu tinha que responder, novamente:


 


Não te sabia em São Mateus
Mas também nos olhos meus
Paira um misto um não sei quê
Porque a lista é gloriosa
Que deste a esta Rosa
Guarda bem, vais ver porquê.

Um dia tudo reúnes
E aos poucos mais tu unes
Para os teus descendentes
E para quem como eu
Se lembra do que Deus deu
E se perde entrementes.

Lojas e gente da saudade
Que o ser humano invade
E só as ruas perduram
Diz o povo e com razão
O que foi é tradição
O que fica reformulam.

Nunca pensei que te faria
Remexer no que daria
Um manual de primeira:
Canta, canta meu amigo
Que a ilha está contigo
Até à hora derradeira!

Provas que és bravo da ilha
Com gosto na sã partilha
Aos olhares do novo mundo:
Facebook dos jograis
Faz com que Jorge Morais
Construa o verso profundo.

É assim que se começa
Nem precisa ir depressa
Porque o tempo nos ensina
Que temos o verso na alma
E a rima que nos acalma
Juntando a força Divina.

Rosa Silva ("Azoriana")

2 comentários:


  1. d. rosa
    é mais uma descoberta
    que faz de novos valores?
    deixe-lhes a porta aberta
    da tertúlia dos cantadores

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  2. creio que terão consciência
    de ter ficado em falta
    a loja onde era a agencia
    do santo amaro e terra alta

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