Acordo só para dizer

Não me apetece falar não me apetece ouvir e todos os sons me ferem e incomodam. O problema é que eu sei as causas e os efeitos todos.

Deitada na cama, portadas fechadas e só, é o mesmo que estar sentada na areia com o mar revoltado e um turbilhão de cavalos, cães e armaduras correndo na minh direção e eu nem me mexo.

Estou parada e oca, apenas a cabeça está quase, quase a estoirar como os foguetes da... Senhora dos Milagres ajuda-me a gostar do som das maças trincadas, dos trrins dos telefones, dos telemoveis e de morrer sozinha.

Afastei-me do mundo mas ele está dentro da minha cabeça.

Choro quando penso que meus filhos dependem de mim e se eu morrer não tem a casa paga.

Tanto, tanto que já dei de mim, tanto e se calhar não tem valor algum.

O que é isto perante a guerra, o fogo e quem mora contra uma valeta nas ruas ao relento?

E a pandemia? O que dizer da pandemia? Talvez em parte seja ela a culpada da minha e outras depressões.

De facto, na minha cabeça está um zumbido enorme de depressões exteriores e interiores, vulcões e insónias.

Parece que o sono está a puxar-me as pálpebras. Quem me dera a visita de médico ou psicólogo para me ajudar a chorar tudo o que vai por dentro. Mas quem tem tempo para isso? Quem faria isso a troco de uma mão vazia?

Outra vez, lembro-me de Nossa Senhora...

É a fé que me ensinaram a ter, é na fé que eu tenho de crer.

Mas tenho medo de não saber o que é morrer-se em vida.

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