A Serreta é marcante
Para todo o caminhante
Que por lá passou ou passa.
Fica na recordação
A boa aceitação
Da Virgem Cheia de Graça.
Sr. Francisco Oliveira
Das Fontinhas, da Terceira,
Registou prosa poética
Logo a seguir ao primeiro
Dia do mês de Janeiro
Ano dois mil, com ética.
Seguiu com olhar atento,
Todo o bom envolvimento
Que rege uma romaria;
Desde os tempos mais antigos
Faziam-se grandes amigos
No rumo à freguesia.
Era tamanha a alegria
Que ali se aprendia
Deixando uma saudade;
Era doce a juventude
Que repleta de virtude
Plantava sua amizade.
As carroças noutra altura,
Numa viagem segura,
Ornavam o ar de festa;
De cantigas enfeitadas,
Tingidas pelas toadas
Que um sorriso apresta.
Meu Deus, como é bom lembrar,
Os poderes daquele Altar,
Que atrai um mar de gente;
Romeiros da alvorada
Faziam a caminhada
Da promessa repetente.
Tomavam a refeição
Num ponto de eleição
Para forças recuperar:
São Carlos foi a primeira
Que o Sr. Oliveira
Resolveu retemperar.
Outrora os viajantes
Na coragem dos semblantes,
Tinham pontos de paragem:
Era a massa sovada
Vinho e festa animada
Que sortia a viagem.
O pico e sua praça
Que perfuma quem lá passa,
É centro de atenções;
Lembrava lápis de cores
Nos verdes ramos pintores
D'alegres recordações.
O povo de toda a ilha
Que a romagem partilha
Nunca mais dela olvida
Se junta a devoção
E ventila a oração
Tem ali santa guarida.
Sábado da Tradição,
Domingo da Procissão
Ao crente a alma inflama;
O sorriso da Senhora
Já vem dos tempos d'outrora
E para quem muito a ama.
Dos Milagres, a Rainha
Da Serreta, do «estrelinha»
Que na encosta da serra
Faz o ninho florestal
E atrai mais pessoal
À beleza que encerra.
Há quem ainda não viu
Esse pássaro sadio
Pelos ares da natureza;
É pequeno nesse maciço
De verdura ao serviço
Desse padrão de beleza.
Terreiro do Azevinhal,
Pico do Negrão central
E o Pico da Lagoínha,
São terceto deslumbrante
Para qualquer visitante
Cuja volta se adivinha.
Julgo que o Cedro do Mato,
Fica bem neste retrato,
De verde a perder de vista;
Fetos, Tamujo e Louro,
Folhado, Negrito são ouro,
Numa capa de revista.
Quem nos conta tudo isto,
Merece de Jesus Cristo,
Cristalina recompensa;
Nasci lá e nunca fui
Ao altar que em campo flui
Numa verdura imensa.
Sonho com a Lagoínha
Num dia de manhãzinha
Com a aurora a crescer;
O trilho sendo rupestre,
Íngreme encosta terrestre,
Gostava de conhecer.
Urge guardar pensamento,
Que dedico ao povo atento
À lendária ravina:
Tromba d'água a cavou
E seus pés a Mãe lavou
Na contemplação divina.
A água além ficou
E também não transbordou
Embelezando o local:
O «estrelinha» é residente
Que ali vive contente
Cantando seu ideal.
Sr. Francisco Oliveira
Se estiver na Terceira
E voltar àquele encanto...
Pergunte então por mim
Para que no seu jardim
Preserve as rimas que canto.
Canto à Virgem Maria,
Que a seguir ao seu dia
Tem brava Segunda-feira;
Ela gosta de Tourada
Com a praça adornada
Da folga da ilha inteira.
E nasceu o novo plano,
Santuário Mariano,
D'Imagem original;
É centro de santidade
Do emigrante saudade
Quando dali natural.
Serreta, terra de encanto
E dela gostamos tanto
Mesmo antes do que lembro;
Todo aquele que é natural
Honra o santo portal
Na dezena de Setembro.
Avé, ó Cheia de Graça
Livrai-nos da ameaça
E dos perigos mundanos;
Abençoa os pecadores
Que no auge de suas dores
Se rendem aos santos planos.
Ó Santa Virgem Maria
És a Mãe da Romaria,
És amparo das nações,
És a Mãe do Sacramento,
Da Serreta e do talento
Que povoa os corações.
És rainha imaculada
De Jesus, Mãe adorada
O Mistério universal
És uma flor dos Açores
És a fonte de valores
Rainha de Portugal.
Rosa Silva ("Azoriana")
Serreta, estrelinha. 22-08-09
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