Por entre nevoeiro


O meu local de nascimento
sempre se caracterizou pelo lenço de nuvens que parece querer abafar
as cores esperançosas dos dias claros.

Hoje senti o apelo
interno e segui na carreira que nos leva junto à orla marítima até
entrar na imensidão de verdes matizados de alvas moradias e
campanários alegres. Contam-se, no percurso, cinco sinos, de São
Mateus até à Serreta. Os sinos são alegres ou tristes: anunciam Vida e
são o seu único adeus audível. Não o ouvi. Simplesmente o vi e à Mãe.
Tinha saudades. Daquelas saudades que apertam a quem leva demasiado
tempo ausente do ninho. Não há ninho como o primeiro mesmo que esteja
coberto de nevoeiro que, aos poucos, tende a levantar. Quem conhece a
Serreta não estranha essa forma de receber.

Fui ver a praça do
pico. Está preparada para a Festa que se quer bonita e
alegre.

Na Sociedade perguntei porque o «estrelinha», o pássaro
da Lagoínha, não vinha para o centro da freguesia e o Pedro revelou-me
que se viesse os outros pássaros maiores acabariam com ele. Portanto,
é uma espécie única, preservada pela pacatez de um lugar mais perto da
serra.

O que me parece incrível é nunca ter visitado a Lagoínha
tendo vivido bem perto dela. Talvez num dia de sol radiante alguém me
levará ao coração pulsante de azevinho e encanto natural.
Talvez...

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada pela visita! Volte sempre!